Cerca de 354 milhões de pessoas em todo
o mundo vivem com o vírus; Oncologista tira as principais dúvidas sobre a
relação entre a neoplasia e a doença
O mês
de julho, que leva a cor amarela, traz a importância de um olhar cuidadoso para
as hepatites, principalmente B e C, que podem resultar em câncer de fígado.
Segundo dados do American Cancer Society, a incidência da neoplasia triplicou
desde 1980, dobrando também as taxas de mortalidade pela doença.
Anualmente,
cerca de 800 mil pessoas são diagnosticadas com câncer de fígado no mundo. No
Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é estimado para cada ano
do triênio 2023-2025 cerca de 10.700 casos - sendo 6.390 em homens e 4.310 em
mulheres.
Dentre
os fatores de risco para o desenvolvimento da doença, mundialmente as hepatites
virais causadas pelos vírus B ou C são a causa mais comum. Vale lembrar ainda
que esse tipo de infecção também pode levar à cirrose hepática, que ocorre
quando o tecido hepático normal é substituído pelo cicatricial não funcional,
danificando o órgão.
“A
hepatite viral causada pelos vírus B e C pode ser transmitida entre pessoas
através de relações sexuais sem preservativo, transfusões de sangue,
compartilhamento de agulhas contaminadas ou de objetos de higiene pessoal (como
lâminas de barbear, depilar, alicates de unha, entre outros) ou durante o
parto. Como forma de prevenção, a vacina contra hepatite B é oferecida
gratuitamente pelo SUS. Além disso, apesar de não existir uma vacina para a
infecção pelo vírus C, os novos tratamentos, também oferecidos de forma
gratuita na rede pública, possuem chance de cura em cerca de 90% dos
casos", explica o Artur Rodrigues Ferreira, oncologista da Oncoclínicas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, é estimado que 354 milhões de pessoas
tenham hepatite B ou C.
Além
da hepatite B e C, outros fatores que podem desencadear o câncer de fígado são:
- Cirrose (inflamação crônica no fígado);
- Algumas doenças hepáticas hereditárias, como hemocromatose
(acúmulo de ferro no organismo) e doença de Wilson (acúmulo de cobre no
organismo);
- Diabetes;
- Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que causa
acúmulo de gordura no fígado;
- Exposição a aflatoxinas (venenos produzidos por fungos que
crescem em determinados alimentos quando não são armazenados corretamente
e ficam expostos à umidade, como alguns tipos de grãos e castanhas);
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Tipos
de câncer de fígado
Dentre
os tipos de câncer de fígado, o carcinoma hepatocelular, que se inicia nos
hepatócitos (células localizadas no fígado) é o mais comum. "Vale lembrar
ainda que ele é o mais frequente nos pacientes com doenças hepáticas crônicas,
como a cirrose, podendo ser proveniente do consumo excessivo do álcool ou de
uma hepatite B ou C, por exemplo", comenta o oncologista. Outros tipos da
doença podem incluir:
- Colangiocarcinoma – proveniente dos ductos biliares do
fígado;
- Hepatoblastoma – neoplasia rara que atinge recém-nascidos e
crianças, ocorrendo predominantemente abaixo dos três anos, sendo raro
após o quinto ano de idade; e
- Angiossarcoma – câncer igualmente raro que se origina nos
vasos sanguíneos do fígado.
Hepatites
B ou C sempre irão resultar em câncer de fígado?
"Felizmente,
não. As hepatites B e C, apesar de serem um fator de risco, não necessariamente
determinarão o desenvolvimento da neoplasia, ou seja, apenas uma parcela dos
pacientes irá evoluir para o câncer de fato. No entanto, adotar medidas de
prevenção ao vírus é essencial para frear as estatísticas da doença",
explica Artur Ferreira.
Sintomas
e sinais do câncer de fígado
De
acordo com o oncologista da Oncoclínicas&Co, grande parte dos pacientes não
irá apresentar sintomas nos estágios iniciais do câncer primário de fígado. No
entanto, caso se manifestem, é importante ficar de olho em:
- Emagrecimento sem causa identificável;
- Perda do apetite;
- Dor na parte superior do abdômen;
- Náusea e vômito;
- Sensação de fraqueza e fadiga;
- Inchaço abdominal (ascite);
- Presença de massa abdominal;
- Surgimento de icterícia, que é caracterizada pela coloração
amarelada da pele e no interior dos olhos;
- Fezes brancas e com coloração esbranquiçada (aparência de giz).
Diagnóstico
do câncer de fígado
Justamente
por ser uma doença silenciosa, nem sempre é fácil diagnosticar o câncer de
fígado precocemente. "Geralmente, não são solicitados exames de
rastreamento para o carcinoma hepatocelular na população em geral. Mas, eles
podem e devem ser recomendados em casos específicos, como nos pacientes com
cirrose hepática, ou ainda infecção crônica por hepatite B", diz o
especialista.
Ao
avaliar cada caso, o médico pode solicitar:
- Exames laboratoriais, como os de sangue, que avaliam a função
do fígado e a alfa-fetoproteína (AFP, um marcador tumoral);
- Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia
computadorizada e ressonância magnética, para visualizar a existência de
tumores, sua extensão e se eles se espalharam para outras partes do corpo;
- Biópsia do fígado, em que uma agulha é colocada dentro da
lesão para retirar uma amostra para análise no microscópio que determina
se ela é maligna ou benigna; em se tratando do carcinoma hepatocelular,
nem sempre a biópsia será necessária, pois achados específicos dos exames
de imagem em associação com as informações clínicas do paciente podem estabelecer
o diagnóstico;
- Cirurgia laparoscópica, somente em casos específicos, que
permite visualização direta do órgão e realização de biópsia.
Opções
de tratamento do Carcinoma hepatocelular
“Dentre as abordagens de tratamento, podem ser realizados a remoção cirúrgica, transplante hepático, ablações e embolizações hepáticas, radioembolização, imunoterapia, terapias-alvo e, menos frequentemente, a quimioterapia. Mas, apenas após discussão multidisciplinar, a melhor modalidade de tratamento deverá ser indicada", finaliza.
Oncoclínicas&Co
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