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segunda-feira, 2 de junho de 2025

Indústria e varejo tratam os 50+ com descaso e perdem oportunidades

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O número de pessoas com mais de 50 anos no Brasil já supera 55 milhões, ou 26% da população, de acordo com o último censo do IBGE.

Se os mais velhos não param de ganhar participação no mercado consumidor, a questão que surge é: os 50+ estão sendo bem atendidos pelas indústrias e pelos varejistas?

Duas estudiosas deste público, Marlety Gubel e Christine Pereira, foram buscar as respostas para essas e outras perguntas em uma pesquisa realizada no início deste ano.

A constatação é a seguinte: os chamados ‘cabeças prateadas’ estão longe de serem atendidos em oferta de produtos e serviços. Mais: eles têm poder econômico e influência no consumo.

A partir de questões de múltiplas escolhas aplicadas nas redes sociais Linkedin, Instagram e Facebook, Marlety e Christine obtiveram respostas que são sugestões para a indústria e o varejo.

O que você acha de produtos para os 50+? Cerca de 80% dos entrevistados responderam ‘Falta muita oferta’.

Os 50 + têm poder de decisão e influenciam no consumo? Todos os participantes (100%) foram unânimes: ‘Sim, são muito influentes’.

Sua empresa está preparada para atender os 50 +? ‘Ainda não, mas é prioridade’ teve 80% das respostas dos participantes.

Pesquisa da Data8 já constatava, em 2022, que 54% da faixa dos consultados, de 50 a 75 anos, não se sentiam representados pela mídia e pelas marcas.

No quesito vestuário, calçados e acessórios, o percentual era maior, de 56%. No de alimentos, 40%, no de turismo, 36% e, no de produtos de beleza e higiene pessoal, 27%.

Cléa Klouri, sócia-fundadora e Head de Relacionamento com o Mercado da Data8, diz que, seguramente, hoje, esses percentuais são no mínimo iguais ou maiores.

“Os 50 + não são mais nichos, são os donos do dinheiro, e não é uma onda, é uma nova geração tão importante quanto foi a dos adolescentes no século passado”, diz Marlety.

O estudo da empresa de consultoria Data8 revela que o público 50 + representa 24% do consumo das famílias, R$ 1,8 trilhão, percentual que deve subir para 35% em 2044 (R$ 3,8 trilhões).

Esses números e pesquisas feitas com esse público, diz Marlety, revelam que esses consumidores, insatisfeitos e maltratados, são a bola da vez no mercado brasileiro.

“Uma pessoa de 60 anos hoje equivale a uma de 40 anos no passado”, afirma. Um cenário que exige produtos, serviços, atendimento, lojas adaptadas para essa faixa etária.

Ela cita como exemplo algo que parece simples para a indústria da moda, como opções de roupas com cortes apropriados para os 50+, como peças que não prendam a barriga.

Na pesquisa realizada pelas duas pesquisadoras no início do ano, os setores de moda e beleza e imóveis e soluções tech aparecem como os prioritários para o público acima de 50 anos.

A Data8 identificou em suas pesquisas que a evolução da longevidade deve provocar um crescimento em alguns setores, como saúde, habitação, educação, vestuário e alimentação.

“Para esses setores, a expectativa é de aumento considerável de consumo, especialmente da faixa de 50 a 54 anos”, afirma Cléa.

Os 50 + também estão ganhando participação nas vendas do varejo de autosserviços, de acordo com levantamento da Varejo 360, com base em tíquetes enviados por consumidores.

Em 2022, essa participação era de 26,72%, em 2023, de 27,88%, em 2024, de 32,18% e, neste ano, de 35,75%.

Nas drogarias, a fatia é ainda maior, pulou de 33,77% em 2022 para 40,66% neste ano. Nos hortifrutis, os gastos dos 50 + chegaram a 43,63% das vendas das redes no ano passado.

Oportunidades

O fato de não haver oferta de produtos e tratamento adequado nas lojas, como constatam pesquisas, dizem elas, revela que as empresas estão perdendo oportunidades.

“Nas compras pela internet, pesquisas mostram que o tíquete médio dos 50 + é três vezes maior do que o de um jovem”, afirma Marlety.

“E a fidelidade do público 50 + é 50% maior que a dos millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012)”, diz Cléa.

“O Brasil é um país de jovens, se comparado com os de outros continentes, mas a tendência é de envelhecimento da população”, diz Fernando Faro, fundador e COO da Varejo 360.

Em 2023, pelo quinto ano seguido, o Brasil registrou uma queda na natalidade. Foram 2,52 milhões de nascimentos, 0,7% menos do que em 2022.

Combinada com o aumento de expectativa de vida, de 76,4 anos, em 2023, a consequência natural é a elevação do número de idosos.

Quando comparada com países vizinhos, de acordo com Cléa, a ‘economia prateada’ no Brasil, com taxa moderada de envelhecimento, deve ter uma curva maior de crescimento.

No Uruguai, os 50+ representam 33% do consumo da população. Na Argentina e no Chile, 28% e, no Paraguai, 19%, de acordo com pesquisa do Data8 em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Falhas

As falhas de atendimento do varejo para esse público podem ser vistas em uma simples ida ao supermercado, de acordo com Marcos Escudeiro, pesquisador e conselheiro de empresas.

“Com a idade, ações simples, como empurrar carrinhos, alcançar produtos nas prateleiras, ler etiquetas de preços se tornam mais difíceis. Não vejo os lojistas preocupados com isso”, diz.

Problemas de visão e audição, diz, afetam diretamente a experiência de compra.

“Letras pequenas nas embalagens, má iluminação e ruído excessivo nos ambientes acabam transformando a ida aos supermercados em um desafio para os 50 +”, diz.

