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quinta-feira, 11 de julho de 2019

A CONVIVÊNCIA COM A JOANETE

Problema vem sendo beneficiado com os avanços da medicina 

A joanete é uma velha conhecida. Algum tempo atrás, era sinônimo de receio e dor. Mas, esse cenário está mudando. Com a ajuda dos avanços tecnológicos, a medicina vem encontrando caminhos para proporcionar a resolução do problema cada vez mais eficaz e menos dolorida. 

O termo é uma denominação popular da deformidade óssea do Hálux Valgo. A saliência ocorre na articulação do dedão do pé, o qual se curva em direção ao segundo dedo e forma uma angulação.  

Problemas mecânicos. Esses são os principais responsáveis pela formação do incômodo. O uso inadequado de sapatos provoca a deformação progressiva do osso. Calçados com a parte posterior mais estreita, como salto alto de bico fino, desloca o eixo do corpo para o ante pé e sobrecarrega a região.  

Ana Paula Simões, professora instrutora e mestre em cirurgia e medicina do tornozelo e pé da Santa Casa de São Paulo, afirma que essa é uma maneira de adaptação “Como o nosso pé é um quadrado, e tenta caber dentro de um triângulo, ele tem que se desfigurar e acaba fixando a deformidade”, completou.  

Segundo a especialista, apesar dos fatores mecânicos serem a principal causa do problema, existe outros componentes como o genético e o cultural. O último ponto pode estar relacionado ao país ou, até mesmo, a profissão. Muitas mulheres, por exemplo, têm a exigência do uso de calçados sociais e trabalham em pé por horas.  

A dor é, normalmente, companheira de quem manifesta a joanete e está relacionada com as limitações de cada paciente, que podem ir de um simples desconforto à impossibilidade de calçar um sapato ou praticar esportes. Juntamente com ela, aparecem outros sintomas ocasionados pelo atrito entre calçado e saliência como calor local, bolhas, calos e vermelhidão. Entretanto, Ana Paula comenta ainda que o tamanho da deformidade não está vinculado com o grau da dor.  

Uma das dúvidas mais recorrentes que permeiam o assunto é referente à prática de exercícios físicos. O aparecimento da joanete é constante em esportistas por conta da utilização contínua de determinados calçados “É mais comum comparado às pessoas que começam ter dor, trocam de sapato e o quadro acaba não evoluindo. Os atletas talvez não tenham a opção de substituição por conta da própria profissão”,  disse a ortopedista.  

Para evitar o problema, as orientações médicas dizem respeito, principalmente, à escolha dos sapatos adequados. A mudança de medidas comportamentais, adotando um calçado com a parte da frente larga para os dedos ficarem soltos e uma rigidez no solado é o ideal. Além disso, a existência de um sistema de amortecimento para não gerar impacto também é aconselhável. Ana Paula lembra também de fugir da sobrecarga desnecessária como permanecer muitas horas em pé ou situações de sobrepeso.  

É no campo do tratamento que houve mais avanços e representa um orgulho para os especialistas da área. Segundo a ortopedista, o tratamento mais indicado é aquele que o paciente se sente confortável e observa resultados. Existem várias formas de minimizar o problema como anti-inflamatórios, palmilhas e mudança de sapatos. Porém, caso a pessoa não consiga se adaptar, o ponto final é a cirurgia.  

O procedimento cirúrgico já foi considerado um bicho de sete cabeças, mas o desenvolvimento da medicina alterou essa concepção. Anteriormente, operar a joanete era um processo dolorido, com a utilização do gesso e impossibilitava o paciente de pisar por algum tempo. Atualmente, aqueles que convivem com o incômodo encontram outra alternativa.  


A cirurgia por vídeo já é uma realidade, mesmo que ainda pouco realizada no Brasil “Através de um furinho, o ortopedista consegue retirar toda a saliência óssea, corrigir a deformidade e a pessoa sai andando da operação”, enfatizou Ana Paula. De acordo com ela, a consolidação ocorre, em média, de quatro a seis semanas, e o paciente é capaz de utilizar calçado, geralmente, dentro de dois meses “Com consolidação e cicatrização, é vida normal”, completou.   

Cultura positiva parte de confiança nos colaboradores



Valorizar pessoas. Esse é o segredo para transformar a cultura de uma empresa, afinal, elas são as principais responsáveis por disseminar essa cultura convertendo-a em resultado. Mais do que oferecer um espaço para descompressão e programa de funcionário do mês, a valorização inclui confiar nos colaboradores e despender de um ambiente que estimule a autonomia e a liberdade em todos os níveis, para sugerir ações e melhorias. É um processo complexo, mas que acaba trazendo resultados bastante positivos para as empresas - de acordo com um estudo do Forrester, companhias com colaboradores engajados, possuem 81% a mais de satisfação do cliente. 

Eu acredito que as pessoas sejam um fator decisivo para geração de valor de um negócio, desde que exista espaço para elas. Trabalhar valores como liberdade, responsabilidade e confiança é essencial para que a inovação bata à porta  – assim, o colaborador tem espaço para ir além de suas atividades e a burocracia não impedirá que ele resolva os problemas do dia a dia. 

