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quarta-feira, 4 de março de 2026

Medicina integrativa: quando o tratamento contra o câncer vai além do combate à doença

Centro de Oncologia Campinas desenvolve programa focado na linha de cuidados que envolve corpo, mente e espírito


 O combate ao câncer não se resume à eliminação das células malignas. Alguns dos principais centros oncológicos do mundo lançam mão da medicina integrativa como meio de priorizar a totalidade do tratamento contra a doença. A abordagem combina tratamentos convencionais, como quimioterapia, radioterapia e cirurgia, com práticas complementares baseadas em evidências científicas. É o cuidado que envolve corpo, mente e espírito.

O Centro de Oncologia Campinas (COC) tem investido cada vez mais em diretrizes vão além da quimioterapia e da radioterapia. A instituição desenvolve um programa robusto de medicina integrativa, que oferece terapias complementares para atender tanto pacientes em tratamento ativo quanto aqueles já em fase de reabilitação ou acompanhamento pós-tratamento. São atividades gratuitas direcionadas também àqueles que já superaram o câncer.

O programa de medicina integrativa do COC inclui uma gama diversificada de práticas terapêuticas. Entre as modalidades oferecidas estão: ioga, reiki e acupuntura; arteterapia, atividade física e nutrição personalizadas; e cuidado psicológico para o paciente e familiares.

O termo “medicina integrativa” possui definição precisa entre especialistas. “É a subespecialidade que une tratamentos médicos convencionais com modalidades complementares seguras e eficazes. Prioriza a totalidade do paciente e baseia todas as decisões em evidências científicas rigorosas”, detalha o oncologista Fernando Medina, diretor do COC.

"O tratamento contra o câncer vai além do combate à doença. Paralelamente à eliminação das células cancerosas, é preciso cuidar da mente, do espírito e do restante do corpo do paciente", explica Medina.

Uma das inovações do programa do Centro de Oncologia Campinas é a inclusão de terapias artísticas. A arteterapia — que inclui trabalhos com argila, pintura, colagem e outras expressões — permite que o paciente explore e comunique aspectos emocionais que muitas vezes não conseguem ser verbalizados. A técnica, mediada por psicólogos especializados, utiliza a arte em barro como ferramenta de expressão e transformação emocional.

A dança também está inserida no rol de atividades terapêuticas do COC, trabalhando a expressão corporal, o movimento e a liberação emocional de forma lúdica e acolhedora.


 Programa gratuito

O diferencial do programa do COC é sua abrangência. As terapias integrativas não se destinam apenas aos pacientes em tratamento ativo — quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia —, mas também àqueles que já concluíram o tratamento e buscam reabilitação física e emocional, além de prevenção de recorrências.

"O propósito da oncologia integrativa é otimizar a qualidade de vida, atenuando os efeitos físicos e emocionais que podem envolver esse período da vida do paciente", destaca o oncologista.

As aulas e atividades acontecem de forma gratuita na recém-inaugurada Casa de Bem-Estar, um lugar pensado para oferecer cuidados. Localizada em frente à sede do Centro de Oncologia Campinas, à rua Alberto de Salvo, 432, em Barão Geraldo, a Casa do Bem-Estar promove o senso de comunidade essencial para a sustentação do atendimento humanizado priorizado pelo COC.

A Casa do Bem-Estar é também um ponto de encontro, um local para troca de experiências e vivências fora da área do Centro de Oncologia Campinas. Todas as atividades são supervisionadas por profissionais e têm acompanhamento da psico-oncologista do COC, Ana Luiza Nobile Cassiani.


 Indicações

Estudos recentes indicam que mais de três quartos dos pacientes oncológicos recorrem a alguma forma de terapia complementar durante o tratamento. O problema é que, historicamente, isso acontecia às escondidas dos oncologistas, muitas vezes baseado em dicas de internet ou relatos de terceiros, sem supervisão médica adequada.

A medicina integrativa visa justamente trazer essas práticas para dentro do ambiente hospitalar, onde podem ser monitoradas, protocoladas e integradas ao plano de tratamento global.

A seleção das práticas alternativas é rigorosa e baseada em revisões sistemáticas de literatura médica. Algumas modalidades, porém, acumulam evidências suficientes para serem recomendadas por sociedades médicas internacionais.

“A acupuntura é um exemplo emblemático. Pesquisas consistentes demonstram sua eficácia no controle de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, alívio de dor neuropática e redução de xerostomia (boca seca) causada por radioterapia. Tanto que guidelines de oncologia de todo o mundo a recomendam como parte do arsenal terapêutico”, esclarece Medina.

O exercício físico supervisionado é outro caso de sucesso. Contrariando a antiga crença de que o paciente oncológico deve repousar, estudos robustos mostram que a atividade física regular reduz fadiga, melhora a qualidade de vida, fortalece o sistema imunológico e pode até mesmo influenciar positivamente a resposta ao tratamento.

 

COC - Centro de Oncologia Campinas
Rua Alberto de Salvo, 311, Barão Geraldo, Campinas.
Telefone: (19) 3787-3400.


Além da comemoração: mês da mulher acende alerta para a saúde preventiva feminina

 

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Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que o câncer do colo do útero está entre os mais incidentes entre as mulheres; especialista da Saúde Livre Vacinas ressalta a importância da imunização contra o HPV e outras doenças 

 

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, uma data que simboliza força, resistência e conquistas históricas, o debate sobre o cuidado com a saúde e o bem-estar feminino ganha destaque. Mais do que uma comemoração, o período é o momento para estimular informação qualificada e hábitos preventivos que fazem diferença na rotina das mulheres, principalmente diante dos dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgados recentemente na pesquisa Estimativa 2026–2028, que indicam que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028. Entre as mulheres, o câncer do colo do útero está entre os mais incidentes. 

