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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Compra de carro usado sem vistoria profissional pode virar armadilha para o consumidor

Especialista alerta para os riscos de fraudes e prejuízos ocultos em veículos usados; laudo técnico detalhado é a principal ferramenta de proteção do comprador


A aquisição de um veículo usado requer mais do que boa aparência ou preço atrativo. Uma vistoria técnica e profissional é o que separa uma compra segura de um prejuízo silencioso e, muitas vezes, irreversível. A avaliação visual feita por vendedores, amigos ou até mecânicos de confiança não substitui o rigor técnico de um laudo estruturado, com equipamentos de leitura avançada e verificação documental completa.

Leonardo Vilar, sócio-proprietário da Rapidus, empresa especializada em vistoria pré-compra, afirma que muitos consumidores seguem expostos a riscos desnecessários por falta de informação. “Veículo usado é um terreno fértil para fraudes estruturais e problemas ocultos. E o barato pode sair caro. Já evitamos compras de carros com estrutura comprometida, histórico de sinistro e até quilometragem adulterada, mesmo parecendo impecáveis à primeira vista”, explica.

Fraudes comuns e danos de longo prazo

Entre as irregularidades mais frequentes estão os chamados ‘sinistros maquiados’, veículos gravemente danificados e reformados com foco apenas estético, e os que passaram por leilão, mas são revendidos sem essa informação. Também é comum a adulteração de hodômetros, que reduz artificialmente a quilometragem e valoriza o veículo de forma enganosa.

“Só uma vistoria técnica com scanner e checagem estrutural consegue apontar esses sinais. A inspeção amadora olha o básico; nós vamos além da superfície. Nosso trabalho é técnico, sem vínculo com lojas, e isso garante isenção total no diagnóstico”, afirma Leonardo Vilar.

Diferença entre laudo técnico e inspeção amadora

Um dos principais equívocos do consumidor é confiar apenas na experiência visual ou em avaliações informais. A inspeção amadora normalmente considera apenas aparência, funcionamento básico e ausência de ruídos. Já o laudo técnico envolve análise com ferramentas eletrônicas, histórico documental, verificação de estrutura, checagem de remarcação de chassi e danos não aparentes.

“Temos casos de clientes que quase compraram carros com avarias sérias que foram encobertas por pintura nova e acabamento refinado. Com nosso laudo, eles evitaram dores de cabeça futuras e prejuízos que superariam R$ 20 mil em alguns casos”, revela Leonardo.

Economia real e segurança jurídica

Mais do que prevenir fraudes, o laudo técnico assegura que o consumidor invista em um veículo que manterá valor de mercado e não trará custos ocultos com manutenção. A economia gerada ao longo do tempo é resultado direto de uma decisão bem fundamentada.

Segundo levantamento do setor automotivo, mais de 70% das reclamações em plataformas de revenda estão relacionadas a problemas não identificados no momento da compra. A vistoria profissional atua como barreira de proteção: identifica riscos, garante a procedência e fortalece a segurança jurídica do comprador.

 

Rapidus

 

Inexigibilidade de licitação, um instrumento de gestão sob o olhar do controle

    A relação entre a Administração Pública e o mercado é regida, como regra de ouro, pelo dever de licitar. Esse mandamento, previsto no inciso XXI do artigo 37 da Constituição Federal, é muito mais que um mero formalismo. É aquilo que garante a isonomia entre os concorrentes e a busca pela proposta mais vantajosa para o erário, de modo que o interesse público seja soberano. A competição é, portanto, o caminho natural para a boa gestão dos recursos que, na República, vale lembrar, pertencem a todos. 

    Contudo, a realidade administrativa é complexa e, por vezes, impõe desafios que a competição formal não consegue solucionar. Há situações, por exemplo, em que a própria lógica desse instrumento se mostra inviável. Nesses casos, o atendimento do interesse público não se encontra na disputa, mas em formas mais imediatas de seleção do fornecedor estatal. É nesse ponto que a legislação, com a devida prudência, abre espaço para a contratação direta, notadamente por meio da inexigibilidade de licitação. 

    A Lei nº 14.133/2021 tratou do tema com especial atenção em seu artigo 74, buscando aprimorar esse recurso que é, a um só tempo, essencial para a eficiência da gestão e sensível para os órgãos de controle. Analisar a contratação direta sob o prisma da nova legislação é fundamental para orientar o gestor público e qualificar a atuação das Cortes de Contas. 

