Pesquisar no Blog

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Dados sem direção: o novo desperdício do RH moderno

 

Vivemos em uma era na qual os dados são a nova moeda da economia digital. Mas será que estamos tratando essa riqueza com o devido cuidado e inteligência estratégica que ela exige? No mundo empresarial moderno, muito se fala sobre "tomada de decisão baseada em dados". O termo virou quase um modismo — bonito no discurso, mas muitas vezes vazio na prática. A verdade é que transformar dados brutos em insights valiosos ainda é um desafio imenso para a maioria das empresas.

Diariamente, as organizações geram volumes massivos de informações. Porém, quantidade não significa qualidade. Dados soltos, mal estruturados ou desprotegidos podem ser considerados inúteis. Segundo o relatório Enterprise Data Management Market da Grand View Research, o mercado de gestão de dados corporativos deve atingir US$ 136,4 bilhões até 2027, crescendo a uma taxa anual de 9,5%. Esses números não apenas impressionam — gritam uma realidade que não pode mais ser ignorada: a gestão eficiente de dados é, hoje, uma competência estratégica.

E se tem uma área que vive essa realidade, é o RH. Nos últimos anos, a gestão de pessoas passou a ser vista — com razão — como estratégica. E, junto com essa valorização, veio a expectativa de que o RH também fosse movido a dados. Arrisco dizer que, depois da Inteligência Artificial, esse é o tema mais comentado no ecossistema de gestão de pessoas. Dashboards visuais, plataformas intuitivas e relatórios automatizados se tornaram parte da rotina. Mas, entre ter os dados e usar os dados, há um abismo. É nesse espaço que muita decisão se perde.

O dado por si só não diz nada. É só número. O que dá sentido é o contexto, o problema que queremos resolver, a hipótese que buscamos validar. Não adianta centralizar tudo em painéis bonitos se não sabemos o que estamos procurando ali.

Um exemplo claro: absenteísmo pode parecer um número simples. Mas, quando cruzado com dados de clima, feedbacks e entregas, pode revelar problemas de liderança, falta de propósito ou desengajamento. A inteligência não está no número isolado — está nas conexões que ele permite.

O mesmo vale para a alta rotatividade em um setor ou empresa específica. Se olharmos apenas para o turnover, perdemos de vista as causas. Mas, ao cruzarmos esses dados com o histórico de promoções, avaliações de desempenho e informações sobre carga de trabalho, talvez descubramos que o verdadeiro problema seja sobrecarga, falta de reconhecimento ou um modelo de gestão que não serve mais.

Interpretar também é priorizar. Não dá para acompanhar todos os indicadores o tempo todo. O RH precisa entender o que realmente move o ponteiro. E, para isso, precisa ter clareza de objetivos. Porque, no fim das contas, dado sem propósito é apenas mais um arquivo na nuvem. Entender os dados transforma suposições em certezas — e isso muda completamente o jogo.

De acordo com o Instituto Gartner, 90% das equipes de analytics em RH já contam com analistas, consultores e cientistas de dados. Mas, de nada adianta estrutura se falta estratégia. Estrutura sem intencionalidade gera apenas acúmulo — e não gestão.

Antes de mergulhar nos dashboards, o RH precisa se perguntar: quais são os principais desafios das lideranças hoje? O que tem impactado a performance das equipes? Por que uma área retém melhor seus talentos do que outra, com estrutura similar? O que, de fato, estou tentando entender? O RH sempre enfrentou dificuldades em justificar seus gastos e provar o valor do investimento em pessoas. Mas, com uma análise aprofundada e consistente, estamos migrando para um cenário em que conseguimos correlacionar o impacto de cada real investido com o resultado financeiro da empresa.

People analytics não é o fim. É o meio. Um aliado poderoso para entender gente, melhorar processos e transformar culturas. Porque, no fim do dia, o que a gente precisa não é de dado bonito — é de uma decisão bem tomada.

E você, o que pergunta antes de abrir seu dashboard de gestão de pessoas?

 

Diego Winagraski - especialista em tecnologia para RH e people analytics na Senior Sistemas

 

Atualização da NR-1: Nova abordagem da norma transforma a gestão de saúde e segurança no trabalho nas empresas brasileiras

Divulgação

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou por uma atualização significativa em 2024, trazendo avanços importantes na forma como as empresas devem lidar com a gestão de riscos, incluindo, pela primeira vez, a obrigatoriedade de abordagem dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).


As mudanças da NR-1 entraram em vigor em maio de 2025, em caráter educativo e adaptativo, com o objetivo de preparar as organizações para a correta implantação das novas exigências. A partir de maio de 2026, a norma passará a ser plenamente exigida, e o descumprimento estará sujeito a medidas fiscalizatórias, autuações e penalidades.

As alterações têm impacto direto na rotina empresarial e na cultura organizacional. A NR-1 agora exige um modelo preventivo mais estruturado, no qual os empregadores devem identificar, avaliar e controlar os riscos nos ambientes de trabalho de forma contínua, sistematizada e integrada. Com isso, o antigo PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) foi substituído pelo PGR, que amplia o escopo e exige uma abordagem mais abrangente e personalizada à realidade de cada empresa.

Outro ponto importante da nova norma é o reconhecimento formal da modalidade de ensino a distância (EaD) e treinamento híbrido para capacitações obrigatórias em saúde e segurança do trabalho (SST), conferindo mais flexibilidade às empresas, sem comprometer a qualidade das formações nem a responsabilidade legal dos empregadores.

“O impacto dessa mudança vai além das empresas. Estamos falando de um mercado de trabalho mais seguro, com menos afastamentos, menos judicializações e mais qualidade de vida”, afirma Fernanda Macedo, diretora da Life DH.

Com essas mudanças, a psicologia organizacional assume papel de destaque nas estratégias de prevenção e promoção da saúde nas empresas. O mapeamento dos riscos psicossociais passa a ser uma etapa essencial para a construção de ambientes emocionalmente seguros. Nesse cenário, a Life DH atua diretamente com o diagnóstico e a gestão desses riscos, por meio de metodologias baseadas em evidências, escuta ativa e ações integradas com as demais áreas de SST.

