Pesquisar no Blog

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Estudo avalia vulnerabilidade de rebanhos às mudanças climáticas

Cientistas usaram 12 bancos de dados coletados no Brasil, Itália
e Espanhapara projetar como as mudanças climáticas vão impactar
 as respostas termorreguladoras dos animais
(
imagem: Atlas Company/Freepik)

Pesquisa liderada por cientistas da Esalq-USP contribui para a formulação de estratégias que evitem colapso da produção de proteína animal

 

Com uma abordagem pioneira e abrangente em escala global, pesquisadores brasileiros desenvolveram uma metodologia que permite projetar como rebanhos de animais de produção de diferentes espécies responderão fisiologicamente aos impactos das mudanças climáticas entre 2050 e 2100.

Estima-se que, se o aumento médio de 2 °C de temperatura for atingido em 2050, situações críticas para a agricultura e para a saúde de animais e de humanos serão registradas ainda com mais frequência e intensidade. Por isso, os resultados da pesquisa são importantes para a estruturação de políticas públicas, tomada de decisão e ações do setor privado visando evitar o comprometimento da produção e da segurança alimentar.

De acordo com o estudo, os pequenos ruminantes serão mais impactados pelas mudanças climáticas nos três cenários analisados (2050, 2075 e 2100) em países do hemisfério Norte quando comparados aos mesmos animais no Sul. A projeção é de um aumento médio de até 68% na taxa respiratória dos animais do Norte em relação ao Sul.

Já a pecuária leiteira no Sul será a mais vulnerável ao estresse térmico entre ruminantes criados nos trópicos, enquanto caprinos e bovinos de corte demonstram maior resiliência devido à plasticidade fenotípica, ou seja, a capacidade de mudança de características físicas (fenótipos) dependendo das condições ambientais, permitindo, assim, adaptação sem alterar o código genético (genótipo).

Entre os animais de produção do hemisfério Sul, as galinhas poedeiras e codornas foram identificadas como as mais suscetíveis ao estresse térmico, com aumento previsto de até 40 batimentos respiratórios por minuto até 2100. Os achados estão publicados na revista científica Environmental Impact Assessment Review.

“Com as temperaturas globais aumentando e os eventos climáticos se tornando mais extremos, será preciso desenvolver linhagens resistentes e adaptáveis, além de ambientes produtivos de alto nível, com controle de condições térmicas. Nosso estudo fornece subsídios cruciais para orientar políticas de adaptação da produção animal visando à segurança alimentar e à sustentabilidade ambiental. Sabemos que as adaptações precisarão ser feitas, incluindo manejo direcionado à seleção e à conservação de recursos genéticos”, diz Iran José Oliveira da Silva, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (Nupea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e um dos cientistas do grupo.

Silva foi orientador no doutorado do zootecnista Robson Mateus Freitas Silveira, também da Esalq e primeiro autor do artigo – o texto é o quinto de uma série de outros já publicados de sua tese (nos periódicos Environmental and Sustainability IndicatorsJournal of Cleaner ProductionComputers and Electronics in Agriculture e Smart Agricultural Technology).

“Começamos essa série definindo, pela primeira vez, o que seria um animal sustentável. Entendemos ser aquele com baixa emissão de carbono líquido, eficiente na conversão alimentar e na adaptação, independentemente das condições climáticas, além de clinicamente saudável e com alto desempenho. Depois desenvolvemos uma metodologia para identificar esses animais, fizemos a caracterização e as discussões. Posteriormente, buscamos identificar biomarcadores fenotípicos para identificá-los”, explica Silveira, que recebeu apoio da FAPESP por meio de bolsas (22/14250-8 e 23/16733-9).

Neste ano, Silveira ganhou o Prêmio de Excelência da Sociedade Brasileira de Zootecnia, que reconhece desempenho, dedicação à pesquisa e contribuição para o avanço da área no Brasil.


Metodologia

Os cientistas utilizaram 12 bancos de dados coletados no Brasil, Itália e Espanha para projetar como as mudanças climáticas vão impactar nas respostas termorreguladoras.

Houve uma etapa que envolveu tabulação, organização e padronização de dados biológicos, produtivos e ambientais. Depois, foram avaliadas as respostas adaptativas e identificados biomarcadores fenotípicos de animais de produção usando análise fatorial exploratória e regressão múltipla. O perfil adaptativo de diferentes animais foi traçado em ambos os hemisférios.

A partir daí, o grupo desenvolveu modelagens inteligentes com aprendizado de máquina (machine learning) e análise multivariada. Dados meteorológicos foram usados para projetar cenários climáticos de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – RCP 4.5, modelo conservador), ligado às Nações Unidas (ONU).

Os pesquisadores analisaram também respostas adaptativas dos animais de produção, como variáveis termorreguladoras, hematológicas, morfológicas, hormonais e bioquímicas. As espécies incluídas são ovinos, caprinos, bovinos (de leite e de corte), suínos (leitões), aves e codornas.

Silva destaca que as variáveis hematológicas (medidas por meio de exame de sangue completo) são um importante biomarcador para o estudo de adaptação animal à temperatura ambiente, até mais do que a morfologia da pelagem.

Os autores concluem que a adaptação animal é essencial para enfrentar os cenários de mudanças climáticas, especialmente no equilíbrio entre produção e resiliência. Enquanto o hemisfério Norte concentra maior produtividade e será o mais impactado, o Sul deve investir em seleção de biomarcadores, cruzamentos e conservação de raças locais. O futuro da segurança alimentar dependerá da integração de genética, políticas públicas e inovação sustentável em escala global.