    Diferentemente da dispensa, na qual a competição é viável, mas a lei faculta sua não realização, por razões de eficiência ou oportunidade, a inexigibilidade parte de uma constatação fática: a inviabilidade de competição. Não se trata de escolha, mas de reconhecer a inviabilidade de estabelecer critérios objetivos de julgamento entre múltiplos e potenciais interessados. 

    O artigo 74 da nova lei, seguindo a tradição de sua antecessora, apresenta um rol exemplificativo. Isso significa que, embora liste as hipóteses mais comuns, a porta permanece aberta para outras situações, desde que a impossibilidade de competição seja demonstrada no processo de contratação.    

As hipóteses clássicas foram mantidas e aprimoradas. A contratação de fornecedor exclusivo (inciso I), por exemplo, agora exige uma comprovação mais rigorosa, por meio de atestados de entidades competentes, buscando coibir a criação artificial de cenários de exclusividade. Da mesma forma, a contratação de profissional do setor artístico (inciso II) continua atrelada à sua consagração pela crítica ou opinião pública, um critério que, embora subjetivo, serve de baliza para evitar o puro e simples apadrinhamento. 

    Hipótese que exige cautelas do gestor e do controlador é a de contratação de serviços técnicos especializados (inciso III), tema que costuma gerar volume considerável de litígios e processos no Poder Judiciário e nos Tribunais de Contas. Em tais casos, a lei exige a cumulação da natureza singular do serviço com a notória especialização do contratado. Ou seja, não se trata apenas de contratar um bom profissional, mas de buscar uma expertise para um problema complexo, não corriqueiro nem rotineiro, no qual a confiança e o conhecimento específico do contratado tornam impraticável a disputa entre diversos proponentes. 

    Outro tema importante tratado pela Lei nº 14.133/2021 é, sem dúvida, a positivação do credenciamento como hipótese expressa de inexigibilidade (inciso IV). Antes, essa figura era uma construção da doutrina e da jurisprudência, que gerava certa insegurança jurídica aos gestores. Com sua formalização, o gestor ganhou uma ferramenta poderosa para ampliar o acesso a serviços públicos com respaldo legal e transparência. 

    O credenciamento é a solução ideal nos casos em que a Administração não pretende escolher o melhor fornecedor, mas, sim, contratar todos aqueles que atendam a determinados critérios, formando uma rede de prestadores à disposição da população. O exemplo clássico são os serviços de saúde, em que clínicas e laboratórios são credenciados para atender os beneficiários de um plano. A competição, nesse modelo, não é eliminada; ela é transferida para o cidadão, que escolhe, entre os habilitados, o prestador que melhor lhe convém. 

    É preciso que fique claro: inexigibilidade não é sinônimo de informalidade ou de ausência de processo. Ao contrário, por constituir exceção, a contratação direta exige um processo administrativo ainda mais robusto e transparente, capaz de demonstrar, sem margem para dúvidas, o acerto da decisão. 

    O artigo 72 da nova lei oferece um verdadeiro roteiro para o gestor: a instrução processual deve conter a justificativa da necessidade, a razão da escolha daquele contratado específico e, ponto crucial para o controle externo, a justificativa do preço. A comprovação de que o valor pago é compatível com o de mercado é o que diferencia uma contratação legítima de uma suspeita de sobrepreço. 

    A publicação do ato que autoriza a contratação direta ou do extrato do respectivo contrato em site institucional do órgão contratante é outro importante pilar que fortalece o controle –não apenas aquele exercido pelos Tribunais de Contas, mas também o social, permitindo que qualquer cidadão fiscalize essas ações do poder público. 

    A inexigibilidade de licitação é, assim, um instrumento de gestão indispensável. Rechaçá-la seria engessar a Administração Pública, tornando-a incapaz de responder a demandas específicas e complexas. A Lei nº 14.133/2021 modernizou suas hipóteses e fortaleceu os procedimentos, oferecendo maior segurança jurídica. 

    Contudo, a boa utilização desse mecanismo exige do gestor, mais do que conhecimento técnico, probidade e diligência. Cada passo deve ser justificado, pois a ausência de competição acende um sinal de alerta natural. 

    O papel dos Tribunais de Contas, nesse cenário, é zelar para que a exceção não se torne uma regra conveniente para escapar do controle público. A fiscalização deve ser rigorosa na análise dos pressupostos fáticos e na verificação da economicidade, garantindo que a inviabilidade de competição seja real, e não um artifício criado para direcionar contratos. 

