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quinta-feira, 3 de julho de 2025

Julho Amarelo: hepatites B e C podem causar câncer de fígado

 

Cerca de 354 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com o vírus; Oncologista tira as principais dúvidas sobre a relação entre a neoplasia e a doença
 

O mês de julho, que leva a cor amarela, traz a importância de um olhar cuidadoso para as hepatites, principalmente B e C, que podem resultar em câncer de fígado. Segundo dados do American Cancer Society, a incidência da neoplasia triplicou desde 1980, dobrando também as taxas de mortalidade pela doença.
 

Anualmente, cerca de 800 mil pessoas são diagnosticadas com câncer de fígado no mundo. No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é estimado para cada ano do triênio 2023-2025 cerca de 10.700 casos - sendo 6.390 em homens e 4.310 em mulheres. 

Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento da doença, mundialmente as hepatites virais causadas pelos vírus B ou C são a causa mais comum. Vale lembrar ainda que esse tipo de infecção também pode levar à cirrose hepática, que ocorre quando o tecido hepático normal é substituído pelo cicatricial não funcional, danificando o órgão. 

“A hepatite viral causada pelos vírus B e C pode ser transmitida entre pessoas através de relações sexuais sem preservativo, transfusões de sangue, compartilhamento de agulhas contaminadas ou de objetos de higiene pessoal (como lâminas de barbear, depilar, alicates de unha, entre outros) ou durante o parto. Como forma de prevenção, a vacina contra hepatite B é oferecida gratuitamente pelo SUS. Além disso, apesar de não existir uma vacina para a infecção pelo vírus C, os novos tratamentos, também oferecidos de forma gratuita na rede pública, possuem chance de cura em cerca de 90% dos casos", explica o Artur Rodrigues Ferreira, oncologista da Oncoclínicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, é estimado que 354 milhões de pessoas tenham hepatite B ou C. 

Além da hepatite B e C, outros fatores que podem desencadear o câncer de fígado são:

  • Cirrose (inflamação crônica no fígado);
  • Algumas doenças hepáticas hereditárias, como hemocromatose (acúmulo de ferro no organismo) e doença de Wilson (acúmulo de cobre no organismo);
  • Diabetes;
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que causa acúmulo de gordura no fígado;
  • Exposição a aflatoxinas (venenos produzidos por fungos que crescem em determinados alimentos quando não são armazenados corretamente e ficam expostos à umidade, como alguns tipos de grãos e castanhas);
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas.


Tipos de câncer de fígado 

Dentre os tipos de câncer de fígado, o carcinoma hepatocelular, que se inicia nos hepatócitos (células localizadas no fígado) é o mais comum. "Vale lembrar ainda que ele é o mais frequente nos pacientes com doenças hepáticas crônicas, como a cirrose, podendo ser proveniente do consumo excessivo do álcool ou de uma hepatite B ou C, por exemplo", comenta o oncologista. Outros tipos da doença podem incluir:

  • Colangiocarcinoma – proveniente dos ductos biliares do fígado;
  • Hepatoblastoma – neoplasia rara que atinge recém-nascidos e crianças, ocorrendo predominantemente abaixo dos três anos, sendo raro após o quinto ano de idade; e
  • Angiossarcoma – câncer igualmente raro que se origina nos vasos sanguíneos do fígado.


Hepatites B ou C sempre irão resultar em câncer de fígado? 

"Felizmente, não. As hepatites B e C, apesar de serem um fator de risco, não necessariamente determinarão o desenvolvimento da neoplasia, ou seja, apenas uma parcela dos pacientes irá evoluir para o câncer de fato. No entanto, adotar medidas de prevenção ao vírus é essencial para frear as estatísticas da doença", explica Artur Ferreira.
 

Sintomas e sinais do câncer de fígado 

De acordo com o oncologista da Oncoclínicas&Co, grande parte dos pacientes não irá apresentar sintomas nos estágios iniciais do câncer primário de fígado. No entanto, caso se manifestem, é importante ficar de olho em:

  • Emagrecimento sem causa identificável;
  • Perda do apetite;
  • Dor na parte superior do abdômen;
  • Náusea e vômito;
  • Sensação de fraqueza e fadiga;
  • Inchaço abdominal (ascite);
  • Presença de massa abdominal;
  • Surgimento de icterícia, que é caracterizada pela coloração amarelada da pele e no interior dos olhos;
  • Fezes brancas e com coloração esbranquiçada (aparência de giz).


Diagnóstico do câncer de fígado 

Justamente por ser uma doença silenciosa, nem sempre é fácil diagnosticar o câncer de fígado precocemente. "Geralmente, não são solicitados exames de rastreamento para o carcinoma hepatocelular na população em geral. Mas, eles podem e devem ser recomendados em casos específicos, como nos pacientes com cirrose hepática, ou ainda infecção crônica por hepatite B", diz o especialista.

