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terça-feira, 3 de junho de 2025

Litígios empresariais e a responsabilidade sistêmica


Vivemos tempos em que os litígios empresariais ultrapassam o mero embate entre interesses privados. Em casos que envolvem setores estratégicos da sociedade, como a infraestrutura nacional, os conflitos judiciais podem gerar efeitos em cadeia, com risco real de comprometimento de serviços essenciais.

O recente movimento da Eletrobras - que já detém posição dominante no setor elétrico e, agora, avança sobre o segmento de telecomunicações ao assumir o controle integral da Eletronet, responsável pela maior malha de fibra óptica do país - é emblemático. Ao incorporar ativos de extrema relevância para o backbone nacional de dados, a Eletrobras não apenas expandiu sua atuação no setor de telecomunicações, passando a alcançar grande parte das operadoras de telecomunicação, provedores de internet e data centers, como também assumiu um passivo jurídico significativo. É justamente sobre esse aspecto que se impõe uma reflexão séria por parte da comunidade regulatória e institucional.

As empresas MinasMais e Elig, do empresário Bertolino Ricardo Almeida, assessoradas por este escritório, são partes em litígios que envolvem condutas atribuídas a Eletronet, tais como retenção indevida de equipamentos, descumprimento de decisões judiciais, desvio de clientela e utilização de infraestrutura sem a devida contraprestação. Tais alegações, cuja gravidade é inegável, são objeto de discussão em ações judiciais que tramitam no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, dentre outras Cortes.

O que confere singularidade a esse caso não é apenas o vultoso valor em discussão judicial – que ultrapassa R$ 9 bilhões – mas o risco sistêmico que representa: a possibilidade da infraestrutura de dados que sustenta o tráfego de internet no Brasil estar baseada em ativos cuja titularidade encontra-se sob disputa judicial.

Caso a perícia técnica recentemente determinada pelo Tribunal do Mato Grosso nas dependências da Eletronet comprove a presença e o uso indevido de bens privados sem retribuição pela companhia, estar-se-á diante de uma violação manifesta da boa-fé objetiva e da função social do contrato com repercussões patrimoniais e, até mesmo, criminais.

Os elementos constantes dos autos da ação de manutenção de posse ajuizada pela Eletronet e a recente determinação de perícia técnica, já seriam suficientes para alarmar os acionistas da empresa de economia mista, mas também os órgãos de controle e as instâncias de defesa da transparência na gestão pública, além da sociedade como um todo.

Isso porque, a relevância econômica e institucional do caso transcende o âmbito privado. Como reconhecido pela própria Eletronet na referida ação, a retirada ou o acesso aos equipamentos em litígio localizados em suas instalações representa risco concreto à continuidade operacional da rede de dados:

“... o ingresso de terceiros nas dependências da Requerente, que envolvem ambientes críticos da infraestrutura de rede nacional, poderá comprometer a segurança e a continuidade da prestação de seus serviços, inclusive com risco de interrupção de parte da rede de dados que atende a diversas regiões do país.”

Portanto, considerando que o acesso à internet constitui um direito fundamental e um insumo essencial ao funcionamento de atividades cotidianas, da indústria, do comércio, do sistema financeiro e do próprio governo, é imperioso um acompanhamento institucional atento sobre esse processo judicial, para que sejam avaliados seus impactos e desdobramentos sobre a segurança e continuidade dos serviços digitais no Brasil.

Mostra-se pertinente questionar qual é a real capacidade operacional da Eletronet - subsidiária integral da Eletrobras desde abril passado - de gerir parte substancial do backbone de internet do país, considerando que a simples realização de uma perícia judicial em suas instalações é apontada pela própria companhia como fator potencial de instabilidade sistêmica na rede de internet e transmissão de dados no país. O risco de um verdadeiro "apagão digital" não pode ser negligenciado quando está em jogo a continuidade de serviços essenciais à sociedade.

Nesse cenário surge a figura da responsabilidade sistêmica: obrigação de agentes econômicos e institucionais de atuar com diligência redobrada sempre que suas condutas ou omissões puderem comprometer a estabilidade de estruturas essenciais ao funcionamento do Estado e da economia.

Trata-se de uma responsabilidade que vai além da esfera privada e alcança o interesse público, impondo o dever de preservar a continuidade de serviços cuja interrupção pode gerar efeitos em cadeia, como é o caso da infraestrutura de dados e comunicação.