Há seis anos, quando expliquei aos meus amigos que iria trazer para o Brasil uma empresa com os mesmos valores da matriz na Holanda, que incentiva a autonomia e a liberdade, a frase que eu mais ouvi foi: “É muito legal, mas com brasileiro não funciona”. Eles estavam errados – o primeiro passo foi estabelecer uma relação de confiança mútua. Usando a tecnologia e processos bem desenhados, a empresa fornece um ambiente no qual os colaboradores conseguem entrar em um estado de mente chamado FLOW - no qual você está altamente concentrado e, por isso, consegue tirar muitas atividades da sua lista de tarefas e evita as interrupções.

É claro que dependendo do tamanho e tempo de vida da empresa o processo de disseminar a cultura pode acontecer de forma mais ágil. Um grande banco com 40 mil funcionários espalhados por escritórios em diferentes regiões do país passará por esse processo de forma mais lenta que uma empresa MPME recém-inaugurada com toda equipe no mesmo espaço de trabalho. Ainda assim, em ambos os casos, alguns dos caminhos são os mesmos: incentivar as lideranças a disseminarem a cultura entre suas equipes e contratar colaboradores que tenham o perfil da cultura proposta. 

É preciso aceitar que toda mudança leva tempo. Tenho um cliente da área de TI de uma empresa, que investiu na mudança de mindset mostrando que a equipe está lidando com pessoas e não com metas ou apenas obedecendo “ordens” do chefe. Começaram a agir visando fazer a diferença no trabalho dos colegas, criando a qualidade de vida para que ele pudesse desempenhar melhor o seu trabalho e assim se sentir feliz e produtivo. Algum tempo depois outras áreas começaram a notar as mudanças e se interessaram pelas iniciativas tomadas pelo departamento de TI para aplicá-las em suas próprias áreas. 

Criar um ambiente de integração entre as áreas acelera o processo de disseminação da cultura da empresa, e para isso é preciso o entendimento que todos podem se ajudar.  Proporcionar happy hour, salas de descompressão com videogame e pebolim podem dar um ar divertido ao ambiente, mas não pode ser a única estratégia. É preciso mostrar ao colaborador que é possível realizar tarefas partindo de um caminho diferente e confiando que ele terá a fluidez e autonomia necessárias para alcançar seus objetivos e fazer a diferença no dia de outra pessoa é o que realmente torna um colaborador feliz, construindo uma cultura positiva para a empresa. 

Confiar nos colaboradores é dar liberdade para que possam trabalhar a favor da mudança de mindset e, acredite, ver processos arcaicos deixados para trás é libertador. 





Tiago Krommendijk - diretor de operações da TOPdesk Brasil. Formado em sociologia pela Wageningen University & Research, na Holanda, atua pela empresa desde 2007 e foi o responsável por sua idealização no Brasil em 2013.


Restaurantes solidários pelo mundo



Gentileza gera gentileza. Essa frase é muito dita, mas quanto ela é realmente praticada? Já parou para pensar no significado que os pequenos atos do seu dia, como tomar um café na padaria, seriam muito mais valioso para outra pessoa?

Seguindo esse raciocínio de mudar o dia de alguém que na Itália surgiu uma ideia inovadora. Em alguns cafés do país, você pode comprar o seu e deixar um outro pago. Chamado de “café de apoio” ou café solidário, ele tem a finalidade de ser dado de graça para pessoas que não podem pagar por uma refeição tão simples.

Essa forma de gentileza se tornou quase viral pela Europa, se espalhando para outros países. Em Portugal, na cidade de Guimarães, a iniciativa é chamada de “café suspenso” e foi implementada, inicialmente, pela Igreja Católica. Segundo os padres que tiveram a iniciativa, a ideia é expandir o conceito de solidariedade para além de um simples café, para talvez um refeição suspensa, remédio suspenso ou até roupas suspensas.

Como a famosa frase sugere, o ato foi se reproduzindo organicamente. Na jordânia, o restaurante Ezwitti trouxe esse conceito com algumas inovações. O cafezinho ou a refeição vêm acompanhados de um pequeno convite, em que aquele que convida escreve uma breve mensagem para melhorar o dia da pessoa. Assim como em Portugal, o dono do restaurante pensa em expandir o conceito para além do restaurante.

Como um vírus do bem, as boas ações contaminam aqueles que as praticam. Aqui no Brasil, já temos alguns lugares adotaram essa ideia. Em São Paulo, no bairro da Vila Madalena, o Ekoa café aderiu à essa prática. Na entrada do estabelecimento um marcador no quadro negro faz a contagem de quantos cafés cedidos o restaurantes possuem. Assim como na Jordânia, a bebida vêm acompanhada de um bilhetinho inspirador e também é possível deixar lanches e outros pratos do cardápio pagos. 

Em Fortaleza, o restaurante da Maitri Denstone, aderiu ao almoço solidário, que funciona basicamente da mesma forma: o cliente paga o seu prato e deixa uma quantia a mais para alguém que precisa. Embora a proposta tenha as melhores das intenções, nem todo mundo tem bom senso. A proprietária disse que no começo muitas pessoas pediam os pratos sem realmente necessitarem, o que levou ela à impor alguns limites.

É incrível como um ato tão pequeno de caridade pode se espalhar de maneira tão rápida. Pequenas atitudes são o que movem as pessoas, um bom dia, uma palavra de apoio ou um simples cafezinho podem fazer toda diferença no dia de alguém. Então porque não começar agora? Afinal, gentileza gera gentileza.

Para mais informações, acesse o site do Lugares Pelo Mundo: https://lugarespelomundo.com.br/.


Certificação Digital chega aos 18 anos e não para de se renovar



Neste ano, a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil chega aos 18 anos de criação. É uma data muito importante para todo o setor de certificação digital, que viu nesse período o quanto de avanços foram possíveis. 