Paradoxo

A ONU aponta que a população mundial deve crescer dos atuais 8 bilhões de pessoas para cerca de 10 bilhões em 2050. Mesmo com os esforços dos países para garantir segurança alimentar, estima-se que 8,2% da população passou fome em 2024, enquanto o desperdício ainda chega a um terço da comida produzida no mundo.

Além disso, a cadeia global de produção de alimentos resulta em altos níveis de gases do efeito estufa e desmatamento para pecuária e agricultura, sendo responsável por 31% das emissões globais.

Esse crescimento populacional e da renda vem pressionando cada vez mais o sistema alimentar, também impactado pelas mudanças climáticas, com o aumento das temperaturas, alteração dos padrões de chuvas e maior frequência de eventos extremos (secas e enchentes).

Um dos efeitos é a dificuldade dos países de cumprirem os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Consistem em 17 metas interligadas, definidas pelas Nações Unidas, que buscam erradicar a pobreza, combater as desigualdades e a fome, proteger o meio ambiente e o clima, além de garantir justiça a todos até 2030.

Para os pesquisadores, o estudo fornece base científica para o desenvolvimento de sistemas de produção animal mais sustentáveis e resilientes, em alinhamento com os ODS.

Entre os maiores produtores de carnes do mundo estão Brasil, Estados Unidos e China. No caso brasileiro, por exemplo, estima-se que a produção de carnes bovina, suína e de aves atinja 31,57 milhões de toneladas em 2025, mantendo-se próxima ao recorde de 2024 (31,58 milhões de toneladas), segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em relação à exportação, o Brasil vendeu entre janeiro e julho 1,78 milhão de toneladas de carne bovina e deve fechar o ano com cerca de 5,2 milhões de toneladas exportadas de frango, mesmo com os impactos provocados pelo tarifaço dos EUA e a gripe aviária.

Na pesquisa, o grupo ressalta que para a avicultura é urgente e necessária uma intensificação do sistema de produção porque esses animais não suportarão temperaturas elevadas.

“A bovinocultura de leite e as aves, tanto de postura como de corte, já vão sofrer efeitos imediatos no ciclo produtivo. Isso é um sinal de alerta para a produção do futuro. Por isso, a importância do trabalho conjunto entre genética e ambiência. Buscamos analisar o que vai acontecer lá na frente para prevenir e alertar produtores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas”, completa Silva à Agência FAPESP.


Limitação

No artigo, os cientistas ponderam que há dificuldades com as bases de dados dos países – às vezes por pequeno número amostral e diferentes metodologias de coleta das respostas adaptativas –, além dos custos das análises laboratoriais. Somente a temperatura retal e a frequência respiratória foram variáveis em comum nos 12 bancos de dados.

Uma segunda limitação foi o fato de não existir uma base de animais ruminantes e monogástricos (como bovinos, ovelhas e aves) em sistemas totalmente confinados, adotados em alguns países, especialmente China e Estados Unidos.

“Esse trabalho é a ponta de um iceberg. Levantamos os primeiros dados e agora é preciso agregar bancos de parceiros e ampliar as informações para diferentes regiões do mundo, permitindo comparar e estudar os reflexos em outros cenários. O estudo liderado pelo Robson é pioneiro na contextualização, mostrando que a parceria entre países e pesquisadores favorece conclusões que podem ser úteis a todos”, afirma Silva.

Silveira ressalta que um próximo passo é coletar dados e informações fenotípicas de aves e suínos de diferentes linhagens em todo o Brasil para montar um banco de dados a ser usado para prever como serão as respostas adaptativas e produtivas desses animais às mudanças climáticas. Esse é o foco de seu estágio pós-doutoral no Nupea, com apoio da FAPESP.

No artigo, o grupo sugere que outras pesquisas aprofundem o entendimento da relação entre respostas termorreguladoras e desempenho produtivo para fortalecer estratégias voltadas à segurança alimentar.

O artigo Physiological adaptability of livestock to climate change: A global model-based assessment for the 21st century pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195925525002586.

 

Luciana Constantino

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/estudo-avalia-vulnerabilidade-de-rebanhos-as-mudancas-climaticas/55917


Há direito para o consumidor intoxicado por metanol?

Se você esteve de olho no noticiário ou nas redes sociais nos últimos dias, viu que há uma preocupação crescente com bebidas alcoólicas adulteradas com metanol no Brasil — principalmente em São Paulo. Após mortes, cegueiras, comas e outras tragédias, o assunto ganhou destaque. Esse tipo de álcool, nada mais é que álcool metílico — um produto de uso industrial, altamente tóxico e totalmente impróprio para o consumo humano. 

Segundo o g1, até o momento em que escrevo este artigo, dez casos foram confirmados por intoxicação com metanol — e outros 29 ainda estão em investigação. Das seis mortes ocasionadas pela possível ingestão da substância, uma já está confirmada. Seis estabelecimentos foram interditados, 942 garrafas foram apreendidas, e cerca de 128 mil estavam sem documentação. 

Os nomes das bebidas? Escondidos a sete chaves! O.K., eu entendo que pode não ser culpa exclusivamente do fabricante. A Vigilância Sanitária e o Governo, estão buscando resolver essa situação. Mas... e agora? O que pode ser feito pelas pessoas que foram vítimas disso tudo? Existe alguma lei que proteja esses consumidores e suas famílias? A resposta é sim.