As empresas, por sua vez, precisam investir em capacitação, sistemas de gestão e auditorias internas, garantindo conformidade com a norma e promovendo ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e humanizados.

 

Abit defende diplomacia nas relações comerciais

A Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção recebeu com surpresa o anúncio feito pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira (9/07), que impõe uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. A medida passará a valer em 1º de agosto e, se efetivada, poderá gerar impactos relevantes nas relações comerciais entre dois países historicamente próximos.

Brasil e Estados Unidos mantêm uma longa e sólida tradição de relacionamento político, econômico e diplomático. Foi o governo norte-americano o primeiro a reconhecer a independência do Brasil em 1824, marco que inaugurou uma parceria de quase dois séculos, pautada pelo respeito mútuo e pela cooperação.

Os EUA, principal investidor estrangeiro em nosso País, tem presença expressiva em diversos setores da economia. Da mesma forma, o Brasil representa um importante parceiro regional para os interesses norte-americanos na América Latina.

Neste momento, a Abit reitera a importância de preservar esse relacionamento histórico e de buscar, por meio do diálogo, o entendimento entre as duas nações. Medidas unilaterais e intempestivas não servem aos interesses dos brasileiros ou dos estadunidenses, que compartilham valores democráticos, forte intercâmbio comercial e cultural, e aspirações comuns de desenvolvimento econômico e social.

É fundamental que os canais diplomáticos e institucionais sejam mobilizados para restabelecer o ambiente de confiança e previsibilidade que sempre caracterizou a relação bilateral. O caminho do entendimento sempre é o mais construtivo e duradouro.


Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

 

Além do tarifaço, privatização das inspeções agropecuárias ameaça exportações de carne

 

 

Para Anffa, privatizar a fiscalização vai gerar desconfiança
nos países importadores da carne brasileira
Crédito: Anffa Sindical

Anffa Sindical aponta que sobretaxa anunciada por Donald Trump expõe fragilidade nas relações comerciais e reforça riscos da perda de credibilidade sanitária do Brasil 


A sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, anunciada pela Casa Branca nesta quarta-feira (10) e válida a partir de 1º de agosto, mostra a vulnerabilidade das exportações do País diante de decisões externas e, ao mesmo tempo, evidencia os riscos de medidas internas que podem agravar ainda mais esse cenário. Para o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), além do tarifaço, a regulamentação da Lei do Autocontrole, que abre caminho para a privatização das inspeções sanitárias, representa uma ameaça concreta à credibilidade do Brasil no mercado internacional.
 

A proposta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê o credenciamento de pessoas jurídicas para executar atividades técnicas e operacionais de defesa agropecuária, entre elas as inspeções ante mortem e post mortem de animais, fundamentais para garantir a segurança dos alimentos consumidos. Na prática, frigoríficos poderão contratar empresas privadas para realizar inspeções que deveriam ser isentas e conduzidas por agentes públicos, o que configura, segundo o Anffa, um grave conflito de interesses e grandes riscos à saúde pública global. 

Segundo o sindicato, transferir a fiscalização agropecuária do setor público para empresas privadas vai gerar desconfiança nos 157 países que hoje importam a proteína animal brasileira. Nos Estados Unidos, por exemplo, a atividade é conduzida pelo Estado, já que o país reconhece os riscos da imparcialidade das inspeções e aponta a necessidade de que essa função esteja sob responsabilidade de profissionais independentes e comprometidos com o interesse público, e não com metas comerciais ou produtivas. 

“Ao abrir mão do controle público sobre a qualidade sanitária dos produtos, o Brasil sinaliza insegurança e fragilidade institucional em um dos setores mais estratégicos da nossa economia. Isso pode causar danos irreversíveis à imagem do País e colocar em risco a saúde de milhões de consumidores mundo afora”, afirma o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo. 

O sindicato critica a condução do projeto pelo governo brasileiro e alerta que a proposta vai na contramão das exigências dos mercados internacionais, cada vez mais rigorosos quanto à rastreabilidade e à fiscalização isenta e técnica da produção de alimentos. Além disso, o Anffa Sindical já denunciou o projeto ao Ministério Público Federal (MPF) por entender que ele compromete a segurança sanitária e viola princípios constitucionais. 

“Não se trata apenas de defender os interesses dos servidores, mas de preservar o que o Brasil tem de mais valioso no comércio exterior: a confiança nos seus padrões sanitários. O interesse do setor produtivo não pode se sobrepor à necessidade básica da população, que é consumir alimentos confiáveis e de qualidade”, conclui o presidente do sindicato. 

Em todo o País, os auditores fiscais federais agropecuários seguem mobilizados contra o plano do Mapa. Os profissionais da carreira descartam medidas mais severas, como paralisações e ações na Justiça para evitar o desmonte da fiscalização.

 

13 de julho - Dia Mundial do Rock

Estudos revelam como a música, especialmente o rock, estimula o cérebro, melhora o humor, reduz o estresse e pode auxiliar no tratamento de doenças neurológicas, explica especialistas Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

O Dia Mundial do Rock, comemorado em 13 de julho, é muito mais do que uma celebração cultural ou musical. É também uma oportunidade de destacar os impactos positivos que a música, especialmente esse gênero, pode ter sobre a saúde cerebral. Estudos científicos vêm demonstrando que ouvir música é uma prática com efeitos profundos no cérebro humano, capazes de melhorar o humor, reduzir o estresse, fortalecer a memória e até auxiliar no tratamento de doenças neurológicas. 

Pesquisas em neurociência e musicoterapia indicam que o cérebro reage à música ativando circuitos relacionados à recompensa, lembrança e atenção. Isso vale tanto para indivíduos saudáveis quanto para aqueles com distúrbios como Alzheimer, Parkinson, depressão e ansiedade. A música pode contribuir para a reabilitação cognitiva, facilitar a comunicação em casos de autismo, aprimorar a coordenação motora e proporcionar conforto emocional. Segundo um estudo publicado na Frontiers in Psychology, a música ativa regiões cerebrais como o córtex pré-frontal e o sistema límbico, diretamente ligados às emoções e à tomada de decisões. 