A Serasa Experian, por exemplo, desde o primeiro momento acreditou nesse segmento e foi a primeira Certificadora Digital a iniciar atividade nessa área. Eu, pessoalmente, que sempre tive ligação com esse universo, me lembro de forma muito clara as dificuldades que passamos no início, ao chegar numa empresa por exemplo e tentar convencê-la de que se tratava de uma ferramenta que oferecia uma série de benefícios e que havia reconhecimento jurídico.

A pergunta imediata era: e quem está usando? De fato, naquele início, não havia o que responder. Como toda novidade, a certificação digital chegou em meio a muitas dúvidas e incertezas. Mas a Serasa Experian, de pronto, entendeu seu potencial e resolveu investir. Aos poucos fomos ganhando massa crítica e musculatura. Hoje todo o sistema Judiciário atua por meio da certificação digital. Aboliram praticamente os processos em papel e toda a cadeia profissional, do advogado em início de carreira, ao ministro do Supremo Tribunal Federal, todos se valem da certificação digital. Ainda que fosse apenas esse setor já estaria assegurada a validade jurídica e a potencialidade da infraestrutura.

Mas ao longo desses 18 anos, a partir da ação reguladora da ICP-Brasil, cujo gestor é o Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), vários outros benefícios foram sendo agregados. A certificação digital avançou com as obrigações firmadas pelo governo para o cumprimento das empresas, envolveu vários impostos e a prestação de contas e informações, envios de relatórios, a emissão da nota fiscal eletrônica. Depois partiu-se para as categorias. Os contadores foram os primeiros a entenderem esses avanços e hoje são os grandes parceiros do nosso setor. A Serasa Experian, por exemplo, tem grande apreço pela categoria e sempre a trata como parceira estratégica.

Na sequência, a certificação digital seguiu para a área médica, na formulação dos prontuários eletrônicos dos pacientes (PEP), para as clínicas e hospitais. Nós mesmos temos cases importantes nessa área. Há ainda muitas empresas que adotaram a certificação como forma de se relacionar com seus vendedores externos, de controlar estoques, os fluxos financeiros. Tudo isso faz parte do que eu costumo chamar de Segunda Onda da Certificação Digital. Ou seja, superada a etapa de obrigatoriedades com a inclusão do eSocial, temos um caminho grande a percorrer com a inclusão das corporações.

Nesse sentido, a Serasa Experian, que é pioneira, sai também na frente. No ano passado fizemos 50 anos de fundação. Para uma empresa que atua com dados e num ambiente reconhecidamente seguro, faz todo sentido adotar caminhos de atração de empresas e conglomerados que estejam dispostos a adotar o caminho da redução do uso de papel e de insumos, que queiram baixar custos com a guarda física de documentos, que procurem economia com a contratação de mensageiros e despesas burocráticas, já que a assinatura digital pode ser feita de qualquer parte do mundo a partir e um certificado digital.

Ou seja, estamos falando de mobilidade, da entrada das companhias numa nova era, moderna e de redução de custos. Tudo num ambiente de absoluta segurança, que possui plena validade jurídica e não repúdio em qualquer instância. O Certificado Digital avançou também muito no segmento da pessoa física. Além das assinaturas digitais é possível declarar o Imposto de Renda, fazer relacionamentos com a Receita Federal, agilizar a renovação da carteira nacional de habilitação, emitir diplomas em universidades, consultar notas fiscais eletrônicas e dialogar de forma virtual com as secretarias da fazenda da maioria dos Estados.

E tudo começou há 18 anos. Por isso este ano a ICP-Brasil merece todas as homenagens. Graças ao esforço do governo criou-se um setor econômico que baliza toda a economia e lhe garante a identidade virtual na grande maioria das interfaces. Graças a essa tecnologia podemos avançar ainda mais, estabelecer novas utilizações e formas de ampliarmos ainda mais o acesso público, sobretudo entre as pessoas físicas.






Mauricio Balassiano - diretor de Certificação Digital da Serasa Experian

Substâncias escondidas na água desafiam pesquisadores da USP


Cientistas da USP trabalham para “limpar” água contaminada.
Foto: Henrique Fontes/IQSC


Você sabia que a água que você consome em sua casa pode não estar totalmente livre de impurezas? Esse risco existe quando produtos que utilizamos no dia a dia, como remédios, protetores solares e itens de higiene pessoal são encontrados em rios que abastecem municípios. As estações de tratamento de água não conseguem remover completamente esses compostos, já que não possuem equipamentos apropriados para a tarefa. Batizados de contaminantes emergentes, essas substâncias desafiam há anos centenas de cientistas brasileiros a buscarem soluções eficientes e a entenderem os impactos que elas podem causar ao meio ambiente e aos seres vivos.

Segundo o professor Eduardo Bessa Azevedo, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, o Brasil ainda não possui uma legislação que determine quantidades seguras desses contaminantes na água. “São substâncias encontradas em pequenas concentrações, mas que, se consumidas por anos, podem trazer algum risco”, alerta. Estudos indicam que o lançamento não controlado de fármacos nos corpos d’água pode, por exemplo, ocasionar o desenvolvimento de microrganismos resistentes a antibióticos. Caso haja a ingestão dessa água contaminada, seres humanos e animais estão sujeitos a efeitos como disfunções no sistema endócrino e reprodutivo, além de distúrbios metabólicos. Diversos compostos químicos são capazes de interferir no metabolismo, entre eles, destacam-se os que estão presentes em hormônios, anti-inflamatórios, antidepressivos, hidrocarbonetos poliaromáticos e pesticidas.