 O Código de Defesa do Consumidor (CDC), criado pela Lei nº 8.078/1990, é claro ao garantir que o consumidor tem direito à proteção da vida, saúde e segurança no momento da compra ou uso de qualquer produto. Isso está logo no começo da lei, no artigo 6º, inciso I, que diz: 

“São direitos básicos do consumidor: a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.” 

E tem mais: a responsabilidade das empresas envolvidas não depende de culpa. Ou seja, mesmo que o fabricante ou distribuidor não tenha adicionado o metanol de propósito, ele pode ser responsabilizado do mesmo jeito. É o que chamamos de responsabilidade objetiva, e está prevista no artigo 12 do CDC: 

“O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos no produto.” 

Isso significa que todos os envolvidos, da produção até a venda final, podem responder pelos danos causados. E outra: a lei também fala em responsabilidade solidária. Se houver mais de um responsável, todos eles podem ser cobrados juntos pela reparação. Isso está no artigo 25, §1º do CDC. 

Agora pensa comigo: uma bebida contaminada com metanol — que causa cegueira, coma ou morte — é ou não é um produto impróprio para consumo?


O artigo 18, §6º, I responde: sim, é. Qualquer produto que, por qualquer motivo, se revele inadequado ao consumo a que se destina é considerado impróprio. E isso abre espaço para a responsabilização civil e também para o pedido de indenização — tanto por danos morais quanto materiais. Em casos como esses, com sequelas permanentes ou morte, os valores podem ser bastante altos. 

Além do CDC, há outras leis que também se aplicam. A adulteração de bebidas pode ser considerada crime, previsto no artigo 272 do Código Penal (falsificação ou corrupção de substância alimentícia), com pena de 4 a 8 anos de reclusão, além de multa. A Lei nº 8.137/90, que trata dos crimes contra as relações de consumo, também pode ser usada nesses casos. 

E o Estado? Também pode ser responsabilizado, sim — principalmente se for provado que houve omissão na fiscalização. A falta de controle, de fiscalização nos pontos de venda, ou até demora em agir após as denúncias pode abrir caminho para discutir a responsabilidade civil do Estado, como já reconhecido em vários julgamentos pelo STF e pelo STJ.

 

E agora? 

Casos como esse mostram o quanto o Código de Defesa do Consumidor ainda é atual e necessário. Ele também serve para proteger vidas, punir abusos e garantir justiça para vítimas de produtos perigosos. 

Se você, ou alguém próximo, foi vítima de uma bebida adulterada, não está desamparado pela lei. Procure seus direitos. A Justiça tem ferramentas para responsabilizar quem precisa ser responsabilizado — e o CDC é uma delas.  

 

Andrea Mottola - advogada especialista em Direito do Consumidor e Direito Digital



Defensor Público Federal destaca adoção de linguagem simples em metrô de SP como avanço na comunicação inclusiva

Linguagem simples e pictogramas na sinalização da
Estação Hospital São Paulo, da linha 5-Lilás
 Divulgação/ViaMobilidade
Iniciativa pioneira pode se tornar referência nacional em acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência

 

A adoção de linguagem simples e pictogramas na sinalização da Estação Hospital São Paulo, da linha 5-Lilás do metrô paulistano, foi recebida com entusiasmo por André Naves, Defensor Público Federal e especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social. 

Para Naves, a iniciativa da ViaMobilidade, em parceria com o Instituto Jô Clemente, representa um marco na promoção da acessibilidade comunicacional, favorecendo não apenas pessoas com deficiência intelectual e autistas, mas também idosos, pessoas com baixo letramento e todos os usuários do transporte público. 

“Trata-se de um avanço significativo: quando a comunicação é clara e acessível, o direito de ir e vir se torna real para milhões de cidadãos. A linguagem simples não é um recurso estético, mas uma ferramenta de inclusão que garante autonomia, dignidade e segurança às pessoas”, afirma o defensor público.

 

Dados da iniciativa

  • A Estação Hospital São Paulo recebe cerca de 12 mil passageiros por dia.
  • A sinalização utiliza frases diretas, linguagem acessível e apoio visual de pictogramas, facilitando a compreensão.
  • A iniciativa dialoga com debates nacionais sobre o uso da linguagem simples em serviços públicos, previstos em projetos de lei em tramitação no Congresso. 

Para que a experiência se consolide como política pública, André Naves defende a expansão do modelo a outras estações e modais, além da criação de uma norma nacional que padronize o uso da linguagem simples em serviços públicos de grande circulação. 

“É fundamental que essa iniciativa não fique restrita a um projeto piloto. O Brasil precisa transformar boas práticas em políticas permanentes de inclusão”, conclui Naves. 

Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: @andrenaves.def.


Vai mudar de país? Veja 4 dicas para facilitar a mudança

 

Do visto à mala, especialista em imigração comenta como tornar a transição mais leve

 

Mudar de país é um mix de sonho, frio na barriga e uma lista de tarefas que parece não ter fim. Mas, com um pouco de planejamento, essa transição pode ser muito mais suave — e até divertida.

Pensando nisso, Fábio Pereira, CEO da Cidadania e Visto - assessoria especializada em cidadania portuguesa e vistos - compartilha 4 dicas para facilitar o processo. Confira:

 

Organizando os documentos

A etapa burocrática, envolvendo vistos, certificações e traduções juramentadas, pode ser complicada mas é a base de uma mudança internacional bem-sucedida. “Recomendo iniciar o processo com antecedência, sem deixar para correr atrás do visto com a passagem já comprada. Uma boa ideia é manter um arquivo digital organizado com todos os documentos essenciais – desde o passaporte até os registros de vacinação de animais de estimação. Evitar a corrida contra o tempo é a chave para minimizar imprevistos”, sugere.