Para muitos idosos, a ida ao supermercado é uma oportunidade de manter a autonomia e se socializar. “Os funcionários precisam estar treinados e preparados para atendê-los”, diz.

A falta de preparo de funcionários no atendimento, de acordo com Escudeiro, é um problema estrutural do varejo e pior ainda quando se trata da população idosa.

“Os 50 + precisam, geralmente, de mais tempo para a compra, explicações claras sobre produtos e preços e uma atenção personalizada”, diz.


Sugestões

Escudeiro cita alguns pontos que podem ajudar os supermercados a atender melhor a população com mais de 50 anos.

Comunicação clara e simples sobre produtos e promoções, empatia e respeito às limitações, ajuda prática com sacolas, carrinhos e locomoção, suporte no uso de self-checkouts e aplicativos e conhecimento de ferramentas assistivas, como lupas e carrinhos adaptados.

Escudeiro e Cléa também mencionam a necessidade de produtos mais acessíveis nas prateleiras, áreas com assentos para descanso e caixas prioritários sinalizados e operados por funcionários treinados para lidar com os idosos.

Cléa lembra que, de maneira geral, os 50 + não querem ser excluídos, querem ser incluídos. “Não adianta uma loja ter uma vitrine somente para idosos. O importante é ter produtos e serviços também com um olhar para este público”, afirma.

A mulher, diz ela, quando entra na menopausa, tem o corpo alterado e, o homem, geralmente, engorda, o que sugere uma preocupação maior com modelagem e tamanhos das roupas.

No caso de produtos de beleza, em sua avaliação, não é mais o caso de falar de produtos anti-idade, mas, sim, pró-idade, por exemplo.

“O varejo precisa ter estrutura com um olhar para a longevidade. “Quem aproveitar essas oportunidades, vai sair na frente”, afirma.

 

Fátima Fernandes
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/industria-e-varejo-tratam-os-50-com-descaso-e-perdem-oportunidades

Pessoas com deficiência e a urgência da inclusão real

O Censo Demográfico de 2022, divulgado no último dia 23 de maio, trouxe à luz um dado que deveria ocupar o centro do debate público: o Brasil tem hoje 14,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais de idade. Por trás dessa estatística há realidades complexas, muitas delas marcadas por desigualdade, desinformação e negligência institucional. 

Os dados do IBGE mostram que a deficiência — definida como grande dificuldade ou impossibilidade de enxergar, ouvir, andar, manusear objetos ou exercer funções mentais — é mais prevalente entre mulheres (8,3 milhões) e pessoas pretas (8,6 milhões). A concentração no Nordeste (8,6% da população da região) expõe a interseção entre deficiência e pobreza, indicando que a vulnerabilidade social é, muitas vezes, o terreno fértil onde nascem e se agravam essas limitações. 

Esse cenário impõe um desafio ao sistema de seguridade social brasileiro, cuja resposta, embora prevista em lei, ainda está distante da efetividade. Existem mecanismos como a aposentadoria especial por idade ou tempo de contribuição, calculada conforme o grau da deficiência, e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a pessoas em situação de vulnerabilidade sem histórico contributivo. Também há o Auxílio-Inclusão, uma tentativa recente de incentivar a permanência no mercado de trabalho. 

A aposentadoria por idade, por exemplo, exige 15 anos de contribuição ao INSS, com idade mínima de 55 anos para mulheres e 60 para homens. Já a aposentadoria por tempo de contribuição varia conforme o grau da deficiência — grave, moderada ou leve —, permitindo aposentadorias a partir de 20 anos (mulheres) ou 25 anos (homens), nos casos mais severos. 

Contudo, entre o direito e o acesso a ele existe uma lacuna significativa. Muitos brasileiros com deficiência sequer conhecem esses benefícios. 

A burocracia, a escassez de orientação especializada e a dificuldade de compreensão das normas e procedimentos criam um bloqueio silencioso, que restringe o exercício pleno da cidadania. A informação, nesse contexto, torna-se uma ferramenta essencial — e, infelizmente, ainda subestimada. 

O Estado tem a responsabilidade não apenas de garantir benefícios sociais, mas de torná-los acessíveis no sentido mais amplo do termo: com linguagem compreensível, canais de atendimento eficazes, material adaptado para pessoas com deficiência visual ou auditiva e orientação nos serviços públicos básicos, como postos de saúde, escolas e centros de assistência social. 

A sociedade, por sua vez, precisa superar a ideia de que inclusão é apenas oferecer apoio. Inclusão exige reconhecimento, escuta ativa e participação plena dessas pessoas em todas as esferas da vida social. É também papel dos meios de comunicação e da imprensa — como este jornal — manter o tema na pauta e colaborar para que a informação circule de forma responsável e acessível. 

O Brasil avançou em marcos legais e institucionais, mas ainda está distante de garantir a todas as pessoas com deficiência o direito de viver com autonomia e dignidade. O caminho rumo à inclusão plena passa, necessariamente, pela valorização da informação e pela garantia de acesso aos mecanismos de proteção social.

 

Ariane Maldonado - advogada e sócia do escritório Lopes Maldonado Advogados

 

Fim do PERSE: mesmo com possíveis ações na Justiça, empresas devem revisar seu planejamento tributário


A extinção do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), criado para apoiar empresas afetadas pela pandemia, representa um novo e significativo desafio para diversos setores da economia relacionados a turismo e eventos. Por mais que muitas dessas empresas estejam buscando na justiça a retomada desse benefício, enquanto isso não ocorrem as empresas terão que arcar com uma nova carga tributária. 

