Educadora explica o que realmente importa: ritmo, identidade, propósito e perfil do aluno
Janeiro
chega e, com ele, uma das decisões mais importantes para qualquer família:
escolher a escola ideal para o novo ano letivo. A dúvida parece simples, mas
envolve muito mais do que estrutura, mensalidade e recomendações de conhecidos.
Segundo
Valma Souza, diretora do PB Colégio e Curso, o processo
deveria começar em outro lugar. “A pergunta não é qual é a melhor escola da
cidade, mas qual é a melhor escola para o seu filho. E essa resposta muda de
estudante para estudante”, afirma a especialista que explica que cada aluno tem
um conjunto único de características: ritmo, maturidade, ambição acadêmica,
relação com a rotina, sensibilidade emocional, interesses e até estilo de
aprendizagem.
“Há
adolescentes que sonham com o primeiro lugar em Medicina e prosperam em
ambientes extremamente exigentes. Outros se desenvolvem melhor em escolas que
valorizam criatividade, projetos e inglês de alta carga. Ambos podem ter
sucesso, desde que o ambiente seja coerente com quem eles são.”
O que observar ao visitar uma escola
A
visita presencial é decisiva, mas precisa ser guiada por critérios claros.
Valma recomenda que pais analisem:
•
ritmo de trabalho e progressão das atividades
•
clareza sobre critérios de avaliação e expectativas
•
coerência entre discurso e prática pedagógica
•
ambiente emocional da turma e dos corredores
•
nível de autonomia esperado dos alunos
•
comportamento dos estudantes no dia a dia (não só no tour)
•
oportunidade de assistir a uma aula real
“Uma escola pode ser excelente, mas inadequada para o perfil do seu filho. É
preciso ler sinais”, explica Valma.
Qual é o perfil do seu filho? Perguntas que os pais precisam fazer ao estudante
O aluno precisa ser o protagonista da escolha. Por isso, Valma sugere perguntas
que ajudem a entender o que realmente faz sentido para ele:
•
Qual ritmo você sente que funciona melhor para você?
•
Você se imagina em uma escola mais competitiva ou mais criativa?
•
O que te motiva: grandes resultados, projetos, provas, inglês, tecnologia,
arte?
•
Como você se sente com pressão? Ela te impulsiona ou te trava?
•
Você gosta de rotina estruturada ou prefere formatos mais flexíveis?
•
Você quer aprofundar disciplinas específicas (como exatas ou redação)?
•
O que você espera da sua escola neste ano?
“Às vezes, o aluno tem um objetivo que os pais desconhecem. Ou tem uma
necessidade emocional muito clara, mas não consegue verbalizar. Essa conversa
muda tudo”, explica a diretora.
Perguntas que os pais devem fazer à escola
A outra metade do processo envolve entender o que a escola oferece, e como isso
dialoga com o perfil do estudante.
•
Como a escola lida com dificuldades emocionais e acadêmicas?
•
O que ela considera sucesso escolar?
•
Como acompanha alunos que aprendem mais rápido ou mais devagar?
•
Quais são as expectativas de autonomia para cada série?
•
Há espaço para tutoria, monitoria ou apoio individualizado?
•
Como a escola trabalha hábitos de estudo e permanência?
•
Qual é a abordagem para limites, responsabilidade e rotina?
“A família precisa enxergar não só o projeto pedagógico, mas o projeto de
formação humana daquela instituição”, afirma Valma.
Erros mais comuns que as famílias cometem ao escolher uma escola
Para
Valma, muitos problemas de adaptação poderiam ser evitados se as famílias
observassem alguns pontos fundamentais. Entre os erros mais frequentes, ela
destaca:
Escolher pela reputação, não pelo encaixe
“Muitas
vezes a família mira a escola mais famosa, não a mais adequada ao perfil do
aluno. Reputação não garante pertencimento”, explica.
Focar só na estrutura física
Laboratórios
modernos e quadras novas impressionam, mas não substituem metodologia
consistente e boas práticas de acompanhamento.
Ignorar o perfil emocional do estudante
“Há
adolescentes que prosperam com alta cobrança e outros que travam. Não existe
certo ou errado: existe o que funciona”, afirma Valma.
Avaliar apenas a opinião dos pais
Em
muitos casos, o aluno sequer é ouvido. “Quando o estudante participa da
decisão, a adaptação é muito melhor. Ele precisa se enxergar naquele espaço.”
Superestimar ou subestimar a maturidade do filho
Pais
podem imaginar que o aluno está pronto para um ambiente altamente competitivo,
quando ainda não desenvolveu permanência e autonomia.
Não assistir a uma aula real
A
visita guiada mostra o prédio. A aula mostra a escola.
Basear tudo em uma conversa rápida na secretaria
“A
escolha precisa envolver equipe pedagógica, coordenação, professores. Escola é
relação humana”, reforça a diretora.
O processo no PB como exemplo de alinhamento entre perfil e projeto
Valma
compartilha como o PB conduz seu processo de entrada.
“Antes da matrícula, a escola faz uma conversa com o aluno e outra com os pais.
Queremos entender objetivos, maturidade, ritmo e forma de aprender. Nosso papel
é identificar se o estudante se beneficia do nosso modelo. A decisão precisa
fazer sentido para ele, não apenas para a família”, explica.
Em
alguns casos, a escola orienta sobre expectativas, sobrecarga ou necessidade de
acompanhamento prévio. “Escola não é só estrutura. É pertencimento. Quando
aluno e projeto caminham na mesma direção, tudo flui. E sim, tem vezes que
explicamos para o aluno e os pais que nossa instituição pode não ser a ideal,
pois é preciso ter clareza, honestidade e alinhamento de expectativa”, conclui Valma
Souza, diretora do PB Colégio e Curso.
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