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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Reforma Tributária na Saúde: um desafio estratégico, não apenas fiscal

 

Em meio a tantos desafios conjunturais, a Reforma Tributária tem sido, para muitos gestores da saúde, um ruído de fundo — um tema importante, porém distante. Este é um erro de percepção perigoso. Embora a reforma acene com benefícios promissores, como a simplificação de processos e a redução da carga tributária, a jornada para alcançá-los é complexa e o tempo, escasso. A verdade é que esta não é apenas uma mudança de alíquotas, é a mais profunda transformação operacional e tecnológica das últimas décadas no Brasil, e as empresas que não derem a devida atenção correm o risco de ver suas operações verdadeiramente comprometidas. 

Para o setor da saúde, a proposta é ambiciosa. A legislação prevê uma redução de 60% nas alíquotas do IVA Dual (CBS e IBS) para uma vasta gama de serviços — de consultas e hospitais a laboratórios e fisioterapia —, além de dispositivos médicos e de acessibilidade. Adicionalmente, isenta completamente 383 medicamentos essenciais. O potencial para redução de custos, aumento da competitividade e maior acesso para a população é evidente. Contudo, essa mesma especificidade que gera benefícios também adiciona camadas de complexidade que precisam ser corretamente configuradas nos sistemas de gestão das instituições de saúde. 

O ponto mais crítico, e que parece ainda não ter sido totalmente absorvido pelo mercado, é o cronograma. A Receita Federal já está em fase de testes e o prazo final para que as empresas ajustem seus sistemas e participem do ambiente de homologação é outubro de 2025. A consequência é direta e severa: quem não estiver em conformidade não conseguirá emitir notas fiscais a partir de janeiro de 2026. A operação pode parar. 

A adequação a este novo cenário é uma tarefa eminentemente tecnológica. A reforma introduz novos documentos fiscais eletrônicos, novas obrigações acessórias como a DERI (Declaração Eletrônica de Regimes Específicos) e exige a inclusão de novas informações nos arquivos XML das notas fiscais para viabilizar a apuração assistida e o split payment. Isso demanda configurações nos sistemas de ERP, que precisam ser realizadas por um parceiro tecnológico que esteja não apenas a par, mas à frente da legislação. Na TOTVS, por exemplo, estamos participando ativamente dos grupos de estudo e dos projetos-piloto junto ao governo para garantir que nossas soluções estejam preparadas com a devida antecedência. 

A mensagem para os líderes do setor da saúde é clara: a Reforma Tributária precisa ser tratada como um projeto estratégico, com um comitê multidisciplinar e com o envolvimento direto da alta gestão. É preciso agir agora para mapear os impactos, planejar a adequação de sistemas e processos e garantir que os prazos críticos sejam cumpridos.

Ignorar a complexidade da transição em prol dos benefícios futuros não é uma estratégia. O relógio está correndo, e o custo da inação será infinitamente maior do que o investimento necessário para uma transição segura e bem planejada.


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