Especialista explica por que a participação do
paciente é parte essencial da segurança e como hospitais estruturam processos
para evitar falhas
Mesmo com avanços na medicina e protocolos cada
vez mais rigorosos, erros evitáveis ainda podem ocorrer nos serviços de saúde.
E, em muitos casos, poderiam ser prevenidos com medidas simples. Falhas na
identificação do paciente, problemas de comunicação entre equipes e equívocos
na administração de medicamentos seguem entre os principais riscos
assistenciais.
Entretanto, quando o assunto é esse, um alerta
ganha ainda mais relevância: garantir um cuidado seguro não depende apenas das
instituições, mas também da participação ativa de quem está sendo atendido. “Um
paciente bem informado e participativa ajuda a reduzir riscos. Ele deve estar
atento às informações sobre o próprio cuidado, como dados pessoais, histórico
de saúde, alergias e medicamentos em uso”, explica Karina Pereira de Oliveira,
gerente de Enfermagem do Hospital Evangélico de Sorocaba.
Onde estão os principais riscos
Entre as situações mais comuns que podem
comprometer a segurança do paciente, destacam-se:
- Identificação incorreta: troca de prontuários ou
procedimentos realizados em pacientes errados;
-
Erros de medicação: dose inadequada, troca de medicamentos ou interações
perigosas;
-
Falhas de comunicação: informações incompletas entre profissionais ou com o
próprio paciente e familiares;
-
Infecções relacionadas à assistência;
-
Falta de confirmação de procedimentos: ausência de checagem antes de cirurgias
ou exames.
Informação é a primeira barreira contra erros
Antes de qualquer procedimento, entender
exatamente o que será feito pode evitar falhas importantes. Fazer perguntas, muitas
vezes visto como constrangimento, é, na verdade, uma atitude de segurança.
“Essas perguntas ajudam a evitar falhas de comunicação e garantem que o
paciente esteja alinhado com a equipe”, reforça Karina.
Entre os pontos que devem ser confirmados pelo
paciente estão:
- Confirme sempre sua identificação (nome completo
e data de nascimento);
-
Pergunte sobre o procedimento: entenda o que será feito e por quê;
-
Informe todos os medicamentos que utiliza;
-
Questione dúvidas: não hesite em pedir explicações claras;
-
Verifique orientações pós-atendimento, como uso de remédios ou retorno.
Da participação do paciente aos protocolos de
segurança
Essa postura ativa do paciente não acontece
isoladamente, mas faz parte de um conjunto de protocolos adotados pelas
instituições de saúde para reduzir riscos. Nos bastidores do atendimento,
equipes seguem rotinas padronizadas de checagem antes de qualquer procedimento.
São confirmados dados como identidade do paciente, data de nascimento,
procedimento a ser realizado, local correto, possíveis alergias, entre outros.
Antes da realização de procedimentos invasivos, há
ainda uma pausa de segurança, em que todos os profissionais revisam as
informações. Nesse momento, a participação do paciente é incorporada ao processo.
“Ele pode e deve confirmar seus dados e o procedimento. Essa participação é
parte essencial da segurança”, destaca Karina.
Quando a tecnologia reforça a segurança
Além dos protocolos, hospitais vêm incorporando
tecnologia para reduzir ainda mais as chances de erro — especialmente na
administração de medicamentos, uma das etapas mais sensíveis do cuidado. No
Hospital Evangélico de Sorocaba, por exemplo, todo o processo é estruturado
para garantir segurança em cada etapa: da prescrição à aplicação.
As prescrições são feitas eletronicamente, a
farmácia realiza a separação com apoio de sistema mobile e a equipe de
enfermagem faz a administração à beira do leito com checagem por código de
barras, tanto da pulseira de identificação quanto do medicamento. “Isso garante
que o medicamento esteja sendo administrado no paciente correto, na hora
correta e segura”, diz Karina.
O mito que ainda coloca pacientes em risco
Apesar dos protocolos, um dos maiores desafios
ainda é cultural: muitos pacientes evitam questionar por receio de atrapalhar o
atendimento.
Mas esse comportamento pode, na prática, aumentar
os riscos. “Perguntar, confirmar informações e participar ativamente do cuidado
aumentam a segurança. A prevenção de erros depende de uma comunicação aberta e
sem barreiras”, finaliza a especialista.
Karina Pereira de Oliveira - gerente de Enfermagem do Hospital Evangélico de Sorocaba