Ao avaliar cada caso, o médico pode solicitar:

  • Exames laboratoriais, como os de sangue, que avaliam a função do fígado e a alfa-fetoproteína (AFP, um marcador tumoral);
  • Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, para visualizar a existência de tumores, sua extensão e se eles se espalharam para outras partes do corpo;
  • Biópsia do fígado, em que uma agulha é colocada dentro da lesão para retirar uma amostra para análise no microscópio que determina se ela é maligna ou benigna; em se tratando do carcinoma hepatocelular, nem sempre a biópsia será necessária, pois achados específicos dos exames de imagem em associação com as informações clínicas do paciente podem estabelecer o diagnóstico;
  • Cirurgia laparoscópica, somente em casos específicos, que permite visualização direta do órgão e realização de biópsia.


Opções de tratamento do Carcinoma hepatocelular 

“Dentre as abordagens de tratamento, podem ser realizados a remoção cirúrgica, transplante hepático, ablações e embolizações hepáticas, radioembolização, imunoterapia, terapias-alvo e, menos frequentemente, a quimioterapia. Mas, apenas após discussão multidisciplinar, a melhor modalidade de tratamento deverá ser indicada", finaliza. 



Oncoclínicas&Co
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Novo exame de sangue é aprovado pela Anvisa para acompanhamento de pacientes com Esclerose Múltipla no Brasil

Siemens Healthineers é a primeira companhia a disponibilizar no país um ensaio que permite prever surtos da doença com até dois meses de antecedência
 

A Siemens Healthineers, empresa líder em tecnologia médica, acaba de disponibilizar no Brasil o primeiro exame de sangue para monitoramento da Esclerose Múltipla aprovado pela Anvisa. O ensaio de Cadeia Leve de Neurofilamento (NfL) possibilita que os médicos consigam prever surtos da doença com até dois meses de antecedência em relação aos sintomas clínicos. Até então o monitoramento só era possível mediante a realização de uma ressonância magnética. A novidade chega para suprir uma demanda dos laboratórios de diagnóstico, que antes precisavam encaminhar as amostras para fora do país, em razão da ausência de kits registrados na Anvisa — o que tornava o exame de difícil acesso e mais demorado. 

O neurofilamento é uma proteína estrutural presente nos neurônios. Todo processo de neurodegeneração — seja pelo envelhecimento natural ou por doenças neurológicas — leva à liberação dessa proteína no líquido cefalorraquidiano e no sangue.¹ Por ser liberado em diferentes situações, o neurofilamento não é um biomarcador específico para diagnóstico de nenhuma condição. No entanto, estudos vêm demonstrando sua eficácia para o acompanhamento da atividade inflamatória e neurodegenerativa da esclerose múltipla, ajudando a estimar o risco de novos surtos e a monitorar respostas ao tratamento. 

“Biomarcador é uma característica objetivamente medida e avaliada como um indicador de processos biológicos normais, processos patogênicos ou respostas farmacológicas a uma intervenção terapêutica. O neurofilamento de cadeia leve é um biomarcador de grande contribuição no manejo da Esclerose Múltipla. Permite avaliar o grau de inflamação, acompanhar a resposta ao tratamento e, a partir da evolução dos níveis, identificar, por exemplo, o momento mais adequado para trocar a medicação", explica Dr. Gustavo Bruniera, médico patologista clínico e Coordenador Médico do Laboratório Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. O Laboratório Clínico do Einstein será o primeiro no Brasil a executar o exame, que até então era coletado no país e enviado pelos laboratórios para análise no exterior. “A inovação faz parte do compromisso do Einstein com a saúde e com o avanço da medicina personalizada. Executar um exame com biomarcadores representa um marco não só para a organização como para a medicina diagnóstica no país", diz. 

O novo exame entrega resultados em menos de uma hora nos laboratórios que utilizarem as plataformas de análise Atellica IM e Advia Centaur da Siemens Healthineers, e a expectativa é que, com a adoção da nova metodologia, a emissão dos laudos seja disponibilizada aos pacientes em um prazo de 24 horas a 3 dias - um avanço expressivo em relação ao tempo necessário para a realização de exames de ressonância magnética. 

“Os imunoensaios automatizados, como o Atellica IM, são de alta sensibilidade, então conseguem analisar o neurofilamento, mesmo que sua disponibilidade no sangue seja muito menor do que no líquido cefalorraquidiano. Esse exame já é uma realidade em centros de referência na Europa e nos Estados Unidos e, com sua validação clínica e registro aprovado pela Anvisa para a Esclerose Múltipla, o Brasil passa a acompanhar as melhores práticas mundiais, oferecendo aos médicos e pacientes um recurso de alta precisão para o monitoramento da doença”, enfatiza Hélida Silva, Gerente de Assuntos Médicos da Siemens Healthineers na América Latina. 

Sobre a periodicidade do exame, Dr. Gustavo enfatiza que as recomendações de estudos internacionais é que a avaliação seja feita a cada seis meses, mas isso pode variar de acordo com a análise individual de cada paciente.
 