 

Entrando no mindset

A preparação emocional também é tão importante quanto a burocrática. Buscar se familiarizar com o destino ainda no Brasil – seja seguindo influenciadores locais, utilizando aplicativos de conversação com nativos ou consumindo música e filmes produzidos no país – pode reduzir o impacto do choque cultural. Para o especialista, “pesquisas prévias sobre custo de vida, transporte público e dinâmicas sociais exercem um papel significativo na construção de expectativas realistas, facilitando a adaptação, promovendo maior familiaridade e conforto emocional”.

 

Arrumando a mala

Na hora de decidir o que levar, a regra é priorizar a praticidade. Itens volumosos, roupas de outra estação e eletrodomésticos não precisam ser levados, uma vez que geralmente podem ser adquiridos no destino. Uma mudança internacional é uma oportunidade de simplificar as posses materiais, por isso, o espaço na mala deve ser reservado para itens realmente insubstituíveis e documentos importantes.

 

Se adaptando ao local

Os primeiros meses no novo país demandam paciência e autocompaixão. “É natural estranhar alguns hábitos, dinâmicas sociais ou passar dificuldades com a língua local. Mas tente viver o período sem se cobrar tanto. Aceite convites, faça diferentes cursos, explore a cidade sem roteiro. Aos poucos, o desconhecido vira rotina, o sotaque fica mais fácil de entender e a sensação de pertencimento cresce”, finaliza.


Como é medida a qualidade de um estudo? Saiba identificar

 


Existem estudos mais completos e mais credíveis e outros menos, para identificar isso, existem alguns critérios que podem ser analisados, explica a editora-chefe da Atena Editora, Antonella Carvalho de Oliveira

 


Com o crescimento do acesso à informação científica, também cresceu a circulação de estudos de diferentes níveis de qualidade, mas afinal, como saber se um estudo é confiável?

A resposta não está apenas no tema ou na instituição por trás da publicação, mas na estrutura, metodologia e critérios técnicos adotados ao longo da pesquisa.

De acordo com a editora-chefe da Atena Editora, Antonella Carvalho de Oliveira, entender o que torna um estudo mais robusto e confiável é essencial tanto para pesquisadores quanto para leitores que desejam consumir ciência de forma responsável.

“Nem todo artigo científico possui o mesmo nível de evidência e credibilidade. Alguns estudos são apenas descritivos ou iniciais, enquanto outros são fruto de análises profundas, com rigor metodológico e revisão por pares. Saber diferenciar é essencial para não tirar conclusões precipitadas”,
afirma Antonella.



1. Qual o tipo de estudo?

Estudos científicos podem ser experimentais, observacionais, qualitativos ou quantitativos, e cada tipo tem seu propósito. Porém, quando falamos em confiabilidade, os estudos que apresentam ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e metanálises estão entre os mais sólidos, por reunirem dados de forma comparativa e padronizada.

“Uma revisão sistemática, por exemplo, é construída com base em dezenas ou centenas de estudos prévios. É como se fosse um raio-X da ciência atual sobre aquele tema”, explica Antonella.



2. O estudo foi publicado em uma revista científica reconhecida?

A credibilidade de um artigo também está relacionada ao veículo onde ele é publicado. Revistas com fator de impacto elevado e que utilizam revisão por pares (peer review), oferecem um filtro importante de qualidade.



3. A metodologia está clara?

Estudos bem estruturados apresentam uma metodologia detalhada e replicável: Qual foi o público-alvo? Quantas pessoas participaram? Qual o tempo de acompanhamento? Houve grupo de controle? Houve randomização? Quanto mais claros forem esses pontos, mais chances o estudo tem de gerar confiança.

“Quando um artigo apresenta poucos dados metodológicos ou usa termos vagos demais, o leitor deve acender um sinal de alerta”, reforça Antonella Carvalho de Oliveira.



4. Há conflitos de interesse?

Estudos financiados por empresas ou instituições com interesse direto nos resultados precisam deixar claro esse vínculo. Isso não invalida o estudo, mas exige um olhar mais crítico sobre os métodos, critérios e interpretações.



5. Conclusões compatíveis com os dados

É comum encontrar estudos com dados preliminares que são supervalorizados nas conclusões. Bons estudos apresentam os resultados com cautela, destacando limitações e possibilidades de erro. Afirmações muito abrangentes com base em poucos dados devem ser vistas com desconfiança.

“Educar o olhar para avaliar o que é um bom estudo é uma tarefa cada vez mais urgente. A ciência é uma construção coletiva, e isso inclui saber interpretá-la com responsabilidade”, conclui Antonella Carvalho de Oliveira.

 


Antonella Carvalho de Oliveira - professora Antonella Carvalho licenciada em Pedagogia, Mestre em Engenharia de Produção e Doutora em Ensino de Ciência e Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Tendo mais de 30 anos de carreira no magistério e uma década de atuação como professora na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Autora do livro "Como se Faz um Produto Educacional", o único no Brasil que ensina de maneira específica como criar um produto educacional. Atualmente, ocupa o cargo de Editora Chefe da Atena Editora.

Atena Editora



A revolução da inteligência artificial no setor financeiro


Especialista em governança corporativa comenta as mudanças reais que a IA já provoca em bancos e fintechs e aponta onde ainda há muito terreno a conquistar


 

 

Longe de ser apenas um recurso tecnológico, a inteligência artificial virou parte do dia a dia dos bancos e fintechs. Hoje, decisões que demoravam dias são tomadas em minutos; fraudes são barradas assim que surgem; e o atendimento ao cliente deixa de ser robotizado para se tornar mais humano.