Para a Dra. Rosane Orth Argenta, sócia-fundadora e CEO da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização, os números evidenciam a importância de ações simples, mas que salvam vidas, como manter as vacinas em dia. “A vacinação é uma das formas mais eficazes de combate à diversas doenças graves, não apenas contra o HPV. No caso das gestantes, tomar vacina ajuda a evitar complicações durante a gravidez e garante a segurança do bebê desde o momento do nascimento”, ressalta. 

No meio da correria do dia a dia, entre trabalho, estudos e família, cuidar da saúde às vezes fica para depois. Mas atualizar a caderneta de vacinação é um ato de amor e responsabilidade consigo mesma. Pensando nisso, a Dra. Rosane listou as vacinas indispensáveis para mulheres e gestantes. Confira:

Gardasil 9 (HPV nonavalente) – Protege contra os cânceres de colo útero e também contra os cânceres de vulva, vagina, ânus, cabeça, pescoço e orofaringe. É indicada para meninas e mulheres dos 9 aos 45 anos de idade.

Hepatite A+B – A hepatite A é uma doença viral que inflama o fígado e pode causar sintomas como febre, dor abdominal, náuseas e vômitos. Na maioria dos casos, é uma doença benigna que se resolve em algumas semanas. Já a hepatite B é uma doença viral que pode causar problemas de saúde, como cirrose hepática e câncer de fígado. A gravidade da doença varia de pessoa para pessoa. A vacina protege em uma mesma aplicação contra os dois tipos de hepatite e é indicada para todas as idades. No caso da vacina contra a hepatite B, também é indicada para gestantes.

Febre amarela – Doença infecciosa causada por vírus, que se manifesta por febre, dor no corpo, amarelão, fraqueza e com alto risco de óbito em suas formas graves. Além disso, esse imunizante deve ser tomado a cada 10 anos e, por ser exigido para alguns destinos em viagens internacionais, a caderneta de vacinação deve estar atualizada. É indicada a partir dos 9 meses de vida até os 60 anos de idade.

Influenza – A vacina contra a gripe protege durante o período de maior circulação dos vírus, reduzindo os casos de agravamento da doença, as internações e os óbitos. Indicada para todas as idades e gestantes também.

Herpes-Zóster – É uma infecção que resulta da reativação do vírus da varicela zóster de seu estado latente em um gânglio da raiz dorsal posterior. Essa vacina é recomendada a partir de 50 anos como rotina, mas pode ser feita a partir de 18 anos para pessoas com maior risco, para prevenir a doença e complicações graves, como a neuralgia pós-herpética.

Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Abrysvo – Recomendadas contra o vírus sincicial respiratório, a VSR é indicada para gestantes e adultos acima de 60 anos. Já a Abrysvo é indicada para maiores de 18 anos e para quem tem alguma comorbidade, como uma predisposição a doenças causadas pelo VSR.  

“Os imunizantes agem na produção de anticorpos que protegem contra o vírus sincicial respiratório. No caso de mulheres grávidas, esses anticorpos são passados para o bebê através da placenta. O recém-nascido estará protegido até os 6 meses de vida", explica a Dra. Rosane Orth Argenta. 

dTpa (DIFTERIA, TETÁNO E COQUELUCHE) – Essa é obrigatória para gestantes porque protege a mãe e o bebê de doenças como a coqueluche, o tétano e a difteria, estimulando o organismo da gestante a produzir anticorpos contra as bactérias causadoras das doenças. 

“Essa vacina é fundamental pois diminui o risco de infecção da mãe e evita que a gestante transmita a coqueluche ao recém-nascido. Neste caso, os anticorpos também passam para o bebê através da placenta, protegendo-o nos primeiros meses de vida”, esclarece.

Qdenga – Indicada para pessoas de 4 a 60 anos, independentemente de terem tido dengue antes ou não. Ela protege contra os quatro sorotipos do vírus da doença e é aplicada em um esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre elas. 

Pneumo 15 (Vaxneuvance® – MSD) – Protege contra 15 sorotipos de Streptococcus pneumoniae. Indicada para crianças a partir de 6 semanas de vida, adultos e idosos com doenças crônicas ou imunocomprometidos.

Pneumo 20 (Prevnar 20® – Pfizer) – Protege contra 20 sorotipos do pneumococo. É a versão mais ampla disponível. Recomendada para adultos e idosos a partir de 18 anos, em especial, aqueles que sofrem com alguma comorbidade, como diabetes, DPOC, doenças cardíacas, entre outras.

   

Saúde Livre Vacinas

 

Sobrecarga feminina amplia riscos físicos e emocionais

Rotina de trabalho, casa e cuidados postergam check-ups e acompanhamento da saúde mental das mulheres

 

A soma das jornadas, como trabalho, casa, família e cuidado de outras pessoas, segue postergando a saúde das mulheres para o fim da lista. Em 2022, mulheres com 14 anos ou mais se dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e/ou ao cuidado de pessoas, quase o dobro de tempo entre homens (11,7 horas), segundo o IBGE. Essa sobrecarga aparece nos consultórios como consultas adiadas, exames fora do prazo e uma busca por atendimento apenas quando sintomas persistem ou se agravam. 

Do ponto de vista da prevenção, o atraso tem efeito direto sobre o rastreamento e a detecção precoce. Nas capitais e do Distrito Federal, o Vigitel do Ministério da Saúde mostra que, em 2024, 75,2% das mulheres de 50 a 69 anos relataram ter realizado mamografia nos últimos dois anos. Já a cobertura do exame citopatológico (Papanicolau), entre mulheres de 25 a 64 anos, ficou em 80,3% no mesmo período. Embora positivos, os indicadores não anulam os riscos: lacunas individuais permanecem quando o acompanhamento é irregular, feito fora do tempo recomendado ou interrompido por falta de tempo de agenda. 

