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quarta-feira, 9 de março de 2016

O produto financeiro “da moda”: quais os riscos de ficar trocando de investimentos?





De tempos em tempos surge um produto financeiro que entra na “moda”. Todo mundo começa a elogiar, dizer que está ganhando dinheiro, etc. Essa situação faz com que as pessoas comprem, mais e mais, o produto, o levando uma grande ascensão. O caso é que depois de um tempo, outro produto surge, e o mesmo se repete, de novo e de novo.
Isso já ocorreu com o mercado de imóveis, bolsa de valores (ações), com o LCI/LCA e agora, o produto da moda dos brasileiros é o Tesouro Direto. Trata-se de um excelente produto financeiro, garantido pelo governo federal, e que tem trazido uma boa rentabilidade para os investidores. Em algumas modalidades, paga-se algo como 6% ao ano mais IPCA. Quando se compara isso com os juros reais quase inexistentes dos países desenvolvidos, dá pra se perceber que o produto é muito bom e seguro.
Mas o que chamo à atenção nesses produtos financeiros “da moda” é que deve se ter muito cuidado para não ficar girando o patrimônio e acabar perdendo dinheiro nessas mudanças de local onde o dinheiro está aplicado. 
Cada vez que você tira o seu dinheiro de um lugar e o movimenta, ele gera o pagamento de taxas (na maioria das vezes, caríssimas), despesas com cartórios, pagamentos de impostos sobre o lucro, IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras), etc. Quanto menos você gira o seu patrimônio, menos dinheiro você dá para o sistema financeiro.
Quem tem dinheiro aplicado em uma corretora de valores sabe que os seus representantes ficam sempre atentos e sugerindo “ofertas fantásticas”, que sempre geram taxas de corretagem e despesas, e acabam comendo, com o tempo, uma parte relevante do patrimônio do investidor. O gerente do banco pressionado a bater metas (sob pena de perder o cargo) sai ligando para a sua lista de clientes e tentando vender vários produtos, que no fim são sempre melhores para o banco do que para o consumidor.
Então, fique atento e não fique girando o seu patrimônio. Estude bem a movimentação de seu dinheiro antes de fazê-lo e verifique sempre o que você pode ganhar e os custos de se tirar a aplicação de um setor e levar para o outro. Peça por email sempre o valor das despesas, pois isso quase nunca é passado pelos corretores. E não se esqueça nunca, você é o único e exclusivo gerente de sua conta. 
Por fim, fique de olho, evite girar patrimônio e dar dinheiro fácil para o sistema financeiro e concentre-se nas alternativas que realmente são boas pra vocês. Cuidado com produtos financeiros “da moda”!  


Lélio Braga Calhau - Promotor de Justiça de defesa do consumidor do Ministério Público de Minas Gerais. Graduado em Psicologia pela UNIVALE, é Mestre em Direito do Estado e Cidadania pela UFG-RJ, palestrante e Coordenador do site e do Podcast "Educação Financeira para Todos". www.educacaofinanceiraparatodos.com 

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