O rock, em particular, com seus ritmos marcantes, letras expressivas e energia vibrante, é especialmente eficaz em provocar reações emocionais intensas. Ele estimula áreas cerebrais relacionadas à dopamina, o neurotransmissor associado ao prazer e à motivação. De acordo com uma pesquisa conduzida pela McGill University, no Canadá, ouvir canções que agradam ativa o núcleo accumbens, responsável pela sensação de prazer, liberando dopamina de forma semelhante à resposta gerada por recompensas naturais, como a alimentação ou a prática de atividades físicas. 

Escutar uma faixa favorita, especialmente de um estilo com o qual se tem vínculo afetivo, pode provocar uma resposta neuroquímica comparável àquela vivenciada em experiências gratificantes. 

A neurologista Dra. Ana Carolina Gomes, do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que esse efeito tem respaldo científico. “É o mesmo circuito ativado quando comemos algo que gostamos ou ouvimos uma música favorita”, afirma a especialista. Essa ativação cerebral contribui para a regulação do humor, alívio do estresse e melhora da qualidade de vida, especialmente em pessoas com condições neurológicas crônicas. 

Um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, publicado na Frontiers in Human Neuroscience, [RC1] revelou que fãs do gênero musical que escutavam suas músicas favoritas após vivenciarem emoções negativas apresentaram uma redução significativa na raiva, no estresse e na hostilidade, além de um aumento em sentimentos de positividade, inspiração e relaxamento. 

Cada vez mais, hospitais e clínicas vêm adotando a musicoterapia como recurso complementar no cuidado a pacientes. Playlists terapêuticas, sessões de escuta ativa e atividades musicais são utilizadas para estimular regiões cerebrais ligadas à linguagem, à emoção e à coordenação. O rock, nesse cenário, não apenas anima, mas também ativa e fortalece funções mentais essenciais.

Portanto, neste Dia Mundial do Rock, vale a pena celebrar não apenas a trajetória do gênero ou seus ícones lendários, mas também seu papel como aliado da saúde cerebral. O que antes era visto apenas como símbolo de rebeldia e atitude agora é reconhecido como um poderoso estímulo mental, respaldado pela ciência e pela medicina.

 


Dra. Ana Carolina Gomes, CRM SP 175.180 RQE: 79.613


Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Link


Pesquisa mostra que férias aumentam energia e reduzem o estresse em mais da metade das pessoas

Para o especialista Orlando Pavani Júnior, pausas e sono reparador são fundamentais para o bem-estar 

 

As férias de julho chegaram, e muitas pessoas já têm se organizado para esse momento de descanso. Mas afinal, o que seria esse descanso? Viajar? Dormir mais? Ou apenas desacelerar? De qualquer modo, esse recesso não é apenas merecido, mas necessário também. É importante frisar que férias não é descanso, mas, uma parada para desopilar. As férias tendem a cansar mais o cérebro do que descansar. A função das férias é, mudar o foco para algo menos entediante e prazeroso. 

“Para descansar genuinamente, física e mental, só se consegue por meio do sono reparador, e o cérebro durante o sono passa por processos cruciais de consolidação de memórias, eliminação de toxinas e restauração da função cerebral, o que impacta diretamente no desempenho diário”, explica o especialista em Comportamento Humano e Primazia da Gestão, Orlando Pavani Júnior. 

Segundo uma pesquisa da American Psychological Association, mais da metade das pessoas percebe ganhos significativos ao tirar férias — como aumento de energia e redução do distresse. Após o período de descanso, 68% dos entrevistados relataram sentir-se mais bem-humorados, motivados e tranquilos. 

Isso tem uma explicação: nosso cérebro, sozinho, consome cerca de 20% da energia do corpo de uma pessoa normal e funciona de maneira mais eficiente quando alterna momentos de esforço com pausas regulares em vigília (mas isso só para algumas pessoas). 

Nessas pausas de divagação mental (sem dormir), entra em cena uma rede neural chamada Default Mode Network (DMN), que favorece a memória imaginativa, processamento de informações autobiográficas (pensar sobre si mesmo) e interações sociais, embora a DMN prejudique bastante o nível de atenção. 

Então, para quem não consegue viajar, pequenas pausas também são válidas: desligar notificações, sair da rotina, aproveitar momentos de lazer em casa ou na própria cidade são atividades que já ajudam a mente a mudar o foco. 

Estar no ritmo frenético da rotina de trabalho, pode afetar não apenas a saúde física e emocional, como também as relações interpessoais, seja pelo distresse, mal humor, ou excesso de tarefas que acabam sobrecarregando o estado mental. Segundo Pavani, a falta de sono reparador pode dificultar a concentração e foco, prejudicar a capacidade de absorção de aprendizado, aumentar o risco de erros e acidentes como também atrapalhar as relações interpessoais de qualquer natureza, causado pelo mau humor e o mal-estar. 

Em um cenário onde o celular virou extensão do corpo e as redes sociais disputam nossa atenção a cada segundo, parar de verdade acabou se tornando um desafio. E as férias podem ser um convite para repensar a relação com o mundo digital. Reservar um tempo para ficar despreocupado ou para lazer contribui para a redução do distresse (eustresse é o estresse positivo e distresse é o estresse negativo), melhora a qualidade do sono reparador e previne o esgotamento mental. 

O excesso de tempo online, somado a jornadas de trabalho que muitas vezes invadem a vida pessoal, vem sendo apontado como um dos principais vilões do distresse e da ansiedade. Por isso, aproveitar as férias para praticar o “detox digital” — seja limitando o uso de redes sociais, deixando o celular de lado em momentos de lazer ou até mesmo se desconectando totalmente por alguns dias — pode potencializar os benefícios da parada das férias. Ajudando a melhorar a criatividade, o foco e até fortalecer as relações familiares, já que o tempo livre cria oportunidades de convivência mais genuína. 