De acordo com a Receita Federal, os benefícios fiscais do programa atingiram o limite de R$ 15 bilhões em março de 2025, o que desencadeia a extinção dos incentivos no mês seguinte. A medida foi prevista pela Lei do PERSE, e com a chegada desse teto, empresas de vários segmentos, incluindo agências de viagens, operadores turísticos, restaurantes, e parques temáticos, terão que se adaptar a uma nova realidade sem o suporte dos incentivos fiscais. 

Esse cenário coloca muitas empresas, especialmente as que se beneficiaram diretamente do PERSE, em uma posição vulnerável, com a possibilidade de aumento na carga tributária. Antônio Queiroz, fundador da Queiroz & Venâncio Consultoria Contábil, reforça que "sem os incentivos fiscais do PERSE, as empresas terão que se adaptar rapidamente, e o planejamento tributário se torna essencial para otimizar os custos e garantir a continuidade dos negócios."

 

O impacto do fim do PERSE nas empresas

A extinção do PERSE afeta uma série de empresas, com destaque para aquelas que operam no setor de turismo, mas também se estende a outras atividades econômicas que receberam benefícios do programa, como restaurantes, bares, e operadores de parques de diversão. O benefício fiscal ajudou muitas empresas a manterem a regularidade fiscal durante a recuperação econômica, mas com a perda desse apoio, será necessário redobrar a atenção para os custos operacionais e os tributos. 

Para as empresas que se beneficiaram do programa, a transição exigirá não apenas o cumprimento das obrigações fiscais, mas também uma adaptação à nova realidade tributária. "As empresas precisam revisar urgentemente suas estratégias tributárias, buscando otimizar a carga tributária sem perder a conformidade fiscal", destaca Welinton Mota, diretor tributário da Confirp Contabilidade. 

Assim, o planejamento tributário se torna fundamental para evitar surpresas desagradáveis. As empresas precisam de uma estratégia clara que envolva a escolha correta do regime tributário, o controle rigoroso de tributos como ICMS, IPI, ISS, PIS, COFINS e IRPJ, além da regularidade nas obrigações acessórias, como a entrega das declarações fiscais. 

"Sem os benefícios do PERSE, as empresas precisam se planejar para lidar com a carga tributária de forma eficiente", afirma Welinton Mota. "Isso envolve, entre outros pontos, a revisão da estrutura tributária da empresa e o uso de incentivos fiscais disponíveis para o setor, garantindo que os tributos sejam pagos de maneira justa, sem sobrecarregar a empresa." 

Contar com o apoio da empresa de contabilidade é a chave para a sobrevivência e o crescimento das empresas no cenário pós-PERSE. Profissionais da área podem ajudar na escolha do regime tributário mais adequado, no acompanhamento da apuração de impostos e no planejamento financeiro de longo prazo. 

“Contadores especializados conhecem as especificidades dos setores que se beneficiaram do PERSE e sabem como otimizar a carga tributária de forma legal e eficiente, ajudando as empresas a evitar problemas fiscais e a se manterem competitivas”, afirma Antônio Queiroz. O acompanhamento próximo de um contador experiente pode fazer toda a diferença, especialmente quando a empresa se prepara para enfrentar um ambiente sem os benefícios do PERSE.

 

Cuidados contábeis essenciais

Para garantir uma transição tranquila após o fim do PERSE, as empresas devem tomar algumas medidas importantes:

  1. Emissão de Notas Fiscais e Apuração de Impostos: Garantir que todos os serviços prestados estejam corretamente documentados e que os impostos sejam apurados de acordo com a legislação vigente.
  2. Escolha do Regime Tributário: Definir o regime tributário mais vantajoso, levando em conta o faturamento da empresa e os serviços oferecidos.
  3. Controle Financeiro e Fluxo de Caixa: Monitorar de perto as receitas e despesas, mantendo a saúde financeira da empresa.
  4. Obrigações Acessórias: Cumprir com as obrigações fiscais periódicas, como a entrega das declarações DAS, DIRF e DCTF, para evitar autuações e multas.


Empresas que podem se beneficiar do PERSE

O benefício do PERSE foi destinado a empresas que estavam ativas no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) desde 18 de março de 2022 e que desempenham atividades específicas. Entre os setores beneficiados, estão:

  • Agências de Viagens (CNAE 7911-2/00)
  • Operadores Turísticos (CNAE 7912-1/00)
  • Restaurantes e Similares (CNAE 5611-2/01)
  • Bares e Estabelecimentos Especializados em Servir Bebidas (CNAE 5611-2/04, 5611-2/05)
  • Parques de Diversão e Temáticos (CNAE 9321-2/00)
  • Atividades de Organizações Associativas Ligadas à Cultura e Arte (CNAE 9493-6/00)

Essas empresas precisam ter se registrado no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) até 30 de maio de 2023 e estarem submetidas ao regime de apuração de lucro real, presumido ou arbitrado. O benefício não se aplica às empresas optantes do Simples Nacional.


Defesa Civil Alerta chega ao Nordeste com aviso em tempo real de desastres

Sistema que envia alertas em tempo real sobre desastres será testado em 36 cidades da região no dia 14 de junho


O sistema Defesa Civil Alerta, que emite avisos sonoros e mensagens diretamente nos celulares de quem está em áreas de risco, será ampliado para a região Nordeste. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (29), durante coletiva de imprensa com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e representantes do Ministério das Comunicações e da Anatel. 

No próximo dia 14 de junho, moradores de nove capitais nordestinas e outras 27 cidades da região receberão o primeiro alerta de demonstração. O objetivo é testar e familiarizar a população com a tecnologia, que já está em operação nos estados do Sul e Sudeste do país. 

“Tenho certeza de que mais vidas e patrimônios serão salvos com essa nova tecnologia. Este sistema é a inovação a serviço da vida das pessoas”, afirmou o ministro Waldez Góes. 

