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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

VAMOS AO TEATRO



Banda do Riso
A partir do mês de agosto, o Tietêatrinho - projeto cultural do Tietê Plaza Shopping, que exibe peças infantis com entrada gratuita - está de volta com novas atrações. No próximo domingo (7), as crianças vão conferir a apresentação “Banda do Riso”.

A Banda do Riso promete divertir e encantar os pequenos numa mistura de teatro e música, com os clássicos infantis. Cada integrante vai se tornar um personagem para narrar e cantar uma história da música.
A apresentação tem duração de 40 minutos com início às 14 horas, no Tietê Plaza Cultural, que fica no 2º Piso. O espaço tem capacidade para 240 pessoas, e as senhas são entregues meia hora antes da apresentação.



Tietê Plaza Cultural – 2 º Piso
Marginal Tietê, entre as pontes Piqueri e Anhanguera
Mais informações: 11 3201 9000
7 de agosto
às 14 horas

facebook.com/tieteplazashopping
@tieteplazashopping
SAC: 11 3201 9000





SHOPPING PÁTIO GUARULHOS APRESENTA GAME SHOW ENTRE PAIS E FILHOS COM OS PALHAÇOS ZICO & ZEN
 


No domingo, 7 de agosto, a programação Teatrinho no Pátio do Shopping Pátio Guarulhos será com os palhaços Zico & Zen agitando games e brincadeiras entre pais e filhos. A atração é gratuita e acontecerá às 14h30 no Primeiro Piso.
Durante a apresentação, os convidados vivenciarão situações engraçadas com Zico & Zen, e participarão de um super game show com provas de agilidade, raciocínio e trabalho em equipe.
Os personagens Zico e Zen são conhecidos pelo visual futurista, com perucas de borracha que imitam penteados descolados, babados e frufrus nos figurinos em cores homogêneas, maquiagens suaves, pés gigantes e nariz avermelhado. 

Shopping Pátio Guarulhos
Primeiro Piso
Avenida Rosa Molina Pannochia, 331, Vila Rio
Mídias sociais: @shoppingpatioguarulhos no Facebook e no Instagram
Telefone: 2458-8100
Dia 7 de agosto de 2016
14h30
Apresentação gratuita
Classificação: livre




O Lago de Nós
  

Direção e Criação: Chris Belluomini
Assistência de Coreografia e 
Ensaios: Ana Luisa Seelaender
Assistência Artística: Márcio Greyk e Mauro J. Alves
Música Original: Carlos Ranoya
Desenho de Luz: Miló Martins
Elenco: Abner Raposeiro, Alessandro Mesquita, Alexander Matos, Alyne Souza, Amanda Carvalho, Ana Carolina Silva, Bianca Costa, Bianca Remohi, Cezar Augusto, Cristiano Saraiva, Daniel Roberto Freitas, Débora Fernandes, Edson de Freitas, Enoque Gomes, Fabricio Oliveira, Felipe Almeida, Gabriela Braz, Giovana Santos, Henrique Moreno, Jaqueline Andrade, Karen Vanessa, Keithy A. Balthazar, Larissa Morais, Larissa Bicho, Lee Santos, Lilian Martins, Lucas Pardin, Marcela Pizone, Marcos Vinicius Oliveira, Mariana Pizone, Matheus Moreira, Moises Matos, Naomi Druck, Natanael Santos, Paula Freitas, Rachel de Sousa, Rafaela de Alencar, Ronilson Silva, Saullo Souza, Stefany Alves, Thainá Souza, Thais de Souza, Thaís dos Reis, Thaissa Santos, Thamires Marinho, Tiago Penalva, Tiago Nascimento, Richard Pessoa, Vinícius da Conceição, Yorrana Soares.

Voltada para jovens talentos de áreas com vulnerabilidade social, iniciativa das Fábricas de Cultura tem se consagrado pela excelência de suas apresentações

O elogiado espetáculo de dança O Lago de Nós, do Núcleo Luz, com direção de Chris Belluomini, tem apresentações gratuitas em agosto no Sesc Bom Retiro (dias 10 e 11). O projeto artístico-pedagógico faz parte do programa Fábricas de Cultura, da Secretaria da Cultura do Estado, gerenciado pela organização social POIESIS.

A partir de metáforas como a imagem poderosa do lago, que transita da superfície à profundidade e do reflexo à imersão, o espetáculo trata das relações afetivas. Fala do que nos afeta e é afetado por nós, assim como o que nos conecta e nos desconecta, tanto intimamente quanto na interação com o mundo. Tudo isso é mostrado com representações de grande beleza plástica e estética, somadas ao perfeccionismo das performances dos dançarinos do projeto.

