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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Empresas podem ‘e devem’ colaborar para a erradicação dos casos de violência contra a mulher

 

Renata Torres e Kaká Rodrigues, especialistas em inclusão e diversidade, falam sobre as políticas públicas existentes e a ação das organizações para a redução das estatísticas alarmantes da violência de gênero
 

Alguns começam com insultos, outros se tornam agressivos quando bebem, a maioria faz com que a mulher se sinta inferior. Os relatos de vítimas de agressão doméstica trazem diferentes histórias, mas um mesmo drama: a intolerância de gênero. De janeiro de 2020 a maio de 2022, foram registradas mais de 570 mil medidas protetivas de urgência para mulheres e meninas em situação de violência doméstica, segundo o estudo divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça, o que equivale a, aproximadamente, uma medida a cada dois minutos. 

E se este ciclo de violência não é interrompido a tempo, aumenta outra estatística que já assombra o Brasil há anos. O país registrou um pico de feminicídios em 2022, com 1410 mortes de mulheres em razão do gênero, segundo dados do Monitor da Violência, sendo o maior número de casos registrados desde a criação da Lei do Feminicídio em 2015. Só no primeiro semestre de 2023, já tivemos 722 mulheres assassinadas (um aumento de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior), segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, celebrado em 25 de novembro, evidencia ao mundo a luta feminina diária em busca do direito básico de viver. 

Kaká Rodrigues, co-founder da consultoria Div.A Diversidade Agora! e especialista em diversidade e inclusão, sinaliza a necessidade de novas medidas e políticas públicas efetivas de prevenção à violência de gênero. “Tivemos avanços na legislação que auxiliaram na proteção das mulheres, como a Lei Maria da Penha, que ajudou a coibir a violência doméstica; a Lei do Minuto Seguinte, que ampara vítimas de violência sexual; a Lei Joana Maranhão, que alterou os prazos de prescrição de crimes de abusos sexuais; e a Lei do Feminicídio, que o qualifica como uma circunstância de crime de homicídio. Porém, esses avanços não impediram que tivéssemos um pico de mortes no ano passado, o que confirma que é uma luta constante e um problema que diz respeito a toda a sociedade”, explica a especialista. 

A conscientização da população sobre os efeitos da intolerância de gênero pode ser trabalhada em diversas camadas da sociedade, inclusive e, principalmente, no âmbito profissional que ocupa a maior parte do dia a dia da população brasileira. 

Para Renata Torres, também co-founder da consultoria Div.A Diversidade Agora! e especialista em diversidade e inclusão, as organizações devem assumir uma postura ativa diante do tema. “As pessoas colaboradoras compõem a essência das empresas. Por isso, é necessário que as lideranças promovam um ambiente com segurança psicológica, para que as mulheres se sintam seguras e tenham as suas necessidades de dignidade atendidas. E, caso estejam passando por uma situação de violência, se sintam seguras para falar sobre isso, seja com a sua liderança ou por algum canal de denúncia”, explica Renata. 

De acordo com a especialista, há uma bagagem cultural que cada pessoa traz de sua vida externa ao ambiente de trabalho, “o que é saudável”, diz. Porém, ressalta Renata, trabalhar de que forma essas diferenças podem contribuir e somar para um ambiente coletivo mais harmonioso faz toda a diferença. “É importante que todas as pessoas colaboradoras reflitam sobre o tema, para, inclusive, terem a sensibilidade de perceber que algo pode estar acontecendo com uma colega de trabalho”, acrescenta Renata. 

Kaká Rodrigues reforça a importância da diversidade nesse contexto: “equipes mais diversas e inclusivas, que estiverem em um ambiente de trabalho saudável, consequentemente colaboram para conscientizar mais pessoas impactando na diminuição das tristes estatísticas da violência contra a mulher”, conclui.


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