A dimensão emocional também pesa. O Vigitel aponta aumento no diagnóstico médico de depressão entre mulheres nas capitais e no DF, chegando a 19,7% em 2024. No mesmo levantamento, 31,7% das pessoas relataram sintomas de insônia, índice maior entre mulheres (36,2%) do que entre homens (26,2%). 

“Quando a mulher passa muito tempo operando no modo ‘dar conta de tudo’, ela tende a normalizar sinais que deveriam acender alerta: exaustão persistente, alterações de sono, ansiedade, sintomas depressivos, dor pélvica e sangramentos fora do padrão. Adiar avaliação e acompanhamento transforma incômodos tratáveis em quadros mais complexos”, afirma Dra. Aline Marques, ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana. 

O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário do câncer de mama. De acordo com a estimativa mais recente disponível do Ministério da Saúde e do INCA (válida até 2025), o Brasil deve registrar 73.610 novos casos de câncer de mama. O levantamento aponta ainda que o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias em 2024, sendo 2,6 milhões na faixa etária prioritária (50 a 74 anos), e registrou mais de 20 mil óbitos por câncer de mama em 2023. 

“Quando a saúde fica para depois, o risco chega antes. É por isso que incluir o cuidado físico e mental na rotina, com a mesma prioridade das outras responsabilidades, não é opção, é necessidade”, completa Dra. Aline.

 

Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br

 

Uso inadequado de produtos químicos em piscinas pode gerar riscos graves, alertam professores do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes

O recente caso ocorrido em São Paulo, envolvendo a morte de uma mulher após possível intoxicação por gases liberados no tratamento de uma piscina, reacendeu o debate sobre segurança química em ambientes aquáticos. Especialistas alertam que o uso incorreto de produtos à base de cloro pode trazer riscos sérios à saúde. 

Os professores do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, no Recife, debateram o tema em suas aulas e trouxeram algumas reflexões. Segundo o professor Andreson Freitas, que leciona Química na 3ª série do Ensino Médio e no Itinerário Formativo Método, Conhecimento e Ciência, o cloro é indispensável para garantir a qualidade da água, mas exige controle técnico rigoroso. “O cloro é um agente desinfetante fundamental. Ele elimina microrganismos como bactérias, vírus e algas, prevenindo diversas doenças. No entanto, quando utilizado fora das concentrações adequadas ou misturado de forma incorreta com outras substâncias, pode liberar gases tóxicos perigosos”, explica. 

O professor destaca que a mistura de produtos clorados com ácidos pode liberar gás cloro (Cl), substância altamente irritante para o sistema respiratório. Em ambientes fechados e com pouca ventilação, o risco é ainda maior. “A inalação em concentrações elevadas pode causar falta de ar, irritação intensa, broncoespasmo e, em casos graves, edema pulmonar”, complementa. 

Já o professor José Baía, responsável pelo laboratório de química da unidade, reforça que a segurança depende do cumprimento rigoroso de protocolos técnicos. “Não basta apenas adicionar cloro à água. É necessário monitorar parâmetros como pH, alcalinidade, cloro livre e dureza cálcica. Esses indicadores garantem que o produto esteja agindo de forma eficaz e segura”, afirma. 

De acordo com ele, o nível ideal de cloro livre deve ficar entre 1 e 3 partes por milhão (ppm), enquanto o pH deve ser mantido entre 7,2 e 7,6 para que o desinfetante funcione corretamente. Além da dosagem adequada, os professores alertam para a importância do armazenamento seguro dos produtos e do uso de equipamentos de proteção durante o manuseio. 

Outro ponto de atenção é a necessidade de fiscalização em piscinas de uso coletivo. Academias e clubes devem possuir autorização dos órgãos competentes e seguir normas técnicas estabelecidas pela vigilância sanitária e pelos conselhos regionais. “A Química é uma ciência que salva vidas quando aplicada corretamente. O problema não está no produto, mas na forma como ele é utilizado. Informação e responsabilidade são essenciais para evitar tragédias”, conclui o professor Andreson. 

Os especialistas reforçam que a manutenção da piscina deve ser realizada por profissionais capacitados e que a verificação da documentação sanitária é um direito do consumidor. O conhecimento técnico aliado ao cumprimento das normas é a principal forma de prevenção.

Dia Mundial da Obesidade: doença avança 118% no Brasil e já atinge 25,7% dos adultos

Levantamento do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostra que obesidade mais que dobrou desde 2006; endocrinologista explica por que obesidade é doença crônica e explica o fenômeno do “food noise”, ruído mental relacionado à comida, e defende que tratar obesidade é tratar cérebro, metabolismo e saúde emocional

 

No Dia Mundial da Obesidade, 4 de março, os dados mais recentes do Vigitel (Sistema de Vigilância do Ministério da Saúde) que monitora fatores de risco para doenças crônicas mostram que a prevalência da obesidade entre adultos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal aumentou 118% entre 2006 e 2024, passando de 11,8% para 25,7% da população. Esse crescimento ocorre de forma contínua e acelerada nas últimas duas décadas atingindo homens e mulheres em todas as faixas etárias. A meta do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas (DANT), que previa manter a obesidade em até 20,3% até 2030, já foi ultrapassada desde 2020.

Para Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), os números reforçam que a obesidade precisa ser encarada definitivamente como doença crônica. “A obesidade é uma doença cardiometabólica complexa. Não estamos falando apenas de peso na balança, mas de risco cardiovascular, evolução para diabetes, síndrome metabólica e impacto direto na saúde mental”, afirma.

