A
divulgação do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, trouxe um retrato duro e persistente: em 2023,
o Brasil registrou mais de 45 mil homicídios, sendo quase metade das vítimas
jovens entre 15 e 29 anos. Uma média de 60 vidas interrompidas por dia. Ainda
que a taxa de homicídios tenha apresentado uma leve queda, os números continuam
inaceitáveis para um país que busca se desenvolver de forma justa e
democrática.
O
dado mais alarmante é a brutal seletividade da violência. As maiores vítimas
são jovens, negros, moradores das periferias urbanas. Cidadãos cujas
trajetórias foram, muitas vezes, marcadas pela exclusão e pela ausência do
Estado. Esse cenário escancara a urgência de se investir em políticas públicas
que não apenas garantam segurança, mas também ofereçam caminhos de emancipação
por meio da educação, da justiça social e do fortalecimento da cidadania.
É
nesse contexto que a educação para a cidadania assume papel estratégico. A
construção de uma sociedade mais segura e igualitária passa pela democratização
do acesso à informação, pelo combate à desinformação e pelo conhecimento
efetivo dos direitos. Jovens conscientes de suas prerrogativas, com senso
crítico e preparados para atuar em comunidade, têm mais chance de romper ciclos
de violência e exclusão.
O
Instituto Nelson Wilians (INW) acredita que a transformação social começa pela
valorização da cidadania ativa. Ao promover a cultura da legalidade, os
direitos humanos e o protagonismo juvenil, iniciativas do terceiro setor têm
mostrado que é possível incidir positivamente sobre a realidade, ainda que em
contextos adversos. A ação da sociedade civil organizada é complementar e
essencial às políticas públicas.
O
Atlas da Violência é um alerta. Mas também deve ser um ponto de partida para a
mobilização coletiva. Garantir a dignidade, os direitos e as oportunidades para
nossas juventudes é o caminho mais efetivo e sustentável para reduzir os
índices de violência e construir um futuro mais justo, plural e democrático.
Ainda há pouco a comemorar. Mas há muito por fazer. E todos somos responsáveis por isso.
Anne Wilians - advogada, fundadora e diretora-presidente do Instituto Nelson Wilians (INW) e sócia da Nelson Wilians Advogados.
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