![]() |
| Imagem de prostooleh no Freepik |
Hoje, dia 10 de novembro, o Brasil celebra o Dia Nacional de
Prevenção e Combate à Surdez, uma data que chama atenção para algo silencioso,
mas que pode transformar completamente a vida de quem é afetado: a perda
auditiva. O alerta é essencial, já que a deficiência auditiva pode atingir
pessoas de todas as idades — e, muitas vezes, se instala de forma gradual,
passando despercebida até causar impacto direto na comunicação, na convivência
social e na saúde mental.
De acordo com a Dra. Raquel Rodrigues, médica
otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, há diversos
fatores que podem levar à surdez, e muitos deles estão relacionados ao estilo
de vida atual. “A exposição a ruídos é um fator de risco importante — e não
apenas no ambiente de trabalho. É comum que, no lazer, as pessoas fiquem
próximas de caixas de som ou usem fones em volume alto, sem perceber o quanto
isso pode danificar a audição”, explica. A médica também destaca outros riscos,
como infecções de ouvido, uso de medicamentos ototóxicos e doenças crônicas.
“Hipertensão e diabetes precisam estar sob controle para manter a saúde
auditiva”, alerta.
Embora a perda auditiva seja mais frequente entre idosos, ela não
deve ser considerada algo natural do envelhecimento. Segundo a especialista, a
presbiacusia — perda auditiva relacionada à idade — precisa ser investigada e
tratada. “É perigoso normalizar o problema. Quando não reabilitada, a perda
auditiva aumenta o risco de quadros demenciais e depressão, pois contribui para
o isolamento social. Precisamos dos nossos sentidos em todas as fases da vida,
e o idoso precisa ainda mais”, reforça a Dra. Raquel.
Ela ressalta que a audição está diretamente ligada à atividade
cerebral. “Quem escuta, na verdade, é o cérebro. O ouvido transforma o som em
estímulo, mas é o córtex auditivo que interpreta. Por isso, manter a audição
ativa ajuda a preservar outras funções cognitivas”, explica.
Os sinais de alerta vão muito além de escutar baixo. Muitas vezes,
o primeiro sintoma é a dificuldade de compreender o que se ouve. “O paciente
diz que escuta, mas não entende. Ele começa a fazer leitura labial, aumenta o
volume da televisão, ou percebe dificuldade em conversar ao telefone, ou em
ambientes ruidosos. Esse esforço para compreender o som já é um indício de
perda auditiva”, observa a otorrino.
Outro ponto de atenção é a surdez súbita, que pode ocorrer de um
dia para o outro e exige atendimento médico urgente. “É uma alteração repentina
da audição, geralmente em um dos ouvidos. Nem sempre há uma causa definida, mas
pode estar relacionada as infecções virais. O fundamental é procurar o otorrinolaringologista
quanto antes, porque o tratamento precoce aumenta muito as chances de
recuperação”, orienta a Dra. Raquel.
Para preservar a qualidade auditiva, os cuidados devem começar
cedo. “Evitar o excesso de ruído, ter atenção ao uso de fones e não ignorar
sintomas como dor, abafamento ou perda repentina de audição é essencial. Muitas
situações poderiam ser revertidas se o paciente procurasse ajuda logo no
início”, afirma a médica.
Ela também reforça a importância da avaliação auditiva em todas as
idades. “A perda de audição pode ser congênita, aparecer na infância, na vida
adulta ou na velhice. A audiometria é o exame que nos ajuda a identificar o
tipo e o grau da perda e definir o tratamento adequado”, destaca.
Com os avanços da medicina, a reabilitação auditiva se tornou cada
vez mais eficaz e discreta. “Os aparelhos de audição evoluíram muito. Hoje são
pequenos, confortáveis e oferecem uma qualidade de som excelente. Existem
vários modelos e, mais importante, eles permitem que a pessoa volte a se
comunicar bem e viva com autonomia”, diz a Dra. Raquel Rodrigues.
Para ela, a principal mensagem do Dia Nacional de Prevenção e
Combate à Surdez é clara: não ignore os sinais. “Perder a audição não é normal.
Devemos e merecemos ouvir bem. E hoje a medicina oferece meios de diagnosticar
e reabilitar com qualidade. O que não pode é deixar o tempo passar e
comprometer a saúde auditiva e mental”, finaliza a Dra. Raquel Rodrigues,
otorrinolaringologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco.

Nenhum comentário:
Postar um comentário