Por muito tempo, a segurança da informação foi
encarada como um custo ou, para piorar, como um obstáculo burocrático que
freava a transformação digital e inovação no mercado. No entanto, em um cenário
global onde os ataques cibernéticos se tornam cada vez mais sofisticados e
constantes, essa percepção não é apenas ultrapassada, mas perigosa para todas
as empresas que queiram se tornar verdadeiras referências inovadoras em seu
ramo.
Inovar é sempre um risco. Nunca há 100% de certeza
de quais resultados serão obtidos com essa estratégia. Porém, aquelas que não
se arriscam, testam e validam, perderão espaço para concorrentes com essa
ousadia de pensar e agir diferente. Isso não significa, contudo, dar passos
constantes frente aos objetivos desejados, sem, ao mesmo tempo, se blindar
contra eventuais riscos e impactos que possam gerar danos graves à organização.
Existem três princípios fundamentais a serem
prezados na garantia dessa proteção: o de confidencialidade (garantindo que
apenas as pessoas permitidas tenham acesso aos dados internos, evitando sua
visualização por aqueles que não forem utilizá-los a algum fim que gere valor);
integridade (mantendo a preservação dessas informações, sem que sejam alterados
ou corrompidos de forma maliciosa); e disponibilidade (prezando por sua
acessibilidade funcional aos usuários autorizados).
Hoje, por mais que, segundo o “Panorama de Dados
2025”, 87% das empresas realizam auditorias regulares de dados para garantir
essa precisão e consistência das informações, 82,5% dos líderes ainda gastam
mais de uma hora por semana realizando limpeza e reconciliação de dados entre
sistemas, abrindo margem para danos severos de vazamentos de dados.
Os riscos deste despreparo são nítidos. Os crimes
cibernéticos se tornaram a preocupação número um em todo mundo – com a projeção
de que, no Brasil, causem prejuízos de US$ 394 bilhões (cerca de R$ 2,2
trilhões) às empresas nacionais nos próximos três anos, conforme levantado pela
VULTUS Cybersecurity Ecosystem.
Pode parecer complexo proteger os ativos
corporativos diante de tentativas constantes de acesso por esses criminosos.
Porém, tudo é questão de planejamento, até porque, à medida em que a tecnologia
avança a um ritmo veloz, por que não utilizar esses recursos a favor da
segurança da informação?
Um dos caminhos mais positivos de reforçar esse
propósito está no investimento de normas e boas práticas internacionais que
orientem as empresas no cumprimento desses pilares e, ainda, no máximo proveito
das oportunidades inovadoras, respaldadas por mecanismos sofisticados de
cibersegurança que mitiguem danos graves ao uso desses ativos nesses
planejamentos.
Nesse sentido, a ISO/IEC 27001 vem se destacando e
sendo cada vez mais adotada no mercado. Essa norma reconhecida e atestada
internacionalmente fomenta o uso de boas práticas e de controle, de forma
sistemática, dos dados corporativos, garantindo sua confiabilidade, proteção e
acesso facilitado aos usuários permitidos.
Sua adoção não segue uma receita de bolo, mas parte
do diagnóstico interno e gestão de riscos de cada organização, mapeando e
identificando possíveis impactos aos ativos sensíveis para que, a partir disso,
compreendam quais controles devem ser instaurados a fim de assegurar essa
segurança da informação.
Além de garantir a proteção desses dados e uma
natural conformidade com as leis nacionais, também é um reforço estratégico à
inovação. Afinal, qualquer ideia ou projeto testado em uma empresa engloba uma
série de informações que, se vazadas, certamente irão comprometer a conquista
de resultados excelentes e o destaque competitivo da marca.
É crucial ter critérios muito bem definidos por
trás de tudo que será feito nesse sentido, analisados e guiados por uma
liderança capacitada e qualificada que compreenderá quais projetos seguirão em
frente ou não em cada momento, tomando as melhores decisões que alcancem os
objetivos esperados pela organização.
O sucesso da inovação engloba uma série de cuidados
indispensáveis para essa prosperidade à longo prazo, indo desde boas práticas
de gestão amparadas por normas internacionais, como a ISO 56001 até a
manutenção da segurança da informação interna, também orientadas por normativas
válidas globalmente que se adequem aos gaps e necessidades de cada negócio.
Essa visão é o que o Brasil precisa para que
possamos alavancar nosso potencial inovador, ao invés de cairmos, cada vez
mais, neste ranking global. Ter um senso crítico apurado que identifique os
caminhos errados que estamos tomando, falhas que estamos cometendo, e como
arrumar essa bagunça interna para encontrar jornadas melhores. Tudo isso, se
baseando em dados que precisam estar devidamente protegidos e respaldados.
Rogério Guilhermeti - consultor, auditor líder e empresário com mais de 16 anos de experiência em sistemas de gestão, segurança da informação e inovação. Especialista em integrar estratégia, processos e conformidade às normas ISO 9001, ISO 27001 e ISO 27701 para fortalecer a governança e a proteção de dados corporativos.
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