A Eletrobras, na qualidade de sociedade de economia mista com participação acionária significativa da União — muito embora mais de 30% de seu capital esteja nas mãos de investidores estrangeiros e não residentes fiscais —, submete-se a um regime jurídico que impõe elevados padrões de transparência, eficiência e observância ao interesse público. Considerando sua importância estratégica para a infraestrutura de dados do país, revela-se indispensável o monitoramento contínuo da companhia por parte da Controladoria-Geral da União (CGU) e dos demais órgãos de controle institucional, bem como da própria sociedade. Tal acompanhamento é essencial não apenas para assegurar a saúde econômico-financeira da empresa – que tem como acionista a União-, mas também para preservar a integridade das estruturas tecnológicas do país, prevenindo-se, assim, riscos sistêmicos - como o chamado “apagão digital” - decorrentes de decisões administrativas mal avaliadas e de políticas de governança corporativa frágeis ou ineficazes.

 

Juliana Carrillo Vieira – OAB/SP 180.924 - Advogada processualista, especialista em litígios empresariais; assessora jurídica das empresas MinasMais, Elig e Bertolino Ricardo Almeida


Fórmulas do passado versus líderes do futuro

Como tecnologia e inovação estão virando o jogo nas empresas

 

Você certamente já ouviu a frase “em time que está ganhando não se mexe". Muitas empresas ainda vivem nessa lógica, e isso é extremamente problemático, pois esse "time" está perdendo faz tempo, só que ninguém teve coragem de avisar o técnico.

A verdade é que o mundo está em constante transformação: as pessoas mudaram, o mercado virou de cabeça para baixo e a tecnologia, hoje, lidera essa revolução. Curiosamente, muitas organizações ainda acreditam que podem enfrentar os desafios de 2025 com a mentalidade e as ferramentas de 1998. Segundo Bruno Castro, especialista em inteligência artificial, “a tecnologia não é só sobre ferramentas: é sobre mentalidade”.

“Quando se trata de tecnologia, o ponto principal não deve ser o que você usa, mas como pensa”, afirma Castro. “Empresas realmente inovadoras não se prendem a planilhas infinitas, reuniões intermináveis e hierarquias rígidas. Elas compreendem que produtividade, hoje, não é sobre presença, mas sobre entrega de valor. Não se trata de trabalhar mais, mas de trabalhar melhor, com inteligência, foco e, principalmente, propósito.”

Cultivar uma mentalidade aberta à inovação e fomentar ambientes onde a experimentação seja incentivada são atitudes cada vez mais valiosas. Nesse cenário, a inteligência artificial surge não como uma ameaça, mas como uma aliada estratégica: capaz de apoiar decisões, analisar grandes volumes de dados, personalizar atendimentos e impulsionar soluções criativas. Mas, para extrair seu real potencial, é preciso mais do que tecnologia: é preciso de preparo.

Afinal, como bem pontua Bruno, não adianta apenas trocar o uniforme do time: é a cabeça do técnico que precisa mudar. 



B.Castro Consultoria Empresarial

Bruno Castro - Processos, Tecnologia e Mentalidade
@bcastro.consultoria
brcas08@gmail.com
bcastroconsultoria.my.canva.site/bcastroconsultoria

 

A importância de realizar um balanço semestral

Estamos oficialmente em junho, o que significa que quase metade do ano já se passou, e representa um momento ideal para que os gestores realizem um grande balanço de tudo que aconteceu na empresa ao longo desses seis meses. Acredite em mim, esse tipo de ação não é perda de tempo, mas uma estratégia que considero essencial para manter a empresa no caminho certo em direção às suas metas.

O balanço semestral permite uma análise clara e objetiva do desempenho da empresa no período estipulado e revela alguns fatores, por exemplo: se os resultados esperados estão sendo alcançados, quais foram os lucros e os prejuízos, se houve aumento ou queda nas receitas, e oferece um retrato real da saúde financeira da organização. Isso permite  que a liderança avalie o que funcionou ou não, para que antigos erros sejam evitados.

Ao compreender os pontos fortes e fracos do primeiro semestre, os gestores podem ajustar o plano estratégico de forma mais eficiente, o que inclui revisar as metas, redirecionar os investimentos, cortar os custos desnecessários ou reforçar as ações que estejam gerando bons resultados. E se a sua empresa adota uma gestão por OKRs - Objectives and Key Results (Objetivos e Resultados Chaves) -, é provável que os ajustes sejam menores que o habitual nesta etapa, já que você terá feito uma parte disso no final do primeiro trimestre.

Você deve estar se perguntando: por quê? Uma gestão por OKRs prevê ajustes frequentes no plano de execução da estratégia, geralmente a cada três meses, o que faz com que o time esteja revisitando o que foi proposto com bastante frequência, conseguindo assim identificar, com mais foco e clareza, os acertos e os erros cometidos, sendo possível recalcular a rota quando necessário.