Criado em 2007, o Núcleo Luz oferece a jovens de baixa renda a oportunidade de vivenciarem a dança de forma mais aprofundada, ampliando seu universo cultural por meio do ensino de diferentes técnicas de dança, criação de espetáculos, desenvolvimento de trabalhos artísticos e de diversas atividades socioeducativas. A participação é gratuita e os aprendizes recebem bolsa-auxílio, alimentação e transporte.


Sesc Bom Retiro

Alameda Nothmann, 185, Bom Retiro, São Paulo/SP 
10 e 11 de agosto de 2016 (quarta e quinta), às 21h
Entrada gratuita: retirar ingressos na bilheteria 30 minutos antes do espetáculo.




Espetáculo Albedo volta a São Paulo para mais duas apresentações gratuitas 

 Texto: Mauricio de Oliveira e Bergson Queiroz
Direção de Produção: Tanza Produções – Alessandra Herszkowicz
Concepção e Direção: Maurício de Oliveira
Coreografia: Mauricio de Oliveira e elenco
Dramaturgia: Bergson Queiroz e Mauricio de Oliveira
Conceito e treinamento em manipulação dos Objetos/Máscaras : Duda Paiva
Criação dos Objetos/ Máscaras: Duda Paiva e Evandro Serodio
Desenho de luz: Raquel Balekian
Operação de Luz: Raquel Balekian ou Agostinho Oliveira da Silva Filho
Identidade Visual: Mauricio de Oliveira
Trilha Sonora: The Haxan Cloak
Figurino: Gustavo Silvestre
Designer Grafico: Ivan Bernardelli
Intérpretes/Criadores: Andressa Cabral, Daniela Moraes, Danielle Rodrigues, Rodrigo Rivera, Marina Salgado, Ivan Bernardelli

Na alquimia, após o caos ou a massa confusa da fase Nigredo, onde encontramos a impura matéria primeva ou um mundo imaginal de elementos a serem transformados, temos a etapa da Albedo, aonde as impurezas foram lavadas, e a matéria se tornou branca, lunar, prata. Um princípio de pureza aprisionado na matéria é libertado.

No espetáculo Albedo é trabalhado um território, simultaneamente imaginário e real, onde o fazer artístico da dança se transforma pelo primado da presença em cena. O que tradicionalmente se chama dança e o que tradicionalmente se chama teatro perde a importância da sua distinção. O real de cada dia e o real do sonho, que só percebemos quando estamos dormindo, se fundem e se multiplicam em imagens que nos resgatam e nos dão o sentido da transformação alquímica. As máscaras que nos aderem a elas, e que carregam a marca dos teatros de bonecos da tradição popular, aparecem para revelar o que escondemos, e para obscurecer aparências que acreditamos como realidades absolutas.

Dom Quixote é um invisível fio condutor da construção do espetáculo. Cervantes trouxe a vida um personagem, imortalmente atual, para apresentar um painel crítico de um mundo que ainda acreditava em vãos ideais de nobreza e heroica cavalaria. Dom Quixote é a um tempo sublime e ridículo, idealista e lunático, buscando a pureza ideal, mas inescapavelmente preso de cada volta de um colorido e obscuro caminho.

Perseguimos ideais de beleza que são colocados na nossa época, tal como no tempo de Cervantes se perseguiam títulos de nobreza. Mas em algum momento agônico percebemos que beleza e feiura estão inextrincavelmente ligado. Quando o tumulto das nossas falas se dissolver no hálito lunar, existira uma heroica montaria que nos leve ao encalço daquilo que foi chamado de beleza? Ou quando nos percebermos mortos, quem estará realmente morto, já que percepção é vida? Talvez estejamos então a caminho de enunciar com nosso corpo, alquimicamente, a palavra renascida.


Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo 
Baixos do Viaduto do Chá s/n - Galeria Formosa.
15 e 16 de agosto – 19h
           Retirada de ingressos: 30 minutos antes do espetáculo
Quanto: Gratuito
Classificação: Livre







PARA QUE O CÉU NÃO CAIA

Criação e direção: Lia Rodrigues
Assistente de direção e criação: Amália Lima
Dançado e criado em estreita colaboração com: Leonardo Nunes, Gabriele Nascimento, Francisco Thiago Cavalcanti, Clara Castro, Clara Cavalcante, Dora Selva, Felipe Vian, Glaciel Farias, Luana Bezerra, Thiago de Souza, com a participação de Francisca Pinto
Dramaturgia: Silvia Soter
Colaboração artística e imagens: Sammi Landweer
Criação de Luz: Nicolas Boudier

O mito do fim do mundo, relatado pelo xamã Yanomami Davi Kopenawa, diz que, rompida a harmonia da vida no universo, o céu – que no idioma Yanomami é entendido por “aquilo que está acima de nós” – desaba sobre todos os que estão abaixo e não apenas sobre os povos das florestas. 