A falta de efetividade no combate aos contaminantes emergentes preocupa os cientistas e acende o sinal de alerta na sociedade. “As estações de tratamento d’água (ETAs), basicamente, trabalham para retirar sua turbidez e torná-la potável. Elas têm uma capacidade limitada de remoção desses contaminantes, pois foram projetas numa época em que não existia essa demanda”, explica o docente. De acordo com o Instituto Trata Brasil, quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso ao abastecimento de água tratada. Em 2016, uma em cada setemulheres do país não tinha acesso à água, enquanto 7,5% das crianças e dos adolescentes não possuíam água filtrada ou vinda de fonte segura.

  Estações de tratamento de água não foram projetadas para detectar presença de contaminantes emergentes. Foto: SAAE São Carlos


A ciência entra em cena – Há algumas décadas, pesquisas têm chamado a atenção sobre os possíveis danos que os contaminantes emergentes podem causar aos recursos hídricos, fato que impulsionou o interesse da comunidade científica em busca de soluções para identificação, monitoramento e remoção dessas substâncias. No IQSC, o Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Ambientais (LDTAmb) está envolvido nesse desafio, criando alternativas promissoras. “Diferentemente das tecnologias tradicionais, as quais amenizam o problema da poluição, mas não o resolvem, as pesquisas desenvolvidas em nosso laboratório se preocupam em realmente destruir os contaminantes. Não basta reduzirmos a concentração de determinada substância se ela ainda continua com sua função biológica ativa, podendo trazer algum perigo”, afirma o professor Eduardo, que coordena o LDTAmb.

Uma das pesquisas desenvolvidas no Laboratório da USP é a de Maykel Marchetti, doutorando do IQSC. Após realizar um levantamento, o pesquisador descobriu quais eram os fármacos mais prescritos e consumidos no Brasil e, a partir dessa relação, determinou as quatro substâncias químicas mais prováveis de serem encontradas na água. São elas: paracetamol (analgésico), cetoprofeno (anti-inflamatório), diclofenaco (anti-inflamatório) e o ácido salicílico (utilizado no tratamento da acne). Com essas informações em mãos, Maykel desenvolveu um método analítico capaz de detectar e quantificar, simultaneamente, todos esses quatro fármacos em água e aplicou uma técnica para degradá-los, que funciona através de uma reação química envolvendo peróxido de hidrogênio (água oxigenada), oxalato de ferro e luz (LED). “Essa técnica nos permitiu fazer o tratamento da água em condições semelhantes às adotadas nas ETAs”, explica.

No laboratório, o pesquisador testou o procedimento de degradação proposto. Após dissolver os quatro contaminantes em água, adicionou à solução o oxalato de ferro e o peróxido de hidrogênio. Em seguida, a água foi colocada dentro de um reator com LEDs, onde ficou por aproximadamente 25 minutos reagindo “Nós utilizamos uma concentração de contaminantes até um milhão de vezes maior do que a encontrada nas águas e, mesmo assim, atingimos uma porcentagem de 95% de degradação. No entanto, vale ressaltar que isso não significa que eles foram totalmente removidos, mas sim transformados em outras substâncias que precisam ter sua toxicidade analisada”, afirma o doutorando, que apresentou seu trabalho no 47º Congresso Mundial de Química da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), que acontece em Paris, entre os dias 5 e 12 de julho.

Para validar seu método de detecção e quantificação dos fármacosMaykel estudou as águas superficiais de São Carlos, responsáveis pela metade do abastecimento do município, por meio do córrego Espraiado e do rio Ribeirão Feijão. Durante um ano, o pesquisador coletou amostras mensais de água dos pontos de entrada e saída da estação de tratamento da cidade e, felizmente, não foi identificado nenhum dos quatro fármacos pesquisados. Contudo, um estudo realizado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2014 revelou, após três anos de análises, a presença de cafeína, paracetamol, atenolol e dos hormônios estrona e 17-β-estradiol no Rio Monjolinho. Embora ele não seja utilizado para abastecimento público, os pesquisadores se preocupam com a conservação dos recursos hídricos e a proteção da vida aquática.

Planeta afetado - Os contaminantes emergentes já se tornaram um problema global, tendo sido encontrados em dezenas de países, inclusive no Brasil. Em Campinas (SP), amostras de ácido salicílico, paracetamol e cafeína já foram identificadas no Córrego Anhumas. Além de atuar como um indicador de contaminação por fármacos, a cafeína pode causar, em altas concentrações, problemas aos peixes, como a diminuição da capacidade de locomoção e a morte de embriões. Outra substância encontrada em águas brasileiras foi o diclofenaco, confirmada no Rio Pinheiros, na capital paulista, e no Rio Paraíba, que banha o Estado Paraibano. Em âmbito internacional, rios de países como Estados Unidos, Espanha, Suíça e Costa Rica já sofrem com a presença desses contaminantes.