Sobre a Esclerose Múltipla

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica inflamatória, autoimune e degenerativa que afeta o sistema nervoso central. Ela provoca a destruição da bainha de mielina, estrutura que protege os neurônios e permite a condução eficiente dos impulsos nervosos². A doença atinge principalmente adultos jovens, entre 20 e 40 anos³, e sua prevalência está aumentando globalmente, com um crescimento de 30% entre 2013 e 2020, segundo dados internacionais.[4] 

A EM é classificada em quatro tipos [5]:

  • EM Recorrente-Remitente (EMRR): 85% dos casos, com surtos e remissões.
  • EM Secundária Progressiva (EMSP): evolução da EMRR, com piora contínua.
  • EM Primária Progressiva (EMPP): progressão desde o início, sem remissão.
  • Síndrome Clinicamente Isolada (CIS): primeiro episódio neurológico




Siemens Healthineers
www.siemens-healthineers.com


[1] Gaetani, L., Blennow, K., Calabresi, P., Di Filippo, M., Parnetti, L., & Zetterberg, H. (2019). Neurofilament light chain as a biomarker in neurological disorders. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, 90(8), 870–881. DOI: 10.1136/jnnp-2018-320106

[2] National MS Society. Types of Multiple Sclerosis. Disponível em: Types of Multiple Sclerosis | National MS Society.

[3] Habbestad, A et al. Increasing age of multiple sclerosis onset from 1920 to 2022: a population‑based study. Journal of Neurology (2024) 271:1610–1617

[4] Walton C et al. Rising prevalence of multiple sclerosis worldwide: Insights from the Atlas of MS, third edition. Multiple Sclerosis Journal. 2020;26(14):1816-1821

[5] Rae-Grant A, et al. Neurology. 2018 Apr;90(17):789-800


LAPAROSCOPIA E ROBÓTICA: ENTENDA AS DIFERENÇAS DAS CIRURGIAS NO APARELHO DIGESTIVO

 

Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo, explica como essas técnicas avançadas revolucionaram os procedimentos e destaca para quem cada uma é mais indicada.


Nos últimos anos, as cirurgias do aparelho digestivo passaram por uma transformação com o avanço de técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia e a cirurgia robótica. Ambas proporcionam benefícios significativos, mas possuem diferenças importantes. O Dr. Lucas Nacif, Cirurgião Gastrointestinal e membro titular do colégio brasileiro de cirurgia digestiva (CBCD), explica como cada abordagem funciona e para quais casos são mais indicadas.
 

Laparoscopia: De acordo com o Dr. Nacif, a laparoscopia utiliza pequenas incisões pelas quais um equipamento com câmera (laparoscópico) é introduzido. Essa técnica é amplamente empregada para tratar uma variedade de condições digestivas e reduz o trauma cirúrgico, acelera a recuperação, diminui dor e complicações, traz mais segurança para tumores iniciais e lesões localizadas. 

O jornalista William Bonner, por exemplo, já realizou a laparoscopia em 2023 para corrigir uma hérnia inguinal (virilha). “É uma técnica bastante segura e eficaz, que combina menor trauma cirúrgico com recuperação mais rápida, sendo indicado para procedimentos como a correção de hérnia, retirada da vesícula biliar e remoção de apêndice", comenta o especialista. 

Cirurgia Robótica: Já a cirurgia robótica é considerada uma evolução da laparoscopia. Nesse método, o cirurgião controla braços robóticos que oferecem maior precisão, alcance e liberdade de movimento. “A tecnologia robótica possibilita movimentos mais delicados e um controle quase microscópico dos instrumentos, e isso é especialmente valioso em cirurgias oncológicas, gastrointestinais e urológicas, já que oferece precisão submilimétrica, visão 3D e controle cirúrgico inédito,” explica Nacif.

Diferenças principais: quando optar por cada uma?

Embora ambas as técnicas sejam minimamente invasivas, suas diferenças podem influenciar a escolha do método mais adequado. “A decisão entre laparoscopia e cirurgia robótica depende das necessidades específicas do paciente e da complexidade do caso. No entanto, a robótica apresenta um custo mais elevado e nem sempre está disponível em todos os hospitais", destaca. 

O Dr. também explica a importância de uma avaliação individualizada: “Cada paciente possui características únicas, o que torna essencial um plano de tratamento personalizado. Uma consulta detalhada é fundamental para identificar a abordagem que oferecerá os melhores resultados”, finaliza. 



Dr. Lucas Nacif - Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/



Julho Verde 2025 reforça alerta sobre câncer de cabeça e pescoço

Campanha completa 11 anos e reforça importância da prevenção e diagnóstico precoce para salvar vidas


A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço dá início à campanha Julho Verde 2025, que neste ano completa 11 anos de atuação na conscientização da população sobre o câncer de cabeça e pescoço. Com o tema “Informação salva vidas”, a campanha reforça a importância do diagnóstico precoce, da atenção aos sintomas iniciais e da adoção de hábitos saudáveis.

