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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Trânsito, estresse e rigidez: por que milhões estão deixando seus empregos?

Envato
Em meio ao aumento das demissões voluntárias e o retorno ao presencial, flexibilidade se torna um diferencial na retenção de talentos


O Brasil registrou um recorde histórico de pedidos de demissão em 2024, com quase 8,5 milhões de trabalhadores deixando seus empregos de forma voluntária. O dado é da LCA Consultoria Econômica, com base em informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Uma sondagem, realizada pelo órgão, com mais de 53 mil desses profissionais revelou que, além da busca por novas oportunidades, fatores como a falta de reconhecimento, estresse, rigidez na jornada (15,7%) e dificuldade de mobilidade (21,7%) pesaram na decisão de desligamento.

Nesse cenário, empresas que mantêm estruturas presenciais rígidas vão na contramão das expectativas atuais dos trabalhadores. Enquanto algumas enfrentam desafios para reter talentos, outras vêm consolidando modelos remotos com bons resultados. É o caso da MAVERICK 360, agência de comunicação e marketing que atua 100% de forma remota desde 2014. Com uma operação baseada em metas claras, processos definidos e foco nas entregas, a empresa afirma ter conquistado engajamento e fidelização da equipe distribuída pelo Brasil.

No início do ano, uma pesquisa realizada pela Catho já indicava a tendência de retorno ao modelo presencial: 69% das companhias brasileiras declararam intenção de adotar esse formato em 2025. Para Fabíola Cottet, sócia-fundadora da agência, embora algumas funções exijam presença física, áreas como marketing, comunicação e gestão não necessariamente se beneficiam do modelo tradicional. “O problema é que muitas empresas não souberam se adaptar ao trabalho remoto e agora estão voltando ao presencial sem repensar estrutura, cultura ou processos”, afirma.

Segundo ela, esse movimento tem gerado desconexão com as expectativas dos profissionais. “O modelo híbrido, em muitos casos, também virou um retorno disfarçado. Quatro dias no escritório e um em casa não é flexibilidade — é controle. O que falta ainda é confiança, clareza de objetivos e processos que sustentem o trabalho à distância”, pontua.

Mais do que uma escolha estratégica, o modelo remoto da MAVERICK 360 nasceu de uma experiência pessoal dos fundadores. “A gente vivia na pele a dificuldade de deslocamento nas grandes cidades e sabia o quanto isso impactava a qualidade de vida. Quando decidimos abrir a agência, a ideia era justamente valorizar o tempo das pessoas, evitando horas perdidas no trânsito e promovendo mais equilíbrio”, explica Rick Garcia, sócio-fundador da MAVERICK 360.

Para o empresário, o desafio está menos no modelo e mais na forma como ele é implementado. “Não se trata de escolher remoto ou presencial, mas de estruturar uma operação coerente com os objetivos do negócio. O remoto exige documentação de processos, planejamento, cultura digital e autonomia, não é só mandar todo mundo para casa”, completa.

Entre os principais feedbacks recebidos por quem migra para a agência, estão justamente os ganhos em qualidade de vida e o alívio com o fim das longas horas de deslocamento. “Muitos dizem que não querem voltar ao modelo anterior. Poder levar os filhos na escola, cuidar da saúde ou evitar duas horas de trânsito diário faz diferença real no bem-estar e isso se reflete na produtividade”, conclui Garcia.


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