O espetáculo Para que o céu não caia integra o Circuito Cultural Rio, idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Prefeitura do Rio, para a programação cultural dos períodos Olímpico e Paralímpico, que vai de maio a setembro de 2016.

Para que o céu não caia foi concebido, entre 2015 e 2016, pela coreógrafa Lia Rodrigues e os 11 bailarinos de sua companhia em sua sede, o Centro de Artes da Maré. O embrião da criação foi o projeto piloto Questionário Afetivo–Cultural-Corporal na Maré, parte do projeto Dançando com a Maré, patrocinado pela Globo através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura/Lei do ISS. Neste projeto, os bailarinos da Lia Rodrigues Companhia de Danças, junto com os 18 jovens do Núcleo 2 da Escola Livre de Danças da Maré e de duas estagiárias, percorreram ruas da Maré e pediram a mais de cem pessoas para responderem, de diferentes formas, a um questionário produzido coletivamente. A partir dessa experiência, os bailarinos e estudantes criaram um exercício coreográfico que foi o início do processo de criação de Para que o céu não caia.

“Diante de tantas catástrofes e barbáries que todos os dias nos assombram e emudecem, neste contexto de drásticas mudanças climáticas que escurecem o futuro, o que nos resta a fazer? Como imaginar formas de continuar e agir?  O que cada um de nós pode fazer para, a seu modo, segurar o céu? Não há tempo a perder antes que tudo desabe. O céu já está caindo e aqui estamos nós a viver sob ele. Vamos juntar nossas forças mais íntimas para manter este céu. Cada um a sua maneira. Na Maré nós dançamos no ritmo de máquinas e carros, helicópteros, sirenes, nós dançamos sob um calor escaldante, nós dançamos com chuva e tempestade, nós dançamos como uma oferenda e como um tributo, para não desaparecer, para durar e para apodrecer, para mover o ar e para se expandir, para sonhar e para visitar lugares sombrios, para virar vagalume, para sermos fracos e para resistir. Nós dançamos para encontrar um jeito de sobreviver neste mundo virado de cabeça para baixo. Dançar para segurar o céu. É  o que podemos fazer. Para que o céu não caia… dançamos.”, escreve Lia Rodrigues sobre esta nova criação.

Para que o céu não caia estreou em maio deste ano, na Alemanha, em Dresden, onde foi finalizado durante uma residência artística, e depois foi apresentado em Hamburgo, Potsdam, Berlim, Frankfurt e Düsseldorf, como parte do Projeto Brasil. Logo após, Para que o céu não caia foi apresentado no Festival Montpellier Danse, na França, para onde retorna em novembro deste ano para uma temporada em Paris, seguindo depois para Grenoble e Toulouse.  

Assim, como em Pindorama (2013) e Aquilo de que somos feitos (2000), em Para que o céu não caia o público fica no mesmo espaço que os bailarinos, sem divisão entre palco e platéia, praticamente fazendo parte do espetáculo.




CENTRO DE ARTES DA MARÉ
Rua Bittencourt Sampaio, 181, Nova Holanda, Maré (terceira rua à direita depois da passarela 9 da Av. Brasil, sentido Centro-Zona Oeste)
Tel. (21) 3105-7265.
 Quinta e sexta, 19h. Sábado e domingo, 18h.
TEMPORADA:  até 28 de agosto de 2016
ENTRADA FRANCA
Classificação 16 anos 
Reservas e informações sobre a van que fará o trajeto Zona Sul-Maré, aos sábados e domingos: paraqueoceunaocaia@gmail.com




Proibido Amar

Texto e direção: Rafael Salmona
Elenco: Ferruccio Cornacchia, Paulo Tardivo e Paulo Victor Gandra
Fotografia: Maya Morikawa


Após um vírus contaminar 33% da população humana, o Estado, que exerce grande poder sobre a sociedade, opta por separar todas as vítimas e pessoas em zona de risco em quarentena. Segundo os organizadores, os segregados passariam por uma bateria de exames para saber se estão ou não aptos para viver em sociedade. 
O vírus que se alastra rapidamente pela sociedade, transmitido pelo toque e por relações sexuais, as punições e as acusações previstas para seus portadores direcionam a temática da peça para a discussão sobre o preconceito contra homossexuais e a desinformação. Ares, Eros e Apolo são vítimas da situação e levam ao público a importante reflexão de como viver sob repressão e preconceito. 