De acordo com dados mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a projeção para o Brasil em 2025 é de cerca de 40 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço, incluindo tumores de cavidade oral, tireoide e laringe.

Os principais fatores de risco continuam sendo o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a infecção pelo vírus HPV e a exposição solar sem proteção. Segundo a médica Dra. Sílvia Picado, especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço que atua na Clínica Verte, adotar um estilo de vida saudável faz diferença direta na prevenção.

"Parar de fumar, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, usar preservativos nas relações sexuais e vacinar-se contra o HPV são atitudes que reduzem bastante os riscos," afirma a especialista.

No caso específico do câncer de tireoide, fatores como dieta pobre em iodo, histórico familiar, obesidade e exposição prévia à radiação na região do pescoço merecem atenção especial.

O diagnóstico precoce segue sendo o principal aliado no combate à doença. Segundo a Dra. Sílvia Picado, a chance de cura pode chegar a 90% quando o câncer é identificado nas fases iniciais.

Sinais de alerta incluem:

  • Inchaço ou ferida na boca que não cicatriza após 15 dias
  • Nódulo persistente no pescoço, boca ou mandíbula
  • Manchas avermelhadas ou esbranquiçadas na cavidade oral
  • Rouquidão prolongada
  • Dificuldade para engolir ou respirar

“Quanto mais cedo o paciente procurar um especialista, maiores as chances de um tratamento menos agressivo e com maior índice de cura. Além disso, também queremos orientar quanto aos fatores de risco e à necessidade de manutenção de hábitos saudáveis”, ressalta a médica.

A última década trouxe avanços significativos na abordagem cirúrgica da doença. Atualmente, técnicas como uso de laser, pinças ultrassônicas, monitoramento de nervos e até cirurgias robóticas estão ajudando a reduzir o tempo de recuperação e os efeitos colaterais.

Porém, mesmo com esses avanços tecnológicos, a Dra. Sílvia reforça que o diagnóstico precoce segue sendo o maior diferencial para o sucesso do tratamento.

 

Dra. Sílvia Picado - possui graduação em Ciências Médicas pelo Centro Universitário Lusíada (UNILUS). Concluiu Residência Médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço em 2015 e obteve o título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) no mesmo ano, tornando-se membro efetivo e integrante da atual comissão de marketing da SBCCP. Em 2019, a Dra. Sílvia Picado concluiu o mestrado no programa de Pós-graduação em Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Atualmente, exerce o cargo de professora na UNILUS e é a Diretora Social da Associação Paulista de Medicina de Santos (APM Santos).



Leis estaduais impulsionam a digitalização dos prontuários médicos no Brasil


Nos últimos anos, diferentes estados brasileiros têm aprovado leis que incentivam a digitalização de prontuários médicos, estabelecendo prazos claros para fornecimento de cópias e ampliando o direito de acesso dos pacientes e familiares a essas informações. Essas iniciativas, alinhadas à legislação federal existente, vêm pressionando hospitais a modernizar seus sistemas de registro, eliminar o papel e adotar prontuários eletrônicos para garantir compliance jurídico, segurança de dados e eficiência operacional. 

A Lei Estadual nº 10.867/2021, do Rio Grande do Norte, foi uma das primeiras a abordar diretamente a obrigatoriedade de fornecer um mini prontuário ao paciente ou a seu representante legal ao final do atendimento. Em 2023, o estado de Goiás sancionou a Lei nº 21.904, que determina o fornecimento de cópias do prontuário médico em até 10 dias úteis, com possibilidade de prorrogação para 20 dias mediante justificativa formal. Mais recentemente, em 2025, o estado do Rio de Janeiro aprovou a Lei Estadual nº 10.676/2025, que trouxe avanços importantes ao detalhar os prazos máximos para entrega (cinco dias corridos para cópia completa e dois dias úteis para documentos digitais), ampliar o direito de solicitação a familiares e proibir cobranças indevidas. 

Outros estados também estão em movimento. Em Roraima, tramita desde 2024 o PL 49/2024, que propõe acesso eletrônico ao prontuário por meio de plataformas seguras. No Tocantins, o PL 53/2025 busca viabilizar a criação de um sistema digital de disponibilização dos prontuários da rede pública. Em São Paulo, o PL 108/2025 também caminha nessa direção, embora ainda esteja em tramitação. 

Esse movimento legislativo descentralizado mostra que, mesmo com diretrizes federais como a Lei nº 13.787/2018 e a LGPD, as leis estaduais têm exercido um papel importante na regulação prática do acesso aos prontuários e na pressão para que as instituições de saúde adotem soluções de digitalização certificada, indexação estruturada, guarda segura e rastreabilidade.