    O equilíbrio entre a prerrogativa de gerir com eficiência e o dever de prestar contas de forma transparente é o que legitima a contratação direta. A nova lei oferece as ferramentas para isso. Cabe aos gestores usarem-nas com sabedoria e às Cortes de Contas e à população fiscalizá-las com a firmeza que o interesse público exige.

 

Dimas Ramalho - Conselheiro-Corregedor do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

 

Colisão entre dois corpos de massas semelhantes pode explicar a formação de Mercúrio

Mercúrio é o planeta menos explorado do Sistema Solar
(
imagem: Nasa)
Estudo publicado na revista Nature Astronomy desafia explicações tradicionais sobre a origem do planeta mais interno do Sistema Solar e propõe cenário mais provável. “Trombada” teria arrancado até 60% de seu manto original, o que explicaria sua metalicidade exacerbada

 

 A formação de Mercúrio ainda é um problema não resolvido. O planeta mais próximo do Sol possui um núcleo metálico desproporcionalmente grande – cerca de 70% de sua massa – e um manto rochoso relativamente pequeno. A explicação mais aceita até agora era a de que Mercúrio teria perdido boa parte de sua crosta e manto após uma colisão catastrófica com um corpo celeste de grande porte. Mas simulações dinâmicas mostram que esse tipo de impacto, envolvendo corpos de massas muito diferentes, é extremamente raro. E um novo estudo propõe uma explicação alternativa, com base em um tipo de evento bem mais comum no início do Sistema Solar: colisão rasante entre corpos de massas semelhantes.

Artigo a respeito, que teve como primeiro autor o astrônomo Patrick Franco, doutor pelo Observatório Nacional e pós-doutorando no Institut de Physique du Globe de Paris (França), foi publicado na revista Nature Astronomy.

“Por meio de simulação, mostramos que a formação de Mercúrio não exige colisões excepcionais. Um impacto rasante entre dois protoplanetas de massas semelhantes pode explicar sua composição. Este é um cenário muito mais plausível do ponto de vista estatístico e dinâmico”, diz Franco. “Nosso trabalho parte da constatação, feita em simulações anteriores, de que colisões entre corpos muito desiguais são eventos extremamente raros. Já colisões entre objetos de massas semelhantes são mais comuns e o objetivo do estudo foi justamente verificar se essas colisões seriam capazes de produzir um planeta com as características observadas em Mercúrio.”

Essa possível colisão teria ocorrido em uma fase relativamente tardia de formação do Sistema Solar, quando corpos rochosos, de tamanhos semelhantes, disputavam espaço nas regiões internas, mais próximas do Sol. “Eram objetos em evolução, dentro de um berçário de embriões planetários, interagindo gravitacionalmente, perturbando as órbitas uns dos outros, e inclusive colidindo, até que restassem apenas as configurações orbitais bem definidas e estáveis que conhecemos hoje”, descreve Franco, que se formou (licenciatura em matemática e mestrado em física) na Faculdade de Engenharias e Ciências da Universidade Estadual Paulista, campus Guaratinguetá (FEG-Unesp).

Para recriar esse cenário hipotético, os pesquisadores utilizaram um método numérico computacional chamado de “hidrodinâmica de partículas suavizadas” (do inglês smoothed particle hydrodynamics, SPH), que possibilita simular gases, líquidos e materiais sólidos em movimento, especialmente em contextos nos quais ocorrem grandes deformações, colisões ou fragmentações.

Esse método, amplamente utilizado tanto em cosmologia, astrofísica e dinâmica planetária quanto em engenharia e computação gráfica, emprega como recurso matemático a função lagrangiana (de Joseph Louis Lagrange, 1736-1813), que descreve a evolução de um sistema considerando como cada ponto ou partícula constituinte se move individualmente no espaço ao longo do tempo. Em contraste com o formalismo euleriano (de Leonhard Paul Euler, 1707-1783), que observa o que acontece em pontos fixos do espaço, a função lagrangiana segue, por assim dizer, o “ponto de vista” da partícula em movimento.

“Por meio de simulações detalhadas em hidrodinâmica de partículas suavizadas, verificamos que é possível reproduzir com alta precisão tanto a massa total de Mercúrio quanto sua incomum razão entre metal e silicato. A margem de erro do modelo ficou abaixo de 5%”, conta Franco.

