Adriana
Melo, CFO da SAS Brasil, mostra como planejamento em diferentes fases da vida
garante liberdade, autoestima e segurança
Separações, maternidade, mudanças de carreira ou mesmo a reinvenção depois dos 50 anos: todos esses marcos podem abalar a vida financeira de uma mulher. E, muitas vezes, é só nesses momentos de estresse que ela procura ajuda. O problema é que chegar até aí sem preparo costuma custar caro: em dinheiro, em autoestima e até em liberdade.
Para Adriana Melo, CFO da SAS Brasil e também mentora financeira, unindo finanças corporativas e inteligência comportamental para decisões mais inteligentes, a independência vai além das planilhas. “Dinheiro não é apenas números na conta: é poder de escolha. É o que garante que uma mulher possa decidir se fica ou sai de um relacionamento, se muda de carreira ou até de país. Ter independência financeira é não precisar negociar a dignidade para pagar boletos”, afirma.
O alerta se reforça diante de dados preocupantes. Segundo o Mapa do Meu Bolso em Dia, 34% das queixas de violência contra mulheres no Brasil envolvem abuso financeiro ou patrimonial. No cenário internacional, estudos da NNEDV mostram que 99% dos casos de violência doméstica estão ligados a algum tipo de controle financeiro.
Diante desse
cenário, Adriana reuniu passos inegociáveis para que
mulheres construam independência financeira e se blindem contra riscos.
Confira:
1. Crie uma reserva de emergência
“Ter de 6 a 12
meses de despesas garantidos é a diferença entre liberdade e desespero. Essa
reserva permite atravessar separações, mudanças de carreira ou momentos de
saúde delicada sem depender de terceiros”, comenta.
2. Invista em si mesma
“Cursos, terapia,
especializações e networking de qualidade não são luxo. Eles fortalecem a
autoestima, abrem portas e garantem que suas escolhas não fiquem limitadas pela
falta de qualificação ou apoio emocional”, complementa Adriana.
3. Mantenha uma fonte de renda, mesmo que pequena
“Mesmo mulheres
que optam por não trabalhar formalmente devem considerar alternativas.
Freelancers, consultorias ou atividades paralelas mantêm as habilidades vivas,
reforçam a autoestima e asseguram autonomia em caso de imprevistos”, entende.
4. Busque orientação especializada
“Uma mentoria ou
consultoria financeira funciona como personal trainer: acelera resultados, traz
clareza e evita erros. Não espere uma crise para pedir ajuda: o custo de se
antecipar é sempre menor do que o de remediar”, orienta a especialista.
5. Revise seguros, documentos e contratos com frequência
“A vida muda, e
seus registros precisam acompanhar. Seguros, testamentos, contratos e até
contas conjuntas devem ser revisados periodicamente. O que era válido em uma
fase pode ser um risco em outra”, afirma.
Transições
que pedem planejamento extra
-
Casamento e divórcio: manter uma conta
individual é tão importante quanto compartilhar despesas. Estudos do Northern
Trust indicam que, após o divórcio, o padrão de vida das mulheres cai em média
30%, enquanto o dos homens sobe cerca de 10%.
- Reinvenção aos 50+: longe de ser tarde, é o momento de capitalizar experiência e investir em novos caminhos. Mulheres vivem, em média, cinco anos a mais que homens, o que exige preparo extra para não depender de filhos ou pensão no futuro.
Para Adriana, o recado é claro: independência financeira não é luxo, é necessidade. “Planejamento oferece segurança e poder de escolha, os dois pilares do verdadeiro empoderamento feminino. Uma mulher dona do seu dinheiro é, acima de tudo, dona do próprio destino”, conclui.
Adriana Nunes de Melo -
CFO da SAS Brasil e mentora financeira. Com mais de 20 anos de experiência em
finanças corporativas, planejamento e tributação, já atuou em empresas como
Gartner, Ferrero, Votorantim e CNH Capital. Une a experiência de quem lidera
finanças de uma multinacional à vivência de quem orienta pessoas e negócios a
organizarem suas contas e investirem melhor. Também escreve sobre o encontro
entre finanças e comportamento, com uma abordagem prática e profunda.
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