 

Com investimento crescente em tecnologia, o setor financeiro brasileiro vive uma nova fase de inovação. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os investimentos em tecnologia do setor devem chegar a R$ 47,8 bilhões em 2025, sendo 61% destinados a soluções de IA, big data e analytics. Neste cenário, Marcello Marin, contador, administrador e Mestre em Governança Corporativa, avalia que a adoção da IA já está gerando impactos diretos em áreas como concessão de crédito, detecção de fraudes e relacionamento com o cliente.

 

“A inteligência artificial tem transformado o cenário ao automatizar processos e agilizar a análise de dados. Hoje, decisões que antes levavam dias são tomadas em poucos minutos, com base em informações muito mais completas. Isso gera ganhos que vão da concessão de crédito à gestão de investimentos. O impacto principal é claro: eficiência com inteligência - menos tempo com planilhas, mais foco em estratégia”, afirma o especialista.


 

E como isso afeta o consumidor?

 

No relacionamento com o consumidor, a IA também tem desempenhado papel fundamental. Ferramentas baseadas em linguagem natural, como os novos chatbots e assistentes inteligentes, já estão proporcionando interações mais rápidas, fluidas e personalizadas, com atuação 24 horas por dia e integração com sistemas bancários. “Os chatbots já não são apenas listas de perguntas e respostas. São canais de conversa fluidos, disponíveis o tempo todo. A análise preditiva consegue antecipar o que o cliente precisa antes mesmo que ele solicite. E tudo isso com escala. O resultado é mais personalização e menos filas de espera”, explica Marcello.

 

No campo da segurança, a tecnologia tem sido usada para identificar comportamentos atípicos e sinalizar fraudes em tempo real. Segundo estimativas da ClearSale, as fraudes digitais devem ultrapassar R$4,5 bilhões em prejuízos neste ano, impulsionadas principalmente por deepfakes e bots cada vez mais sofisticados. Para Marin, o uso de IA é fundamental para lidar com esse cenário. “A inteligência artificial é capaz de identificar padrões que escapam à percepção humana. Ela detecta comportamentos fora da curva em tempo real, como uma compra incomum ou um acesso de IP diferente - e imediatamente bloqueia ou sinaliza. E quanto mais interage com dados, melhor se torna. É um sistema que aprende continuamente, tornando a proteção cada vez mais eficiente”, diz.

 

Apesar do avanço, ele observa que algumas áreas ainda têm baixa maturidade tecnológica. “Setores como tesouraria, auditoria e planejamento de longo prazo ainda estão em estágios iniciais. Existe muito espaço para que a IA deixe os ambientes de teste e seja aplicada de forma prática e estratégica nessas frentes”, aponta.

 

Segundo ele, a adoção estratégica passa por um processo estruturado, que começa com organização de dados e avança com projetos-piloto bem definidos. “Aplicar IA sem uma base de dados bem estruturada é agir no escuro. O ideal é começar pequeno - escolher um processo com uma dor clara e impacto direto, testar e medir os resultados. E, claro, garantir desde o início a governança, com foco em segurança, ética e explicabilidade. Esses elementos não são complementares, mas sim fundamentais”, conclui Marcello.

 

 



Marcello Marin - contador, administrador, Mestre em Governança Corporativa e especialista em Recuperação Judicial.



Dia de São Francisco de Assis tem tradicional Bênção dos Animais na PUCPR

Divulgação_PUCPR


Evento acontece no dia 3 de outubro no câmpus da PUCPR em Curitiba, das 10h às 16h, e também no formato drive-thru, das 12h às 14h

Padroeiro dos animais e do meio ambiente, São Francisco de Assis é celebrado em 4 de outubro. Para reforçar a importância do cuidado com os bichinhos e a natureza, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) realiza a 11ª edição da tradicional Bênção dos Animais. O evento acontece na sexta-feira, 3 de outubro, no câmpus da Universidade em Curitiba, e será aberto ao público.  

Os padres da paróquia universitária estarão disponíveis para abençoar os animais das 10h às 16h, na Praça Cívica, localizada em frente à biblioteca da PUCPR. Haverá ainda a opção de receber a bênção no formato drive-thru, das 12h às 14h, com acesso exclusivo pelo Portão 1. 

“O Dia de São Francisco nos recorda que cuidar dos animais e da natureza é também um gesto de fé. Respeitar a criação é reconhecer o amor de Deus presente em cada vida e em cada detalhe do mundo que nos cerca”, explica o Padre Renato Vieira S.A.C, da Paróquia Universitária Jesus Mestre, organizador do evento juntamente com a Escola de Medicina e Ciências da Vida da PUCPR.  

A bênção não se restringe apenas a cães e gatos, todos os pets são bem-vindos. Além disso, a programação do evento inclui a distribuição de mudas e plantas. “Cuidar dos animais vai além da saúde: é um gesto de respeito, amor e responsabilidade. Por isso, ainda teremos professores e estudantes do curso de Medicina Veterinária para compartilhar dicas e orientações importantes para os responsáveis dos animais”, explica Celina Duque, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da PUCPR. 

Ao levar o pet para a bênção, o público deve lembrar de todos os cuidados necessários, como a utilização de coleiras e guias para todos os cães e de focinheira em animais de raças e portes para os quais o acessório é exigido.  

