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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Pouco a comemorar, muito por fazer


A divulgação do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, trouxe um retrato duro e persistente: em 2023, o Brasil registrou mais de 45 mil homicídios, sendo quase metade das vítimas jovens entre 15 e 29 anos. Uma média de 60 vidas interrompidas por dia. Ainda que a taxa de homicídios tenha apresentado uma leve queda, os números continuam inaceitáveis para um país que busca se desenvolver de forma justa e democrática. 

O dado mais alarmante é a brutal seletividade da violência. As maiores vítimas são jovens, negros, moradores das periferias urbanas. Cidadãos cujas trajetórias foram, muitas vezes, marcadas pela exclusão e pela ausência do Estado. Esse cenário escancara a urgência de se investir em políticas públicas que não apenas garantam segurança, mas também ofereçam caminhos de emancipação por meio da educação, da justiça social e do fortalecimento da cidadania. 

É nesse contexto que a educação para a cidadania assume papel estratégico. A construção de uma sociedade mais segura e igualitária passa pela democratização do acesso à informação, pelo combate à desinformação e pelo conhecimento efetivo dos direitos. Jovens conscientes de suas prerrogativas, com senso crítico e preparados para atuar em comunidade, têm mais chance de romper ciclos de violência e exclusão. 

O Instituto Nelson Wilians (INW) acredita que a transformação social começa pela valorização da cidadania ativa. Ao promover a cultura da legalidade, os direitos humanos e o protagonismo juvenil, iniciativas do terceiro setor têm mostrado que é possível incidir positivamente sobre a realidade, ainda que em contextos adversos. A ação da sociedade civil organizada é complementar e essencial às políticas públicas. 

O Atlas da Violência é um alerta. Mas também deve ser um ponto de partida para a mobilização coletiva. Garantir a dignidade, os direitos e as oportunidades para nossas juventudes é o caminho mais efetivo e sustentável para reduzir os índices de violência e construir um futuro mais justo, plural e democrático.

Ainda há pouco a comemorar. Mas há muito por fazer. E todos somos responsáveis por isso.




Anne Wilians - advogada, fundadora e diretora-presidente do Instituto Nelson Wilians (INW) e sócia da Nelson Wilians Advogados.


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