O ponto é que ao fazer esse balanço, a gestão passará a ter todos os dados atualizados e consolidados, construindo uma base cada vez mais sólida para tomar decisões assertivas. Isso diminui riscos e melhora a capacidade de resposta frente às mudanças do mercado ou eventuais imprevistos, afinal, tudo acontece tão rápido que muitas vezes não é possível prever situações, especialmente externas.

Com o diagnóstico do semestre em mãos, o time pode começar a realizar um planejamento eficaz para os próximos seis meses do ano. O objetivo é que a empresa consiga atuar de forma proativa, corrigindo rumos, aproveitando oportunidades e garantindo seu espaço no mercado. Implementar esse tipo de controle periódico é um passo importante rumo à profissionalização e ao crescimento sustentável.

Minha visão é que na velocidade em que as coisas mudam hoje, aquele planejamento anual já caduca no final do primeiro trimestre. Se você ainda não está pronto para rever trimestralmente o plano, que pelo menos ajuste a cada semestre. Por ser mais frequente, serão ajustes menores e com menor distância da realidade do início do planejamento, facilitando a avaliação das premissas que não funcionaram e o ajuste de rota.
 




Pedro Signorelli - um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/


CESAR School abre 5 mil vagas gratuitas em tecnologia pelo programa FAST

Iniciativa oferece duas trilhas de aprendizagem voltadas para quem deseja acelerar a carreira ou fazer transição profissional


Diante da crescente demanda por profissionais capacitados em tecnologia, a CESAR School lança as inscrições para o programa FAST, uma iniciativa nacional que oferece formações gratuitas voltadas ao setor de inovação. Ao todo, serão disponibilizadas 5 mil vagas para todo o Brasil, divididas em 20 turmas. A proposta é acelerar o acesso de diferentes perfis profissionais ao mercado de tecnologia, promovendo inclusão, equidade e capacitação prática. Interessados podem se inscrever no site a partir de hoje, 3 de junho. 

Com início das aulas em 14 de julho, a iniciativa integra o MCTI Futuro, programa de Capacitação Nacional de iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, com coordenação da Softex e parceria da CESAR School, empresa beneficiária da Lei de TIC (Lei n°8.248/1991) e ICTs credenciadas ao CATI (Comitê da Área de Tecnologia da Informação). O FAST é voltado a estudantes, profissionais em transição de carreira e pesquisadores interessados em atuar com desenvolvimento tecnológico.

As atividades do programa são organizadas em duas capacitações: FAST Aceleração e FAST Transição. A primeira é voltada para profissionais que desejam impulsionar suas carreiras nas áreas de Design Orientado por Dados, Engenharia de Plataforma e Engenharia de Qualidade de Software. Já a segunda é direcionada a quem busca iniciar uma nova trajetória profissional, com foco nas áreas de Cibersegurança e Computação em Nuvem. Ambas possuem carga horária de 80 horas e são oferecidas por meio de aulas ao vivo, promovendo uma formação dinâmica, interativa e alinhada às demandas do mercado.

Além do conteúdo técnico de excelência, o programa tem como diferencial a vivência prática, com conteúdos alinhados às demandas do mercado e apoio à empregabilidade pós-programa. Essa imersão no mercado proporciona uma formação alinhada aos desafios reais da indústria e às competências exigidas pelo futuro do trabalho.

Com mais de 9 mil certificações emitidas entre 2022 e 2024, o FAST reafirma compromisso com a inclusão e acesso à inovação. “O FAST é uma ponte entre quem deseja começar ou se reinventar na área de tecnologia e as oportunidades de um setor que está em constante crescimento. A CESAR School acredita na educação como vetor de transformação e esse programa é mais uma iniciativa para tornar a inovação acessível a todos", afirma Jana Branco, Gerente de Projetos da CESAR School.


SOBRE  

O CESAR é o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, referência no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta complexidade, com impacto para toda a sociedade. Atua, há quase 30 anos, integrando pesquisa, aceleração de negócios e tecnologia para elevar organizações a um novo patamar de competitividade, além de educação, por meio da CESAR School. 

Sediado no Recife, no coração do Porto Digital, um dos principais parques tecnológicos da América Latina, entrega mais de 130 projetos por ano em parceria com grandes empresas globais, formou mais de 9 mil pessoas, e impulsionou, nos últimos dois anos, mais de 700 startups, contando, hoje, com mais de 1.400 colaboradores e expandiu os negócios para a Europa, com sede em Aveiro, Portugal. 