A proposta ajuda a explicar por que Mercúrio apresenta baixa massa total, apesar de ter um núcleo metálico grande, e por que retém apenas uma fina camada de material rochoso. “Assumimos que Mercúrio possuiria, inicialmente, composição semelhante à dos outros planetas terrestres. A colisão teria arrancado até 60% de seu manto original, o que explicaria sua metalicidade exacerbada”, detalha o pesquisador.


Onde estão os destroços?

Além disso, o novo modelo evita uma limitação dos cenários anteriores. “Nesses cenários, o material arrancado durante a colisão é reincorporado pelo próprio planeta. Se assim fosse, Mercúrio não exibiria sua atual desproporção entre núcleo e manto. Mas, no modelo que estamos propondo, dependendo das condições iniciais, parte do material arrancado pode ser ejetada e não retornar mais, o que preserva a desproporção entre núcleo e manto”, argumenta Franco.

Nesse caso, a questão óbvia que se coloca é saber para onde foi o material ejetado. “Caso o impacto tenha ocorrido em órbitas próximas, uma possibilidade é que esse material tenha sido incorporado por outro planeta em formação, talvez Vênus. É uma hipótese que ainda precisa ser investigada com mais profundidade”, diz o pesquisador.

Segundo ele, o modelo proposto pode ser estendido para investigar a formação de outros planetas rochosos e contribuir para o entendimento dos processos de diferenciação e perda de material nos primórdios do Sistema Solar. As próximas etapas da pesquisa devem incluir comparações com dados geoquímicos de meteoritos e amostras de missões espaciais que estudam Mercúrio, como a BepiColombo, iniciativa conjunta da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

“Mercúrio continua sendo o planeta menos explorado do nosso sistema. Mas isso está mudando. Há uma nova geração de pesquisas e missões em curso, e muita coisa interessante ainda vai surgir”, afirma Franco.

O estudo recebeu apoio parcial da FAPESP por meio de auxílio ao Projeto Temático “A relevância dos pequenos corpos em dinâmica orbital”.

O artigo Formation of Mercury by a grazing giant collision involving similar-mass bodies pode ser acessado em www.nature.com/articles/s41550-025-02582-y. 


José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/colisao-entre-dois-corpos-de-massas-semelhantes-pode-explicar-a-formacao-de-mercurio/55527


Falta de saneamento resultou na internação de mais de 80 mil idosos no Brasil

Idosos representaram 23,5% das 344 mil internações por doenças causadas pela falta de saneamento básico em 2024

 

A ausência de serviços de saneamento básico no Brasil impacta diretamente a saúde da população, especialmente entre crianças e idosos. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil, que tem como base dados do DATASUS 2024, mais de 80 mil pessoas com mais de 60 anos foram hospitalizadas devido a Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). 

No Brasil, ocorreram 344 mil internações por essas enfermidades em 2024. Entre essas hospitalizações, os idosos representaram 23,5% do total, sendo um dos grupos mais afetados. O cenário torna-se ainda mais preocupante quando analisamos os óbitos, no qual das 11.554 mortes causadas por DRSAI, 8.830 vitimaram pessoas com mais de 60 anos, representando 76,4% do total de óbitos. 

A população idosa enfrenta maiores riscos devido ao processo natural de envelhecimento, que compromete o sistema imunológico e aumenta a possibilidade de infecções. A falta de acesso à água potável e de coleta e tratamento de esgoto cria um ambiente propício para a proliferação dessas doenças, expondo os idosos a riscos de contaminação e comprometendo sua qualidade de vida. 

Universalizar o saneamento é garantir melhores condições de vida e bem-estar aos habitantes. Para a população idosa brasileira, que já enfrenta vulnerabilidades naturais do envelhecimento, o acesso universal à água tratada e ao esgotamento pode significar a diferença entre um envelhecimento saudável e a exposição a doenças evitáveis que comprometem sua autonomia e dignidade.


Inteligência Artificial e "hábito noturno" reconfiguram comportamento de compra online no Brasil

Pesquisa E-commerce Trends 2026, da Octadesk em parceria com o Opinion Box, revela que maioria das compras é feita à noite e que a IA já influencia a decisão de consumo.