O Defesa Civil Alerta utiliza a rede de telefonia celular para enviar mensagens com som de sirene e aviso em tela cheia para aparelhos conectados às redes 4G ou 5G — sem necessidade de cadastro prévio. O conteúdo do alerta é elaborado pelas defesas civis estaduais, com orientações específicas para situações de risco, como chuvas intensas, inundações e deslizamentos. 

“Comunicar salvando vidas é um trabalho que traz muita satisfação. O Ministério das Comunicações seguirá apoiando a nacionalização do sistema”, destacou Thyago Braun, coordenador-geral de Estudos e Conectividade do MCom. 

Desde que foi implantado, o sistema já enviou 376 alertas, sendo 57 classificados como extremos, em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. A previsão é que o serviço esteja disponível em todo o Brasil até o fim de 2025.
 

Onde o alerta será testado

As mensagens serão disparadas simultaneamente em 36 municípios, incluindo todas as capitais do Nordeste. Confira as cidades:
 

Alagoas: Maceió, Marechal Deodoro, Pilar, São Luís do Quitunde

Bahia: Salvador, Ilhéus, Vitória da Conquista, Santa Cruz Cabrália

Ceará: Fortaleza, Aquiraz, Caucaia, Uruburetama

Maranhão: São Luís, Paço do Lumiar, Trizidela do Vale, Imperatriz

Paraíba: João Pessoa, Alagoa Nova, Itatuba, Coremas

Pernambuco: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Caruaru, Ipojuca

Piauí: Teresina, Uruçuí, Picos, Esperantina

Rio Grande do Norte: Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Extremoz

Sergipe: Aracaju, Barra dos Coqueiros, Estância, Lagarto
 

Com essa nova etapa, o Defesa Civil Alerta se consolida como um dos principais instrumentos de proteção da população brasileira diante de emergências climáticas — em especial em um contexto de eventos extremos cada vez mais frequentes.

 

Criminosos usam marcas famosas para novo golpe di

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Nova onda de ciberataques para roubo de dados mira os setores de moda e beleza com falsas vagas de empregos

 

Pesquisadores do Netskope Threat Labs identificaram uma nova campanha de ciberataques que usa falsas ofertas de emprego em marcas conhecidas do setor de moda e beleza para enganar profissionais e infectar computadores com um malware perigoso. O objetivo é ter acesso remoto ao sistema da vítima, permitindo desde espionagem até o roubo de dados sensíveis.

Entre as marcas utilizadas como isca estão a espanhola Bershka, a francesa Fragrance Du Bois, a indonésia John Hardy e a sul-coreana Dear Klairs. O golpe tem foco em pessoas que buscam cargos altos de marketing em empresas internacionais desse segmento.

Segundo a análise, a vítima recebe um arquivo disfarçado de PDF com uma suposta oferta de emprego. No entanto, ao abrir o documento, ela executa sem saber uma cadeia complexa de comandos ocultos, que instala o PureHVNC RAT, um programa que permite que a máquina seja controlada remotamente.

“A sofisticação dessa campanha mostra como os ataques hoje são altamente direcionados e exploram aspectos comportamentais das vítimas. Por isso, é essencial redobrar a atenção com e-mails ou mensagens que oferecem vagas atrativas, principalmente quando envolvem anexos ou links para download”, alerta Leandro Fróes, engenheiro sênior de Pesquisa de Ameaças da Netskope.

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Além das falsas vagas, os criminosos também simulam notificações sobre infrações de direitos autorais como outra forma de atrair as vítimas para o mesmo esquema.

O malware atua em diversas etapas para se manter escondido, como ocultação de comandos maliciosos dentro de arquivos aparentemente inofensivos, como vídeos ou documentos; criação de atalhos para se manter ativo mesmo após reiniciar o computador; e adaptação conforme detecta a presença de antivírus, evitando a identificação.

A recomendação da Netskope é que os candidatos sempre verifiquem a autenticidade das ofertas de emprego recebidas, desconfiem de arquivos com extensões duplas (como `.pdf.lnk`) e evitem abrir anexos ou clicar em links suspeitos.

A equipe da Netskope segue monitorando a evolução desse ataque e reforça que campanhas como essa tendem a se intensificar, aproveitando tendências de mercado e temas que mobilizam profissionais em todo o mundo.

Informações técnicas detalhadas sobre esta campanha podem ser encontradas no blog do Netskope Threat Labs.


Agronegócio: como superar os desafios do setor?

Não há como negar a potência econômica do agronegócio. Só no Brasil, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, essas exportações atingiram, em 2024, um montante de US$ 164,4 bilhões, sendo este o maior valor da série histórica, correspondendo a 4,9% do total do país. No entanto, mesmo em meio a um cenário altamente favorável, o setor enfrenta desafios que impactam diretamente na sua gestão e eficiência.

Entre os obstáculos enfrentados pelo segmento, se destacam, principalmente, exercer uma gestão de custos e a assertividade na elaboração de preços, considerando que se trata de um mercado dinâmico. Além desses aspectos, o agro também lida com outros desafios, desde o controle da cadeia produtiva, melhoramento no desempenho operacional, gestão de gastos, mão de obra, recursos produtivos, transporte até, em alguns casos, a resistência cultural.

Isso é, mesmo no atual contexto, algumas empresas do segmento ainda possuem uma mentalidade restrita ao uso de ferramentas de gestão para apoiar no enfrentamento desses desafios. Atrelados a ideia de que conhecem o negócio e, até hoje, o que tem sido feito gerou “resultados”, acabam deixando de lado a ideia de mudança, impactando diretamente no desempenho e produtividade do setor.

