Estudo multicêntrico
mostra que a visão embaçada pela catarata dificulta o sono e explica o
crescimento da insônia no Brasil. Entenda.
Há anos pesquisadores de diversas partes do mundo vêm
estudando a relação entre o envelhecimento e a insônia. Não por acaso, a
recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de 6 a 8 horas de sono/dia
para quem tem 65 anos ou mais e até 17 horas nos primeiros três anos de vida.
Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do
Instituto Penido Burnier não é só na insônia que a cirurgia de catarata
interfere. Muitos pacientes têm melhora do estado emocional, autoestima, e até
da função cognitiva. O problema é que nos check-ups a insônia muitas vezes é
deixada de lado.
Para se ter ideia
da gravidade, um estudo multicêntrico realizado com mais de 9 mil participantes
acima de 65 anos que não tinham
passado pela cirurgia, mostra que mais da metade se queixaram de insônia.
No Brasil não é diferente. A estimativa 2019 do CBO (Conselho Brasileiro de
Oftalmologia) é de que o país deveria realizar cerca de 2 milhões de cirurgias
de catarata/ano. Em 2018 praticamente só 1 em cada 4 demandas foi realizada,
totalizando 450 mil operações.
Riscos de adiar a cirurgia
Queiroz Neto ressalta que o adiamento da cirurgia torna o
procedimento mais perigoso e aumenta o risco de surgirem outros problemas de
saúde relacionados à dificuldade para dormir: doenças cardiovasculares.
hipertensão, diabetes, sobrepeso, colesterol alto e depressão. O oftalmologista
explica que a insônia acontece porque a catarata amarela o cristalino e reduz a
quantidade de luz azul que penetra em nossos olhos. “É esta luz que responde por nosso estado de vigília, mas é ela também que
melhora a qualidade do sono após a cirurgia que substitui o cristalino
amarelado pelo implante de uma lente totalmente transparente. Esta substituição
permite às células ganglionares da retina aumentarem a produção de
melanopsina, um pigmento que regula nosso "relógio biológico",
naturalmente controlado pela exposição à luz”, explica. “Na mulher a insônia é
ainda mais frequente do que no homem. Isso porque, o cristalino tem receptores
dos estrogênios e a redução destes hormônios na menopausa diminui a produção da
melanopsina pelas células da retina”, afirma.
Melhor momento para operar
O especialista ressalta que o único tratamento efetivo
para catarata é a cirurgia. A boa notícia é que o procedimento está cada vez
mais preciso. Ainda assim, muitas pessoas ficam na dúvida se já está na hora de
operar. Os sinais de que a cirurgia deve ser realizada são: troca frequente do
grau dos óculos, dificuldade para dirigir sobretudo à noite, grande dificuldade
de enxergar com faróis contra, enxergar halos ao redor da luz, perda da visão de
contraste e necessidade de mais iluminação para ler.
Dicas para dormir melhor
O estilo de vida também influi na qualidade do sono. Por
isso, há quem permaneça com insônia mesmo depois da cirurgia de catarata. As
dicas do oftalmologista para dormir melhor são:
1. Evite navegar no celular ou
computador 2 horas antes de dormir. A luz das telas digitais engana nosso
cérebro que é dia.
2. Faça atividades físicas durante o
dia.
3. Só vá para a cama se estiver com
sono.
4. Faça alguma atividade relaxante
durante a noite, como ler um livro ou ouvir música.
5. Diminua o consumo de café, chá mate e
bebida alcoólica que podem tornar seu sono agitado.
6. Faça uma refeição leve à noite.
7. Apague todas as luzes. Ambientes
escuros aumentam a produção de melatonina, hormônio indutor do sono.
8. Evite dormir durante o dia.