Durante a campanha do Novembro Roxo, sobre prematuridade,
especialista do CHN alerta para as principais causas de mortalidade infantil no
país
Novembro é o mês de conscientização e alerta para a
prematuridade, um problema de saúde pública global que atinge 15 milhões de
crianças no mundo. No Brasil, esta é a principal causa de mortalidade infantil,
de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os dados da Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP) de 2019 apontam que 12% dos partos brasileiros
são prematuros, ou seja, cerca de 360 mil crianças, por ano, nascem antes de
completar a 37ª semana de gestação, quase mil bebês por dia.
Segundo a dra. Manuele Calil, coordenadora de Obstetrícia do CHN, que faz parte da Dasa, a maior rede de saúde integrada do Brasil, são necessárias, aproximadamente, 37 semanas de gestação para o completo desenvolvimento da criança. Bebês que nascem antes desse período são considerados prematuros, mas há casos em que o parto ocorre antes da 28ª semana de gravidez e esses recém-nascidos são considerados prematuros extremos, pois necessitam de cuidados intensivos por um tempo prolongado até atingirem a maturidade e a formação dos órgãos fora do útero.
Causas da prematuridade
Alguns fatores podem influenciar o nascimento precoce do
bebê, como aconteceu com Deborah Cabral de Araújo Rosa, de 36 anos. Ela conta
que não teve nenhum sintoma ou problema de saúde relacionado com prematuridade,
mas na 27ª semana de gestação acabou sofrendo uma amniorrexe prematura – também
conhecida como “bolsa rota”, quando ela se rompe espontaneamente – e precisou
ser internada no CHN. Depois de cinco dias, Deborah entrou em trabalho de parto
e, em 11 de abril, Maria Antônia de Araújo Rosa nasceu pesando 950 gramas, às
vésperas da 28ª semana de gravidez.
A recém-nascida foi internada imediatamente na UTI Neonatal
do hospital, onde ficou por 59 dias. Sua evolução foi tão boa durante esse
período que ela já teve alta hospitalar e pôde retornar para casa em segurança
nos braços de Deborah.
“Foi vivendo na UTI por tanto tempo que aprendi a viver um
dia após o outro. Em meio a tanta incerteza e medo, foi lindo acompanhar a
Maria crescer e ganhar peso a cada dia, literalmente, debaixo de nossos olhos.
Não tem como passar pela UTI Neonatal sem se entregar totalmente a Deus,
entregar a vida de nossos filhos a Ele. É o que nos dá força para enfrentar
toda a ansiedade envolvida nesse processo”, conta Deborah.
A dra. Manuele explica que a prematuridade é um fenômeno
multifatorial e, em muitos casos, é difícil identificar uma razão exata.
“A ausência dos cuidados de pré-natal é um dos principais
fatores que podem resultar no nascimento prematuro. Além deste, tabagismo;
alcoolismo; estresse exacerbado; infecções urinárias; obesidade; diabetes
gestacional; pré-eclâmpsia – condição em que a pressão arterial da gestante
aumenta –; idade materna; má-formação fetal e gravidez de múltiplos são causas
frequentes para o parto prematuro”, detalha a especialista.
Alguns sinais também podem indicar que a gestante está
entrando em trabalho de parto prematuro. O sintoma mais claro da prematuridade
é o rompimento precoce da bolsa amniótica, mas outros sinais também incluem
contrações frequentes, mudanças na secreção vaginal, pressão pélvica, dor na
lombar e cólicas abdominais.
Para a médica, é possível reduzir a taxa de prematuridade, e
o segredo está no bom acompanhamento médico durante a gestação. “O pré-natal
inicia-se antes da descoberta da gravidez ou no momento em que ela é
confirmada. As consultas e os exames, bem como o monitoramento médico
constante, são passos necessários para evitar complicações futuras. Contudo, se
ainda assim o bebê nascer prematuro, não significa que vá haver algum problema
de saúde. Com o avanço da medicina neonatal, as taxas de sobrevida aumentaram,
juntamente com as chances de desenvolvimento pleno”, comenta a dra.
Manuele.
“Não tenho palavras para agradecer a
toda a equipe de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas
da UTI Neonatal do CHN. Em diversos momentos de ansiedade e medo, eles nos
deram um suporte incondicional, nos mostrando que estavam ali a postos, fazendo
de tudo para que a evolução da Maria seguisse da melhor forma possível.
Construímos amizades que nos acompanham até hoje e seguirão para sempre na
história de nossa família”, finaliza Deborah.
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