 

Impactos práticos para os hospitais: do papel ao digital por obrigação legal

As novas leis estaduais e federais sobre acesso a prontuários têm impactos diretos na operação das instituições de saúde. Atender aos prazos legais – muitas vezes de apenas dois a cinco dias – exige mais do que boa vontade: requer mudanças estruturais na forma como os prontuários são armazenados e acessados. 

A primeira consequência prática é a aceleração da digitalização. Hospitais que ainda trabalham majoritariamente com arquivos em papel dificilmente conseguirão responder às solicitações dentro do prazo legal sem digitalizar seus acervos. Com a nova lei do Rio de Janeiro, por exemplo, acompanhantes já têm o direito de solicitar a digitalização dos prontuários durante a internação – e, se o hospital não estiver preparado, o paciente pode simplesmente fotografar os documentos. Em vez de adiar, a migração para o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) se torna inevitável. 

Atualmente, apenas 23% dos hospitais no Brasil usam esse tipo de sistema de forma plena, o que revela um enorme espaço para avanço.

Mas digitalizar não basta. Os prontuários precisam estar estruturados e indexados para garantir que sejam localizáveis rapidamente – mesmo após anos. Com o direito ampliado de acesso por familiares e o surgimento de demandas por históricos antigos, é essencial contar com sistemas de gestão documental capazes de organizar grandes volumes de informação e integrá-los a soluções como o SUS Digital. A interoperabilidade não é mais uma tendência: é uma exigência de conformidade. 

Além disso, a digitalização traz ganhos tangíveis ao permitir a eliminação legal do papel. Segundo a Lei Federal 13.787/2018, prontuários podem ser digitalizados com certificação e, depois disso, descartados. Isso reduz o espaço físico necessário, os custos de armazenagem e os riscos de extravio ou deterioração. Hospitais como o Heliópolis (SP) já digitalizaram dezenas de milhares de prontuários antigos justamente para evitar perdas irreparáveis e otimizar recursos.

 

Benefícios da digitalização para compliance e eficiência

Diante das novas exigências legais e da pressão por eficiência, a digitalização certificada de prontuários médicos deixou de ser apenas uma resposta regulatória — tornou-se uma estratégia indispensável de compliance e operação hospitalar. 

Hospitais que adotam sistemas digitais completos conseguem responder com agilidade às solicitações de acesso, evitando sanções e fortalecendo a imagem institucional. Um prontuário digital pode ser localizado em segundos e entregue por e-mail, dentro dos prazos exigidos por leis estaduais. Isso só é possível com um processo de digitalização certificado, que garanta validade jurídica conforme a Lei 13.787/2018 e normas do CFM. Além disso, ao aplicar certificação digital e armazenar os arquivos de forma segura, a Outro benefício crítico é a segurança da informação. Prontuários digitais permitem controle de acesso, rastreabilidade e criptografia — elementos essenciais para atender à LGPD e evitar vazamentos. Do ponto de vista operacional, a digitalização também melhora a qualidade do atendimento. Médicos acessam rapidamente o histórico do paciente, exames e anotações, o que evita retrabalho e permite decisões clínicas mais rápidas e precisas. Isso reduz filas, repetições de exames e melhora o giro de pacientes. Mesmo com o investimento inicial, os ganhos são evidentes: economia com papel, espaço físico, pessoal de arquivo e aumento da capacidade produtiva. 

Em conclusão, as iniciativas legislativas regionais, aliadas à legislação federal vigente, estão impulsionando uma modernização sem precedentes nos prontuários médicos no Brasil. Trata-se de um caminho sem volta rumo ao hospital digital: um cenário em que pacientes, médicos e gestores terão informação clínica acessível, segura e útil na ponta dos dedos, substituindo pastas empoeiradas por telas eficientes. 

Mais do que cumprir a lei, essa evolução representa uma oportunidade de ouro para o setor de saúde aprimorar sua eficiência e humanização, colocando a tecnologia a serviço da vida. E, como costuma acontecer nas inovações, quem sair na frente nesse processo certamente terá vantagem – seja na gestão, seja na confiança do paciente. As leis estão dadas; cabe agora às instituições de saúde fazerem o dever de casa e colherem os frutos da era do prontuário digital.

instituição se desobriga de manter o documento físico — o que reduz custos e libera espaço. 



Inon Neves - vice-presidente da Access
Access
https://accesscorp.com


Estudo vai investigar ligação entre ciclo menstrual e lesões no joelho

Freepik IA
Pesquisa financiada pela FIFA, em parceria com Universidade de Kingston, espera reduzir a ocorrência desse tipo de lesão; SBRATE explica outros estudos já feitos

 

Mais atenta às questões ligadas ao futebol feminino, que tem experimentado um crescimento expressivo nos últimos anos, a FIFA está financiando um estudo, em parceria com a Universidade de Kingston, da Inglaterra, que visa investigar a possível ligação entre o ciclo menstrual e as lesões no joelho de atletas mulheres, mais especificamente as lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA). 