O agronegócio é um mercado volátil e, diferente de outros setores, é responsável por todas as etapas da cadeia produtiva. Na prática, isso exige um controle ainda mais eficiente e rigoroso, bem como o monitoramento de cada uma das etapas. Certamente, torna-se impossível executar tais tarefas manuais de forma assertiva. Quanto a isso, a tecnologia se mostra como uma grande aliada, mas é preciso utilizar a ferramenta correta, do contrário, seu uso não terá eficácia. Neste contexto, o ERP se mostra como a principal solução.

Um estudo realizado pela pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Maira de Souza Regis, revelou que mais de 70% dos produtores rurais do Brasil já utilizam softwares e aplicativos. Esse crescimento se dá, principalmente, pois, por meio deste recurso, é possível centralizar informações pertinentes ao negócio, indo desde custos até gestão de equipamentos e maquinários.

Ao ter os dados localizados no mesmo lugar, a empresa consegue realizar uma gestão de forma assertiva, baseada em informações confiáveis e apontadas em tempo real. Em se tratando do agronegócio, é facilitado o ciclo completo das operações desde o insumo, pulverização, controle dos custos de operação desde o talhão até o uso de combustível, entre tantos outros aspectos.

Com a atribuição de um software de gestão, é possível localizar e eliminar erros e gargalos que podem atrapalhar o desempenho e competitividade. Por sua vez, é essencial que a ferramenta a ser utilizada tenha ampla aderência às características do setor, bem como a facilidade em se adaptar com as especificidades da empresa.

Obviamente, a automatização dos processos está relacionada a mudança cultural da organização, a qual passará a executar uma gestão guiada em dados e processos. Nessa jornada, contar com o apoio de uma consultoria especializada não apenas na ferramenta, mas no setor, é um diferencial, tendo em vista que o time de especialistas irá fazer um estudo completo, mostrando qual o melhor caminho a ser seguido.

Ainda de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, para 2025, há projeções de uma supersafra de grãos, com a expectativa de superar os resultados de 2024. No entanto, para garantir um desempenho promissor, é imprescindível que as empresas tradicionais comecem, desde já, a implementar uma gestão centralizada, contribuindo para o desempenho do agronegócio. Afinal, o que garante o futuro das próximas gerações do setor, é o empenho de hoje.

 


Jaron Rosendo - executivo de negócios da SPS Group. 


Ter filhos no Brasil pode custar até R$ 3,6 milhões: planejamento financeiro se torna prioridade para muitas famílias

Famílias começam a se preparar cada vez mais cedo para garantir segurança e qualidade de vida aos filhos


A chegada dos filhos costuma ser um divisor de águas na vida financeira das famílias. Além das despesas imediatas com cuidados, saúde e educação, cresce também a responsabilidade de preparar o terreno para o futuro deles. Seja para garantir o acesso ao ensino superior, viabilizar um intercâmbio ou dar suporte no início da vida adulta, o planejamento financeiro ganha novos contornos com a presença dos filhos.

No Brasil, sobretudo nas grandes cidades, nas quais o custo pode subir até 50% em relação aos demais municípios, o gasto com o filho até os 18 anos se transformou numa barreira milionária para a classe média. É o que mostra um estudo feito pelo Insper a pedido do jornal Estadão.

Para as famílias que integram a classe C, aquelas com renda familiar mensal de R$ 5.281 até R$ 13,2 mil, o gasto estimado varia entre R$ 480 mil e R$ 1,2 milhão. Na classe B (entre R$ 13.201 e R$ 26,4 mil de renda mensal), o gasto vai de R$ 1,2 milhão até R$ 2,4 milhões. Já na classe A, parte de R$ 3,6 milhões e continua a subir em função da renda familiar.

Ter filhos transforma profundamente o planejamento financeiro de uma família. De repente, sonhos e objetivos ganham novos protagonistas: os filhos. Essas decisões exigem organização, disciplina e, principalmente, tempo. Quanto mais cedo os pais começam a se planejar, mais o efeito dos juros compostos trabalha a favor”, afirma o sócio e assessor de investimentos Paulo Victor Fontenele, da Start Investimentos.

 

Investir é parte do planejamento

A previdência privada continua sendo uma das alternativas mais utilizadas por famílias que buscam segurança e estabilidade no longo prazo. Com aportes mensais automáticos e possibilidade de resgates programados, ela se adapta ao ritmo da vida familiar. Outra opção recente é o Tesouro EDUCA+, título criado pelo Tesouro Direto voltado à formação educacional. O investidor aplica valores regularmente e, a partir da data escolhida, recebe pagamentos mensais por cinco anos, o que pode coincidir com o período da faculdade, por exemplo.

Fontenele reforça que, além dos investimentos, é essencial pensar na proteção da renda familiar por meio de seguros. “Eles geram liquidez em momentos de ausência precoce ou perda de capacidade de trabalho. Começar cedo, diversificar as ferramentas e manter regularidade são os pilares para um bom planejamento financeiro”, ressalta.

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018 do IBGE, famílias com renda mensal de até R$ 1.908 destinam, em média, 61,2% de seus gastos à alimentação e habitação. Esse dado evidencia como despesas essenciais consomem grande parte do orçamento, tornando ainda mais crucial o planejamento financeiro para a chegada de um filho.

A maternidade e a paternidade seguem sendo grandes marcos de reorganização do orçamento. Seja para garantir o acesso a uma educação de qualidade, proporcionar experiências como intercâmbios ou simplesmente oferecer suporte na vida adulta, pais e mães têm buscado cada vez mais orientação para tomar decisões conscientes. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que, entre 2021 e 2023, houve um crescimento de 32% no número de famílias investindo com foco no futuro dos filhos, especialmente nas faixas de renda entre 3 e 10 salários mínimos. 