Segundo a especialista, um dos aspectos menos discutidos sobre obesidade é o chamado food noise, termo que descreve pensamentos persistentes e intrusivos sobre comida, o que tornar um desafio a mais na luta por adotar hábitos alimentares saudáveis.

“Food noise é um sintoma da obesidade. Muitos pacientes relatam que pensam em comida o tempo todo, mesmo sem fome. Isso interfere no trabalho, no sono, no humor e na autoestima. Quando o tratamento funciona, a primeira mudança muitas vezes acontece na mente, antes mesmo da perda de peso”, explica.

A médica destaca que a obesidade também está associada a ansiedade, depressão e distúrbios do sono, formando um ciclo que dificulta o tratamento quando não há abordagem adequada.

Outro ponto relevante é o estigma. Estudos indicam que pacientes podem levar até seis anos para conseguir falar abertamente sobre o peso em consulta médica: “O estigma atrasa diagnóstico e tratamento. Precisamos falar em ‘pessoas com obesidade’ e não em ‘obesos’. A linguagem importa e influencia diretamente o cuidado”, ressalta.

A endocrinologista reforça que a obesidade permanece subdiagnosticada e subtratada, inclusive com baixa utilização de terapias farmacológicas adequadas, apesar do avanço das evidências científicas.

“No Dia Mundial da Obesidade, o mais importante é entender que estamos diante de uma doença crônica, que exige acompanhamento contínuo. Assim como hipertensão ou diabetes, não é uma condição que simplesmente desaparece. É possível controlar, mas é preciso tratar.”

 

Dra. Tassiane Alvarenga – ENDOCRINOLOGISTA E METABOLOGISTA - Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU; Residência Médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; Residência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP); Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM; Membro da Endocrine Society, SBEM e ABESO; Faz parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Passos. Sobrepeso e Obesidade. Compulsão Alimentar e Ansiedade; Obesidade Infantil; Diabetes Mellitus e Pré Diabetes: Controle da glicemia e prevenção de complicações como Retinopatia , Neuropatia , Nefropatia , Infarto do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC); Dislipidemias ( Colesterol); Doenças da tireoide ( Hipo e Hipertireoidismo, Nódulos na Tireóide); Osteopenia e Osteoporose; Seguimento pré e pós operatórios de cirurgia bariátrica; Check-up e Avaliação de rotina; Baixa Estatura; Distúrbios da Menstruação, Distúrbios da Puberdade, Crescimento e Desenvolvimento sexual; Síndrome dos Ovários Policísticos; Reposição hormonal na Menopausa e Andropausa.


Hidratação íntima: o cuidado que transforma saúde, autoestima e vida sexual

 

Ainda tratada como tabu por muitas mulheres, a hidratação íntima é um dos pilares do bem-estar feminino e precisa ser abordada com informação, naturalidade e orientação adequada.

Para a sexóloga e CMO da INTT Cosméticos, Stephanie Seitz, falar sobre saúde íntima é também falar sobre liberdade e autoconhecimento.

“A mulher foi ensinada a cuidar do cabelo, da pele, do corpo inteiro, mas quase nunca recebeu orientação sobre como cuidar da própria intimidade. E isso impacta diretamente na autoestima e na vida sexual”, afirma Stephanie.

Segundo ela, o ressecamento íntimo é uma queixa muito mais comum do que se imagina e não está restrito à menopausa. Estresse, anticoncepcionais, alterações hormonais, pós-parto e até ansiedade podem interferir na lubrificação natural.

“Quando a mulher sente desconforto, ardor ou dor na relação, muitas vezes ela acha que é ‘normal’ ou que é algo que precisa suportar. Não é. A hidratação íntima é cuidado preventivo, é qualidade de vida”, reforça.

Stephanie explica que o desconforto íntimo pode gerar um efeito em cadeia: diminuição do desejo, insegurança corporal e até afastamento do parceiro.

“O prazer começa na segurança. Quando há dor ou incômodo, o corpo se fecha. E isso não é só físico, é emocional também”.

Ela destaca ainda que produtos inadequados são um erro comum. Hidratantes corporais, sabonetes agressivos e fragrâncias intensas podem alterar o pH da região íntima e comprometer a barreira de proteção natural.

 

O olhar médico 

A ginecologista e especialista em reprodução humana, Dra. Carla Iaconelli, reforça que a mucosa vaginal é altamente sensível e responde diretamente às oscilações hormonais.

“A queda do estrogênio, especialmente após os 40 anos ou na menopausa, é uma das principais causas do ressecamento. Mas mulheres jovens também podem apresentar o sintoma. O importante é não normalizar o desconforto e buscar orientação.”

Segundo a médica, quando há ardência persistente, fissuras ou dor frequente, é fundamental avaliação ginecológica para descartar infecções ou outras condições clínicas.

 

Como cuidar da hidratação íntima? As especialistas orientam:

  • Utilizar hidratantes específicos para a região íntima
  • Observar a composição (sem álcool e fragrâncias irritativas)
  • Manter higiene adequada, sem excessos
  • Buscar acompanhamento médico em caso de sintomas recorrentes

 

Para Stephanie, a principal mudança é cultural. 

“Cuidar da hidratação íntima não é luxo. É saúde. É autoconhecimento. É poder viver todas as fases da mulher com conforto e prazer”.

A mensagem final é clara: desconforto íntimo não deve ser ignorado. Informação e orientação profissional são os primeiros passos para transformar saúde íntima em prioridade.