De qualquer forma, as férias têm a função de viabilizar a realização de atividades que nem sempre poderiam ser realizadas no período fora das férias, como por exemplo, viajar. Ou então deixar de fazer atividades que não dão prazer e priorizar fazer apenas o que dá prazer (liberação de dopamina). “As férias servem para espairecer, ou seja, fazer esquecer as preocupações ou as tristezas, aliviar (alguém ou a si mesmo) das tensões. E cada um consegue este objetivo de forma diferente” explica o especialista. O período de 30 dias já é essencial para um bom descanso. 

 

Orlando Pavani - reconhecido antologista dos Referenciais de Exemplaridade da Primazia da Gestão (REPG) e um especialista em Inteligência Comportamental e Cultura Organizacional. Como idealizador do Método Olho de Tigre de Desenvolvimento Humano, Pavani dedica sua carreira a ajudar pessoas a atingirem sua plenitude, promovendo o empreendedorismo protagonista, e a apoiar empresas na busca pela excelência em sua gestão. Essa visão norteia sua trajetória de mais de três décadas como consultor, mentor e educador.Atualmente, Pavani é Diretor Presidente da HOLDING PAVANI, que administra a Gauss Consulting Group e a Olho de Tigre. Como autor e coautor, contribuiu para a literatura de gestão e desenvolvimento humano com obras como As 30 Leis do Olho de Tigre, Mapeamento e Gestão por Processos/BPM e Consultoria Organizacional. Essas publicações refletem sua profunda compreensão sobre os desafios enfrentados por líderes e organizações, além de seu compromisso em disseminar metodologias inovadoras e eficazes. Sua atuação como examinador e instrutor em programas como PNQ e PQGF evidencia sua capacidade de alinhar a teoria à prática para fomentar a excelência organizacional.



Férias escolares: quais cuidados os condomínios devem adotar?

anatoliy_gleb/iStock
Gerente de Negócios de Condomínios da APSA dá orientações em relação aos cuidados nesta época


As férias escolares trazem um aumento natural na circulação de crianças e adolescentes nas áreas comuns dos condomínios. Isso exige atenção redobrada de síndicos, administradores, pais e condôminos para prevenir acidentes e garantir um ambiente seguro e acolhedor. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 3,6 mil crianças de até 12 anos morrem anualmente no Brasil em decorrência de acidentes, e outras 111 mil são hospitalizadas. João Marcelo Frey, Gerente de Negócios de Condomínios da APSA, alerta para a importância de medidas preventivas e da conscientização coletiva.
  
“No ano passado, alguns casos fatais envolvendo crianças em áreas comuns foram amplamente noticiados, como o de uma menina de 12 anos eletrocutada em São Paulo e outra de sete anos que faleceu no Rio de Janeiro após o desabamento de uma pilastra em um playground. São tragédias que poderiam ter sido evitadas com cuidados básicos de manutenção e supervisão”, destaca Frey.

 

Medidas que os condomínios devem tomar nas férias escolares:

  • Revisão completa das áreas comuns:

Intensificar o cronograma de manutenção e limpeza, especialmente em áreas como playgrounds, quadras e salões de jogos. Verificar pisos, brinquedos, estruturas metálicas e pontos de energia.

 

  • Regras claras para o uso da piscina:

Além de exigir a presença de um adulto responsável, é essencial que todos os usuários conheçam e sigam as regras do regimento interno, como o uso de boias, horários permitidos e comportamento apropriado, devidamente sinalizados. Em especial no município do Rio de Janeiro, o uso da piscina deve atender à Lei nº 3.728, de 13 de dezembro de 2001.

 

  • Reforço na segurança e controle de acesso:

O período de férias pode coincidir com maior fluxo de visitantes e locações por temporada. É fundamental intensificar a vigilância, atualizar cadastros de visitantes e revisar os protocolos de entrada.

 

  • Escolha criteriosa de prestadores de serviço:

Caso o condomínio opte por contratar colônias de férias ou recreadores, certifique-se de que a empresa seja especializada, com boas referências e seguro de responsabilidade civil. É recomendado que a decisão deve ser debatida/aprovada em assembleia.

 

  • Comunicação ativa com moradores:

O síndico deve aproveitar o período para reforçar as normas do regimento interno, usando murais, e-mails ou aplicativos de comunicação condominial. Informações sobre horários de uso das áreas comuns, proibição de brincadeiras em escadas e elevadores, e penalidades por infrações devem ser lembradas.

 

  • Postura adequada dos funcionários:

A equipe do condomínio deve evitar advertir diretamente as crianças, salvo em situações urgentes. Sempre que possível, a comunicação deve ser feita com os pais ou responsáveis, de forma respeitosa e colaborativa.

 

  • Criação de uma comissão infantil:

Como forma de engajar as crianças e adolescentes nas boas práticas do condomínio, é possível criar uma comissão infantil. Essa iniciativa estimula o protagonismo dos jovens, promove o senso de responsabilidade e facilita o entendimento das regras de convivência. Atividades educativas, oficinas de cidadania e pequenas tarefas sob supervisão podem ser incluídas.

 

Consciência coletiva é essencial

Frey reforça que os cuidados não devem se restringir às férias: “A segurança é resultado de um conjunto de fatores, que inclui manutenção preditiva, gestão eficiente e participação ativa dos moradores. É fundamental que todos, especialmente pais e responsáveis, estejam atentos aos riscos e compartilhem a responsabilidade de cuidar das crianças”. 

Com orientação, diálogo e prevenção, é possível transformar o período das férias em uma oportunidade para fortalecer a convivência e garantir a segurança de todos.

 

Responsabilidades do condomínio com as crianças

Segundo João Marcelo Frey, os responsáveis legais são as pessoas que devem cuidar das crianças, no entanto, o condomínio tem como obrigação oferecer um espaço seguro para todos, ainda mais para elas. “Os responsáveis legais que devem ter cuidado pelas crianças, por isso, quando se trata desses moradores em espaços comuns, o correto é que sempre estejam acompanhados”, reforça. 

João Marcelo ainda relembra que alguns desses acidentes podem ocorrer não por uma falha mecânica ou má preservação, mas pela falta de atenção dos responsáveis. “Eles devem estar atentos o tempo todo com as crianças. Por exemplo, se perceberem que a brincadeira está ficando perigosa, o adulto deve alertar a criança a mudar ou se afastar de um local que pode oferecer algum risco de se machucar.”