SERVIÇO

Inscrições abertas para o FAST

Início: 03 de junho

Vagas: 5 mil vagas

Capacitações gratuitas: FAST Aceleração e FAST Transição


Para empresários, governo quer usar IOF para fazer política monetária

Freepik

Enquanto a expectativa é por racionalidade e corte de gastos, o aumento do imposto é uma contradição, na avaliação dos participantes da reunião de conjuntura da ACSP, pois transforma um imposto regulatório em arrecadatório

No centro das discussões entre o governo e o Congresso, o aumento do IOF, um imposto usado pela União para fazer ajustes na economia, pode transformá-lo em um imposto simplesmente arrecadatório. A avaliação é de empresários e economistas que participaram da reunião do Comitê de Avaliação de Conjuntura da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizada na quinta-feira (29). A pedido da ACSP, os nomes dos participantes desta reunião não são divulgados. 

Estimativa da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) aponta que o custo do crédito, caso a medida seja aprovada, pode aumentar até 40% - o que deve afetar não só o consumidor, mas o pequeno e médio empresário, afirmou um representante do agronegócio. 

Em sua análise, a percepção é que, se o governo diz que vai arrecadar R$ 20 bilhões esse ano e R$ 40 bilhões no ano que vem, significa que vai continuar a gastar e, em consequência, aumentar o IOF. "É essa a mensagem que o governo passou: a hora que quiser mais dinheiro, é só aumentar alíquota. É um desastre, é assim que se desgoverna o país."

Para um empresário do varejo de material de construção, essa é uma espécie de 'confissão de culpa' por parte do próprio governo, de arrecadar mais porque precisa cobrir um furo na meta fiscal.

Um representante do mercado financeiro confirmou: as medidas tomadas mostram claramente que há um governo que, no campo econômico, tem um lado ideológico, deixando o ministro da Fazenda encarregado de resolver uma tarefa impossível. Por isso, a decisão de aumentar o IOF passa mais informações do que simplesmente impactos numéricos.

"Se for mantida do jeito que está, de risco sacado, de desconto duplicado dos recebíveis, o impacto no custo será de 10 pontos percentuais", afirmou. "Se a taxa média é em torno de 19%, segundo dados do Banco Central, o custo do IOF vai passar para 29% ao ano."

No conjunto das operações que seriam atingidas por essa majoração do IOF, continuou, o aumento seria de mais ou menos 25% do crédito total, um impacto em torno de cinco pontos percentuais. Isso também equivale, de acordo com o modelo do Banco Central, a um impacto na Selic de três pontos percentuais, como se a taxa tivesse passado de 14,75% para 17,75%.

No passado, o IOF era definido pelo Conselho Monetário Nacional, lembrou, mas passou a ser definido pelo Ministério da Fazenda. "O governo quer fazer política monetária usando o IOF, e isso é totalmente inadequado", afirmou. 

Por isso, os sinais de que esse aumento tem mais a ver com o aspecto arrecadatório do que qualquer coisa - uma mensagem ruim, em sua avaliação. "A campanha de 2026 já está aí, e com o governo querendo fazer ajustes do lado da despesa. Isso pode fazer os agentes econômicos ficarem receosos de virem outros possíveis aumentos." 

Sinais de desaceleração

Fazendo um paralelo com 'um motorista que pisa no freio e no acelerador ao mesmo tempo', o representante dos bancos destacou que, mesmo com a economia aquecida, que é um dos objetivos do governo, junto a uma taxa de juros em patamar elevadíssimo - o que não faz muito sentido -, a expectativa é assistir a uma diminuição da previsão de crescimento da economia, caso a medida vingue no Congresso.  

Na inflação, o impacto pode ser ambíguo, pois, diferentemente da Selic, o IOF pode simplesmente gerar um efeito negativo sobre o indicador. Por outro lado, alertou, as pequenas e médias empresas serão as mais atingidas pela alta.

"Temos uma esfinge à frente. O ministro da Fazenda procura um mínimo de racionalidade econômica, mas o governo pratica racionalidade política. Isso não casa com a situação atual do Brasil."

A opinião foi compartilhada por um economista presente à reunião: com esse impasse, do Ministério da Fazenda querendo segurar as pontas e o governo querendo gastar, a expectativa, segundo ele, é que o Congresso tome uma decisão mais aguerrida, e que o governo encontre outra saída para o problema das contas.

"Se o IOF passar, o que eu vejo pela frente, e o próprio Boletim Focus prevê, é a queda do crescimento ao longo do ano. Porque essa taxa do primeiro trimestre (1,4%) veio muito pelo setor agrícola (12,2%), e não vai ser possível repeti-la."