 

Serviço:

Bênção dos Animais PUCPR 

Data: 3 de outubro de 2025, sexta-feira 

Local: PUCPR – R. Imaculada Conceição, 1155 – Prado Velho (na Praça Cívica, localizada em frente à Biblioteca) 

Horário: das 10h às 16h 

Drive-thru: das 12h às 14h (Portão 1) 

 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Outubro Rosa: conheça os hábitos que podem evitar o tipo de câncer que causa mais mortes em todo mundo

 

Freepik

A prática regular de exercícios físicos pode reduzir em até 28% o risco de recorrência do câncer de mama e em 37% a mortalidade da doença; o consumo de álcool e dietas ultra processadas elevam em mais de 20% e 25% as chances de diagnóstico, respectivamente 


O Outubro Rosa é o mês globalmente dedicado à conscientização e ao combate ao câncer de mama, o tipo de câncer que mais afeta e mata mulheres em todo o mundo. E além da importância da testagem, especialistas reforçam que a prevenção através da medicina do estilo de vida é uma ferramenta poderosa e muitas vezes subestimada contra essa ameaça perigosa.

"A mamografia é um passo essencial para cuidar da saúde da mulher, mas não é o único. Quando associamos exames de rotina a escolhas saudáveis no dia a dia, como se alimentar bem e praticar atividades físicas, criamos uma poderosa rede de proteção contra o câncer de mama", afirma Miguel Lemos, médico e coordenador da pós-graduação em Medicina do Estilo de Vida da Afya. O especialista relembra que a mamografia e a consulta médica regular facilitam o diagnóstico precoce e aumentam as chances de cura em até 95%. "A prevenção é uma jornada diária, e o Outubro Rosa é o momento ideal para lembrarmos disso."

A medicina do estilo de vida foca em seis pilares principais: alimentação saudável, atividade física, sono de qualidade, controle do estresse, relacionamentos interpessoais positivos e a cessação do tabagismo e consumo de álcool. Adotar esses hábitos não apenas melhora a qualidade de vida, mas também reduz significativamente o risco de desenvolvimento de diversas doenças, incluindo o câncer.

Um estudo recente realizado com mulheres que sobreviveram ao câncer de mama publicado pelo New England Journal of Medicine (NEJM)¹, por exemplo, indica que a prática regular de exercícios foi capaz de reduzir em 28% o risco de o câncer retornar ou de o paciente desenvolver novos tumores. O grupo de pacientes que participou do programa de exercícios teve uma redução de 37% no risco de morte.

Estudos internacionais² ainda mostram que o consumo de álcool pode aumentar em mais de 20% a probabilidade de se desenvolver a doença e que dietas ricas em alimentos ultraprocessados e fast food também estão relacionadas ao risco até 25% maior de diagnóstico de câncer de mama.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o número de óbitos por essa doença tenha ultrapassado a marca de 18 mil em 2021, a grande maioria mulheres. O país registrou aproximadamente 73.610 novos casos de câncer de mama por ano no biênio 2023-2025, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

As regiões Sul e Sudeste apresentam as taxas mais altas de mortalidade ajustada, e pesquisas recentes mostram que cerca de 40% das brasileiras ainda desconhecem fatores de prevenção para o câncer de mama, evidenciando a necessidade de campanhas educativas mais assertivas.

Em todo mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2022, tenham sido diagnosticados cerca de 2,3 milhões de novos casos da doença, resultando em aproximadamente 670 mil mortes. O câncer de mama é hoje o tipo mais frequente entre mulheres em 157 de 185 países monitorados pela OMS, e metade dos casos ocorre em pessoas sem fatores de risco específicos além do sexo e da idade. Esses números reforçam a urgência de estratégias universais de prevenção e detecção precoce.

 



Afya
https://www.afya.com.br
ir.afya.com.br




1.Fonte: New England Journal of Medicine (NEJM)
Link

2. Fonte: Pubmed
Link

3. Fonte: BMC
https://ghrp.biomedcentral.com/articles/10.1186/s41256-025-00425-x?



Crianças com aparelho: como garantir uma escovação mais cuidadosa

Freepik

Orientação adequada e motivação lúdica fazem a diferença na saúde bucal dos pequenos 


Manter a escovação correta é essencial para crianças que usam aparelho ortodôntico, mas engajá-las nessa rotina nem sempre é fácil. Entre a falta de paciência dos pequenos e as dificuldades adicionais que os bráquetes, fios e placas removíveis apresentam, a higiene bucal pode se tornar um desafio. No entanto, com apoio dos pais, estratégias divertidas e o acompanhamento odontológico adequado, o cuidado pode se tornar mais eficaz e prazeroso.
 

Vinicius Moraes, professor do curso de Odontologia da Una Jataí, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, explica que “se a higiene não for bem-feita, restos de alimentos ficam presos, favorecendo o acúmulo de placa bacteriana. Isso pode causar gengivite, manchas brancas nos dentes, mau hálito e até cáries”. 


Como transformar a escovação em algo divertido 

Para estimular os pequenos, Moraes sugere estratégias lúdicas que tornam o processo mais leve: 

  • Escovação com música ou cronômetro: colocar uma música curta (2 a 3 minutos) e escovar até ela acabar.
Histórias e personagens: inventar um super-herói da escova que combate os monstrinhos da cárie;
  • Tabela de recompensas: marcar cada escovação em uma tabela colorida e dar pequenos prêmios semanais;
  • Escovação em família: pais e filhos escovam juntos, tornando o momento coletivo e divertido;
  • Escova especial: deixar a criança escolher a cor ou personagem da escova, o que aumenta o interesse.