 

O que diz a Lei — A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro aprovou um novo projeto de lei que prevê uma multa que poderá variar de cinco a 20 salários mínimos para quem deixar crianças menores de 12 anos sem supervisão em veículos, coberturas ou áreas comuns dos condomínios, como piscinas, jardins, playgrounds e elevadores. Também poderá ser multado o síndico que não afixar em local visível as informações sobre as faixas etárias e condições de uso dos bens e espaços de uso comum (três a 10 salários de referência). A Lei nº 9.683/22, que passou a vigorar a partir de 11 de agosto de 2022, dispõe sobre a responsabilidade de os condomínios residenciais e comerciais afixarem, nas áreas comuns e de circulação de condôminos, cartazes ou placas para divulgação dos canais oficiais de denúncia de violência e negligência contra crianças e adolescentes.


Férias escolares: cuidados redobrados com a rede elétrica para proteger as crianças e toda a família

Abradee reforça dicas de segurança dentro e fora de casa durante recesso escolar

 

Com a chegada das férias escolares do meio do ano, crianças passam mais tempo em casa ou em atividades ao ar livre, e, com isso, a atenção a situações de possíveis choques elétricos deve ser redobrada. Unindo voz às distribuidoras de energia elétrica do País, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) reforça o alerta para pais, mães e responsáveis sobre a importância da prevenção nesse período, como parte da 19ª Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica de mote: "Movimento Zero Acidentes. A segurança com a rede elétrica começa por você." 

“Durante as férias, as crianças têm mais tempo livre, explorando ambientes dentro e fora de casa. E é muito importante que os adultos estejam atentos e orientem sobre os riscos de algumas brincadeiras que podem, se realizadas de forma incorreta, representar algum risco. Um dos exemplos que sempre alertamos é para a soltura de pipas, que nunca deve ser feita próxima à rede elétrica. E, associado a isso, jamais tentar retirar esse ou qualquer outro objeto preso à rede. Ter atenção sobre essas simples atitudes podem evitar acidentes e salvar vidas”, destaca Marcos Madureira, presidente da Abradee.
 

Confira abaixo algumas recomendações essenciais:
 

Dentro de casa

  • Use protetores de tomada: evite que as crianças insiram objetos nos pontos de energia.
  • Mantenha os fios fora do alcance: organize cabos com prendedores ou canaletas.
  • Supervisione o uso de aparelhos elétricos: oriente e acompanhe o uso de videogames, carregadores e outros eletrônicos.
  • Não sobrecarregue as tomadas com muitos equipamentos conectados.
  • Afaste equipamentos de áreas molhadas: nunca permita o uso de aparelhos com as mãos molhadas ou perto de pias e banheiras.
  • Desconecte o que não estiver em uso: é um gesto simples de consumo consciente e segurança.

 

Fora de casa

  • Nada de pipas ou balões perto da rede elétrica: oriente sobre o risco de choques elétricos e curto-circuito.
  • Mantenha distância de cabos pendurados ou no chão: mesmo que não estejam energizados, não devem ser tocados.
  • Subir em árvores que estão próximas à rede elétrica é extremamente perigoso.
  • Explique para as crianças que jamais devem tentar retirar objetos presos à rede elétrica. Em situações de risco ou queda de energia, acione a distribuidora da sua região.

 

Dica para os responsáveis

Ao instalar ou fazer manutenção de antenas de TV, nunca improvise. A orientação é sempre contratar um técnico capacitado. Antenas próximas à rede elétrica representam risco real de descarga elétrica e acidentes fatais.

 

Mais dicas e materiais educativos estão disponíveis no site oficial da campanha: Link
Abradee no Instagram: abradeebr


Profissionais com pós-graduação ganham até 2x mais: pesquisa aponta nova exigência do mercado

Com o aumento no número de brasileiros com diploma universitário,
a especialização passa a ser um diferencial para melhores
salários e oportunidades 
(MKT UNIUBE/DIVULGAÇÃO)


Se antes ter um diploma de graduação era o principal diferencial no currículo, hoje o cenário é outro. Com 18,4% dos brasileiros graduados, de acordo com o IBGE de 2025, o mercado de trabalho passou a valorizar mais os profissionais que continuam a jornada acadêmica. Uma pesquisa realizada pelo pesquisador do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Naercio Menezes Filho, aponta que o rendimento médio de quem se especializa no país soma o valor de  R$11.539, quase o dobro do salário médio de quem concluiu o ensino superior (R$ 6.160).

 

Segundo o pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Uniube, André Luís Teixeira Fernandes, essa diferença está ligada à escassez de profissionais qualificados. “Quanto mais o profissional sobe na carreira acadêmica, mais ele se torna parte de um grupo seleto e valorizado pelo mercado. Menos de 3% da população brasileira possui uma especialização ou MBA. Quando falamos em mestrado, esse número cai para menos de 1%, e o doutorado representa menos de 0,2% da população”, explica o professor. 

 

A nova realidade em que o profissional está no mercado e busca especializações é conhecida como “Lifelong learning", ou aprendizagem ao longo da vida. Na prática, o conceito diz que a maioria dos alunos de pós-graduação divide o tempo entre trabalho e estudos. “Na Uniube, já percebemos essa mudança. Nossos alunos prezam por uma formação continuada que se encaixe na rotina. Por isso, priorizamos a oferta em todas as áreas de conhecimento, com modalidade de Educação a Distância (EAD), presencial e semipresencial. Na EAD, por exemplo, o aluno tem total autonomia para assistir às aulas de onde estiver e no melhor momento da vida, já que essa é uma modalidade com oferta contínua, durante todo o ano”, evidencia André Fernandes.

 

Em relação às áreas que se destacam nas especializações, o pró-reitor afirma que o Agronegócio e a Saúde são os mais requisitados. “Sem dúvidas, a região de Uberaba tem uma força no Agro, sendo referência nacional em genética do gado zebu, produção de grãos e frutas. 

