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terça-feira, 23 de junho de 2026

Frio aumenta risco cardiovascular e exige atenção redobrada com o coração

Baixas temperaturas podem elevar a pressão arterial, sobrecarregar o sistema circulatório e favorecer eventos graves, como infarto e AVC 

 

Com a chegada do inverno, os cuidados com a saúde vão além das doenças respiratórias. As baixas temperaturas também podem impactar diretamente o sistema cardiovascular, especialmente em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto, histórico de infarto, tabagismo, obesidade ou doenças cardíacas pré-existentes. 

No frio, o organismo tende a contrair os vasos sanguíneos para preservar a temperatura corporal. Esse mecanismo, chamado vasoconstrição, pode aumentar a pressão arterial e exigir mais esforço do coração para bombear o sangue. Em pessoas mais vulneráveis, essa sobrecarga pode contribuir para o aumento do risco de eventos como infarto, AVC, arritmias e descompensação de doenças cardíacas. 

De acordo com o Dr. Élcio Pires Junior, cirurgião cardiovascular e coordenador de cirurgia cardiovascular nos Hospitais da Rede D’Or e no Hospital Bom Clima de Guarulhos, o frio não deve ser visto como um fator isolado, mas como um agravante importante para quem já possui fatores de risco. 

“O frio provoca uma resposta natural do corpo, que é a contração dos vasos sanguíneos. Isso pode elevar a pressão arterial e aumentar o trabalho do coração. Para quem já tem hipertensão, doença coronariana, diabetes ou outros fatores de risco, esse período exige atenção maior”, explica o Dr. Élcio. 

O especialista alerta que sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, palpitações, desmaio, fraqueza súbita, alteração na fala, confusão mental ou perda de força em um lado do corpo devem ser avaliados imediatamente, pois podem indicar eventos cardiovasculares graves. 

“Muitas pessoas confundem sintomas cardíacos com mal-estar passageiro, ansiedade ou desconforto causado pelo frio. Dor no peito, falta de ar e sinais neurológicos súbitos nunca devem ser ignorados. Nesses casos, procurar atendimento rápido pode salvar vidas”, reforça. 

Além da vasoconstrição, outros hábitos comuns no inverno podem piorar o risco cardiovascular, como redução da atividade física, menor ingestão de água, alimentação mais calórica, maior consumo de álcool e pior controle da pressão arterial. Por isso, a prevenção deve incluir manutenção dos medicamentos prescritos, acompanhamento médico regular, hidratação, alimentação equilibrada, controle da pressão e prática segura de atividade física. 

“O paciente não deve suspender remédios por conta própria nem relaxar no controle da pressão durante o inverno. A prevenção cardiovascular precisa ser contínua, mas nos meses frios alguns cuidados se tornam ainda mais importantes”, afirma o médico. 

Segundo o Dr. Élcio, idosos e pessoas com doenças cardiovasculares já diagnosticadas devem evitar exposição prolongada a temperaturas muito baixas, manter-se bem agasalhados e ficar atentos à piora de sintomas habituais. 

“O frio pode funcionar como um gatilho em quem já tem o sistema cardiovascular mais vulnerável. O ideal é antecipar cuidados, manter o tratamento em dia e procurar assistência diante de qualquer sinal de alerta”, conclui.

  

Fonte:

Dr. Élcio é coordenador de cirurgia cardiovascular nos Hospitais da Rede D'Or, do Hospital Bom Clima de Guarulhos e cirurgião cardiovascular dos hospitais Hospitalis de Barueri e Hospital Blanc de São Paulo. É membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e membro internacional da The Society of Thoracic Surgeons dos EUA. Pode contribuir em pautas sobre problemas cardiovasculares, explicando como funcionam os tratamentos e procedimentos, além de formas de prevenção e sinais das doenças.
Dr. Elcio Pires Junior (@drelciopiresjr) • Fotos e vídeos do Instagram




Brasil dobra mortes por animais peçonhentos e pesquisadora aponta a desinformação como principal vilã


Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos,
epidemiológicos e sociais

Divulgação

Após três décadas de estudos sobre a aranha-marrom, bióloga lança livro que desafia o senso comum e aponta a "biofobia" como entrave às políticas de saúde pública e manejo ambiental

 

O Brasil enfrenta uma crise silenciosa e crescente no que diz respeito a acidentes com animais peçonhentos. Segundo dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, o país registrou 265 mortes em 2025 - o que representa o dobro do total contabilizado no ano anterior. Ao todo, foram notificados mais de 225 mil acidentes, sendo que as aranhas ocupam a segunda colocação, totalizando 7.757 registros de acidentes. Para a bióloga e doutora em Zoologia, Marta Luciane Fischer, a explicação para esse cenário reside na maneira com a qual a sociedade se relaciona com a natureza.