 

Consultas: manutenção e prevenção 

Além dos cuidados em casa, o acompanhamento profissional é fundamental. O professor explica que há dois tipos de consultas que devem ser realizadas: 

  • Manutenção do aparelho: mensal, para ajustes de fios, elásticos ou avaliação do uso correto das placas removíveis.
  • Prevenção e limpeza: a cada três a quatro meses, quando o dentista realiza a profilaxia, aplica flúor e reforça as orientações de higiene.

 

Aparelhos removíveis e alinhadores 

Nos aparelhos ou placas móveis, a limpeza deve ser feita fora da boca, com escova própria e sabão neutro, guardando sempre em estojo adequado. Já os alinhadores, embora facilitem a escovação e o uso do fio dental, exigem disciplina no uso e acompanhamento mensal com o dentista. 

Moraes reforça que o cuidado com a escovação vai muito além da estética. “Trata-se de garantir saúde bucal e qualidade de vida para a criança, prevenindo complicações que podem comprometer até o resultado do tratamento ortodôntico”, conclui o especialista.

 

 Centro Universitário Una

 

Outubro Rosa: mitos em torno do câncer de mama atrasam diagnósticos

Especialista destaca sinais de alerta, desmistifica crenças e mostra como a medicina tem garantido mais qualidade de vida às pacientes

 

O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil e, embora ainda assuste, o avanço da medicina e a conscientização têm garantido maior qualidade de vida e melhores chances de cura às pacientes. Um dos fatores determinantes para esse sucesso é o diagnóstico precoce, tema amplamente reforçado durante o Outubro Rosa. 

Entretanto, o rastreamento adequado, muitas vezes, acaba não sendo feito por conta de alguns mitos que ainda circulam sobre a doença. Entre os mais comuns, a oncologista Bruna Carone, médica do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), cita: 

1- “Mamografia causa câncer” – falso. A radiação utilizada é mínima e o exame continua sendo a principal ferramenta para o diagnóstico precoce.


2- “Só quem tem histórico familiar tem câncer” – falso. A maior parte dos casos é esporádica, sem relação com herança genética.
 

A especialista reforça que a informação é uma das maiores aliadas no enfrentamento da doença. Segundo ela, o câncer de mama, quando diagnosticado precocemente, tem mais chance de cura. “Além disso, o tratamento em alguns casos pode ser menos agressivo, com cirurgias mais conservadoras e menor necessidade de quimioterapia”, afirma.
 

Sinais que exigem atenção 

Para que esse diagnóstico seja possível, é importante observar o próprio corpo. Muitos sintomas passam despercebidos ou são confundidos com alterações comuns. “Nódulos palpáveis geralmente chamam muito a atenção. Mas, em alguns casos, o câncer de mama pode aparecer como uma inflamação na mama (vermelhidão), mudança no formato da mama, retração da pele ou secreção pelo mamilo”, explica a oncologista.
 

Estilo de vida e prevenção 

Além da atenção aos exames, os hábitos de vida também são determinantes. “Obesidade, álcool e consumo de alimentos ultraprocessados aumentam muito o risco de câncer de mama. E já temos estudos mostrando que alimentação saudável e atividade física reduzem o risco em quem nunca teve câncer, reduzem recidiva em quem já teve, e melhoram a resposta e tolerância ao tratamento em quem está tratando”, afirma Bruna.

 

Mulheres jovens também precisam se cuidar
 

Apesar de ser mais frequente em mulheres acima dos 40 anos, o câncer de mama também tem afetado mulheres jovens em proporção crescente. “A incidência em mulheres jovens tem crescido. Por isso, é importante rastrear antes em caso de histórico familiar ou em caso de sintomas, e manter exames ginecológicos (incluindo a palpação das mamas) em dia”, orienta a médica.
 

Avanços da medicina 

Se, por um lado, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais, por outro, a medicina também tem proporcionado recursos cada vez mais eficazes para o tratamento. A oncologista destaca avanços importantes: surgimento de medicações-alvo com uma melhor resposta da doença; cirurgias menos mutilantes; testes genômicos que ajudam a calcular o risco de retorno da doença e o quão agressivo deve-se ser no tratamento; e medicações orais mais modernas para doenças avançadas.

Instituto de Oncologia de Sorocaba


Dados inéditos mostram que diabéticos e hipertensos internam até seis vezes mais, revela IA da Neuralmed

Estudo parcial feito a partir do Atlas Tracker analisou mais de 100 mil pessoas em Taboão da Serra e já identificou mais de 9 mil pacientes com condições crônicas 

 

Um levantamento inédito feito com o apoio de inteligência artificial revelou o peso das doenças crônicas no sistema de saúde: diabéticos e hipertensos chegam a ser internados até seis vezes mais que a população não crônica. O estudo foi conduzido pela Neuralmed, empresa de saúde que usa IA para transformar dados em ativos para equipe médica e assistencial, a partir do monitoramento de mais de 100 mil pessoas em Taboão da Serra, em São Paulo. 

O levantamento, realizado entre julho de 2024 e setembro de 2025, analisou 100.281 pacientes, dos quais, cerca de 9 mil apresentaram condições crônicas, representando 9% do total. Em uma amostra de 48.637 pessoas, atendidas pela rede pública municipal, 93% recorreram ao pronto-socorro, 7,7% utilizaram serviços ambulatoriais em ortopedia e 5,5% tiveram internação. A taxa geral de internações é de 55 por mil habitantes/ano, com reinternação em 20% dos casos e média de permanência hospitalar de 1,1 dia. 