Um caso recente é o da atacante Dudinha, do Palmeiras, que deve perder a temporada de 2025. Em junho, ela foi submetida à cirurgia, após o rompimento do LCA, além de uma lesão no menisco. “Quero aproveitar este momento para reconhecer minha bravura e determinação ao enfrentar a cirurgia de LCA. Esse é um passo fundamental na minha recuperação e, embora a jornada à frente possa parecer desafiadora, cada dia é uma oportunidade de cura”, disse ela, em suas redes sociais. 

O estudo terá duração de um ano, com a participação de jogadoras da elite do futebol feminino. Elas terão o sangue coletado para análise de concentrações hormonais e serão submetidas regularmente a exames de desempenho físico. 

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), Dr. Adriano Marques de Almeida, fala que o risco relativo de lesão do ligamento cruzado anterior em mulheres, em comparação com homens, é significativamente maior. “Vários estudos indicam um risco de 1,5 a 8 vezes maior para mulheres. Essa disparidade é influenciada por vários fatores, incluindo diferenças anatômicas, hormonais e biomecânicas”, explica. 

O médico comenta que a relação entre lesões do LCA e o ciclo menstrual já foi explorada em alguns estudos, que buscam compreender a questão. Um deles, intitulado “The Influence of the Menstrual Cycle and Oral Contraceptives on Knee Laxity or Anterior Cruciate Ligament Injury Risk: A Systematic Review” (A Influência do Ciclo Menstrual e dos Anticoncepcionais Orais na Frouxidão do Joelho ou no Risco de Lesão do Ligamento Cruzado Anterior: Uma Revisão Sistemática), indica que “o ciclo menstrual, devido à flutuação hormonal, parece influenciar a frouxidão do joelho em mulheres. A conclusão pontua, que, “no entanto, com base na literatura, não podemos concluir que haja correlação entre o ciclo menstrual e o risco de lesão do LCA”. 

Segundo o vice-presidente da SBRATE, vários estudos demonstraram que alterações hormonais durante o ciclo menstrual, particularmente aumentos no estradiol (um dos principais hormônios femininos, vital para o funcionamento do corpo das mulheres), podem levar ao aumento da flacidez do joelho. Essas pesquisas apontam que esse risco tende a ser maior durante a ovulação e na fase que a sucede, conhecida como fase lútea, período em que os hormônios do ciclo menstrual deixam o joelho mais instável. 

“Embora a influência do ciclo menstrual no risco de lesão do LCA em mulheres seja apoiada por algumas evidências, a relação não é simples e mais pesquisas são necessárias para esclarecer essas associações”, diz Almeida. 

Após a conclusão do estudo da FIFA, as informações poderão auxiliar os clubes na criação de medidas para reduzir o risco de lesões. O vice-presidente da SBRATE lembra que, apesar do maior risco relativo para mulheres, “é essencial considerar que a incidência geral de lesões do LCA permanece maior em homens devido à maior participação em esportes de contato, o que destaca a necessidade de estratégias de prevenção personalizadas para ambos os sexos”.

 

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte - SBRATE


Saúde bucal e tabagismo: o que acontece com o sorriso de quem fuma?

O tabagismo é comumente associado a problemas respiratórios, mas ele também compromete seriamente a saúde da boca e, consequentemente, do organismo. Conheça alguns problemas causados pelo hábito de fumar e dicas de como cuidar da higiene bucal

 

O uso do tabaco é a causa de morte mais evitável em todo o mundo. No Brasil, estima-se que o tabagismo cause 477 mortes diárias, totalizando 145.077 mortes anuais evitáveis, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Discussões sobre o uso dessa substância e de derivados - como os vapes - têm se tornado cada vez mais comuns, assim como os riscos para a saúde. Além dos já conhecidos efeitos no organismo, esses hábitos também causam danos à saúde bucal, como manchas nos dentes, mau hálito, gengivite e até câncer bucal.

Dr. Emerson Nakao, dentista e consultor científico da Odontoprev, líder em planos odontológicos na América Latina, explica quais são os problemas causados pelo tabaco e como as pessoas podem cuidar melhor da saúde bucal:
 

::Como o tabaco prejudica a saúde bucal?

A fumaça do cigarro pode conter mais de quatro mil substâncias tóxicas, que prejudicam não apenas a função dos pulmões, mas também dentes, gengivas e toda a cavidade oral. “Ao inalar a fumaça, as substâncias nocivas entram em contato com os tecidos da boca antes mesmo de chegar aos pulmões, aumentando o risco de doenças bucais graves. Outra causa do tabagismo é a redução na produção de saliva, o que favorece o acúmulo de bactérias na boca e pode comprometer funções como a deglutição”, comenta Dr. Nakao.
 