O descuido quanto ao descarte irregular de remédios é uma das principais causas do aparecimento desse tipo de contaminante na água. Despejar produtos vencidos na pia ou em vasos sanitários, por exemplo, faz com que as substâncias cheguem até rios e mananciais. Embora a mudança de alguns hábitos seja essencial para não acentuar ainda mais o problema, causas naturais também contribuem para essa contaminação. Afinal, parte do remédio que tomamos não é metabolizada pelo nosso organismo, sendo eliminada via urina, fezes ou suor. Situação semelhante ocorre quando tomamos banho após a utilização de protetor solar, ocasião em que o produto é eliminado pelo ralo, podendo chegar tanto a águas superficiais como subterrâneas. Por sua vez, fármacos utilizados na agropecuária também são capazes de contaminar os recursos hídricos.
 

Esquema mostra possíveis rotas dos contaminantes emergentes no meio ambiente. Arte: Maykel Marchetti, adaptado de Thomas Heberer


Segundo a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realiza pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 71,8% dos municípios brasileiros não apresentavam políticas de saneamento e, em 48,7% deles, não havia órgão fiscalizador da qualidade da água. Já de acordo com o  Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas,  divulgado em 2017 pela Agência Nacional das Águas (ANA), menos da metade dos esgotos do país é coletada e tratada e apenas 39% da carga orgânica gerada diariamente no Brasil é removida pelas estações de tratamento de esgoto antes dos efluentes serem lançados em rios.

Fazendo o dever de casa - Ações para melhorar a qualidade da água não podem se restringir apenas aos cientistas. Segundo o Instituto Trata Brasil, mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo acesso a redes coletoras. Pequenas atitudes, se feitas em grande escala, podem ajudar a evitar uma contaminação ainda maior.

Segundo o professor Eduardo Bessa Azevedo, comportamentos que contribuam para a manutenção dos recursos naturais devem começar dentro de nossas casas. Afinal, não existe o “jogar fora”, pois, na verdade, tudo o que descartamos sempre irá para algum lugar, podendo gerar grandes prejuízos se feito de maneira impensada. Por isso, o docente faz um pedido: “Não descarte produtos em locais incorretos e evite usar água para o que não for necessário, como lavar a calçada. Se puder fazer limpeza a seco, priorize-a. As pessoas pensam que atitudes isoladas não trarão nenhuma melhora, mas imagine se todos resolvessem ajudar”.

Preocupados com o futuro de nossa água, os cientistas da USP continuarão em busca de novas alternativas para combater os contaminantes emergentes e, sem dúvida, motivações não irão faltar. “É uma questão de saúde pública, e trabalhar no desenvolvimento de soluções para o problema nos dá a certeza de que estamos fazendo o nosso papel”, finaliza Maykel.




Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do IQSC/USP

Especialista destaca 5 golpes mais comuns na compra de um carro usado


CEO da Carflix, empresa que inovou o jeito de vender e comprar carro usado pela internet, afirma que esconder colisões e quilometragem são alguns dos golpes mais comuns


Comprar um seminovo não é tão simples como parece e pode ser. Os problemas começam quando alguns vendedores buscam esconder defeitos no automóvel para poder vendê-lo com um preço tentador, o que facilita ogolpe em um consumidor mais desatento.

“Na hora de comprar um seminovo, não existe nada mais perigoso do que a expressão ‘amor à primeira vista’”, avalia Fabio Pinto, especialista em carros e CEO da Carflix (www.carflix.com.br), startup que conecta compradores e vendedores de seminovos por meio de uma plataforma interativa.  

Fabio Pinto explica que se não estiver atento na hora de comprar um usado e não contar com ajuda de um profissional de confiança durante a escolha, o consumidor pode ser enganado facilmente. “Você se apaixona por um carro ou pelo preço bem abaixo da concorrência, dá uma conferida e ele parece estar em ordem, mas depois da compra, em poucos meses, o automóvel passa a apresentar várias falhas e irregularidades incomuns. Isto sem falar em golpes em que o consumidor antecipa o pagamento para o vendedor e não recebe o seminovo de volta. Todo cuidado é pouco na hora de comprar um carro usado”, explica.

O CEO da Carflix lista os 5 golpes mais comuns para quem busca comprar um carro usado e dá dicas para que o comprador não caia numa cilada.


1) Esconder colisões: Quando uma batida compromete parte da lataria, é possível disfarçar para que não haja desvalorização do automóvel. Ao invés de fazer os reparos adequados, que são mais caros, coloca-se uma “massa” no local danificado e a pintura é feita por cima.

Para fugir desse golpe, é fundamental perceber a diferença de tonalidade do local onde houve a colisão e o restante do carro.


2) Quilometragem adulterada: adulterar a quilometragem é um dos golpes mais comuns. O ideal é que pedais, bancos, volante e câmbio não estejam nem muito gastos – indicando que o carro tem uma quilometragem maior do que parece – e nem muito novos – um revestimento muito novo pode ser feito a fim de mascarar desgastes.

Além disso, o Detran disponibiliza em seu site no estado de São Paulo as últimas inspeções realizadas no automóvel. O consumidor pode conferir as km das últimas vistorias e ver as fotos do carro durante essas vistorias.


3) Qualidade do pneu: a expressão “nem tudo que reluz é ouro” pode ser aplicada aos pneus. Os golpistas limpam e aplicam produtos como silicone e reparador para aparentar que são novos, mas na realidade foram trocados recentemente e possuem desgastes muito severos.

Procurar pneus de marcas conhecidas no mercado, tomar cuidado com os modelos remold, que colocam em risco a segurança do motorista e passageiros. Usar as marcações originais do pneu, chamado de TWI (Tread Wear Indicator), que é o indicador de desgaste de rodagem do pneu.