Após 30 anos dedicados ao estudo da aranha-marrom (Loxosceles intermedia) em Curitiba, epicentro mundial das pesquisas sobre a espécie, Fischer lança "Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais", obra publicada em coedição pela PUCPRESS - editorada Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) -, e pela Editora UFPR. O livro desafia o senso comum com uma tese provocadora: o verdadeiro inimigo não é o veneno da aranha, mas a desinformação que alimenta o que a pesquisadora chama de “biofobia”: um medo instintivo e irracional da natureza que nos leva a destruir justamente os aliados biológicos que poderiam nos proteger. Esse comportamento acaba por dificultar a implementação de medidas de saúde pública e de manejo ambiental que seriam, de fato, eficazes.

"Passamos anos temendo e evitando o contato com os animais que coabitam conosco nas cidades, dizimando predadores da aranha-marrom e fortalecendo o desequilíbrio ambiental", afirma a pesquisadora. "A biofobia, alimentada por narrativas sensacionalistas, nos cegou para a solução mais simples, eficaz e ecológica: permitir que a própria natureza faça o seu trabalho, aliada a um manejo consciente do espaço”.

Longe de endossar o pânico, a autora desafia o senso comum e as políticas tradicionais de controle de pragas ao demonstrar que o uso indiscriminado e doméstico de venenos é ecologicamente desastroso e ineficaz a longo prazo. A proposta central da obra, sustentada por décadas de evidências, defende o controle biológico residencial: a premissa de que um ambiente ecologicamente equilibrado é substancialmente mais seguro do que um espaço saturado de pesticidas.

Nessa perspectiva, a intervenção química é substituída por mudanças de comportamento, com foco em higiene, eliminação de esconderijos e modificações estruturais no ambiente. O ensaio propõe uma aliança tática com predadores urbanos frequentemente exterminados pelos moradores, como lagartixas e aracnídeos inofensivos (a exemplo da aranha-treme-treme e da aranha-vermelha). A tese demonstra com clareza científica que a preservação desses aliados naturais é a estratégia mais eficaz para mitigar a crise crescente de acidentes com animais peçonhentos no Brasil.

"Precisamos substituir a aversão pela natureza pelo respeito e pelo conhecimento embasado. A coexistência ética não significa ignorar o risco, mas compreender a fundo a biologia desse animal para prevenir acidentes de forma inteligente - com educação ambiental e responsabilidade compartilhada", revela Fischer.

Com uma linguagem fluida e acessível, a obra transita entre o rigor da biologia, as reflexões da bioética e a trajetória pessoal da autora, cujas pesquisas tiveram início em 1993. O livro não minimiza o risco real representado pela aranha-marrom; em vez disso, convoca o leitor a substituir a cultura do extermínio cego por uma coexistência ética e sustentável. Destinado a cientistas, profissionais da saúde, educadores, comunicadores e cidadãos engajados, "Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais" pretende transformar a maneira como a sociedade lida com um de seus mais famosos e temidos vizinhos urbanos.

  

Marta Luciane Fischer - bióloga, arte-educadora, mestre e doutora em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-doutora em Ecologia Química. Atualmente, é docente do curso de Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Líder do grupo de pesquisa em Bioética Ambiental. Dedica-se ao estudo da aranha-marrom desde 1993, tornando-se uma das maiores autoridades brasileiras na intersecção entre zoologia, bioética e a complexa relação humano-animal no ambiente urbano.


PUCPRESS
www.pucpress.com.br


Estatuto dos Direitos do Paciente: mais humanidade ou só mais papel?


Escrevo a partir da experiência de quem, como perito em responsabilidade civil médica, é chamado por pacientes e por seus advogados quando algo deu errado e o prontuário não consegue contar toda a história. Desse lugar – vendo o abismo entre o que está documentado e o que o paciente relata – o Estatuto dos Direitos do Paciente precisa ser examinado com franqueza: ele tem força real para reumanizar a relação médico‑paciente ou tende a ser incorporado como mais uma camada de papel em um sistema que já transformou a informação em burocracia? 

Na prática que chega aos autos, o cenário se repete. Consultas de dez ou quinze minutos, honorários que não remuneram o tempo intelectual, agendas pressionadas por metas de produtividade. O paciente é tratado como “usuário”, o médico como “prestador de serviço”. A relação é comprimida em fluxo e protocolo. Dentro desse modelo, o processo informacional deixa de ser parte do ato médico e vira apenas etapa obrigatória. 

Não foi por falta de norma que se chegou a esse ponto. Antes do Estatuto, já havia Constituição afirmando dignidade e autodeterminação, Código de Ética Médica impondo dever de esclarecimento adequado, Código de Defesa do Consumidor exigindo informação clara, além de resoluções do CFM, doutrina e jurisprudência sólidas sobre consentimento informado. A mensagem é antiga: assinatura não equivale a compreensão. Ainda assim, o que o paciente traz ao advogado, depois do dano, é quase sempre a mesma frase: “ninguém me explicou”. 

O termo de consentimento nasceu para registrar um diálogo. Em muitos serviços, passou a substituí‑lo. O roteiro é conhecido: modelo padrão, texto genérico, riscos em bloco, formulário apresentado em momento de maior vulnerabilidade. O paciente assina porque confia, porque teme perder o procedimento, porque acredita que “é assim mesmo”. Nos autos, a sensação que aparece é de surpresa e de quebra de confiança, não de decisão realmente compartilhada. 