 

O consumidor brasileiro está mais digital, mais exigente e mais noturno. É o que revela a nova edição da pesquisa E-commerce Trends 2026*, realizada pela Octadesk, plataforma de atendimento da LWSA, em parceria com o Opinion Box. O estudo mostra que 88% dos consumidores compram online, sendo que 56% preferem realizar compras à noite ou madrugada. A inteligência artificial também começa a ganhar espaço: 26% já utilizam ferramentas como ChatGPT e Gemini para pesquisar produtos, e 26% afirmam que já foram motivados a comprar por vitrines personalizadas por IA. Confira a pesquisa na integra aqui.

Apesar da crescente adoção, a tecnologia ainda desperta cautela: apenas 39% dos entrevistados dizem que a IA melhora a experiência de compra, e 23% afirmam que desconfiaram, mas ao saber que a descrição de um produto foi gerada por robô. Por outro lado, 42% se sentiriam mais inclinados a comprar com personalizações feitas por IA, e 46% dizem que esse fator não mudaria sua decisão.

“Com a IA entrando de vez na etapa de consideração, o desafio para as marcas será equilibrar personalização e transparência. O consumidor pode até não confiar plenamente hoje, mas espera ser compreendido e atendido com precisão, seja por humanos ou algoritmos. E quem souber usar a tecnologia com propósito e clareza, deve sair na frente”, afirma Rodrigo Ricco, fundador e diretor geral da Octadesk.

Na busca por produtos, o Google (59%) ainda lidera como principal canal de pesquisa, seguido de perto pelos sites ou aplicativos das lojas (50%). As redes sociais também ganham protagonismo: 58% dos consumidores já utilizam plataformas como Instagram e YouTube para buscar produtos. Entre os que já compraram após ver anúncios nessas plataformas, o Instagram aparece em primeiro lugar (55%), seguido por Facebook (31%) e YouTube (30%).


Oito em cada dez compras são feitas pelo celular

Além da forte adesão ao online (78%), a pesquisa mostra que 8 em cada 10 consumidores finalizam suas compras pelo celular. E a tendência é de alta: 59% afirmam que pretendem comprar ainda mais pela internet nos próximos 12 meses. “A compra digital deixou de ser uma alternativa. Ela se tornou o caminho natural, especialmente fora do expediente tradicional, o que exige disponibilidade e atendimento em tempo real”, destaca Mahara Scholz, head de receita da Octadesk.

Entre os fatores que mais influenciam a escolha de onde comprar online, o frete grátis lidera com 72%, seguido por promoções (60%), prazo de entrega (46%) e cupons de desconto (42%).

Com o consumidor mais ativo à noite, o WhatsApp superou pela primeira vez o chat online como canal preferido de atendimento, com 37% de preferência. A IA aparece como alternativa para cobrir horários em que não há atendimento humano disponível. Apesar disso, a experiência ainda divide opiniões: 86% dos consumidores já foram atendidos por chatbots, mas apenas 22% avaliaram positivamente a interação.


Cartão de crédito e PIX dominam pagamentos no e-commerce 

Mesmo com a oferta crescente de alternativas, os métodos tradicionais ainda lideram. O cartão de crédito parcelado aparece como o meio de pagamento preferido por 53% dos consumidores, seguido pelo PIX (22%) e cartão de crédito à vista (15%). Outras formas, como cartão de débito (3%), QR Code (2%), carteiras digitais (2%), boleto bancário (1%) e pagamento por reconhecimento facial (1%) ainda enfrentam baixa adesão. O WhatsApp Pay, por exemplo, é usado por menos de 1% dos entrevistados.

“Apesar da curiosidade por novidades, a decisão final ainda é guiada por confiança, familiaridade e praticidade. Para as marcas, o recado é direto: oferecer variedade importa, mas garantir as opções preferidas pelo cliente é o que realmente fecha a venda”, conclui Mahara.


* O E-commerce Trends 2026 ouviu mais de 2000 consumidores, com idade acima de 18 anos, sendo de diferentes regiões, classes sociais e faixas etárias. Todos os entrevistados realizaram pelo menos uma compra nos últimos 6 meses. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais. 

 

Octadesk


“Não é fácil viver com R$ 21 mil”: Lula reclama do Imposto de Renda, mas paga menos do que a maioria dos brasileiros

Durante reunião do Conselhão em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um desabafo curioso: “Meu salário não é muito não, viu? Salário de presidente acho que é R$ 46 mil, paga 27% de imposto de renda, o PT me cobra R$ 4 mil na fonte, me sobram R$ 21 mil. Não é fácil a vida”. 