4) Veículo fantasma - entrada para segurar a venda: Os golpistas anunciam o veículo por preço abaixo do mercado e em condições mais atrativas do que a concorrência. Quando o interessado entra em contato, costumam informar que o veículo se encontra em outro estado e divulgam fotos do automóvel e até convidam o consumidor a olhar pessoalmente o carro.

Nos próximos contatos, os golpistas informarão que receberam uma oferta de outro interessado e que estão prestes a fechar a venda. Para enganar o consumidor, é informado que só podem segurar o negócio por meio de um depósito ou transferência bancária. Desesperado para não perder a oportunidade, o comprador faz o que o golpista pede e perde o dinheiro, pois o golpista irá sumir sem dar aviso.


5) Consórcio Sorteado/contemplado: Neste golpe, os vendedores anunciam um consórcio, já contemplado, disponível para aquisição. Basta o comprador pagar uma taxa de transferência de titularidade e outras taxas administrativas.

O esquema é comprovado para a vítima a partir de documentos falsos. Os golpistas desaparecem após o comprador fazer o pagamento da suposta taxa de transferência e na melhor das hipóteses a vítima acaba realmente entrando em um consórcio, mas terá que esperar o sorteio, como todos os outros participantes.


O que fazer para fugir desses e outros golpes?

Fabio Pinto explica que é preciso o comprador analisar a procedência do veículo e não transferir nenhum valor enquanto não tiver garantias sobre o negócio. “Os estelionatários vão tentar convencer de todas as formas que o carro existe e está em perfeitas condições. Mas é fundamental que o consumidor vá ao Detran da sua região para analisar se os dados do veículo e dos compradores estão em ordem. Uma consulta no SERASA e na Receita Federal também pode ajudar”.

“Além disso, é necessário desconfiar de veículos com preço muito abaixo do mercado e não fazer nenhum depósito adiantado sem ter garantias como contratos e documentação do veículo”, finaliza o CEO da Carflix.




Carflix 
www.carflix.com.br

Convivência entre gerações beneficia os negócios


 Com treinamento, baby boomers, profissionais das gerações X, Y e Z e “robôs” podem trabalhar de forma mais assertiva juntos


Com o aumento da expectativa de vida, a permanência dos profissionais mais experientes no mercado de trabalho tem aumentado. E com isso, eles estão dividindo espaço com os jovens e recém-formados que ingressam no ambiente profissional. Diante disso, as empresas lidam com um cenário desafiador: a convivência de quatro gerações atuando nos mesmos setores ou formando uma mesma equipe. E para aumentar ainda mais a pluralidade, inteligências artificiais e robôs vem protagonizando, cada vez mais, a cena. 

Os babies boomers, nascidos entre 1646 e 1964, contrastam com a geração Z, que vieram a partir dos anos 1990. Enquanto uma demorou cerca de três décadas para ter contato com os primeiros computadores, a outra passou a infância navegando.

Já as gerações, X (nascidos entre 1960 e 1980) e Y (de 1981 e meados da década de 90), apesar da proximidade dos anos tem experiências bem distintas. A primeira reúne pessoas que cresceram ouvindo falar de aparelhos eletrônicos, mas a tecnologia ainda era algo distante. Já a segunda, é caracterizada por mais uso e familiaridade com meios de comunicação e tecnologias digitais.

Patrícia Lisboa, head trainer e hacker comportamental, explica que as diferenças entre os grupos etários vão além da técnica. “Cada geração é marcada por algumas características em comum, relacionados à sua época de nascimento, crescimento, formação e outros. Além disso, as pessoas tem estilos, capacidades e comportamentos próprios, que também influenciam”, comenta.

Deste modo, a variedade de profissionais e perfis em um mesmo ambiente ou área, exige práticas para conciliar a relação entre eles. “Saber aproveitar as qualidades e capacitações que cada geração tem a oferecer é muito produtivo para as empresas”, diz Patrícia.

A pluralidade quando bem explorada e planejada possibilita aproveitar o melhor dos profissionais e da interação entre as gerações dentro do ambiente de trabalho. Saber desenvolver o que cada uma tem a oferecer, contribui para que as empresas tenham mais dinamicidade e amplitude de serviços e soluções.
Segundo a especialista, o primeiro passo é conhecer as características gerais e individuais de cada grupo. Entender a forma de trabalhar e agir.  “Só é possível traçar planos e metas para uma equipe que se conhece. É muito comum que cada profissional tenha ambições diferentes. A partir do momento que você entende a dinâmica de cada um, é possível fazer com que o trabalho em conjunto seja ainda positivo”, explica Patrícia.

Outro ponto importante, segundo ela, para construir um ambiente produtivo é o trabalho na comunicação. Diferentes gerações se comunicam de maneiras diferentes. É necessário criar um canal que todos consigam se expressar e se entender.

Ao longo dos anos, as qualidades procuradas e as necessidades das empresas se alteram, por isso é fundamental a adaptação de todos. “Nos treinamentos que faço, busco explicar que o sucesso está na combinação correta dos papeis dentro das esquipes, no compartilhamento de conhecimento, na troca de ideias, no trabalho em conjunto”, diz a head trainer.


Inteligência artificial e o futuro do trabalho

Além da convivência entre diferentes gerações, a tecnologia faz, cada vez mais, parte do cotidiano. Baby boomers e a geração X, por exemplo, em geral são mais propensos a terem dificuldades com essas ferramentas. Por isso, a tecnologia em constante mudança pode ser um desafio para essas gerações mais acostumadas com rotina e cotidiano. Diante disso, contar com o apoio das gerações mais jovens como a y e a z, que já são imersos nesse mundo, pode ser de grande utilidade. E, por outro lado, a geração X, por compartilhar suas experiências e conhecido de mercado com os novatos.