É nesse contexto que entra o Estatuto dos Direitos do Paciente. Ele organiza direitos, reforça a linguagem da autonomia e da dignidade. Do ponto de vista dogmático, é avanço. Mas a experiência mostra que institutos criados para proteger o paciente podem ser capturados pela mesma lógica defensiva que já esvaziou o consentimento informado. O Estatuto não cria tempo na agenda, não corrige valores de consulta, não reduz a pressão por volume. Ele descreve melhor os direitos, mas não altera, sozinho, a estrutura que inviabiliza seu exercício. 

O risco é uma reação conhecida: mais formulários, mais campos, mais checklists “em conformidade com o Estatuto”. Para o paciente – e para quem o defende – isso significa mais papéis, sem garantia de que houve compreensão proporcional. O foco se desloca novamente para provar que “houve informação”, e não para avaliar a qualidade do processo pelo qual essa informação foi construída. 

A situação se agrava quando o dever de informar é, na prática, delegado a quem não participou do ato médico. É comum ver secretária entregando o termo, administrativo colhendo assinatura, enfermagem repetindo orientações padronizadas. São funções importantes, mas não substituem a explicação individualizada sobre diagnóstico, alternativas, riscos, benefícios e consequências da recusa. Do ponto de vista ético – e pericial –, essa delegação integral esvazia o núcleo do ato médico. 

A informação que fundamenta a decisão integra a própria conduta profissional. Decisão verdadeiramente compartilhada exige que o médico assuma a responsabilidade por construir esse caminho com o paciente. Equipe multiprofissional organiza e reforça, mas o momento em que o paciente precisa entender o suficiente para dizer “sim”, “não” ou “não agora” não é terceirizável sem perda de substância. Quando esse momento é substituído por um “assine aqui”, o Estatuto vira cenário; quem segue exposto é o paciente. 

O período pós‑Estatuto não deve ser medido pelo número de novos termos ou protocolos, mas por uma pergunta simples: o paciente passou a compreender melhor o que está aceitando, recusando ou adiando? Se a resposta for negativa, teremos apenas sofisticado a aparência de proteção, mantendo intocado o problema que chega às perícias e às petições iniciais: relações despersonalizadas, informação insuficiente e dano evitável. Para quem está ao lado do paciente – na assistência, na perícia ou na advocacia – o objetivo não é acumular papéis, mas garantir que a autonomia saia do texto da lei e entre na prática clínica. 

 

Joaquim Moretti Neto - Perito Médico Legista, Mestrando em Direito Médico e Especialista em Perícia Médica e Medicina Legal. Fundador da SJ Pareceres Médicos, atua prestando assessoria médica para escritórios jurídicos.


Saúde vascular no inverno: como as baixas temperaturas favorecem tratamentos nas pernas?

Baixas temperaturas reduzem inchaço, desconforto e exposição solar. Especialista explica por que a estação favorece procedimentos nas pernas

 

 

O inverno começa em 21 de junho. Com ele, chegam as temperaturas baixas, o ar seco e os dias mais curtos. A maioria das pessoas associa essa época a roupas grossas, cobertores e sopas quentes. O que pouca gente sabe é que o frio também transforma o calendário da saúde vascular. Para quem precisa tratar varizes, microvarizes ou outros problemas nas pernas, os meses de junho a agosto oferecem condições ideais.

O Brasil registrou mais de 75 mil casos de trombose em 2024 e ultrapassou 36 mil novos diagnósticos apenas no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em 2025. Atualmente, o país registra cerca de 200 novos casos de trombose por dia, também de acordo com dados da pesquisa.

O calor do verão sempre atrapalha a recuperação de procedimentos vasculares. As altas temperaturas dilatam os vasos sanguíneos, aumentam o inchaço nas pernas e exigem cuidados redobrados com a exposição solar. Pacientes que fazem escleroterapia (aplicação de substâncias para eliminar vasos) ou cirurgias de varizes precisam evitar sol forte por semanas. Usar meias de compressão no calor também se torna um suplício. Muitas pessoas adiam o tratamento justamente por causa dessas dificuldades.

O frio contrai naturalmente os vasos sanguíneos, o que reduz o inchaço pós-procedimento e diminui a sensação de peso nas pernas. As roupas compridas, como calças e meias-calças, protegem a pele do sol sem esforço extra. Quem precisa usar meias de compressão elásticas (as famosas meias médicas) sente muito menos calor desconfortável. Em vez de sofrer com o acessório apertado sob o sol de 35 graus, o paciente usa a meia dentro da calça ou da calça legging, sem chamar atenção e sem suar.

 “No inverno, a procura por tratamentos de varizes aumenta de 40 a 60%. As pacientes planejam o procedimento para junho ou julho e aproveitam os meses frios para fazer todas as sessões. Quando o verão chega, elas já estão com as pernas prontas para saias, shorts e biquínis”, compartilha a Dra. Haila Almeida, médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins, clínica referência em medicina vascular de alta performance.

