Famílias começam a se preparar cada vez mais cedo para garantir segurança e qualidade de vida aos filhos
A chegada dos filhos costuma ser um divisor de águas na vida
financeira das famílias. Além das despesas imediatas com cuidados, saúde e
educação, cresce também a responsabilidade de preparar o terreno para o futuro
deles. Seja para garantir o acesso ao ensino superior, viabilizar um
intercâmbio ou dar suporte no início da vida adulta, o planejamento financeiro
ganha novos contornos com a presença dos filhos.
No Brasil, sobretudo nas grandes cidades, nas quais o custo
pode subir até 50% em relação aos demais municípios, o gasto com o filho até os
18 anos se transformou numa barreira milionária para a classe média. É o que
mostra um estudo feito pelo Insper a pedido do jornal Estadão.
Para as famílias que integram a classe C, aquelas com renda
familiar mensal de R$ 5.281 até R$ 13,2 mil, o gasto estimado varia entre R$
480 mil e R$ 1,2 milhão. Na classe B (entre R$ 13.201 e R$ 26,4 mil de renda
mensal), o gasto vai de R$ 1,2 milhão até R$ 2,4 milhões. Já na classe A, parte
de R$ 3,6 milhões e continua a subir em função da renda familiar.
“Ter filhos transforma profundamente o planejamento
financeiro de uma família. De repente, sonhos e objetivos ganham novos protagonistas:
os filhos. Essas decisões exigem organização, disciplina e, principalmente,
tempo. Quanto mais cedo os pais começam a se planejar, mais o efeito dos juros
compostos trabalha a favor”, afirma o sócio e assessor de
investimentos Paulo Victor Fontenele, da Start Investimentos.
Investir é parte do planejamento
A previdência privada continua sendo uma das alternativas
mais utilizadas por famílias que buscam segurança e estabilidade no longo
prazo. Com aportes mensais automáticos e possibilidade de resgates programados,
ela se adapta ao ritmo da vida familiar. Outra opção recente é o Tesouro
EDUCA+, título criado pelo Tesouro Direto voltado à formação educacional. O
investidor aplica valores regularmente e, a partir da data escolhida, recebe
pagamentos mensais por cinco anos, o que pode coincidir com o período da
faculdade, por exemplo.
Fontenele reforça que, além dos investimentos, é essencial
pensar na proteção da renda familiar por meio de seguros. “Eles geram liquidez
em momentos de ausência precoce ou perda de capacidade de trabalho. Começar
cedo, diversificar as ferramentas e manter regularidade são os pilares para um
bom planejamento financeiro”, ressalta.
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF)
2017-2018 do IBGE, famílias com renda mensal de até R$ 1.908 destinam, em
média, 61,2% de seus gastos à alimentação e habitação. Esse dado evidencia como
despesas essenciais consomem grande parte do orçamento, tornando ainda mais
crucial o planejamento financeiro para a chegada de um filho.
A maternidade e a paternidade seguem sendo grandes marcos de reorganização do orçamento. Seja para garantir o acesso a uma educação de qualidade, proporcionar experiências como intercâmbios ou simplesmente oferecer suporte na vida adulta, pais e mães têm buscado cada vez mais orientação para tomar decisões conscientes. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que, entre 2021 e 2023, houve um crescimento de 32% no número de famílias investindo com foco no futuro dos filhos, especialmente nas faixas de renda entre 3 e 10 salários mínimos.
A consciência sobre esses custos tem estimulado uma nova cultura de planejamento, que começa ainda antes do nascimento. Afinal, criar um filho exige mais do que amor. Exige preparo. E quanto mais cedo esse preparo começa, mais tranquilidade é possível construir.

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