Perguntado se todo o volume de recursos injetados na economia, como a liberação do FGTS e o novo crédito consignado do trabalhador, já seria suficiente para impactar a política monetária, o representante dos bancos voltou a fazer a comparação de pisar no freio e no acelerador.

"Só vai fazer o carro rodar. Mas é a sanha do governo, totalmente política e eleitoreira, a praticamente um ano das eleições. O que se espera é se realmente vão conseguir manter, pelo menos esse ano, um PIB acima de 2,5%. A expectativa é que ele dê uma 'escorregada', mas o que nós sabemos é que em 2027 teremos um encontro com a verdade", afirmou. 

Ou seja, se agora o governo se vê quase 'obrigado' a tomar uma medida heterodoxa como a do IOF, o próximo governo assumirá em uma situação fiscal pior que a de hoje, e não vai escapar de enfrentar esse problema. "Aí, só tem duas maneiras: ou corta despesas, ou permite uma inflação. Porque esse nível de taxa de juros em que estamos hoje está insustentável."

Para outro economista, já existem sinais de desaceleração, apesar de não serem muito claros ainda, no geral. Estes devem se mostrar mais nítidos a partir do segundo semestre de 2025, já que o primeiro trimestre foi beneficiado pela expansão do agro e do consumo.

"Temos de ver como vai ficar o IOF, mas o aumento do custo de vida e a queda da massa de rendimentos já sinalizam o início de uma desaceleração", confirmou. "A única coisa que tem chamado atenção é a resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho, e isso continua no radar."

Setores se mobilizam

O representante do agro voltou a criticar o governo por já ter aumentado o IOF para operações com moeda estrangeira já que, segundo ele, "entrou bastante dinheiro do agro do exterior". Porém, em sua avaliação, o governo errou em mexer no imposto no atual momento, em que o setor enfrenta problemas ligados ao crédito.

Entre eles, a inadimplência e o aumento dos pedidos de recuperação judicial, puxados principalmente pela alta da taxa de juros, além dos problemas de insolvência em larga escala dos agricultores do Rio Grande do Sul, que ainda sofrem os efeitos das enchentes de 2024.

"Os produtores estão em pé de guerra com o Ministério da Agricultura, que acaba de prometer que conseguirá uma medida ampla, geral e irrestrita para securitização do crédito agrícola", sinalizou. 

Por isso, afirmou, mesmo que não esteja com as contas em dia, não é hora de o governo aumentar imposto em um setor tão estratégico, e não é à toa, disse, que a reação em Brasília tem impressionado. "Há muito tempo não vejo unanimidade em todas as confederações de todos os setores, e não só na agricultura e na indústria, mas no comércio, serviços, todos juntos e com a promessa de que vão derrubar o IOF. Se o governo não recuar, todos estão organizados para tomar uma medida rara no Brasil, que é derrubar por decreto legislativo se for preciso." 



Karina Lignelli
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/para-empresarios-governo-quer-usar-iof-para-fazer-politica-monetaria


Dia mundial da bicicleta: 7 roteiros sobre duas rodas para fazer ao redor do mundo

Em celebração à data, a Civitatis selecionou sete roteiros que têm a bike como forma prática, sustentável e envolvente de explorar novos destinos

 

Em comemoração ao Dia Mundial da Bicicleta, celebrado no próximo dia 3 de junho — data proclamada pelas Nações Unidas com o objetivo de incentivar o uso desse meio de transporte como forma de promover o desenvolvimento sustentável, a atividade física e a inclusão social —, a Civitatis, plataforma líder na venda de passeios e atividades em português em mais de 160 países, compartilhou uma seleção com alguns dos roteiros de bicicleta mais escolhidos nas Américas e na Europa. 

“As pessoas estão cada vez mais em busca de experiências que unam bem-estar, aventura e conexão com os destinos. O cicloturismo reflete esse novo perfil de viajante e vem crescendo tanto no Brasil quanto em outros continentes. Na Civitatis, vemos esse interesse se traduzir em mais reservas e avaliações positivas em roteiros que valorizam o contato com a natureza e a cultura local”, explica Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis no Brasil. 

“Explorar um destino de bicicleta é vivenciar a viagem em um compasso diferente, com um meio de transporte leve, sustentável e acessível. Além dos benefícios para a saúde e para o meio ambiente, essa forma de viajar aproxima o turista da natureza e das comunidades locais. É uma maneira mais consciente e envolvente de conhecer o mundo — e é por isso que tantas pessoas têm optado por pedalar enquanto descobrem novos lugares”, complementa Alexandre Oliveira. 