:: Problemas buscais entre os fumantes

Seja por cigarro, charuto ou até vapes (cigarros eletrônicos), fumar pode causar diversos problemas bucais, como:

  • Mau hálito crônico: a fumaça do cigarro resseca a boca e reduz a produção de saliva, favorecendo a proliferação de bactérias e o acúmulo de resíduos que causam odores. Sem a limpeza e hidratação da saliva, cresce o número de bactérias anaeróbicas. Mesmo com a escovação diária, as substâncias nocivas permanecem na cavidade oral, gerando o odor indesejado, afetando interação social e autoestima.
     
  • Redução da saliva: o uso excessivo das substâncias nocivas pode levar a uma redução da produção de saliva, que é essencial para funções como digestão inicial, lubrificação, limpeza da cavidade oral e proteção contra infecções. Quando sua produção é reduzida resultando na boca seca (xerostomia), além de ser um desconforto, pode gerar diversas complicações como: aumento do risco de cáries, doenças gengivais, mau hálito, dificuldade para engolir, falar e mastigar. Além de desconfortos como ardor na língua, garganta seca e sede excessiva.
     
  • Dentes amarelados e manchados: o contato frequente com a nicotina e o alcatrão faz com que esses elementos grudem no esmalte e, com o tempo, podem escurecer os dentes, gengivas e a mucosa bucal, comprometendo o sorriso.
     
  • Gengivite e periodontite: o cigarro facilita o acúmulo de placa bacteriana e tártaro ao redor dos dentes, provocando inflamação na gengiva, infecções, perda óssea e perda dentária ao longo do tempo.
     
  • Câncer bucal: segundo o AC Camargo Cancer Center, 90% dos casos estão relacionados ao tabagismo; fumantes têm de 4 a 15 vezes mais chances de desenvolver câncer de boca, afetando lábios, língua, gengiva e outras áreas. O risco aumenta ainda mais com o consumo de álcool e a falta de higiene bucal.

:: Dicas de como cuidar da saúde bucal e reduzir os danos do cigarro

  • Parar de fumar: após 10 anos sem fumar, o risco de câncer bucal se iguala ao de uma pessoa que nunca fumou. O apoio de profissionais e grupos de cessação do tabagismo pode ajudar nesse processo. Já os sinais de recuperação da saúde bucal são quase que imediatos, ocorrendo logo após alguns dias.
     
  • Manter uma boa higiene bucal: escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia, usar fio dental e visitar o dentista regularmente para prevenir problemas bucais, como por exemplo, a irritação provocada na língua ou o interior das bochechas por dentes ásperos, superfícies irregulares em restaurações, coroas ou dentaduras, pode causar lesões malignizáveis. O diagnóstico precoce é fundamental.
     
  • Beber bastante água: manter-se hidratado ajuda a reduzir o ressecamento da boca.

E atenção: Fumo passivo também é fator de risco!
 

Para o Dr. Emerson Nakao é importante identificar os gatilhos para a vontade de fumar. “O tabagismo traz riscos reais para a saúde. Com pequenas mudanças de hábitos e o acompanhamento de profissionais, inclusive o dentista, é possível reverter muitos desses danos. A pessoa precisa saber reconhecer o que causa a vontade de fumar, que pode estar relacionada ao estresse, ansiedade, questões pessoais e hábitos. Com esse reconhecimento fica mais fácil buscar ajuda”, finaliza.




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Frente fria pode surtir efeitos até na circulação


O sangue tem um papel essencial na manutenção da temperatura corporal e no frio essa função se torna ainda mais importante. Isso porque se os vasos por onde passa o sangue são mais exigidos no inverno e, em pacientes com a saúde vascular já comprometida, podem surgir as complicações. Quem explica é o Dr. Caio Focássio, cirurgião vascular da capital paulista. 

“O frio contrai as artérias (vasoconstricção) e dificulta ainda mais a chegada de sangue arterial principalmente nas extremidades e podem causar insuficiência arterial, ou seja, dificulta e estreita o acesso do sangue para os outros membros, em especial em pessoas que já sofrem problemas com a circulação”, fala o médico.

De acordo com o especialista, o acúmulo de gordura nas artérias, causados pelo excesso de peso, diabetes, tabagismo e hipertensão as deixa ainda mais estreitas, então o processo de circulação se torna mais lento. “Quando há predisposição genética ou quadros de obesidade, alimentação desequilibrada e sedentarismo, a preocupação se torna ainda maior nessa época do ano”, alerta o médico. 

No entanto, alguns sinais podem ajudar a prevenir o problema. “Quando a circulação não anda bem é comum sentir dormência ou inchaço nos membros e formigamento nas mãos e nos pés, dor ao caminhar, paralisia ou fadiga muscular”, fala. 

Daí é hora de buscar ajuda médica já que o tratamento para as doenças circulatórias pode ser feito por meio de medicamentos e cirurgia quando for necessário. Mas, a prevenção é o melhor caminho, especialmente para pacientes que já tenham alguma doença que contribui para a obstrução das artérias.

