Na abertura desta edição, painel reuniu
grandes nomes da moda e do digital para debater relação entre marcas e
consumidor
Quem
tem medo da inovação? Diante de novas tecnologias e de uma relação completamente
modificada do consumidor com as marcas, é natural que o varejo fique inquieto.
Mas, de acordo com os especialistas, o momento é propício para um movimento
justamente oposto. “Usem suas redes, elas só trazem oportunidades”, garante
Luiza Márcia Barcelos, diretora Criativa da marca que leva seu nome.
A
empresária foi uma das convidadas para o Painel de Abertura da Francal 2019,
realizado na manhã desta segunda-feira, 3. O evento, promovido pela Francal
Feiras, trouxe, ainda, para o debate, o estilista Dudú Bertholini, a diretora
da Invarejo, Cintia Lie Matuzawa, o especialista em comportamento de consumo
Bruno Pompeu, Fernando Souza, da FS Consultoria, e Daniel Lima, diretor do
Conselho Consultivo da Francal Feiras.
“O
varejo tem a função mediadora de levar às pessoas o que elas querem. E o que
elas querem hoje? Não é produto, não é preço. Hoje, o consumidor se molda pela
lógica das redes sociais. Assim, ele é o centro de tudo, é imediatista, e não
entende mais o que é distância, aprendeu nas redes que tudo está ao alcance da
mão”, resume Bruno Pompeu, que é também sócio-fundador da Casa Semio.
Para
ele, o varejo deve buscar entender a necessidade do cliente. “O varejo nunca
foi um lugar para entrar e comprar, não é uma barraca de feira. As suffragettes encontravam nos
magazines um lugar de acolhimento, com cuidado para os filhos e revistas com
assuntos femininos. O varejo é um lugar de acolhimento. Se você entende seu
consumidor, consegue acolhê-lo muito bem.”
“Está
cada vez mais fácil falar com consumidor, mas, hoje em dia, não basta só falar,
tem que dialogar”, avalia Fernando Souza. Para ele, até mesmo as marcas
pequenas têm em mãos grandes oportunidades por meio das redes, com perfis no
Instagram, por exemplo. “Dá para começar com bem pouco, hoje em dia.”
Em
sua relação direta com as redes sociais de sua marca, Luiza Márcia Barcelos tem
uma rotina que inclui responder diretamente aos comentários dos clientes em
seus perfis. “Espero meu marido dormir, e vou trabalhar. Sem as redes eu
levaria muito mais tempo para fazer uma coleção, por exemplo.”
Luiza
entende também que a escolha, hoje mais do que nunca, está no consumidor. E,
para garantir que essa experiência seja a mais prazerosa possível para ele, é
fundamental orientar a equipe. “Treinar para dar carinho, para mimar o cliente.
Meu cliente é minha razão de viver”, ensina.
Cintia
Matuzawa, que coordena, ainda, os cursos de Visual Merchandising do Isttituto
Europeo di Design (IED), menciona também a modificação física do varejo em si.
Para ela, alguns lojistas já perceberam “o que não funciona mais”, e
transformaram a tipologia de suas lojas. “Há lojas sem vitrine, sem bloqueios
físicos, outras em que o caixa vai para o centro, já que não é só mais uma
relação comercial, mas, sim, social.”
As guide shops, por exemplo,
são um movimento que tende a se fortalecer, de acordo com Dudú Bertholini. “O
cliente às vezes tem medo da mudança, mas, depois de uma experiência
bem-sucedida, ele já se fideliza”, exemplifica. Para ele, tecnologias como a do
QR Code o blockchain, e o body scan têm tudo para se expandir. “O multicanal já
é o presente e vai ser o futuro”, resume.
O
foco que, no passado, recaía nas peças publicitárias, para guiar o investimento
em marketing de uma marca, hoje, para Bertholini, deve ficar na organização do feed das redes. “A ideia de
que uma supermodel vai garantir as vendas foi por água abaixo. Hoje a palavra é
veracidade, usar estratégias como microinfluenciadores que falam diretamente
com seu cliente”, comenta.
“O
consumidor é o canal, não importa se a loja é física, se é digital ou no ponto
de venda. Importa menos fricção e mais a experiência com integração do
digital”, explica Daniel Lima, diretor da Francal Feiras. “O produto no ponto
de venda é agora coadjuvante.”
Para
ele, o futuro está nas mãos de marcas que entregam experiências ao consumidor.
“Elas estão muito mais à frente”, define. “A Francal entendeu que o papel dela
é de melhorar a conexão consumo e varejo. Trouxe todas essas tendências e
experiências para o varejo, integrando com o digital a experiência relevante. E
um varejo mais forte se traduz em um consumo mais forte.”
FRANCAL
2019 – 51ª Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios
De 3 a 5 de junho de 2019
Horário: das 10h às 19h
Local: Expo Center Norte, São Paulo
Promoção/Organização: Francal Feiras
Apoio Institucional: ABICALÇADOS – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados e ABLAC – Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados.
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