Nesse contexto, para celebrar o valor único e a versatilidade da bicicleta como meio de transporte, lazer e sustentabilidade, a Civitatis apresentou a seguinte seleção das rotas de cicloturismo mais recomendadas do mundo, segundo sua equipe de curadores especializados e a avaliação de milhares de viajantes:

 

1- Central Park (Nova York, Estados Unidos)




Pedalar pelo Central Park é um dos circuitos de cicloturismo mais famosos e procurados da plataforma. O tour de bicicleta pelo Central Park disponível na Civitatis percorre um dos maiores parques urbanos do mundo, localizado no coração de Nova York, com 75 quilômetros de trilhas exclusivas que passam por pontos icônicos como Strawberry Fields, o Castelo Belvedere e o Jardim de Shakespeare.

 

2- Circuito Chico (Bariloche, Argentina)

 



O tour de bicicleta pelo Circuito Chico da Civitatis, em Bariloche, cobre uma rota de 32 quilômetros ao longo da margem do lago Nahuel Huapi, passando por cachoeiras e riachos que descem da cordilheira, pelo tradicional hotel Llao Llao, pela base do Cerro López e pela charmosa vila de Colonia Suiza, proporcionando cenários inesquecíveis da Patagônia argentina.

 

3- Colônia do Sacramento (Uruguai)




O passeio de bicicleta por Colônia do Sacramento oferecido pela Civitatis permite descobrir o encanto dessa cidade histórica uruguaia enquanto se aprecia sua paisagem e arquitetura únicas. O trajeto parte da Prefeitura e passa por pontos turísticos como o Real de San Carlos, a icônica Plaza de Toros, o antigo Hotel Cassino, a Usina, o Frontón de Pelota Basca, os vestígios do antigo cais, a capela San Benito e a Rambla às margens do Rio da Prata.

 

4- Rio de Janeiro (Brasil)




O tour de bicicleta pelo Rio de Janeiro percorre pontos emblemáticos da cidade maravilhosa. A rota parte de Copacabana e passa pela baía de Guanabara, Praia do Flamengo, Cinelândia, Arcos da Lapa e o Parque do Flamengo, projetado por Burle Marx. O trajeto também contempla paradas culturais, como o Teatro Municipal e a Biblioteca Nacional, finalizando com vista para o Pão de Açúcar.

 

5- Campos holandeses (Amsterdam, Holanda)




O passeio de bicicleta pelos campos holandeses é a melhor opção para explorar uma das regiões mais bonitas nos arredores de Amsterdam. Ele começa com a travessia do canal IJ em balsas que ligam a Estação Central ao bairro de Noord, passa por famosos moinhos de vento, campos de pasto e o bairro boêmio de Nieuwendam.

 

6 – Paris (França)






Conhecer Paris de bicicleta é uma forma diferente e envolvente de explorar os principais cartões-postais da capital francesa. O tour de bicicleta em Paris percorre pontos icônicos como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a Praça da Concórdia, o Centro Pompidou e o Museu do Louvre. É uma experiência que permite ao viajante se deslocar como um verdadeiro parisiense e apreciar a Cidade Luz com mais liberdade e charme.

 

7 – Cinque Terre (Itália)



O passeio de bicicleta elétrica por Cinque Terre da Civitatis oferece uma imersão única nos cinco povoados que são Patrimônio da Humanidade. A rota parte de Monterosso al Mare e passa por mirantes com vistas impressionantes do mar da Ligúria, trilhas entre vinhedos em terraços e paradas em santuários históricos como Soviore e Vernazza. Uma forma ativa e confortável de vivenciar as paisagens espetaculares do Parque Nacional de Cinque Terre.
 

Civitatis


segunda-feira, 2 de junho de 2025

Estoque em alerta: menos de 2% da população doa sangue e hospitais enfrentam riscos silenciosos

Junho Vermelho reforça importância da doação regular para garantir cirurgias, tratamentos e atendimentos de emergência; cada doação pode salvar até quatro vidas
 

Imagine ter uma cirurgia urgente ou um tratamento adiado por falta de sangue disponível. Embora pareça um cenário extremo, ele é mais comum do que se pensa e acontece em diversos hospitais do país.

Neste Junho Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre a doação de sangue, o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, no Rio de Janeiro, lança um alerta: o estoque de sangue é um recurso vital que depende, exclusivamente, da solidariedade da população. 

“Em muitos momentos, trabalhamos no limite. A transfusão sanguínea é parte essencial de diversos procedimentos e tratamentos, mas não pode ser fabricada em laboratório. O sangue só vem de doadores”, explica a médica Maria Cristina Pessoa dos Santos, responsável pela Agência Transfusional da unidade. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1% a 3% da população de um país deveria doar sangue anualmente para atender à demanda mínima dos sistemas de saúde. No Brasil, esse índice ainda está abaixo do ideal, especialmente em períodos críticos como feriados prolongados ou datas festivas, quando o número de doações costuma cair drasticamente.
 