Agora com a entrada da inteligência artificial e dos robôs no, dia a dia, de várias profissões, pessoas e empresas vão precisar se capacitar e se adaptar para trabalhar com o auxílio dessas máquinas. “A revolução tecnológica chegou para mudar completamente as relações de trabalho. Hoje uma demanda que exigia várias pessoas e muito tempo é executado por uma máquina em poucos minutos. Para saber adaptar a essas mudanças é necessário treinamento”, diz Patrícia Lisboa.

Atos processuais em formação e aplicabilidade do Código revogado - A garantia constitucional da isonomia


Na conjuntura atual, alguns pontos sobre os atos processuais em formação e aplicabilidade do Código revogado, seguindo a garantia constitucional da isonomia, precisam ser observados.


1. É indiscutível a aplicabilidade imediata do novo Código de Processo Civil, com o óbvio respeito ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e à coisa julgada (Constituição Federal, art.5º,  inciso  XXXVI ).

2. Também não se discute a imunidade dos atos processuais perfeitos ou consumados face à lei nova, considerado o princípio do isolamento dos atos processuais (referência normativa às situações jurídicas já consumadas). A habitual clareza do professor Cândido Rangel Dinamarco elucida o tema definitivamente: 

"Com relação ao processo civil a problemática do direito intertemporal concentra-se na definição de atos futuros a serem realizados em processos pendentes no momento de vigência da lei nova. Essa problemática liga-se à natureza dinâmica e evolutiva do  procedimento e da relação processual. Embora o processo seja um só e o mesmo do início ao fim, o procedimento em que se exterioriza é composto de inúmeros atos e variadas fases que se sucedem no tempo. Com a realização de atos e ocorrência de fatos ao longo do procedimento que vai da propositura da demanda inicial até a sentença que põe fim a ele novas situações jurídicas vão se criando e se extinguindo. Essas situações caracterizam-se como  direitos processuais adquiridos, tomada essa locução no amplíssimo sentido tradicional de situações jurídicas consumadas." (cf. "Instituições", 8a. ed., pg. 184). Acrescentemos: atos do processo que não têm narrativa própria, são atos jurídicos, como tais agregados ao tronco mais arcano e longevo da floresta jurídica, batizado de direito civil ("ius civile"). Em seu terreno os atos, simples e complexos, criam, modificam e matam direitos, enquanto suas doenças são tratadas e criteriosamente cuidadas.

3. Corolário desse entendimento doutrinário unanimemente acolhido pela jurisprudência decorre de fato processual contrário, é dizer, ao ato processual ainda não aperfeiçoado quando do momento da entrada em vigor da lei nova, ou de situação jurídica ainda não consumada, a nova lei é inaplicável. Não se confundam os fenômenos. Falamos de atos e, não, de fases processuais. Quanto a estas, a nova lei exerce sua autoridade de eficácia imediata.

4. Ocorre que, nessa evolução dinâmica, temos atos processuais simples (a citação do réu, por exemplo) e atos processuais complexos (as sentenças e os acórdãos, e.g) . Esses últimos não podem ser cindidos sob o pálio de duas ou mais normas jurídicas, sob pena de nulidade.  Logo, enquanto não aperfeiçoados esses atos, suspensos por alguma razão, como é frequente nos acórdãos, não há que se cogitar da aplicação da lei nova. O império normativo continua a ser o da norma revogada, até porque a parte ficou investida de direito adquirido ao tratamento uniforme, segundo a clássica definição de GABBA: direito integrado ao patrimônio do sujeito porém não exercido ao tempo da lei ultrapassada ( Carlo Franceso Gabba, "in" "Teoria della Retroattivitá delle Leggi", Torino, 1891).

A Súmula nº 513 do E. Supremo Tribunal Federal exemplifica o ato processual uno e complexo, no passo em que mais de uma decisão são proferidas no julgamento, complementarmente. Veja-se: "A decisão que enseja a disposição do recurso ordinário ou extraordinário não é do Plenário, que resolve o incidente de inconstitucionalidade, mas a do órgão (Câmaras, Grupos ou Turmas) que completa o julgamento do feito." (Sessão Plenária de 31/12/1969).

5. Destarte, se o julgamento de um acórdão de mérito foi suspenso, porquanto admitida uma das prejudiciais da ação (decadência, e.g.), porém afastada, em sede recursal, o processo retorna à origem para julgamento do mérito: significa o fenômeno que não há falar-se em ato isolado concluído ou situação jurídica consumada. A fortiori, o julgamento do mérito há de seguir o mesmo regramento do julgamento da prejudicial, em face da inconclusividade de um ato complexo.

6. Volvendo à pauta o julgamento de mérito, parece-nos, permissa concessa, induvidosa a aplicabilidade da lei antiga a ato processual que se irá aperfeiçoar.

7. Da premissa exsurge o afastamento de quaisquer institutos pertencentes ao Código de Processo Civil de 2016, como, por exemplo, a nova técnica de julgar (CPC, art. 942), quando se tem votação não unânime, recentemente prestigiada por precedentes do Colendo STJ, consistente em ampliação,  ou desmembramento (sic) do quórum julgador, em ordem quantitativa a permitir-se eventual modificação do julgamento majoritário.