 

Pesquisadores identificam ‘assinatura neuroimune’ que pode prever complicações da hepatite

Estudo analisou os dados de mais de 1.800 amostras de bancos
 públicos  dos Estados Unidos, Itália, China, Espanha, França,
Alemanha, Reino Unido e Taiwan
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Rede de genes ligada aos sistemas nervoso e imunológico pode antecipar risco de câncer e até explicar sintomas como fadiga e depressão decorrente de infecção provocada por hepatite viral

 

 Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram um conjunto de genes capaz de indicar como a hepatite viral pode evoluir no organismo. Essa rede de genes, que eles chamaram de neuroimunoma, conecta o sistema nervoso ao sistema imunológico e pode servir como um biomarcador para prever desde a gravidade da lesão no fígado até o risco de câncer hepático decorrentes da infecção pelos vírus da hepatite.

O estudo, apoiado pela FAPESP e publicado no Journal of Medical Virology, analisou os dados de mais de 1.800 amostras de bancos públicos dos Estados Unidos, Itália, China, Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Taiwan. A análise incluía informações sobre tecidos do fígado e células de sangue infectadas por diferentes vírus da hepatite.

“Nossa primeira descoberta foi que as células de defesa no sangue [leucócitos] de pacientes com hepatite começam a expressar genes que são tipicamente associados ao sistema nervoso. Isso mostra que, em vez de operarem como dois sistemas independentes, eles parecem estar muito integrados por essa rede de genes e outras moléculas, que coordena respostas por todo o corpo, especialmente durante uma inflamação crônica como a da hepatite”, conta Otávio Cabral-Marques, professor da Faculdade de Medicina (FM) da USP e coordenador da investigação.

A partir de uma análise que usou técnicas de aprendizado de máquina, os pesquisadores identificaram que, à medida que a hepatite viral progride para o câncer de fígado (hepatocarcinoma), ocorre uma desregulação desses genes, com alguns deles sendo mais ou menos expressos.

“Com isso, esse conjunto de genes pode vir a se tornar um biomarcador da progressão da doença. Há mudanças claras nessa desregulação entre os estágios iniciais e avançados do tumor, o que permite monitorar o agravamento da hepatite viral”, afirma Adriel Leal Nóbile, cientista de dados e bolsista da FAPESP.

A hepatite viral é uma doença sistêmica, capaz de afetar vários órgãos além do fígado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a enfermidade, negligenciada, é a segunda principal causa infecciosa de morte no mundo, responsável por aproximadamente 1,3 milhão de óbitos por ano.


Saúde mental

As análises mostraram que genes específicos (NRG1 e DBH) ficam progressivamente alterados conforme a gravidade do câncer aumenta. “O DBH é um gene associado à produção de noradrenalina, um neurotransmissor da resposta ao estresse. Isso indica que essa via de sinalização ligada ao estresse é potencializada no ambiente do tumor avançado, mostrando uma possível relação bidirecional entre o estresse e o crescimento do tumor”, diz Nóbile.

Além disso, genes do neuroimunoma (NRG1OLFM1 e WDR62) aparecem tanto na progressão do hepatocarcinoma quanto em condições de saúde mental como depressão e ansiedade.

“Sabe o conceito de [patologia] psicossomática de Freud segundo o qual o corpo seria influenciado pela mente? Com o neuroimunoma mostramos que não é só uma interferência do sistema nervoso no sistema imune. É uma rede muito conectada”, afirma Cabral-Marques.

O estudo foi feito a partir de dados de infectados por hepatites virais, mas os pesquisadores acreditam que essa conexão do neuroimunoma pode ocorrer também em doenças diferentes.

De acordo com os pesquisadores, embora o trabalho não tenha analisado a relação entre hepatite, sistema neuroimune e a gravidade de depressão ou ansiedade, há evidências de uma forte associação entre o neuroimunoma e manifestações psiquiátricas na hepatite.

“Futuramente, o neuroimunoma pode servir como um marcador tanto para prever a gravidade da doença hepática quanto para indicar possíveis complicações psiquiátricas, tão frequentes em pessoas com hepatite. Dessa forma seria possível comprovar de forma mais assertiva a relação desses sintomas com uma base biológica, e não apenas emocional”, afirma Nóbile.

O artigo The neuroimmunome of hepatitis patients associates with disease severity pode ser lido em: onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/jmv.70742.

 


Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/pesquisadores-identificam-assinatura-neuroimune-que-pode-prever-complicacoes-da-hepatite/57322

 

Autismo em Mulheres: A Verdade Que a Saúde Feminina Precisa Enxergar

Durante décadas, muitas mulheres foram definidas como “sensíveis demais”, “intensas”, “perfeccionistas” ou “tímidas”. Poucas ouviram a palavra que poderia explicar suas vivências desde a infância: autismo. 

 O diagnóstico tardio de TEA em mulheres adultas não é exceção: é regra. Na prática clínica, segundo o neurologista Dr. Matheus Trilico, neurologista referência em TEA e TDAH em adultos, é comum atender mulheres que passaram 30, 40 ou até 50 anos tentando se encaixar.  

“Elas aprendem a observar, copiar, ensaiar interações sociais. Desenvolvem estratégias sofisticadas para mascarar dificuldades. Mas o custo emocional é altíssimo”, explica o médico.

 

O Fenótipo Feminino: quando o autismo não parece “autismo” 

Os critérios diagnósticos clássicos foram estruturados com base majoritária em estudos com meninos. O que isso significa? Que muitas mulheres ficaram invisíveis.

 

O chamado fenótipo feminino do autismo costuma envolver:

  • Maior capacidade de camuflagem social
  • Interesses intensos, porém socialmente aceitos
  • Tendência à internalização do sofrimento
  • Altos níveis de autocrítica
  • Histórico frequente de ansiedade e depressão 

Essa habilidade de “performar socialmente” faz com que muitas só recebam diagnóstico após crises de exaustão, burnout, colapsos emocionais ou rupturas importantes na vida.