Doação regular é o que salva vidas

Em um país com 10 milhões de habitantes, por exemplo, seria necessário que pelo menos 100 mil pessoas doassem sangue ao longo do ano para manter os estoques em níveis seguros.

Quando isso não acontece, vidas podem ser colocadas em risco, desde recém-nascidos internados até pacientes com câncer, vítimas de acidentes graves ou mulheres em situação de parto de risco.

“A cada doação, conseguimos separar diferentes componentes (hemácias, plaquetas e plasma) que são utilizados em diferentes pacientes, com necessidades específicas. Uma única bolsa pode beneficiar até quatro pessoas. Ou seja, o impacto é real, imediato e transformador”, ressalta Maria Cristina.
 

Mais que um ato de solidariedade, um compromisso com a vida

A médica destaca, ainda, que a doação de sangue não leva mais que 40 minutos e é um procedimento seguro, que não traz riscos à saúde do doador. Ainda assim, mitos e desinformação afastam possíveis voluntários.

“Muita gente ainda acredita que doar sangue enfraquece, ou que precisa estar em jejum. Outros pensam que é necessário conhecer alguém que esteja precisando para doar. Isso não é verdade. A doação deve ser feita de forma voluntária e regular para que o sistema funcione preventivamente, e não de forma emergencial”, explica.

Segundo ela, a cultura da doação espontânea ainda precisa ser fortalecida no Brasil. “É preciso entender que doar sangue é tão importante quanto votar, se vacinar ou separar o lixo reciclável. É um gesto cívico e social que pode fazer diferença direta na vida de alguém”.

Quem pode doar?

Para ser um doador de sangue, é necessário:

  • Estar em boas condições de saúde;
  • Ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 precisam de autorização dos responsáveis);
  • Pesar acima de 50 kg;
  • Estar alimentado e evitar alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação;
  • Apresentar um documento oficial com foto.

Pessoas com gripe, febre, gestantes ou em uso de determinados medicamentos devem aguardar antes de doar. Em caso de dúvida, é sempre recomendável procurar um hemocentro para obter informações seguras.


Faça parte dessa rede de cuidado

O Mariska Ribeiro reforça o compromisso com a vida e convida a população a aderir à campanha de doação de sangue não apenas neste mês, mas ao longo de todo o ano.

“Você não precisa ser famoso, nem um super-herói, para salvar vidas. Basta doar. É simples, rápido e tem um impacto incalculável. Precisamos de mais gente comprometida com o bem coletivo”, conclui Maria Cristina.


Onde doar?

Procure o hemocentro mais próximo da sua residência ou verifique com as unidades de saúde da sua cidade sobre postos de coleta. No Rio de Janeiro, o Hemorio, que coordena a rede de hospitais públicos do Estado, recebe doações todos os dias, incluindo feriados, das 7h às 18h. Mais informações podem ser acessadas pelo canal Disque Sangue: 21 3916-8310. 



Hospital da Mulher Mariska Ribeiro - localizado na zona Oeste do Rio de Janeiro


CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


CRCSP reforça importância da doação de sangue em campanha do Junho Vermelho

Iniciativa destaca a importância da doação de sangue e mobiliza profissionais da contabilidade durante o Junho Vermelho. 

 

O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP) adere, neste mês, à campanha Junho Vermelho, voltada à conscientização sobre a importância da doação de sangue. A ação institucional reforça o compromisso do CRCSP com causas sociais e mobiliza a classe contábil a abraçar esse gesto simples, solidário e vital. 

O objetivo da iniciativa é sensibilizar os profissionais da contabilidade e a sociedade sobre a necessidade da doação voluntária e regular de sangue. Um único doador pode salvar até quatro vidas e, com a chegada do inverno, os estoques dos hemocentros tendem a cair, tornando o ato ainda mais necessário. 

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2023, cerca de 1,6% da população brasileira realizou doações de sangue no Sistema Único de Saúde (SUS), totalizando aproximadamente 3,2 milhões de bolsas coletadas no ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, recomenda que entre 1% e 3% da população de cada país seja doadora regular, para que os estoques se mantenham em níveis seguros. 

No Estado de São Paulo, a Fundação Pró-Sangue, principal hemocentro da capital, registrou, apenas em 2024, mais de 109 mil bolsas coletadas, número expressivo, mas ainda distante do ideal diante da alta demanda dos hospitais públicos e privados. 