Teatro Augusta
R. Augusta, 942 – Cerqueira César
* pagam meia entrada: estudantes; professores da rede pública de ensino; menores de 21 anos; pessoas maiores de 65 anos.
Quartas e quintas, às 21h
Temporada: até 1º de setembro
Classificação: 16 anos



Uma mulher quase normal
Texto: Renata Maria Pinheiro
Direção: Márcio Mehiel
Elenco: Antoniela Canto, Cibele Bissoli, João Paulo Oliveira, Patricia Polak, Vitor Campos e Wagner Galvão.

Mulher perde seu grande amor e tenta esquecê-lo, buscando desesperadamente um novo romance
Com texto inédito da dramaturga estreante Renata Maria Pinheiro e direção de Márcio Mehiel, a comédia Uma mulher quase normal entra em cartaz no próximo dia 07 de agosto no Teatro Viradalata, em São Paulo.
 A peça retrata a vida de Dora, uma mulher que perde seu grande amor e sai numa busca desenfreada por um novo romance. Nessa busca ela se surpreende com tipos nada convencionais que cruzam seu caminho: desde um rapaz que faz cosplay do Darth Vader, um cara com TOC, um argentino hilário que não é o que parece, até alguém que enlouquece em um passeio de balão.
“Os acontecimentos transcorrem pela ótica ingênua de Dora, que em determinado momento entra em conflito e passa a se questionar sobre essa busca, desnudando o delicado universo feminino de forma sutil e nos levando a uma reflexão: jamais devemos perder a esperança e a capacidade de acreditar nas pessoas e no amor”, diz Renata, autora da peça.

Teatro Viradalata – Sala Nobre
Rua Apinajés, 1387 – Perdizes
www.ingressorapido.com.br - Telefone: (11) 3868-2535
Sábados 20h00 e domingos 19h00
Temporada: De 07 de agosto a 25 de setembro
Classificação: 14 anos




A Volta dos que Não Foram" show mistura stand-up comedy, música e esquetes

O grupo de humor Os Impossíveis está com um novo espetáculo em cartaz no Teatro Santo Agostinho, em São Paulo. Intitulado  "A Volta dos que Não Foram" o show é comandado por Catito Mio, que a cada semana apresenta dois humoristas convidados diferentes. Eles vão contar as mais incríveis e divertidas histórias do cotidiano em uma mistura de comédia stand-up, música, esquetes e personagens.

O elenco conta histórias com um ponto de vista muito diferente e ainda interage com as pessoas da plateia fazendo diversas brincadeiras, o que garante boas gargalhadas. A novidade fica por conta da banda Sax in The Beats que anima o show com sua trilha sonora pra lá de divertida.

Teatro Santo Agostinho
Rua Apeninos, 118, Teatro Santo Agostinho São Paulo SP 01533-000
Sábados, às 19:00 Hs
Agosto: 06/08 - 13/08 - 20/08

Setembro: 03/09 - 10/09 - 17/09

Outubro: 01/10 - 08/10 - 15/10 - 22/10





Se fosse fácil, não teria graça
Autor - Nando Bolognesi
Direção - Nando Bolognesi
Elenco - Nando Bolognesi

Na apresentação, o cômico profissional conta como descobriu, aos 21 anos, que tinha esclerose múltipla e narra, ironizando os fatos, como aprendeu a conviver com as limitações impostas pela doença.
Ele conta como tem transformado dificuldades, limites e crises em alegrias, desafios e realizações. O texto é engraçado, mas, também, humano e comovente, trazendo diversas reflexões sobre a vida, a morte, nosso lugar no universo e nossa relação com a alteridade. 

 Sobre o ator
Nando Bolognesi nasceu em maio de 1968. Ao descobrir que tinha uma doença degenerativa, progressiva, incurável e com potencial incapacitante resolveu dar uma virada na própria vida. Formado em economia na USP e em história na PUC, ingressou na concorridíssima Escola de Arte Dramática EAD-ECA-USP. Trabalhou no cinema, televisão e teatro com diretores consagrados como Laís Bodansky, Fernando Meirelles, Hector Babenco, Elias Andreato e Celso Frateschi, entre outros. Casou-se e adotou um filho.
Criou, integrou ou dirigiu diversos projetos, entre ele o Doutores da Alegria, o Cidadão Clown, o Fantásticos Frenéticos e o espetáculo Jogando no Quintal. Publicou o livro Um palhaço na boca do vulcão (ed. Grua) e, desde agosto de 2013, apresenta o espetáculo “Se fosse fácil, não teria graça” em teatros, empresas e universidades.