A especialista explica que os tratamentos vasculares mais comuns no inverno incluem a escleroterapia com espuma ou líquido para vasos pequenos e médios, a laser transdérmico para microvarizes e os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, como a ablação por radiofrequência ou laser endovenoso para varizes maiores. Todos esses métodos têm um período de recuperação que exige cuidados específicos. A falta de sol forte e o uso natural de roupas compridas facilitam o pós-operatório.


Outra vantagem do inverno diz respeito à prática de atividades físicas. Após procedimentos vasculares, os médicos recomendam caminhadas leves para estimular a circulação e evitar complicações, como a trombose. No calor extremo, muitas pessoas abandonam as caminhadas por causa do desconforto ou do risco de desidratação. No inverno, caminhar no início da manhã ou no fim da tarde torna-se um hábito agradável.

“Já a hidratação, ao contrário do que muita gente pensa, também merece atenção no frio. O ar seco e a baixa sensação de sede levam muitas pessoas a beber menos água. Um sangue mais espesso circula com mais dificuldade e aumenta o risco de formação de coágulos. É recomendado manter a ingestão de líquidos mesmo sem sentir sede. Chás quentes e água em temperatura ambiente cumprem bem esse papel”, afirma a especialista.

Os cuidados após os procedimentos não mudam radicalmente no inverno. O paciente ainda precisa usar meias de compressão pelo tempo determinado pelo médico, evitar banhos muito quentes (que dilatam os vasos) e não cruzar as pernas por longos períodos. A diferença é que o desconforto causado pelas altas temperaturas desaparece. O que no verão vira motivo de desistência, no inverno se transforma em rotina tranquila.

O planejamento dos tratamentos vasculares exige uma consulta prévia com o especialista. Durante a avaliação, o cirurgião vascular faz um exame clínico e um ultrassom Doppler para mapear as veias comprometidas. A partir desse diagnóstico, ele define a técnica mais adequada para cada caso. “Alguns pacientes resolvem tudo em uma única sessão. Outros precisam de três ou quatro aplicações espaçadas ao longo de semanas. Justamente por isso, começar o tratamento no início do inverno garante que tudo fique pronto até a primavera, compartilha a Dra Haila.

As varizes não se tratam apenas de um problema estético. Elas causam dor, sensação de peso, inchaço nas pernas, coceira e até feridas que demoram a cicatrizar. Nos casos mais graves, a doença venosa crônica compromete a qualidade de vida, limita a capacidade de caminhar e interfere no sono. Tratar as varizes significa recuperar o bem-estar e prevenir complicações maiores, como a trombose venosa superficial.

Para quem sofre com problemas nas pernas, junho, julho e agosto são a melhor oportunidade do ano para resolver de vez a questão. O planejamento começa agora. As pernas agradecem quando o verão chegar.

   

Dra. Haila Almeida - Médica cirurgiã vascular com atuação focada em tratamentos de vasinhos e varizes por meio da tecnologia a laser. É fundadora e líder do Instituto Alphaveins, clínica reconhecida por seu padrão de excelência em medicina vascular de alta performance. Com sólida formação e vivência prática, alia conhecimento técnico, gestão estratégica e experiência humana para ir além do tratamento, promovendo também o autocuidado, longevidade e autoestima, com foco em resultados reais, segurança e uma experiência verdadeiramente memorável. Empresária e mentora de outros profissionais da área da saúde, conduz uma abordagem inovadora na formação de médicos empreendedores, apoiando o desenvolvimento de carreiras conceituadas, éticas e bem-posicionadas. À frente do Alphaveins, coordena uma equipe multidisciplinar, desenvolve protocolos exclusivos e mantém-se atualizada com as mais recentes tecnologias no campo da cirurgia vascular. Reconhecida por sua liderança inspiradora e conhecimento prático, mantém atuação ativa também como comunicadora nas redes sociais, promovendo informação acessível e conscientização sobre cuidados vasculares. Mais informações: https://www.instagram.com/hailaalmeidaa/


O papel dos implantes no novo plano nacional de combate à endometriose

Enquanto Ministério da Ciência e Tecnologia lança projeto inédito de inovação contra a dor pélvica, médicos defendem que combate aos abusos estéticos não pode sufocar tratamentos que beneficiam milhares de mulheres 

 

O debate sobre a saúde da mulher ganhou tração nacional com o recente lançamento, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), de um projeto de pesquisa e desenvolvimento voltado à endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual. No evento, a ministra Luciana Santos jogou luz sobre o "verdadeiro estigma" que faz com que jovens e trabalhadoras sofram em silêncio e tenham seu desempenho severamente prejudicado.

 

O plano conecta esse marco político-científico à realidade dos consultórios: a endometriose profunda afeta mais de 7 milhões de brasileiras e leva de 7 a 10 anos para ser diagnosticada. Especialistas da Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP) entram no debate para alertar que, para o projeto do governo federal ter sucesso prático na ponta, o Brasil precisa blindar a ciência e garantir o acesso a terapias de alta performance — como a via dos implantes hormonais subcutâneos de liberação contínua —, separando a medicina legítima dos modismos estéticos de mercado.