Dr. Caio deixa algumas dicas:

  1. Usar roupas confortáveis e quentes, não deixe o corpo exposto ao frio.
  2. Evitar as peças justas (elas podem comprimir os músculos das pernas e cintura).
  3. Consumir alimentos ricos em fibras, já que auxiliam na boa digestão e controle do colesterol.
  4. Fazer exercícios físicos pelo menos 3 vezes na semana
  5. Evitar consumo de gorduras
  6. Ter o controle adequado da pressão e diabetes
  7. Beber muita água
  8. Ter cuidado ao usar meias elásticas sem orientação médica - nesses casos ela pode piorar a situação.

 



FONTE: Dr. Caio Focássio - Cirurgião vascular formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pós graduado em Cirurgia Endovascular pelo Hospiten – Tenrife (Espanha). Médico assistente da Cirurgia Vascular da Santa Casa de São Paulo.
www.drcaio.com.br
Instagram: @drcaiofocassiovascular

 

Infecção após fazer as unhas leva mulher a 5 cirurgias e quase 70 sessões de fisioterapia

 

 Caso alerta para os riscos do uso compartilhado de instrumentos em salão; Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão explica problema

 

Fazer as unhas no salão é uma das rotinas de beleza mais comuns entre as mulheres, mas o momento de autocuidado pode esconder sérios riscos, se a esterilização dos materiais não estiver adequada. Foi o que aconteceu com uma moradora de Goiás, de 66 anos que, após uma infecção no polegar, teve que ser operada quatro vezes e já fez 68 sessões de fisioterapia. 

A paciente foi pela manhã a um salão fazer a unha, pois ia viajar para um casamento. Era a primeira vez que ia àquele estabelecimento, não levou seu próprio equipamento e avisou a manicure que não gostava de fazer cutícula. A profissional foi atenciosa, atendendo ao pedido, mas enquanto lixava a unha, uma pelezinha se levantou, sem que a cliente percebesse. O ardor só foi sentido no momento de retirada do excesso de esmalte. 

No fim da tarde, a paciente começou a sentir dor no polegar, tomou analgésico e seguiu viagem. Porém, chegando ao destino, a dor piorou e, na manhã seguinte, foi ao hospital. Ela tomou uma injeção na veia, o médico receitou antibiótico e disse que, se não melhorasse, para retornar.

  

Arquivo Pessoal

 
A dor não melhorou, ela tomou mais alguns medicamentos e o dedo começou a apresentar inchaço. Retornando a sua cidade, saiu imediatamente do aeroporto para o hospital, onde um médico angiologista indicou cirurgia de emergência. Embora a recomendação do profissional era de que o procedimento fosse realizado por um cirurgião de mão, diante da urgência, ele mesmo o realizou. 

De lá para cá, o dedo da paciente necrosou e ela passou por mais duas cirurgias para desbridamento (remoção de tecido morto), além de uma para enxerto. Como consequência da infecção, perdeu a capacidade de dobrar o polegar, que também apresenta dormência e hipersensibilidade ao manusear objetos. Em agosto, será submetida à quinta cirurgia, plástica, para melhorar não apenas a aparência do dedo, mas também a mobilidade.

 

Mas, afinal, o que causou todo esse transtorno? 

O médico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, Dr. Frederico Faleiro, que vem acompanhando o caso, explica que se trata de uma paroníquia, inflamação da pele frequentemente causada por bactérias ou fungos. “Com o uso de unhas em gel e a utilização recorrente de materiais não esterilizados, têm

aumentado o número de pacientes com infecção na região da unha”, fala o cirurgião. 

O hábito de roer as unhas ou puxar a pele ao redor, também podem causar o problema.

 

Gravidade

Segundo Faleiro, na maioria das vezes, as infecções não são graves, porém, em alguns casos, há severas complicações. “Essa infecção bacteriana pode necrosar toda a parte da unha, do dedo, da polpa digital e, eventualmente, se alastrar. A mesma coisa pode acontecer com pacientes que têm problema de saúde, como por exemplo, diabetes, ou aqueles que não procuram tratamento precoce, visto que a infecção pode espalhar-se pela mão, acometendo a ponta do dedo, que pode ser perdida”, fala. 

Nos casos mais simples, o tratamento é feito com medicamentos, como antibiótico e compressas mornas para auxiliar na drenagem de secreção. Já se a situação se tornar um abcesso, o médico pode indicar a drenagem do pus por meio de cirurgia.

 

Prevenção

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Rui Barros, lembra que a melhor forma de prevenção é a esterilização completa dos materiais utilizados nos procedimentos de unha. “De preferência que esses materiais sejam de uso exclusivo de cada cliente”, pontua. 

O médico ressalta, ainda, a importância de que os procedimentos não sejam feitos de forma tão invasiva, causando ferimentos, já que isso quebra a barreira de proteção natural da pele, significativamente efetiva para evitar as infecções. “E, claro, manter as mãos sempre limpas e higienizadas”, conclui. 



SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão
https://www.cirurgiadamao.org.br/

 

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