Os dados foram gerados pelo sistema da Unidade Mista de Saúde de Taboão da Serra (UMTS) com a gestão do Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB), em uma etapa preparatória para o go-live do Atlas Tracker, marcado para o dia 6 de outubro. A Atlas Tracker é a solução da empresa que, com o auxílio da IA, analisa dados clínicos em tempo real para identificar pacientes críticos e apoiar decisões mais rápidas e seguras, possibilitando o monitoramento recorrente de pacientes. O processamento segue até o dia 5 e deve ampliar os números já apresentados. 

O impacto das doenças crônicas é expressivo: portadores dessas condições internam seis vezes mais que os demais. Além disso, 27% dos diabéticos e 20% dos hipertensos já passaram por internações. Esses dados parciais já estão sendo usados para alimentar o Atlas Tracker e orientar sua implantação em três Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Taboão da Serra. 

A estruturação dos indicadores também facilitará o cumprimento da Oferta de cuidados Integrados (OCIs) do Ministério da Saúde, alinhando o município às diretrizes nacionais. 

Segundo a Líder de Customer Success e Assistencial na Neuralmed, Luiza Soeiro, os dados revelados privilegiam a população taboanense ao permitir a identificação de grupos prioritários — como crônicos complexos, hipertensos e diabéticos — e apoiar decisões que reduzam reinternações e fortaleçam o cuidado longitudinal. “Nossa expectativa é que a ferramenta contribua diretamente para diminuir a pressão no pronto-socorro, reforçar o atendimento ambulatorial e avançar no monitoramento contínuo de condições crônicas, em conformidade com as OCIs”, pontua Luiza. 

O contrato atual, desenvolvido com apoio do Quintessa, pode ser estendido conforme decisão do município. Embora a parceria com a administração municipal de Taboão da Serra não inclua outros módulos, já há interesse em implantar futuramente o recurso para acompanhamento de gestantes e puericultura. 

“Para os moradores da região, a tecnologia significa maior prevenção e diagnósticos precoces, reduzindo internações evitáveis. Para o sistema de saúde, a expectativa é de redução das filas no pronto-socorro, otimização das internações e melhor direcionamento de casos para as UBSs, com base em dados robustos. Já para a gestão municipal, a ferramenta dará suporte ao cumprimento das OCIs, consolidando Taboão da Serra como referência nacional em atenção primária e gestão populacional”, finaliza a Líder de Customer Success e Assistencial na Neuralmed.

 

Implante ou prótese removível? Diferenças de cada tratamento para a terceira idade

Segundo o Censo 2022, a população com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em apenas 12 anos, chegando a 10,9% do total de brasileiros. Já a faixa com 60 anos ou mais soma hoje mais de 32,1 milhões de pessoas, o equivalente a 15,8% da população. Esse crescimento demográfico reflete também em novos hábitos: a terceira idade deixou de ser vista apenas como uma fase de limitações e passou a ser sinônimo de protagonismo, qualidade de vida e autocuidado. 

Viajar, praticar esportes, estudar e até empreender fazem parte da rotina de milhões de idosos e a saúde bucal tem acompanhado essa transformação. A perda dentária ainda é um desafio nessa faixa etária, mas as soluções disponíveis hoje vão muito além das dentaduras convencionais. Entre implantes e próteses removíveis, surgem dúvidas sobre qual tratamento é mais indicado. 

Segundo o dentista Paulo Augusto Yanase, da Oral Sin, mais do que substituir dentes, o tratamento deve devolver dignidade e confiança. “Na terceira idade, cada sorriso conquistado é como um renascimento. Não basta repor dentes, é preciso resgatar autoestima, segurança para se alimentar e tranquilidade para sorrir sem medo”, explica. Para ele, implante e prótese removível não são rivais, mas caminhos que devem ser avaliados individualmente. “O que define a melhor escolha não é a técnica, mas a história de vida e as condições de cada paciente”, completa. 

As próteses removíveis são alternativas mais acessíveis e rápidas, que podem ser retiradas para limpeza. Elas se adaptam às mudanças na boca ao longo do tempo, mas exigem ajustes constantes, podem causar incômodos na mastigação e não impedem a perda óssea progressiva. Já os implantes dentários, fixados no osso por meio de pequenas estruturas de titânio, oferecem estabilidade, maior eficiência mastigatória, estética mais natural e ajudam a preservar o osso. No entanto, exigem um investimento mais alto, cirurgia para instalação e cuidados mais rigorosos de higiene e acompanhamento. 

A escolha entre os dois tratamentos deve considerar fatores como saúde geral, presença de doenças crônicas, qualidade óssea, capacidade de manter a higiene, além, claro, das expectativas de conforto e estética. Em alguns casos, opções híbridas, como as overdentures, próteses removíveis apoiadas em implantes, podem oferecer equilíbrio entre acessibilidade e segurança. 

É importante destacar ainda que, apesar de muitos idosos temerem o desconforto, os procedimentos atuais são realizados com anestesia local e técnicas modernas, que tornam a experiência praticamente indolor. A instalação de próteses removíveis é simples e não invasiva, enquanto os implantes, mesmo sendo cirúrgicos, são planejados para oferecer segurança e mínima dor, com recuperação rápida quando há acompanhamento adequado. “Hoje, graças aos avanços tecnológicos, tanto prótese quanto implante são soluções seguras e confortáveis, que permitem ao paciente sorrir sem medo do tratamento em si”, finaliza o dentista.

Posts mais acessados