 

O ginecologista Prof. Dr. Walter Pace, presidente da SBMP, corrobora o diagnóstico do MCTI e destaca que a validação tecnológica é o único caminho para interromper o sofrimento dessas mulheres."A iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia em destinar recursos para pesquisar a dor pélvica é um marco histórico. Historicamente, a sociedade e a própria medicina condicionaram a mulher a acreditar que sentir dores no período menstrual era normal. Não é. Essa banalização atrasa o diagnóstico em quase uma década. Mas além de diagnosticar, precisamos tratar. Em casos de endometriose profunda e adenomiose, a via dos implantes subcutâneos de liberação contínua é uma ferramenta de precisão indispensável: ela trata a raiz da dor e interrompe hemorragias de forma estável, sem a toxicidade e a sobrecarga hepática causadas pelos medicamentos orais tradicionais. A ciência precisa avançar para proteger essas pacientes."Prof. Dr. Walter Pace, presidente da SBMP.

 

O endocrinologista Dr. Guilherme Renke, vice-presidente da SBMP, traz o olhar econômico e o alerta sobre os riscos de retrocessos regulatórios que possam punir a paciente doente."A endometriose afeta uma a cada dez mulheres em idade reprodutiva no Brasil, afastando-as do trabalho por mais de 10 horas semanais. Trata-se de um problema grave de saúde pública e de economia ativa. O investimento em tecnologia proposto pelo governo é essencial, mas o ecossistema de saúde precisa separar os abusos éticos da medicina séria. A SBMP condena veementemente o uso de hormônios para fins estéticos ou o chamado 'chip da beleza'. Contudo, o combate a esses excessos não pode se transformar em um banimento cego de uma via de administração que possui respaldo científico internacional. Proibir o acesso a implantes terapêuticos legítimos pune a mulher doente e alimenta o mercado clandestino. A regulamentação eficiente deve restringir e fiscalizar, nunca banir."Dr. Guilherme Renke, vice-presidente da SBMP.

 

Copa do Mundo: problemas bucais podem reduzir performance de atletas em até 17%

Envato

Dor, inflamações e outros problemas bucais podem comprometer a performance, a recuperação muscular e os resultados nas competições 

 

Treinamento físico, alimentação e saúde mental são pilares amplamente reconhecidos na preparação de atletas de alto rendimento. Porém, a saúde bucal também ocupa um papel estratégico nesse processo. Com a aproximação da Copa do Mundo e a intensificação dos treinamentos para os próximos Jogos Olímpicos, especialista destaca que problemas envolvendo dentes, gengivas e outras estruturas da cavidade oral estão associados a impactos no desempenho esportivo.

Estudos da Associação Brasileira de Odontologia Seção São Paulo – ABO-SP, apontam que infecções bucais estão associadas a dor, desconforto e perda de concentração, podendo reduzir o rendimento esportivo em até 17%. Além disso, processos infecciosos na boca podem liberar bactérias na corrente sanguínea, comprometendo a recuperação muscular e aumentando o risco de lesões.

Para o cirurgião-dentista e diretor da Neodent, Dr. Sérgio Bernardes, a odontologia esportiva deve ser considerada tão estratégica quanto outras áreas da saúde voltadas à alta performance. Apesar das evidências, o acompanhamento odontológico ainda não faz parte da rotina de muitos atletas brasileiros. “Quando falamos em alta performance, cada detalhe importa. A saúde bucal influencia em fatores como concentração, qualidade do sono, recuperação muscular e bem-estar geral. Por isso, o acompanhamento odontológico deve fazer parte da rotina de qualquer atleta, da mesma forma que o preparo físico, nutricional e psicológico”, afirma.


Saúde bucal como parte da preparação esportiva

Reconhecendo a importância da saúde bucal para o desempenho esportivo, os atletas olímpicos brasileiros passaram a contar recentemente com atendimento odontológico completo como parte da preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A iniciativa é resultado de uma parceria inédita entre a Neodent e o Comitê Olímpico do Brasil (COB), que amplia o acesso dos atletas a cuidados odontológicos especializados e reforça a integração da odontologia à rotina de treinamento e alta performance.

A iniciativa acompanha uma tendência crescente de cuidado integral com os atletas. Nesse contexto, a saúde bucal deixa de ser vista apenas sob a ótica estética e passa a integrar as estratégias de prevenção, recuperação e promoção da saúde adotadas no esporte de alto rendimento. “No esporte de excelência, aprendemos que performance é resultado de um conjunto de cuidados: treinamento, alimentação, recuperação, preparação mental. E a saúde bucal também faz parte desse processo. Qualquer inflamação dental pode diminuir a recuperação física para os treinos e competições, com impacto real no rendimento esportivo. Para o atleta, ter acompanhamento odontológico oferece mais segurança para focar no que realmente importa: treinar, evoluir e competir da melhor forma possível”, comenta o medalhista de ouro em Atenas 2004 e diretor geral do Comitê Olímpico do Brasil, Emanuel Rego.