A frase arrancou risos de alguns presentes, mas também provocou perplexidade. Afinal, enquanto o presidente reclama dos descontos, a grande maioria dos brasileiros paga proporcionalmente mais imposto e recebe muito menos em troca, sem auxílio de cartão corporativo, residência oficial ou aviões da FAB.

 

É mais um episódio que escancara a desconexão entre a elite política e a realidade econômica da população. E por mais que o comentário tenha sido feito em tom de brincadeira, ele levanta uma discussão séria: quem realmente paga a conta do Imposto de Renda no Brasil?


 

Uma conta que não fecha


A alíquota máxima do Imposto de Renda para pessoas físicas é de 27,5%. E ela incide sobre qualquer cidadão com renda mensal superior a R$ 5.830,85, o que significa que um professor universitário, um gerente bancário ou um servidor concursado já está na mesma faixa tributária que o presidente da República.

 

Mas há uma diferença fundamental: esses profissionais, em sua maioria, vivem exclusivamente do que recebem no contracheque, enquanto o presidente tem a maior parte de seus custos de vida bancados pelo Estado. Em termos práticos, o salário líquido não reflete o padrão de vida, porque Lula, assim como outros políticos de alto escalão, dispõe de uma estrutura de apoio e benefícios que nenhum trabalhador comum possui.


 

Os benefícios não tributáveis da Presidência

 

Embora o salário bruto de Lula seja de R$ 46.366,19, o valor líquido, segundo ele próprio, gira em torno de R$ 21 mil, já com os descontos de IR e da contribuição partidária ao PT.

Contudo, esse “salário líquido” não precisa cobrir despesas como: 

  • Moradia: o presidente reside no Palácio da Alvorada, um imóvel de mais de 7 mil m², com segurança, piscina e serviços de apoio;
  • Alimentação: parte das refeições e eventos são custeados pelo Estado;
  • Transporte: carros oficiais e aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) estão à disposição 24 horas por dia;
  • Saúde: plano de saúde de excelência, com atendimento privilegiado e rede ampliada;
  • Viagens: cobertas por verbas públicas, inclusive com direito a diárias;
  • Equipe pessoal: assessores, motoristas e auxiliares pagos com dinheiro público.

Esses benefícios, embora tenham valor econômico real, não são contabilizados como renda tributável. Ou seja, o presidente tem acesso a uma “renda indireta” isenta de Imposto de Renda, algo impensável para qualquer trabalhador formal.


 

O cartão corporativo como extensão da renda


Outro ponto sensível é o cartão corporativo da Presidência, que já acumulou mais de R$ 55 milhões em gastos entre 2023 e 2025, segundo dados divulgados pelo Portal da Transparência. Cerca de 99,5% dessas despesas são consideradas sigilosas e, portanto, não passíveis de auditoria pública detalhada.

 

Embora o cartão seja de uso institucional, parte considerável das despesas, como alimentação, deslocamento e hospedagem, substitui gastos que, em qualquer outra realidade, seriam pagos com o salário. Na prática, o cartão corporativo funciona como uma extensão da remuneração, livre de tributação e com baixa transparência.


 

A carga tributária de quem vive de salário


Enquanto isso, o brasileiro comum paga Imposto de Renda sobre tudo que entra na conta, mesmo que tenha de arcar com aluguel, transporte, plano de saúde, educação dos filhos, alimentação e previdência. É a chamada “tributação sobre a sobrevivência”, em contraste com a “vida subsidiada” da elite do serviço público e da alta cúpula do poder político.

 

Com isso, a estrutura do IR no Brasil acaba sendo, na prática, regressiva: quem ganha menos paga proporcionalmente mais, considerando os descontos limitados e a ausência de isenção sobre benefícios essenciais. E mesmo aqueles isentos do IRPF ainda enfrentam o peso dos tributos indiretos sobre o consumo, como ICMS, PIS, COFINS e outros, embutidos em produtos e serviços.


 

O problema não é o salário. É o sistema.


A fala de Lula desperta uma reflexão importante: o problema não está exatamente no valor do salário presidencial, mas na estrutura desigual do sistema tributário brasileiro. Um sistema que:

  • Tributa salários com rigor, mas não toca em rendimentos isentos e benefícios públicos;
  • Penaliza quem vive do próprio trabalho, mas preserva quem vive do Estado;
  • Trata desigualmente quem já enfrenta desigualdade.

Reclamar dos descontos no contracheque é legítimo. Mas fazer isso ocupando o cargo mais privilegiado do país, com acesso a tudo que o Estado pode oferecer, soa no mínimo, insensível.

