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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Alimentos ultraprocessados aumentam em 41% o risco de câncer de pulmão

Estudo foi o primeiro que relacionou os alimentos
 ultraprocessados ao risco de câncer de pulmão.
 Crédito: Imagem fictícia criada por IA apenas como forma ilustrativa
Estudo científico publicado em julho analisou 101 mil pacientes e foi o primeiro a relacionar os alimentos ultraprocessados com o risco de câncer de pulmão


Estudo divulgado em julho pela revista científica Thorax trouxe um alerta inédito: o consumo elevado de alimentos ultraprocessados está associado a um aumento de 41% no risco de câncer de pulmão. Foi a primeira pesquisa a relacionar diretamente esses alimentos, presentes na rotina de grande parte da população, com a incidência da doença. 

Refrigerantes, salgadinhos, sopas prontas, nuggets de frango, sorvetes e outros produtos ultraprocessados possuem ingredientes artificiais como conservantes, emulsificantes, corantes e gorduras modificadas. Segundo os pesquisadores, esses aditivos podem alterar a absorção de nutrientes e liberar contaminantes nocivos ao organismo, elevando o risco de doenças graves. 

Apesar do impacto do resultado, os cientistas reforçam que não se pode afirmar que os ultraprocessados causam câncer de pulmão. A pesquisa mostra uma relação estatística significativa, mesmo após controlar fatores como tabagismo. 

“Às vezes, pode parecer distante imaginar que a alimentação tenha relação com o câncer de pulmão. Mas esse estudo chamou a atenção porque mostrou justamente isso: um aumento de 41% de risco em pessoas que consomem ultraprocessados”, afirma o oncologista Dr. Maikol Kurahashi, diretor técnico do Eco Oncologia, em Curitiba. Ele reforçou que os alimentos que escolhemos são fundamentais para prevenir não só o câncer de pulmão, mas também de outros tipos de tumores em diversos locais do corpo.

 

Câncer de pulmão: números preocupantes

O câncer de pulmão é o que mais mata no mundo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é o terceiro mais comum entre os homens e o quarto entre as mulheres no Brasil, com mais de 32 mil novos casos previstos por ano. Apenas em 2020, a doença foi responsável por 28.618 mortes no país. 

Se o padrão atual de consumo de tabaco for mantido, a estimativa é que até 2040 o número de casos cresça 65% e a mortalidade aumente 74%. 

“O câncer de pulmão é um tumor extremamente letal, mas a mortalidade tem diminuído graças ao avanço das terapias e também à queda no tabagismo. Hoje, no entanto, cresce muito o número de pacientes que nunca fumaram e que desenvolvem a doença por outros fatores”, explica Dr. Maikol.

 

Além do cigarro: poluição ambiental também preocupa

Se durante décadas o tabagismo foi o principal vilão, hoje especialistas observam outra ameaça: a poluição do ar. O número de pacientes com câncer de pulmão que nunca fumaram cresce em ritmo acelerado. E a poluição é apontada como uma das principais causas. 

“Esse é um tópico difícil, porque não temos como escolher o ar que respiramos. Mas é uma pauta urgente que precisa de ações governamentais e sociais para reduzir a exposição da população a agentes poluentes comprovadamente relacionados ao câncer de pulmão”, alerta o oncologista.

 

Tratamento e prevenção

Nos últimos anos, o tratamento do câncer de pulmão avançou com a imunoterapia e as terapias alvo, que permitem combater mutações genéticas específicas do tumor. Esses recursos já possibilitam que pacientes vivam por muitos anos, mesmo em casos metastáticos. 

Ainda assim, a prevenção segue sendo a melhor forma de enfrentar a doença: evitar tabaco (incluindo cigarros eletrônicos), reduzir ultraprocessados, praticar atividade física e adotar uma alimentação equilibrada. Estes dois últimos itens são fundamentais para a prevenção de diversos outros tipos de câncer. 

A campanha Agosto Branco, voltada à conscientização sobre o câncer de pulmão, reforça a importância de olhar para hábitos de vida que podem reduzir riscos. Este ano, além do combate ao tabagismo, a campanha ganha força com a discussão sobre poluição e alimentação saudável como fatores preventivos.

 

Eco Medical Center
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