Dentre vários estudos, a relação entre saúde bucal e performance foi evidenciada em uma pesquisa realizada no Reino Unido com 352 atletas de elite e profissionais de 11 modalidades esportivas. O levantamento Oral Health and Performance Impacts in Elite and Professional Athletes mostrou que 32% dos participantes relataram impacto da saúde bucal em seu desempenho, enquanto 29,9% afirmaram sentir dor bucal. Outros 9% disseram ter enfrentado dificuldades para treinar e competir, 5,8% relataram queda nos resultados e 3,8% apontaram redução no volume de treinamento.

Os reflexos vão além das competições. Entre os entrevistados, 34,6% relataram problemas para se alimentar, 15% apresentaram dificuldades para relaxar e 17,2% afirmaram que problemas bucais afetavam sua disposição para sorrir e interagir socialmente. Esses impactos evidenciam que a saúde bucal está diretamente relacionada ao bem-estar, à qualidade de vida e, consequentemente, ao desempenho físico e mental.

Os resultados reforçam a importância de uma abordagem integrada de saúde. Nesse sentido, Bernardes destaca que prevenir e tratar problemas odontológicos deve fazer parte da rotina de atletas e pessoas fisicamente ativas. “A odontologia moderna oferece soluções capazes de devolver função, conforto e segurança a todos os pacientes. Em casos de perda dentária, por exemplo, os implantes podem contribuir para a recuperação da mastigação, da fala e da qualidade de vida, fatores que também impactam a saúde e o desempenho de atletas e praticantes de atividades físicas”.

À medida que o esporte de alto rendimento evolui, detalhes antes considerados secundários ganham relevância. E, nesse cenário, o sorriso dos atletas pode representar muito mais do que uma comemoração após a vitória: pode ser um dos fatores que ajudam a construi-la.

  

Neodent+

 

Linfoma de Hodgkin tem cura? Entenda os sinais, diagnóstico e tratamento

Febre persistente, suor noturno e aumento dos gânglios estão entre os sinais de alerta da doença, que apresenta elevados índices de cura quando identificada precocemente

 

A internação do ex-técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, após o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, chamou a atenção para uma doença que atinge milhares de brasileiros todos os anos. Embora seja um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, responsável por parte das defesas do organismo, muitas pessoas ainda desconhecem seus sintomas e as possibilidades de tratamento.

 

Segundo o médico Roberto Luiz Silva, hematologista e responsável técnico pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia, o principal desafio está justamente na identificação precoce da doença.

 

"Muitos pacientes convivem por semanas ou meses com sintomas que podem ser confundidos com problemas comuns do dia a dia, como cansaço persistente, febre recorrente ou suor noturno excessivo. Por isso, é importante observar sinais que não melhoram com o tempo", explica.


 

O que é o linfoma de Hodgkin?

 

O linfoma de Hodgkin é um câncer que se desenvolve nos linfócitos, células fundamentais para o funcionamento do sistema imunológico. A doença costuma atingir os linfonodos, conhecidos popularmente como gânglios, localizados em regiões como pescoço, axilas e virilha.

 

Apesar de ser menos frequente do que outros tipos de linfoma, apresenta uma característica bastante positiva: quando diagnosticado precocemente, possui elevadas taxas de cura.

 

"Mesmo em situações mais desafiadoras, a Medicina dispõe hoje de diversas opções terapêuticas. Quanto mais cedo a doença for identificada maiores são as chances de cura e de controle da doença", ressalta o médico.

No Brasil, o número estimado de casos novos de linfoma de Hodgkin, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 3.070 casos, com risco estimado de 1,41 por 100 mil habitantes. Desse total, 1.740 são estimados em homens e 1.330 em mulheres.

 

Sintomas que merecem atenção

 

Os sinais podem surgir de forma gradual e, muitas vezes, passam despercebidos. Entre os sintomas mais comuns estão:

 

• Aumento dos gânglios linfáticos, geralmente sem dor;


• Febre persistente sem causa aparente;


• Suor noturno intenso;


• Perda de peso sem explicação;


• Cansaço excessivo e prolongado;


• Coceira no corpo sem motivo identificado.


A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer, mas a persistência deles deve motivar a avaliação médica.


 

Diagnóstico precoce faz toda a diferença


O diagnóstico do linfoma envolve exames clínicos, laboratoriais e de imagem. Em muitos casos, a confirmação ocorre por meio da biópsia de um linfonodo aumentado.

 

Segundo o hematologista do IBCC, identificar corretamente o subtipo da doença é fundamental para definir o tratamento mais adequado. "Hoje sabemos que cada linfoma possui características próprias. O diagnóstico preciso permite escolher terapias mais personalizadas e aumentar as chances de sucesso", afirma.


 

Tratamentos evoluíram nos últimos anos

 

Nas últimas décadas, os avanços da Hematologia transformaram o cenário dos pacientes com linfoma. Além da Quimioterapia, atualmente existem terapias-alvo, imunoterapia e transplante de medula óssea para situações específicas.

 

A imunoterapia, por exemplo, utiliza mecanismos capazes de estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais.

"Temos tratamentos cada vez mais eficazes e direcionados. Em muitos casos conseguimos obter excelentes resultados com menos efeitos adversos do que no passado", destaca o especialista. 