 

Saúde feminina e ciclos hormonais: um ponto-chave 

A relação entre autismo e saúde da mulher ainda é pouco discutida. Puberdade, gestação, pós-parto e climatério podem intensificar questões sensoriais, desregulação emocional e sobrecarga mental. Alterações hormonais muitas vezes amplificam características que sempre estiveram ali apenas não nomeadas. 

Não é raro que o diagnóstico surja durante o climatério ou após anos de tratamentos para depressão, transtornos alimentares ou ansiedade, quando, na verdade, o TEA sempre esteve na base do sofrimento. 

“O diagnóstico tardio significa décadas de intervenções que tratam sintomas, mas não a raiz da questão. Quando a mulher entende que é neurodivergente, há uma mudança profunda: sai a culpa, entra o autoconhecimento”, reforça Dr. Matheus Trilico.

 

Representatividade importa sim 

A visibilidade também tem papel transformador. No Brasil, a atriz Letícia Sabatella compartilhou seu diagnóstico na vida adulta, ampliando o debate nacional. Internacionalmente, nomes como Greta Thunberg e Alexis Wineman mostram que mulheres no espectro ocupam espaços de liderança, arte, ciência e ativismo. Elas não representam exceções. Representam possibilidades. Mais do que diagnóstico: validação. 

Receber o diagnóstico na vida adulta não apaga o passado,  mas reorganiza a narrativa. Muitas mulheres relatam sensação de libertação ao compreender que nunca foram “difíceis demais”, e sim diferentes em um mundo pouco adaptado à diversidade neurológica.

 

Para Dr. Matheus Trilico, o avanço passa por três pilares fundamentais:

  1. Atualização dos critérios diagnósticos com olhar sensível ao gênero
  2. Capacitação de profissionais de saúde para reconhecer o fenótipo feminino
  3. Ampliação do acesso ao diagnóstico em todas as regiões do país 

No Mês da Mulher e em todos os meses falar sobre autismo é falar sobre saúde feminina integral. É reconhecer que autocuidado também envolve autoconhecimento.  

“É permitir que mais mulheres se enxerguem, busquem apoio e construam trajetórias com menos culpa e mais pertencimento. Porque quando uma mulher entende sua neurodivergência, ela não descobre uma limitação e sim descobre uma nova forma de existir no mundo, com dignidade, autonomia e verdade” finaliza o neurologista. 



Dr. Matheus Luis Castelan Trilico - CRM 35805PR, RQE 24818 – neurologista. - Médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); - Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); - Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR - Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista
Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/


Março Amarelo: Endometriose pode afetar a fertilidade. A alimentação faz diferença?

Especialistas explicam como a doença inflamatória impacta a capacidade reprodutiva e por que ajustes na dieta podem ser aliados importantes para mulheres que desejam engravidar

 

O Março Amarelo chama a atenção para a endometriose, doença ginecológica crônica, inflamatória que pode comprometer diretamente a fertilidade feminina. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 8 milhões de mulheres convivem com a condição no Brasil. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) aponta que entre 30% e 50% das mulheres diagnosticadas podem apresentar infertilidade.

De acordo com a Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em Reprodução Humana da La Vita Clinic, a endometriose ocorre quando células semelhantes às do endométrio se implantam fora do útero, podendo atingir ovários, tubas, intestino e bexiga. “Esses focos respondem aos hormônios ovarianos e geram inflamação recorrente. Com o tempo, podem provocar aderências e alterações anatômicas que comprometem o funcionamento das tubas, a qualidade dos óvulos e a receptividade do endométrio, dificultando a implantação embrionária”, explica.

A classificação mais utilizada divide a endometriose em quatro estágios. No entanto, segundo a especialista, a gravidade nem sempre corresponde ao impacto reprodutivo.

“Mulheres com doença leve podem enfrentar infertilidade, enquanto outras com doença avançada engravidam espontaneamente. Hoje utilizamos também o Índice de Fertilidade na Endometriose, que considera idade e histórico reprodutivo para estimar melhor as chances de gestação.”

Cólicas menstruais intensas, dor pélvica fora do período menstrual, dor durante a relação sexual, alterações intestinais no período menstrual e dificuldade para engravidar são sinais de alerta. “O diagnóstico precoce é fundamental para preservar qualidade de vida e fertilidade”, reforça Dra. Graziela.


Alimentação como aliada no tratamento

Por ser uma doença inflamatória e estrogênio-dependente, a endometriose exige atenção especial ao padrão alimentar, principalmente quando há desejo de engravidar.

Segundo Amanda Figueiredo, nutricionista clínica pela USP e especialista em saúde da mulher e reprodução humana, a nutrição pode atuar como ferramenta estratégica. “O excesso de inflamação prejudica a qualidade dos óvulos e altera o ambiente uterino. A alimentação adequada ajuda a modular processos inflamatórios, melhorar a metabolização do estrogênio e proteger a qualidade ovulatória”, afirma.

Ela destaca que o padrão alimentar interfere diretamente em três pilares: redução da inflamação sistêmica, equilíbrio hormonal e preparo do endométrio.

Entre os alimentos recomendados estão:

-Peixes ricos em ômega-3

-Azeite de oliva extravirgem

-Vegetais crucíferos, como brócolis e couve

-Frutas vermelhas

-Sementes, oleaginosas e alimentos ricos em fibras

“Quando planejada de forma individualizada, a nutrição pode contribuir para melhorar a ovulação e aumentar as chances de gestação, seja natural ou assistida”, completa Amanda.