A consciência sobre esses custos tem estimulado uma nova cultura de planejamento, que começa ainda antes do nascimento. Afinal, criar um filho exige mais do que amor. Exige preparo. E quanto mais cedo esse preparo começa, mais tranquilidade é possível construir.


O impacto financeiro (e emocional) dos bebês reborn

Você já ouviu falar nos bebês reborn? Se ainda não, prepare-se para entrar num mundo que mistura arte, afeto e também... muitos gastos.

As reborns são bonecas feitas à mão para parecerem o mais realistas possível. E quando digo realistas, é realismo de verdade: pele com textura, veinhas, cabelo implantado fio a fio, peso semelhante ao de um recém-nascido, tem até cheirinho de talco. O nome “reborn” vem do inglês e significa “renascido”, porque é justamente isso que os artistas fazem: transformam uma boneca comum em algo completamente novo, quase vivo aos olhos de quem vê.



Por que tanta gente se encanta com elas?

O fascínio por uma reborn vai muito além da estética. É emocional. É pessoal. Segundo a psicóloga Luciana Chiarioni, tem gente que encontra na reborn uma forma de preencher o silêncio da casa. Mulheres (ou homens) que não têm filhos (ou perderam), pessoas enfrentando solidão, idosos com Alzheimer... São muitas histórias por trás de cada adoção (sim, muitas chamam de adoção).

Para alguns, a boneca vira uma espécie de companhia. Para outros, é quase uma terapia:

·  Quem sofre de ansiedade ou depressão encontra acolhimento ali;

·  Em lares de idosos, elas ajudam a criar rotina e diminuir a agitação;

·  No luto perinatal (quando há perda gestacional ou neonatal), podem oferecer algum conforto.

E também tem o outro lado da moeda: o colecionismo. Tem gente que vê a reborn como obra de arte - e de fato, o trabalho dos chamados “reborners” é super detalhista e impressionante. Esses colecionadores gostam de exibir as bonecas, montar cenários, fotografar... e tudo isso também movimenta uma comunidade enorme nas redes sociais, com vídeos, fotos e até “rotinas” maternas fictícias.



O hype é real - e os números também

Se você já viu um vídeo de reborn no TikTok ou no Instagram, não se surpreenda. Tem de tudo: desde “partos” e maternidades cenográficas até lives de “adoção” que batem centenas de milhares de views.

Mas enquanto o encantamento viraliza, o mercado vai crescendo discretamente. Segundo um levantamento da Market Report Analytics, o setor de bonecas reborn movimentou cerca de US$ 200 milhões em 2024, e cresce a um ritmo de 8% ao ano. Parece muito, mas é só uma fatia pequena quando a gente compara com o mercado de bonecas em geral, que já ultrapassou os US$ 24 bilhões.


Quem está comprando?

As estatísticas ajudam a entender melhor esse universo. Olha só:

·  60% das compras vêm de mulheres adultas, geralmente entre 30 e 60 anos. Muitas delas tratam a boneca com carinho e cuidado, como se fosse de fato um bebê;

·  25% são compras para crianças - pais que buscam um brinquedo mais resistente e diferente do comum;

·  10% são destinadas à terapia clínica, como em casos de luto ou Alzheimer. Inclusive, uma meta-análise recente apontou uma queda significativa na agitação de idosos com demência após oito semanas de “doll therapy”;

·  3% do público é formado por homens jovens, um grupo que vem crescendo em fóruns de customização e vídeos ASMR (conteúdo com sons relaxantes);

·  Os outros 2% são vendas feitas por instituições - como escolas de enfermagem ou produções de cinema.


E no Brasil?

Agora vem a parte curiosa: o Brasil lidera as buscas no Google por “bebê reborn”, segundo um levantamento citado pela CNN. Só que isso não quer dizer, necessariamente, que todo mundo está comprando. Na verdade, o que temos por aqui ainda é um mercado pequeno, mais voltado para o público infantil.

Ainda assim, no Brasil, segundo dados da Reborn International, associação que reúne artistas e produtoras do setor, estima-se que cerca de 4 mil bonecas sejam vendidas por mês. Os preços?

·  Dá pra encontrar reborns simples por R$ 188 em marketplaces;

·  Mas os modelos mais elaborados, com silicone sólido e muitos detalhes, podem chegar a R$ 10 mil por aqui;

·  Lá fora, tem peça exclusiva ultrapassando US$ 10 mil.

O crescimento do setor tem se mostrado relevante também no interior do Brasil, onde empreendedoras encontram no mercado Reborn uma alternativa de renda. Segundo o Sebrae, cursos voltados à produção de bonecas hiper-realistas cresceram 45% entre 2022 e 2024. Estados como Goiás, Minas Gerais e Paraná concentram boa parte da produção artesanal, em especial nas regiões urbanas periféricas.

Ainda que não haja dados consolidados sobre a movimentação financeira total do setor, estimativas indicam que o mercado Reborn já supera R$ 20 milhões por ano no Brasil, somando vendas diretas, insumos, cursos e monetização digital.


E quanto tudo isso custa no fim das contas?

Essa é a parte que pega. Ter uma bebê reborn pode custar pouco... ou virar um hobby de alto investimento. Depende do envolvimento emocional e do quanto você se deixa levar. Vamos aos principais custos:

1.   A boneca em si:
Modelos simples: entre R$ 300 e R$ 800;
Artesanais e hiper-realistas: de R$ 1.000 a R$ 3.000 ou mais.

2.   Acessórios:
Roupinhas de bebê: R$ 30 a R$ 150;
Berço, carrinho, chupeta, fraldas, igual a um bebê real: pode passar de R$ 2.000;
Kits para tirar fotos e montar cenários: de R$ 200 a R$ 1.000.