Diante desse cenário, o CRCSP reforça, mais uma vez, a importância da doação de sangue como um gesto de cidadania e empatia. A entidade reconhece o potencial de mobilização da classe contábil e acredita que cada profissional pode ser um agente de transformação social. 

“Nosso papel vai além da contabilidade. Acreditamos que pequenas atitudes, como doar sangue, têm um impacto imensurável na sociedade. Por isso, reforçamos a importância do Junho Vermelho como um chamado à empatia e à vida,” afirma João Carlos Castilho Garcia, presidente do CRCSP. 

 


Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo - CRCSP

Abordagem oferece reconstrução mamária com o próprio tecido da paciente, promovendo resultados mais naturais, recuperação confortável e maior bem-estar físico e emocional.

 

A reconstrução mamária após a mastectomia é um passo decisivo no processo de cura para inúmeras mulheres, já que mais do que restaurar a anatomia do corpo, ela ajuda a recuperar a autoestima, a imagem corporal e a sensação de integridade. Entre as opções disponíveis para a reconstrução mamária, a técnica de reconstrução com retalho DIEP (Deep Inferior Epigastric Perforator), que tem se destacado como uma das mais avançadas e completas do cenário atual. 

Diferente da reconstrução com implantes de silicone, por exemplo, o retalho DIEP utiliza o próprio tecido da paciente (pele e gordura do abdômen) para criar uma nova mama. Por conta de utilizar tecido do próprio corpo, o resultado é uma mama de aparência e toque mais natural, com contorno suave, ausência de corpo estranho e risco reduzido de complicações no longo prazo. Além disso, como não envolve o uso de próteses, elimina-se a possibilidade de rejeição, ruptura, contratura ou necessidade de futuras trocas cirúrgicas. 

A técnica é considerada menos invasiva em comparação com outros tipos de retalhos, como o TRAM, já que preserva completamente os músculos do abdômen, reduzindo drasticamente o risco de hérnias, dores crônicas e perda de força muscular na região abdominal, oferecendo uma recuperação mais tranquila e confortável. 

“A principal vantagem do retalho DIEP está na combinação de naturalidade estética, segurança e longevidade dos resultados. A paciente se beneficia de uma mama reconstruída com seu próprio tecido, sem a necessidade de implantes, o que diminui significativamente as chances de complicações futuras e melhora a qualidade de vida a longo prazo”, explica Dr. Washington Lima, diretor técnico do CRMA e especialista em microcirurgia reconstrutiva. 

O DIEP também proporciona um bônus estético: como o tecido é retirado da parte inferior do abdômen, o resultado lembra o de uma abdominoplastia, remodelando e afinando o contorno corporal. Outro diferencial cada vez mais valorizado pelas pacientes é a possibilidade de preservar ou até recuperar parte da sensibilidade da mama reconstruída, isso porque utilizando técnicas microcirúrgicas avançadas, é possível reconectar nervos sensoriais do abdômen aos nervos torácicos, aumentando as chances de uma resposta tátil após a cicatrização. 

“A sensibilidade na mama reconstruída traz um benefício psicológico enorme. Muitas pacientes relatam que se sentem 'inteiras' novamente, o que mostra que o DIEP não reconstrói apenas a mama, mas contribui profundamente na reconstrução da identidade feminina”, completa Dr. Washington.

 

Vantagens do retalho DIEP em comparação com implantes mamários:

·         Reconstrução 100% autóloga (com tecido da própria paciente);

·         Ausência de corpo estranho: sem risco de ruptura, rejeição ou contratura capsular;

·         Preservação da musculatura abdominal, com menor risco de hérnias e dor crônica;

·         Possibilidade de simetria mamária mais precisa e sensação tátil natural;

·         Melhora do contorno corporal com efeito semelhante a uma abdominoplastia;

·         Resultados permanentes, sem necessidade de trocas futuras. 

O DIEP é indicado para pacientes que tenham tecido abdominal suficiente, não tenham passado por abdominoplastias prévias e possuam bons vasos sanguíneos na região abdominal. Casos de reconstrução imediata (simultânea à mastectomia) e tardia (meses ou anos após a mastectomia) podem ser beneficiados por essa técnica. 

“É importante lembrar que cada caso deve ser avaliado individualmente. A escolha da técnica reconstrutiva deve levar em conta o histórico clínico da paciente, suas preferências e objetivos pessoais. A reconstrução ideal é aquela que respeita o corpo e a trajetória da mulher”, finaliza Dr. Washington Lima. 

O futuro da cirurgia reconstrutiva caminha para soluções cada vez mais personalizadas e biocompatíveis. O retalho DIEP representa esse novo padrão: reconstrói a mama, respeita o corpo da paciente e oferece resultados que vão além da estética. 





CRMA


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