As especialistas reforçam que não existe uma dieta única para todas as mulheres com endometriose. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para reduzir complicações e ampliar as possibilidades reprodutivas.

 

Dra. Graziela Canheo - CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra. Reprodução Humana. Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic.


Amanda Figueiredo Nutricionista - Nutricionista clínica formada pela USP, pós-graduada em Saúde da Mulher e Reprodução Humana pela PUC e também especialista em emagrecimento e nutrição estética. Atende presencialmente em São Paulo e online para o mundo todo.Tem como foco o acompanhamento nutricional de mulheres em todas as fases da vida
nutriamandafig
https://www.amandafigueiredo.com.br/


No Dia Mundial da Obesidade: o Brasil é o segundo país que mais realiza cirurgias bariátricas no mundo — e o que acontece depois da perda de peso?

 

Getty Images | CO ASSESSORIA

Com alto volume de procedimentos, especialista em pós-bariátrica analisa a segunda etapa da transformação corporal

 

No dia 4 de março, quando o mundo discute obesidade como uma das principais questões de saúde pública global, um dado chama atenção: o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de cirurgias bariátricas, atrás apenas dos Estados Unidos. O volume de procedimentos realizados anualmente coloca o país no centro de um debate que vai além da balança e dos índices metabólicos.

A cirurgia bariátrica é reconhecida como tratamento eficaz para obesidade grave e doenças associadas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. Trata-se de uma intervenção metabólica que
modifica mecanismos hormonais e padrões de absorção, promovendo perda de peso significativa. Mas a transformação corporal não se encerra com a redução de gordura.

É nesse ponto que surge uma etapa menos discutida. Após perdas expressivas de peso, especialmente quando rápidas, o corpo pode enfrentar alterações estruturais importantes, principalmente na pele. A cirurgiã plástica Dra. Thamy Motoki, especialista em cirurgias de contorno corporal, que atua na Revion International Clinic, especializada em atendimento de pacientes nacionais e estrangeiros, explica que a flacidez não representa falha do tratamento, mas
consequência biológica previsível.

“A cirurgia resolve o componente metabólico da obesidade, mas a pele tem um limite de retração. Quando há grande distensão ao longo do tempo, o tecido nem sempre acompanha a nova composição corporal”, afirma. Segundo a médica, o perfil dos pacientes que buscam cirurgia plástica após a bariátrica revela uma
preocupação que ultrapassa a estética. “Não é apenas sobre aparência. Muitos relatam desconforto físico, dificuldade para praticar exercícios, irritações cutâneas e impacto na autoestima. A cirurgia reparadora faz parte de uma reconstrução corporal e funcional”, explica.

A elasticidade da pele depende da integridade das fibras de colágeno e elastina, que se estiram durante períodos prolongados de ganho de peso. Quando a perda é acentuada, principalmente após cirurgia, pode haver excesso de tecido e perda de sustentação. Esse fenômeno não diminui o sucesso metabólico do procedimento, mas exige compreensão realista das etapas seguintes.

No contexto do Dia Mundial da Obesidade, o ranking brasileiro reforça a dimensão do desafio. A bariátrica representa um avanço importante na saúde pública, mas evidencia que o processo de transformação corporal é multifatorial. Emagrecer trata o metabolismo. Reconstruir contorno e firmeza envolve outra lógica. Entender essa diferença é fundamental para alinhar expectativa, saúde e qualidade de vida.

 

Einstein convida alunos de escolas públicas e privadas e explorarem os mistérios do cérebro

Com inscrições abertas até 06 de março, o curso é gratuito, integra a Semana do Cérebro e antecede a XII Olimpíada de Neurociências de São Paulo 

O que faz o coração acelerar diante de um desafio? Como o cérebro transforma emoções, memórias e movimentos em experiências que moldam o presente e o futuro das pessoas? O Einstein Hospital Israelita convida jovens estudantes a mergulharem no universo da neurociência e descobrirem as respostas para esses e muitos outros mistérios.

Estão abertas, até 6 de março, as inscrições para o curso preparatório da XII Olimpíada de Neurociências de São Paulo, o Brain Bee SP. Ao todo, são 300 vagas, organizadas pelo Instituto do Cérebro do Einstein junto à Universidade Federal do ABC — sendo metade delas reservada a alunos de escolas públicas. Os interessados podem se inscrever pelo link.

Voltado a estudantes de 14 a 19 anos, matriculados no ensino médio e que ainda não ingressaram no ensino superior, o curso acontece no dia 21 de março, das 8h às 18h, no auditório Moise Safra, na unidade Morumbi do Einstein, como parte da programação da Semana do Cérebro. Cada escola pode inscrever até dez alunos, por meio de um professor responsável, que acompanhará os estudantes no dia do evento.

Mais do que revisar conteúdos, o encontro oferece uma experiência imersiva. Ao longo do dia, os participantes terão contato com conceitos fundamentais da neurociência e poderão compreender como o estudo do cérebro impacta diretamente áreas como saúde, comportamento, tecnologia e inovação.

Para Lívia Dutra, coordenadora do Instituto do Cérebro e professora da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, o Brain Bee SP é uma oportunidade de despertar vocações científicas. “A neurociência está presente em tudo o que somos e fazemos. Quando o estudante percebe que entender o cérebro significa entender emoções, decisões e até a forma como aprendemos, a ciência deixa de ser abstrata e passa a fazer parte da vida. O Brain Bee é uma porta de entrada para esse universo”, afirma.