3.   Manutenção:
Trocar o cabelo: R$ 200 a R$ 600;
Retoque de pintura: até R$ 500;
E se quiser personalizações com artistas renomados, aí os valores sobem bastante.

5.   Compras recorrentes:
É comum que quem entra nesse mundo queira sempre algo novo - um look, um acessório, uma cena nova pra gravar vídeo… e os gastos vão acumulando.

6.   Impacto emocional:
O apego pode ser positivo, mas também pode incentivar compras por impulso, principalmente em momentos de fragilidade emocional.E quando o assunto vira polêmica?

Com o crescimento do tema nas redes sociais, não foram poucas as pessoas que ficaram incrédulas - e até zombaram - de quem coleciona bebês reborn. Vários vídeos viralizaram, mostrando adultos simulando partos ou cuidando da boneca como se fosse um bebê de verdade. Em muitos comentários, o tom era de deboche ou julgamento, como se o hobby inteiro fosse uma bizarrice coletiva.

Confesso: também achei estranho à primeira vista. Mas, olhando com mais calma, é importante entender que os casos mais extremos são exceção - e não regra. Na verdade, o que muitas vezes acontece é que esses vídeos com comportamento exagerado ganham barulho desproporcional, recebem impulsionamento ou simplesmente viralizam porque despertam curiosidade e espanto.

Isso não significa que representem a maioria das pessoas que curtem o universo reborn. O problema é que, nas redes, o que mais chama atenção e, portanto, atinge viralizações, são os comportamentos mais “extravagantes”. A maioria das pessoas que tem um bebê reborn o trata como uma boneca ou um brinquedo, e ok.


E quando vira um problema?

A psicóloga Luciana Chiarioni afirma que ter uma reborn pode ser algo bom para algumas pessoas. Em certos contextos terapêuticos, inclusive, pode ajudar no enfrentamento do luto pela perda de um filho ou na dor causada pela infertilidade, funcionando como um apoio simbólico e temporário para reorganizar sentimentos, quando há o acompanhamento adequado. O problema começa quando essa relação ultrapassa o limite do saudável.


É importante observar sinais de alerta:

A pessoa trata a boneca como se fosse real o tempo todo, negando que é um objeto;

Há prejuízos no trabalho, nos relacionamentos ou na saúde por conta do vínculo excessivo;

A reborn vira um substituto de um filho perdido, mas sem o apoio de um profissional.

Quando o apego passa a substituir vínculos reais e causa isolamento, abandono de relações afetivas ou profissionais, ou ainda confusão entre realidade e fantasia (como nos casos em que pessoas levam as bonecas a hospitais como se fossem bebês reais) pode estar ocorrendo uma perda de funcionalidade. Isso indica que o vínculo com a reborn deixou de ser simbólico e passou a ser compulsivo, comprometendo a integração da pessoa com a realidade, exigindo atenção da psicologia e, em casos mais graves, da psiquiatria.

Se você ou alguém próximo estiver nessa situação, é essencial buscar ajuda psicológica. A reborn pode, sim, fazer parte de um processo de cura (como forma simbólica de lidar com o luto ou com a frustração da maternidade não vivida), mas não substitui o cuidado emocional verdadeiro, nem resolve traumas sozinha. Sem acompanhamento, pode apenas suspender temporariamente a dor, e não tratá-la de fato.



Entre o afeto e o exagero

O universo das bebês reborn é complexo e fascinante. Mistura arte, memória, desejo, luto e muita sensibilidade. Para uns, é um hobby. Para outros, uma ferramenta terapêutica. E para algumas pessoas, infelizmente, um escape que precisa ser acolhido com cuidado.

O que não dá é para tratar tudo com superficialidade ou deboche. O mundo das reborns revela muito sobre o ser humano: sobre o que nos falta, sobre o que buscamos e sobre como tentamos lidar com o que sentimos. Por trás de cada boneca, existe uma história. E talvez seja essa a parte mais real de tudo isso.

 

João Victorino - administrador de empresas, professor de MBA do Ibmec e educador financeiro. Com uma carreira bem-sucedida, busca contribuir para que as pessoas melhorem suas finanças e prosperem em seus projetos e carreiras. Para isso, idealizou e lidera o canal A Hora do Dinheiro com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.


Como a classe D pode ser uma oportunidade para marcas?

 

Apesar de, muitas vezes, deixada de lado, a classe D vem apresentando um crescente potencial de compra a ser explorado pelas marcas. Além de representar uma parcela significativa da população brasileira, através de uma análise aprofundada de seu perfil e necessidades, as empresas podem encontrar uma oportunidade estratégica de atender suas necessidades levando em conta suas dores e desejos – a enxergando não como uma dificuldade, mas como uma nova possibilidade de expansão e impacto nas vendas.

Em uma pesquisa realizada em 2024 pela Tendências Consultoria, foram apresentados números recentes relacionados às classes sociais e suas predominâncias em relação à população brasileira. Em seus dados, é possível observar que, apesar do poder aquisitivo da classe D ser bem menor do que as outras, esse grupo compõe 49,9% dos domicílios – ou seja, quase metade da população do Brasil recebe até R$ 3.400,00 mensalmente – algo capaz de se tornar uma grande oportunidade para marcas que buscarem focar nesse grupo, se souberem construir essa estratégia com assertividade.

Um ponto que devemos ter em mente nesse sentido é que, apesar desta classe social geralmente possuir um ticket médio mais baixo em relação às outras, seu número é vasto. E isso abre oportunidade para a lucratividade através da venda de altas quantidades de produtos. Em uma outra pesquisa, com dados da Brand Footprint e levantamento elaborado pela Kantar, podemos observar as principais marcas que entram nas casas dessas pessoas: Ypê, Maratá, Vitarella, Coca-Cola, Colgate, Soya, Nissin, Italac, Sorriso e Tang.