 

Isso impulsiona nossos cursos voltados à Zootecnia, Agronomia, Medicina Veterinária, entre outros. Enquanto na Saúde, a instituição é procurada por profissionais de Medicina, Odontologia, Biomedicina, Nutrição, Fisioterapia que estão interessados em aprofundar os conhecimentos e se destacar num mercado cada vez mais exigente”. 

 

Fernandes também reforça o papel do networking como um diferencial da pós-graduação. “Temos vários relatos de alunos que mudaram de emprego durante o curso por causa das conexões feitas dentro da turma. Além da especialização, os cursos favorecem o contato com professores renomados e colegas de diversas áreas, o que amplia as possibilidades de crescimento profissional. Estou há 30 anos no mercado e sempre digo: investir em educação é investir em retorno. Hoje, só a graduação já não é mais suficiente para se destacar, é preciso se especializar”, pontua.

 

Uniube se destaca pela qualidade acadêmica, infraestrutura completa e corpo docente qualificado. A instituição oferece cursos de pós-graduação em todas as áreas do conhecimento, com opções nas modalidades presencial, semipresencial (ao vivo) e Educação a Distância (EAD), que garante flexibilidade para quem precisa conciliar estudos com a rotina profissional.


A Lei de Cotas faz 34 anos: ainda é ela que segura aberta a porta da inclusão


Imagine estar ao lado de fora de uma casa com dezenas de portas, mas todas trancadas. Você tem as chaves certas — seu talento, sua formação, sua vontade de crescer — mas do outro lado, ninguém gira a maçaneta. É assim que muitas pessoas com deficiência se sentem ao tentar acessar o mercado de trabalho. E é por isso que, há 34 anos, nasceu a Lei de Cotas no Brasil — uma iniciativa, ainda que imperfeita, de forçar algumas dessas portas a se abrirem.

A Lei nº 8.213/1991, Lei de Cotas, obriga empresas com 100 ou mais funcionários a reservar de 2% a 5% de suas vagas para pessoas com deficiência. Mesmo sob constantes ameaças de flexibilização ou extinção, ela segue sendo a principal via de acesso das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho formal. Nem sempre por intenção ou convicção das empresas, mas por obrigatoriedade. E isso diz muito.

Há mais de duas décadas atuando na inclusão profissional de pessoas com deficiência, vivenciamos uma verdade incômoda: a maioria das contratações não acontece por intencionalidade, mas por obrigação legal. A inclusão ainda não nasce do desejo genuíno de construir equipes diversas e humanas, mas do temor da multa.

Dados da última atualização do Radar Site do governo federal mostram que, em 2021, o Brasil tinha 828.256 vagas reservadas por lei para pessoas com deficiência. Dessas, apenas 49,81% estavam ocupadas. Ou seja, mais de 415 mil vagas estavam “esperando” por uma pessoa com deficiência – ou por uma empresa que de fato quisesse contratá-la. Neste mesmo período, foram realizadas 8.532 fiscalizações, com 3.777 autuações. A Lei existe, mas ainda precisa ser forçada a existir na prática.

A pesquisa “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade de Pessoas com Deficiência” realizada em parceria da Talento Incluir, Instituto Locomotiva, Pacto Global e a iO Diversidade, revelou dados exclusivos sobre a empregabilidade de pessoas com pessoas com deficiência ou neurodivergentes. Para 95% dos participantes da pesquisa a Lei de Cotas deve continuar existindo e 96% acreditam que ela deve ser fiscalizada com rigor. A pesquisa mostrou o que quem vive essa realidade já sabe: sem a Lei, a maioria dessas portas seguiria fechada. Para 94% dos respondentes, as empresas só contratam pessoas com deficiência se forem obrigadas pela Lei de Cotas. Já 89% consideram que as empresas contratam pessoas com deficiência para cumprir as cotas, mas não dão condições adequadas de trabalho.

A porta que se abre é muito mais que um emprego. Uma oportunidade de emprego para uma pessoa com deficiência é muito mais que uma ocupação formal — é uma transformação pessoal, emocional, social. Ao longo desses anos, já ajudamos a incluir mais de 9 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho. São histórias de quem chegou até nós depois de incontáveis “nãos”, e encontrou no trabalho a possibilidade de se sentir uma pessoa finalmente pertencente, valorizada, respeitada.

Temos exemplos de pessoas com deficiência que hoje ocupam posições de liderança, quebrando estereótipos, reconstruindo narrativas e inspirando outros a fazerem o mesmo. E essas conquistas não são apenas pessoais. Elas transformam os ambientes, educam colegas, sensibilizam lideranças, desarmam preconceitos.

Ser uma pessoa incluída é, antes de tudo, ser reconhecida. É transformador estar diante de uma pessoa com deficiência que, por anos, foi excluída não por falta de competência, mas por uma característica física, sensorial, intelectual ou psicossocial. E é ainda mais potente perceber o quanto essa inclusão revela a nossa própria humanidade.

A verdadeira inclusão não é sobre preencher uma cota. É sobre reconhecer as pessoas com deficiência como merecedoras das mesmas oportunidades. E é nesse ponto que a Lei de Cotas deixa de ser apenas um instrumento jurídico para se tornar uma ferramenta de transformação cultural. Ela não é o fim. É o começo. É o empurrão que precisamos para perceber o que estava invisibilizado.

Quem atua na linha de frente da inclusão sabe que muitas vezes nos sentimos como ‘Dom Quixotes’ lutando contra moinhos de vento. Entramos em empresas com culturas capacitistas, onde atuamos nas causas que nem sempre são as mesmas. Quase nunca são. Então personalizamos ferramentas e soluções que nos possibilitam realizar transformações.

Mostrar esse espelho às lideranças exige coragem. Quebrar a parede da indiferença dói. Mas, ver essa mesma liderança reconhecer seus preconceitos, desconstruí-los e se tornar aliada… isso não tem preço. É sempre uma vitória. Porque ali nascem pessoas multiplicadoras de inclusão. É isso que queremos continuar despertando.

