Docente especialista do Colégio Marista
Arquidiocesano, localizado em São Paulo, explica os benefícios de manter os
pequenos na escola
A
Constituição brasileira determina que somente crianças a partir dos quatro anos
de idade estejam matriculadas na Educação Infantil. Por isso, com a
pandemia da Covid-19, muitos pais optaram por cancelar a matrícula dos pequenos
da escola, aguardando para que a situação se atenue.
Uma
pesquisa realizada entre maio e junho de 2020 com escolas da rede privada de
São Paulo pela ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), em
parceria com o Instituto Casagrande e o SIEEESP (Sindicato dos Estabelecimentos
de Ensino do Estado de São Paulo) apontou que houve uma evasão de 15% dos
alunos da Educação Infantil no período, porém nos outros níveis de ensino,
ficou em torno de 1%, em média.
Apesar
dessa decisão familiar, especialistas apontam benefícios da relação dos
pequenos com a escola. Para a coordenadora de Educação Infantil do Colégio
Marista Arquidiocesano, Rosana Marin, a relação se constrói na presença,
portanto, a escola deve continuar interagindo de maneira efetiva e valiosa para
que seja mantida a importância e a confiança já estabelecidas com cada criança
e sua família.
“Assim
como a caminhada natural do desenvolvimento infantil, que se mantém em pleno
movimento e crescimento, as ações da escola também passam por transformações.
Deve-se ampliar a escuta à família que, de modo geral, está ansiosa tanto pela
preocupação desse distanciamento das crianças ao universo escolar como pelas
mudanças ocorridas também em suas atribuições pessoais e profissionais”, explica
a docente.
Para
a professora, a escola precisa se dedicar, inclusive nesse momento de pandemia,
na relação com pais e filhos, não com foco direto na construção dos saberes,
mas sobretudo para que as crianças continuem se relacionando de alguma forma
entre si, ativando a possibilidade de ver e “estar” com o outro e para que
continuem encontrando nos professores, referências importantes de afeto. “Se
deixarmos de ser valor de apoio e parceria, que complementa junto às famílias
subsídios para o complexo ato de educar, menos importância teremos nessa
relação e mais facilmente deixaremos de fazer parte da vida delas”, esclarece.
Educação
em plataformas on-line
Diferente
da rotina do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, em que as crianças já têm níveis
de autonomia e entendimento para seguir as vídeoaulas e até transmissão de
aulas ao vivo, na Educação Infantil é preciso uma interação diferente, com
apoio dos pais ou responsáveis.
O
ensino não presencial representa nesse momento uma forma possível de “atuação
vinculada”. Ou seja, a proposta é equilibrar a forma de estar presente sob o
ponto de vista afetivo. Apesar de serem de uma geração considerada como
“nativos digitais”, necessitam da presença do adulto para auxiliá-las a manter
sua atenção e/ou organizar-se diante das propostas não presenciais.
“Sendo
essa realidade no universo virtual, que naturalmente impõe esse distanciamento,
a dispersão delas pode ocorrer até mais do que ocorreria, se comparada ao
ambiente em que a professora investe em expressão facial e corporal, gestos,
toque, aproximação, entre outros. Dessa forma, a presença de um adulto
auxilia essas interações com a professora e os colegas pelo computador”, afirma
Rosana Marin.
Para
a coordenadora de Educação Infantil do Colégio Marista Arquidiocesano, o plano
de aula para essas propostas baseado nos campos de experiências da Base
Nacional Comum Curricular, precisa contemplar elementos que despertem a
curiosidade da criança, que a desafiem, interajam com ela em sua linguagem, que
é potencialmente corporal, expressiva e espontânea. “Será um bom planejamento,
por exemplo, propor jogos ou histórias que lhe agreguem valor afetivo, como as
que envolvem personagens que elas gostem, ou ainda, se possível, que sejam
construídos pelas professoras, contendo elementos que lhe remetam a boas
vivências e memórias, como fotos dos colegas, a voz, imagens ou desenhos da
docente”, fundamenta.
Muitas
propostas, desafios, intervenções e interações devem ser viabilizados pela
escola para que essa aprendizagem, fortalecida e sustentada pelas diversas
oportunidades do meio no qual a criança está inserida evolua.” Nesse momento de
pandemia é necessária a presença ainda mais efetiva da família, que é quem está
ao lado da criança, ajudando-a, porém amparadas e acompanhadas pela escola,
pois pais e mães, que mesmo muito empenhados em oferecerem o melhor que puderem
aos seus filhos e sem medirem esforços são, naturalmente, pais e
mães, e não pedagogos”, finaliza Rosana Marin.
Rede
Marista de Colégios (RMC)
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