 


O verdadeiro desafio tributário


Se o presidente quiser, de fato, discutir justiça fiscal, seria mais produtivo olhar para a estrutura como um todo: por que os penduricalhos dos deputados, senadores e membros do executivo são isentos? Por que os gastos de cartões corporativos não são lançados como rendimento para tributação e maior transparência? Por que trabalhadores pagam, proporcionalmente, mais do que políticos?

 

Enquanto essas perguntas seguirem sem resposta, frases como “não é fácil viver com R$ 21 mil” tendem a cair no vazio, ou pior, ofender quem realmente luta para viver com um salário mínimo e ainda paga imposto sobre tudo.

 


André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. André é autor do livro 'A Verdade Sobre o Dinheiro: Lições de Finanças para o Seu Dia a Dia', um guia prático e acessível para quem deseja alcançar a estabilidade financeira sem fórmulas mágicas ou promessas de enriquecimento fácil. O livro está disponível em versão física pela Amazon e versão digital pelo Google Play.
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As 15 áreas naturais mais procuradas pelos brasileiros

Parques Chapada dos Veadeiros, Estadual da Cantareira e Serra da Capivara  
iStock

 

Parques, APA e Florestas: cresce em 50% o interesse por Unidades de Conservação; confira as áreas naturais mais procuradas pelos brasileiros 

Levantamento, feito pela Bulbe Energia, aponta quais Parques, Áreas de Proteção Ambiental e Florestas Nacionais estão entre os locais mais pesquisados na internet

 

O interesse dos brasileiros por áreas naturais protegidas está em alta. Um levantamento da Bulbe Energia, plataforma de energia renovável, aponta um crescimento de 50% nas buscas pelo termo “unidade de conservação” nos últimos 12 meses - totalizando mais de 1 milhão de pesquisas relacionadas. O dado sugere curiosidade por parte da população, bem como um possível interesse em visitar áreas naturais.

 

De fato, esse crescimento não se limita às buscas na internet: segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), mais de 25,5 milhões de visitas foram registradas em Unidades de Conservação federais em 2024, um crescimento de 4,9% em relação a 2023 — número que reforça o apetite dos brasileiros por atividades ao ar livre e experiências em meio à natureza.

 

Essas áreas são regulamentadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), criado pela Lei nº 9.985/2000, e têm o objetivo de conservar ecossistemas, proteger espécies ameaçadas e preservar paisagens, rios e florestas. Entre suas principais categorias, por exemplo, estão os Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, as Florestas Nacionais, as Áreas de Proteção Ambiental e as Reservas Extrativistas

 

O levantamento da Bulbe Energia considerou todas essas categorias e analisou os volumes de busca associados a nomes específicos de unidades que aparecem nas pesquisas dos brasileiros. A partir desse cruzamento, foi produzido um ranking com as 15 Unidades de Conservação mais buscadas no último ano, revelando os destinos naturais que mais despertaram o interesse do público. Veja a seguir: 

 

O estado de São Paulo lidera o ranking, com seis Unidades de Conservação entre as 15 mais buscadas, representando cerca de 40% do total de pesquisas.

 

O destaque é o Parque Estadual da Cantareira (Núcleo Pedra Grande), que acumulou mais de 161 mil buscas no último ano. Localizada na zona norte da capital paulista, a área é um dos maiores fragmentos de Mata Atlântica em área urbana do mundo. Abriga espécies como o bugio e a onça-parda, e oferece trilhas, cachoeiras, mirantes e ciclorrotas. Criado em 1963, o local integra a Reserva da Biosfera da Unesco e protege as nascentes que abastecem a cidade.

 

No Rio, que aparece com três unidades, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos é o mais pesquisado. Conhecido por suas trilhas de longa distância, como a travessia Petrópolis-Teresópolis, o parque impressiona pelo visual imponente do Dedo de Deus. Com mais de 2.800 espécies de plantas catalogadas, abriga onças-pardas, bugios, e centenas de espécies de aves e anfíbios.

 

Outros estados também compõem a lista, como o Piauí, com o icônico Parque Nacional da Serra da Capivara, responsável por preservar sítios arqueológicos e pinturas rupestres, além da fauna típica da Caatinga, formações rochosas e cânions únicos. Já Goiás é representado pela Chapada dos Veadeiros, que atrai visitantes pelas trilhas, cachoeiras e paisagens do Cerrado. O Maranhão figura com os Lençóis Maranhenses, onde a vegetação nativa divide espaço com lagoas sazonais e dunas, habitat de aves migratórias.