A Lei de Cotas está longe de ser perfeita. Mas é, sem dúvida, a política pública mais eficaz que já tivemos para garantir o mínimo de dignidade profissional a pessoas com deficiência. Quando a sociedade não garante direitos por consciência, o Estado precisa garantir por obrigação. E assim seguiremos, “abrindo portas”, uma por uma, do nosso jeitinho”. Mas, sempre com a certeza de que do outro lado, há vidas inteiras esperando para pertencer.

  

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

Talento Incluir
site


Os dados são oxigênio para os negócios e sem eles as empresas não resistem


A frase “os dados são o novo petróleo dos negócios” já ficou no passado. Em 2025, a analogia não traduz a real dimensão do valor da informação. Já podemos afirmar que os dados são muito mais do que um artigo de alto valor. Eles são essenciais. Os dados estão mais para o ar que as empresas respiram, e sem eles não há futuro. A comparação é simples: empresas que não se estruturam, não governam nem utilizam os dados com inteligência tendem a perder competitividade, eficiência e conformidade.

 

Segundo estudo da consultoria IDC, o mundo alcançará mais de 175 zettabytes de dados até o fim deste ano. Para gerir uma companhia em um cenário tão digital e movido pela informação não há alternativa. É fundamental uma abordagem estratégica, pautada por governança, qualidade e acesso eficiente e seguro à informação.

 

Inteligência artificial (IA), machine learning (ML) e processamento de linguagem natural (PLN) chegaram para transformar a forma com que se estrutura a análise de dados. A tecnologia facilita a interpretação de grandes volumes de informações, identifica padrões, prevê comportamentos e oferece respostas rápidas às mudanças do mercado. Os processos se automatizam, se tornam mais eficientes e, portanto, necessários.

 

Um bom exemplo é a IA generativa, que continua avançando no Brasil, mas agora impulsionada pelo conceito de IA agêntica, agentes autônomos capazes de executar tarefas de forma independente. Esse movimento já se reflete nos investimentos das empresas. De acordo com a IDC,os gastos com projetos de IA e IA generativa no país, incluindo softwares e serviços, devem atingir US$ 2,4 bilhões até o fim de 2025, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior.

 

Nesse cenário, a análise de borda (Edge Analytics) também se destaca como uma realidade pautada pela inovação em dados. O processamento dessas informações diretamente na origem, como em dispositivos IoT, reduz a latência e viabiliza decisões em tempo real, com alta eficiência. Diversas indústrias, como manufatura, saúde e transporte, já colhem ganhos com essa abordagem.

 

Outro avanço relevante que merece ser citado é a análise aumentada, que amplia o acesso aos dados ao permitir que profissionais de diversas áreas obtenham insights sem depender de conhecimentos técnicos especializados. Paralelamente, o modelo Data as a Service (DaaS) viabiliza o consumo de dados de diferentes fontes com mais rapidez, dispensando infraestrutura robusta interna. Assim, a governança de dados se torna um eixo cada vez central, que exige das organizações conformidade com legislações, como LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e RGPD (Regulamentação Geral de Proteção de Dados), além de regras claras de acesso e de garantia da integridade da informação, apoiadas por processos estruturados e lideranças capacitadas.

 

São muitos os argumentos a favor dos dados e não é mera coincidência. A realidade mudou, e quem não se adaptar será rapidamente engolido pelos concorrentes. Até mesmo informações muitas vezes negligenciadas hoje são diferenciais para uma companhia. É o caso dos dados obscuros, uma grande quantidade de informações não estruturadas, não marcadas e inexploradas que as organizações frequentemente coletam, mas não utilizam. Esses dados, que podem incluir arquivos de log, interações com clientes e outras, representam uma fonte de valor inexplorado. Ao analisá-los, as empresas podem obter insights estratégicos para otimizar processos, compreender melhor seus clientes e antecipar demandas. Nesse contexto, o uso de análises avançadas e da IA permite a descoberta de tendências e a otimização de diversas operações, garantindo uma verdadeira vantagem competitiva.

 

Nesse novo ecossistema, o papel do Chief Data Officer (CDO) também ganha mais relevância e se torna extremamente estratégico às organizações. Sua função vai além da pura gestão técnica das inovações, envolve alinhar o melhor uso dos dados aos objetivos da organização, promover a aplicação responsável das informações e consolidar uma cultura de decisões orientadas por evidências extraídas a partir da análise dos dados.

 

A análise de Big Data deixa de ser um diferencial para se tornar elemento-chave da inovação, da eficiência operacional e da vantagem competitiva. Organizações que conseguem extrair valor real dos dados demonstram maior capacidade de adaptação, evolução e crescimento em mercados cada vez mais guiados por dados.

 

Por tudo isso, não é exagero dizer que dados são tão essenciais para empresas quanto o ar que respiramos. Sem eles, elas não sobreviverão. Informações imprecisas ou mal gerenciadas funcionam como ar poluído, comprometendo decisões estratégicas e a visão de mercado. Assim como respirar traz calma e lucidez, uma base de dados bem estruturada, enriquecida e confiável pode definir o futuro de qualquer organização. O uso estratégico de dados já está moldando o amanhã e o futuro data-driven dos negócios já começou.

 

Newton Ide - CEO e sócio-fundador da Leega Consultoria, responsável pelas decisões estratégicas, executivas e de planejamento da companhia. Bacharel em Processamento de Dados pela Universidade Mackenzie, é pós-graduado em Inteligência de Mercado pela FIA e formado no curso C-Level CIO, da FGV. Está há mais de 30 anos no segmento de TI, área em que já atuou como instrutor e consultor, atendendo projetos de diversos segmentos da indústria – educação, finanças, varejo, manufatura, telecom e saúde, entre outros –, e acumula passagens por grandes empresas, como Unysis, Unaerp, CBA, VCP, HSL, Claro, Unibanco, Itaú, Safra, Bank Boston, Cimento Poty, Suzano.



De competências a habilidades

Unsplash
Vivemos um momento em que o panorama do trabalho mudou drasticamente e as organizações que não acompanharem esse ritmo correm o risco de se tornarem obsoletas. A era das competências rígidas, desenhadas para cargos fixos e funções bem delimitadas, está ficando para trás.