8. Cumpre, por fim, invocar a supremacia da Constituição Federal, posta a subordinar as regras de sobre direito da lei infraconstitucional. Suponha-se decisão primeira, relativa à decadência, não unânime. Sob a vigência do Código de Processo Civil de 1973, como é óbvio, não se cogitou da nova técnica, em benefício do vencedor. Suponha-se que também o julgamento "de meritis" se deu por maioria; a exigência da nova técnica implicaria em derrocada do princípio basilar de igualdade das partes no processo (CF, art. 5º, "caput" e inciso I), em detrimento do direito adquirido do vencedor final a tratamento isonômico. A ele se teria imposto a ampliação do colegiado, dispensada ao adverso, no bojo de um mesmo e isolado ato processual.

9. São cautelas hermenêuticas imprescindíveis ao processo civil justo e constitucionalizado.






Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado, há mais de 40 anos, e se dedica à defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho, Direito Empresarial e Sindical e Direito Constitucional. Fundador do escritório Garrido de Paula Advocacia, situado na cidade de São Paulo.

Certificações ISO: seis motivos para implementar



Há alguns anos, se popularizou a busca das empresas por certificações ISO. A prática se tornou um atestado de qualidade de serviços e produtos muito valorizados no mercado mundial. Isso porque a própria ISO nasceu em um contexto de reestruturação da indústria. As empresas buscavam meios de padronizar produções, garantir os melhores processos, maximizar lucros, reduzir custos e oferecer atestados de qualidade ao consumidor.

Até pouco tempo, qualidade, padrão e garantia eram palavras dadas por vendedores. Alguns cumpriam, outros não. As normas e certificações passaram a assegurar que o que a venda dizia era verdade, trazendo segurança ao consumidor. Não é a toa que a norma mais famosa, e uma das primeiras a ser certificável, foi a ISO 9.001, que fala justamente de qualidade.

Apesar disso, os contextos sociais e econômicos foram se tornando cada vez mais complexos. Padronizações começaram a ser vistas com otimismo para atender à gestão, equipe, padrões governamentais, lida com riscos, meio ambiente, entre muitos outros aspectos dos negócios. Antes, esses aspectos eram ignorados, pois não havia uma noção de valor a eles atribuídos pela sociedade.

Conforme isso mudou, novas normas foram sendo demandas. O mercado precisava garantir seu bom funcionamento mediante a um mundo em transição. Hoje, temos normas que garantem até práticas de inovação, por exemplo, numa busca por disseminação de melhores práticas. É por conta dessa grande necessidade de evolução, que as certificações ISO são mais importantes e demandadas do que nunca. Abaixo, seis motivos para aderi-las.


Novas tecnologias: Vivemos em um mundo onde novas tecnologias surgem a todo momento. Elas precisam dialogar entre si, apresentar potenciais que se complementem, mas que entreguem ao cliente algo sempre melhor, garantindo competitividade e qualidade. Isso ainda se aplica ao desenvolvimento de coisas que até então eram sonhos. O próprio avanço científico e tecnológico precisa de regras.


Mundo globalizado: Estamos concorrendo com todos ao mesmo tempo. Para garantir que não se fique para trás em quesitos de mercado, é preciso estar pronto para jogar com os grandes players internacionais em todas as frentes. Apresentar um produto inferior que não cumpre o mínimo desejável pelo cliente é algo impensável.


Contexto social: Não é mais permitido a uma empresa estar fora de regulamentações ambientais, por exemplo. Além de a empresa correr o risco de cometer crimes, sua imagem é extremamente prejudicada quando isso ocorre. Sendo assim, cumprir com exigências sociais e legais também é algo que as certificações ajudam a garantir.


O futuro do trabalho: A gestão de pessoas mudou. Hoje, há uma intersecção entre trabalho humano e trabalho robótico, por exemplo, e essas relações precisam ser bem organizadas para que as produções estejam de acordo com o que traz mais lucro para a empresa.


Gestão do futuro: As normas de gestão também se enquadram aqui. Não é mais possível se ater apenas a lidar com os problemas quando eles ocorrem, ou gerir uma empresa baseado apenas na experiência. É preciso seguir procedimentos que garantem o mínimo de sucesso, a competitividade, e se blindar contra os riscos.


Inovação: Para finalizar, é preciso compreender processos e comportamentos voláteis. Implementar procedimentos que garantam uma lida produtiva com a volatilidade do mercado é a melhor maneira de compreender mudanças e conquistar ideias inovadoras que garantam o crescimento das empresas. As normas ISO estão aí para garantir justamente que lidemos da melhor forma com um mundo cheio de variáveis, garantindo o futuro dos nossos negócios. 
Para cada um desses temas, temos uma gestão ISO específica, que mostra a melhor direção para a empresa. E uma vez definida essa direção, as escolhas e decisões se tornam muito mais assertivas.




Alexandre Pierro - fundador da Palas, consultoria em gestão da qualidade e inovação, engenheiro mecânico pelo Instituto Mauá de Tecnologia e bacharel em física nuclear aplicada pela USP. Passou por empresas nacionais e multinacionais, sendo responsável por áreas de improvement, projetos e de gestão. É certificado na metodologia Six Sigma/ Black Belt, especialista e auditor líder em sistemas de gestão de normas ISO. É membro de grupos de estudos da ABNT, incluindo riscos, qualidade, ambiental e inovação. Atualmente, cursa MBA em inovação.


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