Sobre a esclerose múltipla
A esclerose múltipla acomete o sistema nervoso central e pode afetar o cérebro e a medula espinhal. Com o avanço da doença, os pacientes podem perder algumas capacidades físicas e cognitivas, manifestando-se de formas variadas em cada um.
Hoje o prognóstico da doença conta dos avanços da medicina, de novas abordagens terapêuticas e de tratamentos multidisciplinares que melhoram significativamente a qualidade de vida e o controle de surtos e sintomas dos pacientes.
Fonte: ABEM - Associação Brasileira de Esclerose Múltipla.


Teatro - Tucarena
Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes São Paulo (entrada pela Rua Bartira)
Tel - (11) 3670-8453
Bilheteria do teatro
Pela Internet - www.ingressorapido.com.br
Central de Vendas - (11) 4003-1212 (aceita todos os cartões de crédito).
21h
Quintas-feiras
Temporada: até 03 de novembro  - (exceto dias 25/08, 01 e 08/09.)
Classificação: 14 anos



Penha



“Eu amo, sou louca por ele, e serei feliz, ter filhos, minha casa tão sonhada. Ficar velhinha com ele, como é bom pensar e viver isso”. Maria foi uma mulher que trabalhou para mim e que conheci há muitos anos. Acompanhei - de longe - esse envolvimento amoroso, o sorriso que ele provocava nela, as canções que ela entoava enquanto arrumava meu apartamento e as brincadeiras que eu fazia quando a via assim: “que alegria, heim, Maria?” E ela: “é o amor! Não tem coisa melhor!”.

E não deveria mesmo ter coisa melhor. O encontro de alguém com quem dividir segredos e esperanças, projetos e realizações. Maria pensou ter achado. O “seu homem”, como ela dizia – o sorriso mesclando-se às palavras cheias de carinho – conhecera-o há quatro anos, na igreja que ela frequentava. Homem fervoroso, trabalhador (bebia só um pouquinho, nada exagerado, só fim de semana), sempre preocupado com o futuro, carinhoso com ela, atencioso. Foram se conhecendo, ele nunca “avançou o sinal”, respeitoso que ela quase ficava desconfiada (e aí Maria soltava sua risada gostosa, livre, autêntica). A coisa foi ficando séria e não teve jeito: casaram. Fui padrinho, dei geladeira – branca, duas portas, com freezer - ela quem pediu, dizia ser um luxo que sonhara desde menina, poder guardar carne pro mês inteiro, como fazia na minha casa de homem sozinho.

Esse romance durou perto de dois anos. Um dia, a vizinha dela ligou, dizendo que Maria não poderia vir para o trabalho. Doença, afirmou. Preocupei-me, liguei para a casa dela, ninguém atendeu. Não vou me delongar, nem fazer suspense. Nunca mais vi Maria. Naquele dia, o marido, em uma cena de ciúme – um colega de bar disse algo sobre a alegria dela, o sorriso dela, algo sobre um outro membro da igreja, algo sujo e podre – bateu nela até desfigurar seu rosto. Quebrou o braço direito em três partes. Furou o baço a chutes e ela morreu antes mesmo de chegar ao hospital. O homem fugiu. Nunca mais o viram. Nunca houve punição. Soube uns dias depois, quando liguei para a vizinha. Ela me disse sem emoção: “o marido parece que pegou ela num lance com outro homem e acabou com a raça dela. Não quis falar no dia porque achava que seria surra à toa. Mas acabou matando”. Isso foi há 15 anos. Nunca esqueci da brutalidade, da gratuidade, da desumanidade do motivo de agressão tão desproporcional, absurda, incoerente, insana. O homem que a amava quebrou-a como a um graveto, deformou-a como a uma garrafa plástica. Eliminou-a. O inquérito resta inconcluso, sem prisão, sem condenação.

Há 10 anos, outra Maria inspirou uma Lei para proteger Marias dessa violência inaudita. No seu artigo 20, afirma: “Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.” Ah, minha amiga Maria. O quanto vasto é o mundo e quantos homens poderiam ter entendido esse texto tão óbvio, óbvio, óbvio. Mas ainda quantos homens (ora, homens!) buscam ainda explicar, justificar, contemporizar, amenizar sua covardia e bestialidade. A lei Maria da Penha é um avanço? Sem dúvida. A lei Maria da Penha nos envergonha? Sem dúvida.



Daniel Medeiros - doutor em Educação pela UFPR e professor de Filosofia no curso Positivo

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