Em um cenário de constantes avanços na hematologia, o principal desafio continua sendo fazer com que os pacientes cheguem mais cedo ao diagnóstico. A informação, aliada ao acompanhamento especializado, segue sendo uma das ferramentas mais importantes para aumentar as chances de sucesso no tratamento.



A importância de garantir a autonomia ao idoso com segurança

Especialista destaca que o incentivo à independência é capaz de promover o envelhecimento saudável

 

Com a chegada da terceira idade, é comum que o idoso necessite de ajuda externa para realizar suas atividades cotidianas, feitas por suas famílias ou pelos cuidadores. Uma das pautas mais tratadas atualmente com relação ao assunto é como esses cuidados influenciam no comportamento e na autonomia do público 60+.  

“Com o aumento da expectativa de vida e com o envelhecimento contínuo da população, promover a autonomia é uma forma de manter essas pessoas ativas e atuantes na sociedade”, afirma Alberto Condi, médico da Cuidare nas unidades de Taubaté e Pindamonhangaba. 

Para o especialista, ainda há desafios no fortalecimento de políticas públicas e na promoção do envelhecimento saudável. Entre as medidas necessárias estão as adaptações urbanas, como melhorias em calçadas e no transporte público. Condi também destaca que incentivar a proatividade, a convivência social e a independência contribuem para uma estrutura familiar mais agradável e inclusiva. 

O acompanhamento e o incentivo ao idoso são fundamentais, especialmente porque muitos deles se encontram em situações de invalidação e descaso. O médico reforça a importância do trabalho dos cuidadores nesse processo, além da tolerância e altruísmo no tratamento com o público, que muitas vezes se vê na busca pela autoconfiança. Condi ainda reforça que o cuidado e a segurança, apesar de essenciais, não podem interferir na autonomia de cada pessoa. 

O médico sugeriu algumas dicas para estimular a busca. Confira: 

Adaptação: ajuste do ambiente para reduzir riscos e aumentar a segurança. 

Respeito ao tempo: autoavaliação e compreensão das capacidades de cada idoso. 

Incentivo: estímulo para que a pessoa faça suas próprias escolhas. 

Cotidiano: realização de tarefas do dia a dia, sem excluir a participação do idoso. 

Convívio: vivência familiar e social. 

Supervisão: auxílio quando necessário, sem retirar o protagonismo da pessoa idosa. 

O médico completa que “o mais importante seja supervisionar a pessoa idosa e ajudar sempre que necessário. Não podemos invalidar sua capacidade”. Apesar disso, o especialista ainda alerta que incentivar a autonomia, a proatividade e a tomada de decisões também faz parte do cuidado, o que permite o envelhecimento mais digno e saudável.

“Envelhecimento é diferente de doença. Claro que haverá certas limitações e alterações naturais da idade. Muitas vezes, existirão situações em que comorbidades aparecerão. Porém, a adaptação às limitações de forma individual é essencial”, completa Condi. 


FDA aprova nova indicação do teplizumabe para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado


A agência reguladora norte-americana (FDA) aprovou, em 12 de junho de 2026, uma nova indicação para o teplizumabe, medicamento imunomodulador já utilizado para retardar o aparecimento do diabetes tipo 1 em indivíduos com estágio 2 da doença. Agora, o tratamento poderá ser utilizado para retardar a perda da produção de insulina em crianças e adolescentes de 8 a 17 anos recém-diagnosticados com diabetes tipo 1 em estágio 3.

 

A decisão representa um avanço importante no manejo da doença, uma vez que é a primeira terapia aprovada com o objetivo de preservar, por mais tempo, a função residual das células beta pancreáticas após o diagnóstico clínico do diabetes tipo 1.

 

Segundo a FDA, a aprovação acelerada foi baseada em resultados de estudo clínico que demonstraram efeito estatisticamente significativo do medicamento sobre os níveis de peptídeo C, marcador utilizado para avaliar a produção de insulina pelo organismo. A manutenção dessa produção residual está associada a melhor controle glicêmico e menor risco de complicações relacionadas ao diabetes.

 

Para o endocrinologista Dr. André Camara de Oliveira, da diretoria da SBEM-SP, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, o anúncio reforça uma mudança de paradigma no tratamento da doença. "Estamos entrando em uma nova era no cuidado do diabetes tipo 1. Durante décadas, o tratamento foi focado exclusivamente na reposição de insulina. Agora, passamos a contar com terapias capazes de atuar sobre os mecanismos imunológicos da doença, preservando a função pancreática por mais tempo e potencialmente melhorando os desfechos clínicos dos pacientes", explica.

 

O teplizumabe é um anticorpo monoclonal que atua modulando a resposta imunológica responsável pela destruição das células beta produtoras de insulina. Em 2022, tornou-se o primeiro medicamento aprovado para retardar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 em indivíduos com alto risco para a doença.

 

Aprovação acelerada


A nova indicação foi concedida por meio da via de aprovação acelerada da FDA, mecanismo utilizado para medicamentos destinados a doenças graves e que atendem necessidades médicas ainda não contempladas. Nesses casos, a aprovação pode ocorrer com base em marcadores substitutos considerados capazes de prever benefício clínico, desde que estudos adicionais sejam conduzidos posteriormente para confirmar os resultados observados.