 

Como visitar uma Unidade de Conservação? 

Atualmente, vale lembrar que cada tipo de Unidade de Conservação tem uma finalidade e regras específicas de uso. No caso dos Parques Nacionais, o acesso é permitido ao público, mas de forma controlada, para minimizar os impactos ambientais. Além disso, eles permitem a realização de pesquisas científicas, educação ambiental e turismo ecológico.

 

Já as Florestas Nacionais têm um uso mais amplo: além da preservação, são voltadas ao manejo sustentável dos recursos naturais. É possível realizar atividades como trilhas, lazer ao ar livre e até manejo florestal. Um exemplo é a Floresta Nacional de Brasília (DF), por trás de mais de 52 mil buscas. O local protege nascentes do Cerrado, abriga espécies como onça, anta, veado, tamanduá-bandeira, macaco, tatu e oferece trilhas para caminhada, mountain bike, yoga e meditação.

 

Por fim, as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) são as mais flexíveis entre as três. Elas permitem diversos usos como moradia, turismo e produção local, desde que respeitem a conservação ambiental. Um exemplo é a APA Tanquã / Rio Piracicaba, em São Paulo, conhecida como "Mini Pantanal Paulista", que teve quase 48 mil buscas. A região atrai visitantes como onça-parda, o lobo-guará, a jaguatirica e o jacaré-de-papo-amarelo e oferece passeios de barco, trilhas e gastronomia típica com pratos à base de peixe.

 

É importante lembrar que esses espaços também abrigam comunidades humanas. Dados recentes do IBGE mostram que cerca de 5 milhões de brasileiros vivem dentro de áreas oficialmente protegidas, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Ou seja, além de destinos turísticos, essas regiões são também territórios vivos e complexos, o que reforça a importância de práticas de visitação sustentáveis e respeitosas.

 

 

Metodologia 

Inicialmente, a Bulbe Energia identificou um aumento nas buscas pelo termo “unidade de conservação” no Google Brasil nos últimos 12 meses. A partir disso, foram levantados os 12 tipos de Unidades de Conservação definidos pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza do Ministério do Meio Ambiente. Para cada categoria, analisaram-se os nomes mais associados às pesquisas dos usuários.

 

https://bulbeenergia.com.br/blog/

 

Área de logística concentra mais de 16 mil vagas abertas no Infojobs

Setor segue aquecido com oportunidades CLT, temporárias e de estágio; maioria das vagas é para trabalho presencial

 

A área de logística está com mais de 16.400 vagas de emprego abertas atualmente, segundo a base de dados do Infojobs, site e aplicativo de empregos mais usado do país. As oportunidades são destinadas a diferentes perfis profissionais e contemplam, principalmente, contratações CLT (mais de 10 mil vagas). O setor também conta com mais de 300 vagas afirmativas para profissionais com deficiência (PcD).

O modelo presencial ainda predomina, com 16 mil vagas abertas, mas há também espaço para formatos mais flexíveis: 400 vagas são híbridas ou em home office. Só no último mês, mais de 3 mil novas vagas em logística foram abertas no site de empregos.

A faixa salarial das oportunidades está em torno de R$4 mil, com variações de acordo com o cargo e o nível de qualificação exigido.


Entre as áreas relacionadas que concentram mais vagas dentro da logística estão:

  • Administração – cerca de 600 vagas
  • Construção e Manutenção – cerca de 600 vagas
  • Comercial e Vendas – cerca de 600 vagas
  • Indústria e Produção – cerca de 400 vagas
  • Transporte – cerca de 100 vagas
  • Contábil e Finanças – cerca de 100 vagas

Além das contratações CLT, o setor registra ainda mais de 4 mil vagas temporárias e mais de 240 vagas de estágio.


Os cargos com maior número de oportunidades são:

Operacional – mais de 6 mil vagas

Auxiliar – mais de 5 mil vagas

Assistente e Analista – mais de 1.000 vagas

Encarregado e Supervisor – mais de 300 vagas

Coordenador – mais de 250 vagas

Estagiário – mais de 200 vagas

As vagas são atualizadas em tempo real na plataforma e contemplam profissionais com diferentes níveis de escolaridade e experiência. Confira em www.infojobs.com.br ou no app do Infojobs gratuito para Android ou iOS.

 

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