Pesquisa aponta que até 2050, dez
milhões de pessoas – número equivalente a quase toda população da cidade de São
Paulo – morrerão vítimas de superbactérias
Na Semana
Mundial de conscientização sobre o uso de antimicrobianos (comemorada de 18 a
24 de novembro), a Proteção Animal Mundial chama a atenção para uma ameaça
crescente à saúde global: a resistência antimicrobiana (RAM), com sérias
implicações para a humanidade, a vida animal e o meio ambiente. Em 2019, mais
de 1,2 milhão de pessoas perderam suas vidas por infecções resistentes a
medicamentos em todo o mundo e a estimativa é que os óbitos associados à
resistência antibacteriana cheguem a 4,95 milhões. Porém, ainda mais alarmante
é que, até 2050, a RAM poderá causar mais de 10 milhões de mortes diretas – número
equivalente à população da cidade de São Paulo – alcançando o mesmo
número de mortalidade por câncer em 2020.
Um estudo realizado pela Proteção Animal Mundial em parceria com a Universidade de Bolonha aponta que três quartos dos antibióticos produzidos no mundo são usados em animais tratados como commodities no sistema de pecuária industrial. Desse total, 80% da utilização tem como objetivo evitar que os animais, a exemplo de frangos e porcos, adoeçam por conta da baixa imunidade decorrente das condições de estresse às quais são submetidos, o que inclui, em muitos casos, até a mutilação durante o manejo. Ou ainda, para promover o crescimento e, consequentemente, o abate em tempo menor. Muitas aves sequer conseguem sustentar o peso do próprio corpo por conta desse processo de engorda.
“Essa prática impulsionou o surgimento de bactérias multirresistentes e nos deixa menos capazes de combater infecções. Se não mudarmos a forma como os animais são tratados, para que eles não precisem de doses preventivas de antibióticos, cirurgias comuns em humanos como cesarianas ou o tratamento de câncer podem se tornar perigosos, talvez impossíveis, porque os antibióticos não serão eficientes contra infecções”, pondera Karina Ishida, coordenadora de campanhas de sistemas alimentares da Proteção Animal Mundial.
O estudo conclui ainda que é possível reduzir significativamente o uso excessivo de antibióticos em fazendas industriais nas próximas décadas, mesmo com a expectativa de crescimento populacional e o aumento do comércio internacional de produtos de origem animal. Para isso, é importante estabelecer regulamentações e métricas harmonizadas para monitorar e rastrear o uso de antibióticos nas fazendas, garantindo a transparência da cadeia de abastecimento de alimentos em relação a essa questão. Isso permitirá também que os consumidores façam escolhas conscientes ao adquirir produtos de origem animal.
A cooperação entre o governo, a indústria farmacêutica e os pesquisadores é fundamental para reforçar a resistência antimicrobiana e proteger a saúde humana, animal e ambiental a longo prazo.
Durante
a Semana Mundial de conscientização sobre o uso de antimicrobianos, a
organização não-governamental convida todos a considerar a conexão entre nossas
escolhas alimentares e a resistência antimicrobiana. Ao optar por alimentos
produzidos de maneira responsável e apoiar práticas de criação de animais que
reduzam a dependência de antibióticos, podemos contribuir para um futuro mais
saudável e sustentável para todos.
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