Dias
atrás reli um artigo do pesquisador da Embrapa e membro do Conselho Científico
Agro Sustentável, Décio Luiz Gazzoni, sobre a expansão agrícola sem
desmatamento. O texto, publicado em 2023, ainda é muito atual e me fez refletir
novamente sobre algo que sempre defendo: a sustentabilidade não é apenas uma
exigência ambiental, é uma decisão econômica inteligente.
Como
economista e alguém que acompanha o agro de perto — inclusive viajando para
conhecer iniciativas em diferentes países — vejo com muita clareza o que
Gazzoni já apontava: a grande fronteira do crescimento brasileiro está dentro
das áreas já abertas, principalmente nas pastagens degradadas.
E
os números mais recentes reforçam essa visão. Estudos da Embrapa, publicados na
revista internacional Land, indicam que o Brasil possui cerca de 27,7 milhões
de hectares de pastagens degradadas. Isso significa que temos uma área
gigantesca pronta para ser recuperada e incorporada à produção, sem a
necessidade de avançar sobre novos biomas.
Além
disso, durante a COP29, que aconteceu ano passado em Baku, no Azerbaijão, o
Brasil lançou o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD),
que prevê US$ 120 bilhões em investimentos nos próximos dez anos para recuperar
40 milhões de hectares. O número do programa é maior do que o estimado pela
Embrapa porque considera áreas em diferentes graus de degradação, aptas para
conversão produtiva ao longo dos anos.
Do
ponto de vista econômico, é um movimento que faz todo o sentido. Segundo o
Broto Notícias, o custo de recuperação de uma pastagem varia de R$ 6 mil a
R$ 30 mil por hectare, dependendo do nível de degradação, tipo de solo e
métodos adotados. Parece caro? Talvez à primeira vista. Mas quando olhamos para
o retorno — aumento de produtividade por hectare, redução de custos operacionais
e acesso a mercados premium que pagam mais por produtos rastreáveis e
sustentáveis — a conta fecha rapidamente.
Vi
isso acontecer em fazendas que visitei em viagens técnicas com a AgroTravel ao
redor do mundo.
Como
bem lembra Gazzoni, o produtor brasileiro já tem tecnologia e conhecimento para
fazer essa virada. O que falta, muitas vezes, é entender que sustentabilidade é
investimento, e não custo. E agora, com bilhões de dólares disponíveis em
crédito via BNDES, Banco do Brasil e fundos internacionais, esse argumento fica
ainda mais forte.
Estamos
acompanhando os trabalhos da COP30, que este ano acontece no Brasil, e o mundo
inteiro está olhando para nosso país. A oportunidade está escancarada: quem se
antecipar, quem enxergar a recuperação de pastagens como um ativo estratégico,
vai liderar o agro brasileiro do futuro.
Sempre digo nos grupos que acompanham as viagens da AgroTravel: o futuro do agro não está em abrir novas áreas, mas em transformar cada hectare já aberto em um ativo de alta performance. O artigo de Gazzoni só reforçou o que vejo na prática. E, como economista, reafirmo: essa é a equação mais inteligente que já tivemos nas mãos.
Fábio Torquato - economista, formado em Relações Internacionais e fundador da AgroTravel
AgroTravel
www.agrotravel.com.br
contato@agrotravel.com.br
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