O novo mundo do trabalho exige fluidez, adaptabilidade e, sobretudo, habilidades como ativo estratégico.

Não por acaso, empresas mais pragmáticas já perceberam que modelos baseados em competências fixas, tão populares nas décadas de 1980 e 1990, não dão mais conta da realidade atual.

Em seu lugar, surgem estruturas mais horizontais, com equipes multifuncionais, projetos colaborativos e profissionais que transitam entre diferentes funções e desafios. A relação entre indivíduo e cargo se tornou mais maleável. A mesma pessoa pode contribuir em diversas frentes, de forma simultânea e estratégica.

Essa transformação não é apenas operacional, mas cultural. Ela exige uma nova mentalidade sobre o papel da aprendizagem nas organizações. Não basta trocar um modelo pelo outro; é necessário adotar uma cultura de desenvolvimento contínuo, orientada por dados, conectada à performance real das pessoas e aos objetivos de negócio.

É aqui que surge a provocação feita por Esther Wojcicki, educadora e jornalista americana, ao defender que a educação, inclusive a corporativa, precisa de “moonshots”.

O termo, inspirado pelo programa Apollo que levou o homem à Lua, representa metas ousadas, quase impossíveis à primeira vista, mas que, com visão, inovação e determinação, tornam-se realizáveis. É essa ambição que falta à maior parte da Educação Corporativa atual.

Apesar dos investimentos crescentes em treinamento e desenvolvimento, os resultados nem sempre acompanham. Os métodos continuam, em muitos casos, obsoletos: excesso de palestras, conteúdos genéricos, avaliações engessadas e pouca conexão com os desafios reais dos aprendizes. O resultado? Profissionais desmotivados, aprendizado superficial e impacto quase nulo na performance.

Precisamos, portanto, de um “moonshot” na Educação Corporativa. Uma virada completa de chave. Uma revolução que coloque o aprendiz no centro do processo, valorize a autonomia, promova o engajamento por meio de projetos reais, colaboração e tecnologias aplicadas com inteligência.

Não se trata apenas de entregar conteúdos, mas de criar experiências significativas, que desenvolvam habilidades essenciais para o presente e o futuro do trabalho.

Na prática, isso significa abandonar o modelo baseado em conteúdo e controle e adotar uma cultura de confiança. Acreditar no potencial do aprendiz. Transformar o instrutor em facilitador. E construir um ambiente que inspire curiosidade, ousadia, troca e transformação contínua.

O futuro do trabalho já está em curso, mas o futuro da aprendizagem ainda precisa de coragem para decolar. E talvez a pergunta mais importante seja: você e a sua organização estão prontos para conquistar a Lua também?



Flora Alves - especialista em educação corporativa e autora de Revolução da Aprendizagem (DVS Editora)


Os 10 anos da Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência e o descompromisso do Brasil com sua efetividade

Opinião


Há 10 anos, o Brasil comemorava a sanção da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI). Um marco importante. Um avanço jurídico e simbólico. Passada uma década da criação da legislação, é preciso ter coragem para fazer uma pergunta incômoda: quem está sendo incluído?


Durante minha última campanha eleitoral, em 2024, para a Prefeitura de Santos-SP, ouvi dezenas de desabafos de pais indignados com a forma como seus filhos com deficiência estavam sendo tratados nas escolas. Salas superlotadas; espaços físicos com acessibilidade inadequada, ou sem manutenção; mediadores mal remunerados e mal preparados; professores, educadores e funcionários (porque, a efetiva inclusão se faz por todos) sem suporte, sem formação continuada e sem ferramentas mínimas para promover uma inclusão real. Em muitos casos, o que se via era apenas uma criança colocada na sala e deixada ali.

Não me esqueço de uma reunião, realizada na garagem de um edifício. Enquanto eu conversava com as famílias, uma mãe me ouvia da janela de um dos apartamentos. Aos prantos, ela contou sobre a filha autista que havia retirado da escola. Disse, com os olhos cheios de dor, que a menina estava infeliz, pois não se sentia incluída, nem acolhida, e chorava para não ir à aula. A escola era sinônimo de sofrimento para ela. Aquilo não era inclusão — era angústia travestida de política pública.

Em encontros com outras famílias atípicas, frases me marcaram e nunca mais saíram da minha cabeça. Esta é emblemática: “Isso não é inclusão. Isso aqui é uma exclusão disfarçada.” E é mesmo! Quando não há o acompanhamento individual, o professor trabalha sobrecarregado com até cinco alunos ou mais com necessidades educacionais específicas diferentes. Por óbvio, ele não dá conta. O que temos, então, não é escola inclusiva, é um faz-de-conta.

O governo do presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), celebra os 10 anos da LBI com palavras bonitas, promessas de planos nacionais e conferências. Mas não adianta falar em democracia inclusiva, se a mãe de uma criança com deficiência precisa implorar por um mediador na escola, por melhorias, por atenção, pelo básico que prevê a proposta em sua gênese.

Ora, não adianta fazer campanha sobre acessibilidade, se o transporte escolar adaptado nunca chega, ou quebra no meio do caminho.

A falta de regulamentação integral da LBI é um sintoma grave do descompromisso com sua efetividade. Até hoje, há pontos da lei que não foram detalhados por decretos e normas técnicas, o que cria uma terra de ninguém em muitos municípios brasileiros. E onde não há clareza, há improviso — e, com ele, injustiça.

A verdadeira inclusão exige planejamento, investimento, capacitação, escuta ativa das famílias e, principalmente, respeito à dignidade de cada aluno.

A Câmara dos Deputados e os legisladores de verdade, os que não se escondem atrás de slogans, de algoritmos e de likes a todo custo, devem retomar essa pauta com seriedade.

A LBI não pode ser lembrada só nos aniversários. Precisa ser cumprida! E isso começa com uma constatação dolorosa, mas necessária: a inclusão, hoje, está falhando. E fingir que está tudo bem é, ao meu juízo, a forma mais cruel de exclusão!




Rosana Valle - deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo; jornalista por formação há mais de 25 anos; e autora dos livros “Rota do Sol 1 e 2”.


Posts mais acessados