Em meio ao aumento das
demissões voluntárias e o retorno ao presencial, flexibilidade se torna um
diferencial na retenção de talentos
Envato
O Brasil registrou um recorde histórico de
pedidos de demissão em 2024, com quase 8,5 milhões de trabalhadores deixando
seus empregos de forma voluntária. O dado é da LCA Consultoria Econômica, com
base em informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Uma sondagem,
realizada pelo órgão, com mais de 53 mil desses profissionais revelou que, além
da busca por novas oportunidades, fatores como a falta de reconhecimento,
estresse, rigidez na jornada (15,7%) e dificuldade de mobilidade (21,7%)
pesaram na decisão de desligamento.
Nesse cenário, empresas que mantêm estruturas
presenciais rígidas vão na contramão das expectativas atuais dos trabalhadores.
Enquanto algumas enfrentam desafios para reter talentos, outras vêm
consolidando modelos remotos com bons resultados. É o caso da MAVERICK 360,
agência de comunicação e marketing que atua 100% de forma remota desde 2014.
Com uma operação baseada em metas claras, processos definidos e foco nas
entregas, a empresa afirma ter conquistado engajamento e fidelização da equipe
distribuída pelo Brasil.
No início do ano, uma pesquisa realizada pela
Catho já indicava a tendência de retorno ao modelo presencial: 69% das
companhias brasileiras declararam intenção de adotar esse formato em 2025. Para
Fabíola Cottet, sócia-fundadora da agência, embora algumas funções exijam
presença física, áreas como marketing, comunicação e gestão não necessariamente
se beneficiam do modelo tradicional. “O problema é que muitas empresas não
souberam se adaptar ao trabalho remoto e agora estão voltando ao presencial sem
repensar estrutura, cultura ou processos”, afirma.
Segundo ela, esse movimento tem gerado desconexão
com as expectativas dos profissionais. “O modelo híbrido, em muitos casos,
também virou um retorno disfarçado. Quatro dias no escritório e um em casa não
é flexibilidade — é controle. O que falta ainda é confiança, clareza de
objetivos e processos que sustentem o trabalho à distância”, pontua.
Mais do que uma escolha estratégica, o modelo
remoto da MAVERICK 360 nasceu de uma experiência pessoal dos fundadores. “A
gente vivia na pele a dificuldade de deslocamento nas grandes cidades e sabia o
quanto isso impactava a qualidade de vida. Quando decidimos abrir a agência, a
ideia era justamente valorizar o tempo das pessoas, evitando horas perdidas no
trânsito e promovendo mais equilíbrio”, explica Rick Garcia, sócio-fundador da
MAVERICK 360.
Para o empresário, o desafio está menos no modelo
e mais na forma como ele é implementado. “Não se trata de escolher remoto ou
presencial, mas de estruturar uma operação coerente com os objetivos do
negócio. O remoto exige documentação de processos, planejamento, cultura
digital e autonomia, não é só mandar todo mundo para casa”, completa.
Entre os principais feedbacks recebidos por quem
migra para a agência, estão justamente os ganhos em qualidade de vida e o
alívio com o fim das longas horas de deslocamento. “Muitos dizem que não querem
voltar ao modelo anterior. Poder levar os filhos na escola, cuidar da saúde ou
evitar duas horas de trânsito diário faz diferença real no bem-estar e isso se
reflete na produtividade”, conclui Garcia.
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