Através de uma rápida observação das marcas apresentadas acima, é possível notar que várias delas pertencem ao âmbito de alimentação ou limpeza. E mais importante: nenhuma delas foca nessa classe social em específico, e aqui entra a oportunidade para novas marcas.

Novas empresas que coloquem esses indivíduos em foco, tanto para a criação do produto – levando em conta as dores e desejos dos consumidores – quanto para sua comunicação, assim possivelmente conseguirão uma penetração de mercado positiva ao longo do tempo.

Algumas das estratégias que podem auxiliar nesse trabalho de comunicação exclusiva com a classe D incluem uma comunicação simples junto a um benefício claro, apresentando claramente o diferencial que o produto traz, porque é nisso que os consumidores desse grupo focam; utilização de canais nos quais esse público frequenta diariamente; e estratégias de indicação e vantagens, criando um sistema de indicação boca a boca, uma forma de marketing muito poderosa dentro do atual panorama em que pessoas são impactadas por anúncios de muitos produtos e, por vezes, acabam se decepcionando com a qualidade real do que foi exibido anteriormente.

O posicionamento da marca como uma companhia que entende o cotidiano e dificuldades do grupo também é essencial nesse sentido, buscando criar um vínculo genuíno com os consumidores; além de, claro, um plano de marketing de influência através de UGCs ou colaborações com indivíduos que possuem a atenção e apreciação da comunidade.

Apesar de pesquisas recentes apresentarem o insight de que a geração Z não possui “marcas queridinhas”, a entrega de valor constante e a comunicação voltada em específico para esse público-alvo garante um diferencial claro em relação às marcas já estabelecidas. E, como deve ser lembrado, a geração Z está chegando no mercado de trabalho e se tornando decisores no que tange a produtos para seus lares; o que evidencia como a penetração de mercado se torna mais fácil ao acertar no preço e comunicação com essas pessoas.

Dessa forma, novas marcas que desejam crescer de maneira sólida no mercado brasileiro devem olhar para a classe D não apenas como uma oportunidade numérica, mas como um público com demandas específicas, aspirações próprias e potencial de consumo em massa a ser explorado. Estratégias que combinem autenticidade, acessibilidade e comunicação direcionada podem ser o diferencial necessário para transformar essa fatia majoritária da população em uma parceira de crescimento e fortalecimento de marca ao longo dos próximos anos.

Renan Cardarello - CEO da iOBEE - Agência de Marketing Digital e Tecnologia.

 

iOBEE
https://iobee.com.br/

Faça o tempo trabalhar por voc

A gestão do tempo é, sem dúvida, um dos maiores desafios da vida moderna. A sensação constante de que o dia precisaria ter mais de 24 horas é comum para quem se vê sobrecarregado com compromissos pessoais e profissionais. No entanto, apesar do ritmo acelerado, é possível retomar o controle e fazer com que o tempo trabalhe a nosso favor.

Autores como Tim Ferriss, conhecido por seu livro “Trabalhe 4 Horas por Semana”, mostram que, com foco e estratégia, é possível ser altamente produtivo investindo menos tempo em tarefas desnecessárias. Ferriss defende a delegação, a automação de processos e a priorização como formas de eliminar desperdícios e aumentar a eficiência.

Outro nome importante nessa discussão é Laura Vanderkam, especialista em gestão do tempo e autora do livro “O que as pessoas mais bem-sucedidas fazem antes do café da manhã”. Ela acredita que é possível ter uma vida equilibrada e produtiva se adotarmos o hábito de planejar com clareza. Vanderkam recomenda o registro do tempo gasto nas tarefas, o planejamento de longo prazo e a criação de uma agenda semanal com foco nas prioridades reais.

Esses especialistas reforçam aquilo que já é possível perceber na prática: produtividade não é fazer mais, mas sim fazer o que importa. Definir objetivos claros é o ponto de partida. Sem saber onde se quer chegar, é fácil se perder em tarefas irrelevantes. A partir daí, a priorização se torna essencial, pois trabalhar nas atividades que mais impactam seus resultados evita que o tempo seja consumido por urgências artificiais.

Ter uma rotina bem estruturada, com momentos específicos para cada tipo de atividade, ajuda a evitar a procrastinação e garante ritmo e consistência. Outro ponto-chave é aprender a delegar. Muitos profissionais insistem em carregar tudo sozinhos, mas a verdade é que distribuir tarefas, além de liberar tempo, fortalece a equipe e desenvolve a liderança.

Ferramentas de produtividade como Trello, Asana ou até um simples bloco de notas podem ajudar muito, desde que o foco esteja em manter a organização e clareza. Distrações são grandes vilãs da produtividade: notificações, redes sociais e interrupções constantes consomem energia e tempo. Criar um ambiente de trabalho livre desses estímulos é uma decisão estratégica.

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Também é importante respeitar os próprios limites. Pausas regulares não são perda de tempo, mas sim uma forma inteligente de manter a mente ativa e criativa. Assim como dizer “não” quando necessário. 

Aceitar tudo o tempo todo leva à sobrecarga e compromete o que realmente importa. E, claro, nada disso funciona sem autodisciplina. É ela quem nos mantém firmes na rotina, mesmo nos dias em que a motivação falha.

A boa notícia é que gerir melhor o tempo não exige fórmulas mágicas, mas sim consciência, escolhas e prática. Quando você aprende a focar no essencial, o tempo deixa de ser um inimigo e se transforma em um poderoso aliado para conquistar mais resultados e qualidade de vida. Lembre-se sempre: tempo é poder. Use bem o seu!


Paulo Roberto Costa da Silva Junior - advogado, atua há 20 anos como Executivo de Operações e autor do livro “Manual prático da gestão de operações".

 

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