 

Perspectivas para o Brasil


Embora a nova indicação tenha sido aprovada nos Estados Unidos, o medicamento ainda depende de avaliação regulatória para ampliação de uso em outros países, incluindo o Brasil. Especialistas destacam que os avanços na imunoterapia do diabetes tipo 1 reforçam a importância do diagnóstico precoce e da identificação de pacientes que possam se beneficiar dessas novas abordagens terapêuticas.

 

"O desenvolvimento de terapias modificadoras da doença abre perspectivas promissoras para o futuro. Quanto mais cedo conseguirmos identificar e intervir no processo autoimune, maiores poderão ser os benefícios para os pacientes", conclui Dr. André Camara. 


O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Embora seja frequentemente diagnosticado na infância e adolescência, pode surgir em qualquer idade. O tratamento inclui monitorização da glicemia e uso contínuo de insulina, além de acompanhamento multiprofissional.

 


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Depressão em idosos pode ser confundida com envelhecimento e até com Alzheimer

Estima-se que cerca de 11,8% dos idosos
 brasileiros convivam com a depressão
Matheus Campos
Desinteresse por atividades, isolamento e alterações de memória não devem ser encarados como consequências naturais da idade 


A tristeza nem sempre é o principal sinal de depressão na terceira idade. Em muitos casos, a doença se manifesta por meio de sintomas que familiares costumam associar ao envelhecimento, como desânimo, irritabilidade, isolamento social, queixas físicas e até dificuldades de memória. O resultado é que muitos idosos passam meses ou anos sem diagnóstico e tratamento adequados. 

Segundo a psiquiatra Jéssica Müller de Faria, da Palliative Care, esse é um dos principais obstáculos para o cuidado da saúde mental na população idosa. 

"Muitas pessoas acreditam que é normal o idoso perder o interesse pelas atividades que antes gostava, ficar mais isolado ou apresentar desânimo constante. Esse é um equívoco que atrasa o diagnóstico. Envelhecer traz mudanças, mas sofrimento persistente e perda de prazer pela vida não fazem parte do processo natural da idade", enfatiza.

A situação merece atenção, segundo a psiquiatra, porque a depressão é mais comum do que se imagina. Estima-se que cerca de 11,8% dos idosos brasileiros convivam com a doença. Em muitos casos, porém, os sintomas aparecem de forma diferente daqueles observados em pessoas mais jovens. 

"Nem sempre a pessoa idosa se apresenta triste ou chorosa. É comum observarmos irritabilidade, ansiedade, cansaço, perda de interesse pelas atividades do dia a dia e até dores físicas sem uma causa aparente. Por isso, a família não deve esperar uma demonstração clara de tristeza para buscar ajuda", explica a médica. 

 Crédito: Matheus Campos  
Falhas de memória, dificuldade de concentração e problemas
de atenção podem fazer parte do quadro depressivo

Memória e demência 

Outro aspecto que costuma gerar dúvidas, de acordo com a Dra. Jéssica, é a relação entre depressão e alterações cognitivas. Falhas de memória, dificuldade de concentração e problemas de atenção podem fazer parte do quadro depressivo e, por isso, acabam sendo confundidos com doenças neurodegenerativas. 

"Existe uma sobreposição de sintomas que pode levar à confusão com quadros de demência, inclusive Alzheimer. A avaliação médica é fundamental para identificar a origem dessas alterações e definir o tratamento adequado", destaca a médica. 

Estudos também apontam que a depressão aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de demências ao longo da vida, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado. 

Entre os fatores que contribuem para o surgimento da doença estão o luto, a aposentadoria, a redução da convivência social, a perda de autonomia, as doenças crônicas e a dor persistente. O isolamento social merece atenção especial, pois pode funcionar tanto como causa quanto como consequência da depressão.

 

Atenção à saúde mental 

Para Daniele Chaves, diretora da Palliative Care, ampliar a informação sobre saúde mental na terceira idade é uma forma de estimular famílias e cuidadores a observarem sinais que muitas vezes passam despercebidos.

"Quando falamos sobre depressão em idosos, estamos falando de uma condição que afeta a qualidade de vida, a autonomia e até a saúde física dessas pessoas. Informação é uma ferramenta importante para que famílias reconheçam os sinais e procurem ajuda mais cedo". 

Segundo Daniele, ainda existe receio de abordar o tema, o que contribui para o atraso na busca por atendimento. 

"Muitos idosos sofrem em silêncio porque acreditam que aquilo faz parte da idade. Quanto mais falarmos sobre o assunto, maiores são as chances de quebrar esse estigma e facilitar o acesso ao tratamento". 

Os especialistas alertam que sinais persistentes por mais de duas semanas, especialmente quando acompanhados de isolamento crescente, abandono de atividades habituais, alterações do sono ou do apetite e perda de interesse pela vida, devem motivar uma avaliação profissional. 

“A boa notícia é que a depressão tem tratamento e que a recuperação é possível em qualquer fase da vida”, salienta a Dra. Jéssica.  



Palliative Care
@palliativecarebr


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