Pé diabético é problema grave, explica presidente da ABTPé;
novembro tem data mundial que alerta para a doença
Úlceras nos pés e amputação de extremidades são as
complicações mais temidas do diabetes FreePik
Úlceras nos pés e amputação de extremidades
são as complicações mais temidas do diabetes, problema que atinge mais de 13
milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. Dados do
Ministério da Saúde mostram que, de janeiro a agosto deste ano, o SUS (Sistema
Único de Saúde) registrou 6.982 amputações de membros inferiores causadas por
diabetes, o que equivale a 28 casos por dia.
Ainda de acordo com a Pasta, em todo o ano
de 2019 (pré-pandemia), foram contabilizados 8.600 registros, passando para
9.279, em 2020 (+ 7,8%). Em 2021, foram 9.781 amputações e, no ano passado,
10.168 (+ 3,9%).
Neste mês, a data de 14 de novembro é
marcada como o Dia Mundial do Diabetes, criado em 1991 pela Federação
Internacional de Diabetes (IDF) junto à Organização Mundial de Saúde (OMS) para
conscientizar o mundo sobre o reflexo do diabetes na saúde e mortalidade da
população. Projeções acerca da doença reforçam a necessidade dessa
conscientização. O número de casos de diabetes praticamente dobrará em pouco menos
de três décadas, segundo estimativas publicadas na revista científica “Lancet” no fim de junho. A publicação prevê que o mundo
deverá ter 1,3 bilhão de pessoas com a doença em 2050.
“As estatísticas e projeções acerca do
diabetes são alarmantes e há um agravante: o número de diabéticos deve ser bem
maior, já que por ser uma doença silenciosa, muita gente tem o problema e não
sabe. Estima-se que em cada cinco pacientes diabéticos, um não tem o
diagnóstico e só descobre após uma complicação causada pela doença. Entre todas
as suas complicações, o pé diabético é considerado um problema grave e com
consequências, muitas vezes, devastadoras em razão das úlceras, que podem
implicar em amputação de dedos, pés ou pernas”, ressalta o presidente da
Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé), Dr.
Luiz Carlos Ribeiro Lara.
O especialista explica que uma das lesões
que o diabetes causa é a neuropatia periférica, em que há perda da função dos
nervos do pé, principalmente da sensibilidade dolorosa e tátil, que conferem
proteção, dificultando a percepção do paciente em notar lesões ou feridas. “Sem
a sensibilidade, as possíveis lesões podem evoluir rapidamente e formar bolhas
e feridas abertas (úlceras), possibilitando assim a entrada de microorganismos
e causar uma infecção no pé. Em casos graves, é necessária a cirurgia para
limpeza e desbridamento das lesões mais profundas ou até mesmo a amputação de
dedos ou parte do pé para sanar a infecção”, fala.
O cirurgião lembra que o paciente com
diabetes também perde a sensibilidade para fraturas, deslocamentos ou
microtraumas ocorridos nos ossos do pé e tornozelo, o que exige um tratamento
diferenciado. Dependendo da gravidade, o tratamento pode ser imobilização por
gesso, órtese ou até mesmo cirurgia reconstrutiva.
Nas situações de infecção grave, a pessoa
pode apresentar mal-estar geral, febre, mas, outras vezes, a infecção pode
manifestar-se apenas com o aumento das taxas de açúcar no sangue “Normalmente,
nota-se abcesso, secreção purulenta, mau cheiro, área inchada e avermelhada, às
vezes com áreas de necrose de tecidos. Chegar a esse ponto é muito preocupante,
pois pode ser necessária a amputação para resolução do problema”, salienta.
Recomendações
O paciente com diabetes deve ater-se a
alguns cuidados com os pés para evitar as complicações da doença. Uma delas é
evitar andar descalço, especialmente fora de casa. “O uso de calçados especiais
para diabéticos, fechados, sem costura interna, com a parte da frente larga e
alta, e com palmilhas confortáveis, é recomendado sempre que possível”,
destaca.
O uso das meias também é importante e devem
ser, de preferência, brancas, para facilitar a identificação mais rápida de
algum machucado ou ferida no pé, e de algodão, que irritam menos a pele, com
costura pouco volumosa e sem elástico, para não comprometer a circulação.
O presidente da ABTPé lembra, ainda, que os pés devem ser examinados pelo menos uma vez ao dia, para a procura de calos e úlceras, além de verificar se há a presença de micoses e rachaduras. Mantê-los hidratados para evitar rachaduras cutâneas e infecções secundárias é outra ação. “Nunca tente retirar calos, limpar úlceras ou cortar as unhas sozinho. Identificando algo fora do normal, um especialista deve ser consultado”, conclui.
Associação Brasileira de Medicina e
Cirurgia do Tornozelo e Pé - ABTPé
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