A iniciativa integra a trajetória do Einstein como instituição de excelência em pesquisa e ensino, que alia produção científica de ponta à formação das próximas gerações de profissionais da saúde e pesquisadores. Ao abrir suas portas para estudantes do ensino médio, especialmente aqueles da rede pública, o Einstein amplia horizontes e incentiva talentos que poderão, no futuro, contribuir para avanços científicos que transformem a sociedade. Esse percurso começa já na etapa local: a Olimpíada de Neurociências de São Paulo será realizada em 11 de abril, e o vencedor da fase nacional terá a oportunidade de representar o Brasil na etapa internacional do Brain Bee, conectando jovens brasileiros a uma rede global dedicada a explorar os mistérios do cérebro.


Sobre o Brain Bee

Brain Bee é o nome dado à Olimpíada Brasileira de Neurociências, uma iniciativa nacional sem fins lucrativos voltada a estudantes do ensino básico que visa incentivar a busca pelo conhecimento sobre o sistema nervoso e estimular o interesse dos alunos pela pesquisa acadêmico-científica nas diferentes áreas das neurociências.

Criada pelo Dr. Norbert Myslinski (Universidade de Maryland, Estados Unidos), sob a rubrica de Brain Bee Competition, a competição teve início em 1998 nos EUA, sendo realizada há mais de duas décadas e ganhando espaço em vários países. Atualmente, existem cerca de 160 coordenadores de Olimpíadas de Neurociências distribuídos em comitês locais por todo o mundo.

O torneio é realizado em três fases – local, nacional e internacional, e com competidores dos seis continentes. Para a competição mundial, um representante de cada país é selecionado a partir de seleções nacionais que agregam os candidatos indicados pelos comitês locais de cada cidade. O vencedor da competição nacional é convidado a participar da competição internacional (International Brain Bee).

 

Serviço


Curso preparatório para a XII Olimpíada de Neurociências de São Paulo (Brain Bee SP)
Inscrições: até 6 de março de 2026
Data: 21 de março de 2026
Horário: das 8h às 18h
Local: Auditório Moise Safra –Av. Albert Einstein, 627 (Morumbi)
 

XII Olimpíada de Neurociências de São Paulo (Brain Bee SP)
Data da prova: 11 de abril de 2026
Local: Einstein – unidade Morumbi

Seu lar é um refúgio ou um campo de batalha? Entenda por que os conflitos em condomínios estão explodindo

Quando o assunto é convivência, alguns motivos aparecem
com frequência em praticamente qualquer portaria do país. Imagem
Envato
Especialista revela as 7 causas que mais destroem a paz nos condomínios

 

A vida em condomínio tornou-se o padrão de moradia para mais de 13,2 milhões de endereços no Brasil, segundo dados do Censo 2022 (IBGE). No entanto, o crescimento dessa modalidade trouxe à tona um desafio crônico: a gestão de conflitos. Um levantamento do Censo Condominial Brasil 2024–2025 confirma que o barulho segue como o "vilão número um", mas o desgaste na convivência vai muito além dos ruídos. 

Para Marcos Reis, especialista em administração condominial e diretor da Vision Administradora de Condomínios, a maioria das brigas não nasce do problema em si, mas da falta de uma mediação profissional. “O que transforma um incômodo em uma crise é a percepção de injustiça. Quando as regras são opacas ou a gestão parece omissa, o morador para de dialogar e passa a confrontar”, explica Reis.

 

A seguir, o especialista detalha os sete pontos críticos que dominam as assembleias e o que está por trás de cada atrito:
 

Barulho (O Campeão de Queixas): Muito além de festas, o som de salto alto, móveis arrastados ou TV alta fora de hora gera um sentimento de invasão de privacidade. Reis aponta que a frustração escala quando o morador sente que "ninguém faz nada" após a queixa formal.
 

Reformas e Manutenções: O barulho de furadeiras e a circulação de prestadores de serviço geram estresse imediato. O erro fatal aqui é a falta de comunicação prévia sobre horários e duração das obras.
 

Áreas Comuns: Disputas por churrasqueiras, salões de festas e academias refletem a falta de respeito pelo coletivo. Sem um sistema de reserva transparente, surge a sensação de que alguns moradores têm "mais direitos" que outros.
 

Pets e Responsabilidade: O conflito raramente é com o animal, mas com o tutor. Latidos prolongados, circulação sem coleira e sujeira em locais proibidos são as principais reclamações que chegam à gestão.
 

Vagas de Garagem: Um carro mal estacionado ou a invasão de alguns centímetros da vaga vizinha é o estopim para ressentimentos acumulados. A solução exige sinalização impecável e normas de circulação rígidas.
 

Lixo e Descarte Incorreto: Mais do que estética, o descarte errado atrai pragas e gera odores. É um problema de educação coletiva que afeta a valorização do patrimônio de todos.
 

Inadimplência e Transparência: Quando uma parcela dos moradores não paga, a gestão fica limitada. Isso gera revolta naqueles que estão em dia, criando um clima de desconfiança sobre as prioridades de gastos do condomínio.
 

Segundo Marcos Reis, o síndico moderno precisa atuar como um facilitador de acordos. “A gestão não deve ser vista como um órgão punitivo, mas como um canal de escuta. A chave para a harmonia em 2026 é o diálogo estruturado e a transparência radical na aplicação do regimento interno”, finaliza. 



Marcos Reis - Administrador de empresas com ênfase em Empreendedorismo, Marcos Reis acumula mais de dez anos de experiência na gestão de negócios e na administração condominial em Minas Gerais. À frente da Vision Administradora de Condomínios, além de atuar como franqueado da JAH Açaí, construiu uma trajetória marcada por diversificação estratégica, gestão profissional e visão de longo prazo. Com foco em eficiência operacional, liderança de equipes e controle financeiro, tornou-se referência regional ao integrar setores distintos sob um mesmo pilar: crescimento sustentável e decisões orientadas por dados.



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