- Ferramenta é
capaz de identificar perfis públicos no Twitter de pessoas com problemas
emocionais a partir dos textos produzidos, cuja linguagem sinaliza
existência de um quadro de depressão
- Desde o
início do ano, quando o Algoritmo da Vida começou a funcionar, mais de 34
milhões de tweets foram analisados e mais de 1.300 perfis receberam
sugestão de contatar o CVV
- Criado pela agência Africa e pela Bizsys, o projeto passa a contar com apoio da SAP Brasil e da Amazon Web Services, que contribuirão para desenvolver o algoritmo e ganhar escala
·
No mundo,
mais de 1 milhão de pessoas tiram a própria vida a cada ano, de acordo com
a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ou seja, uma morte a cada 40
segundos em todo mundo, onde apenas 38 países possuem estratégias de prevenção
ao suicídio. O cenário nacional não é diferente. Todos os dias, 32 brasileiros
morrem por suicídio. Em 2018, foram 11 mil vidas perdidas. Segundo o
Ministério da Saúde, os números também revelam que o suicídio
aumentou 20% nos últimos cinco anos entre jovens de 15 a 19 anos. Essa já é a
quarta causa mais frequente de morte entre jovens no país.
Para ajudar
na prevenção de suicídios e reduzir esses números, a agência Africa e a Bizsys
criaram o Algoritmo da Vida, uma solução que identifica palavras,
expressões e frases que indicam sintomas de depressão em postagens públicas no
Twitter. Isso é possível porque pessoas com depressão repetem um determinado
grupo de palavras com mais frequência – a "gramática da depressão"
– como indicam estudos de especialistas em saúde mental*.
A
iniciativa, que já analisou mais de 34 milhões de tweets, conta agora com apoio
tecnológico da SAP e da Amazon Web Services (AWS).
Como
funciona, passo a passo
- O Algoritmo da Vida faz
uma varredura constante e automatizada de todos tweets públicos, aqueles
que podem ser vistos por qualquer pessoa da internet, mesmo sem ter uma
conta de usuário no Twitter.
- A ferramenta avalia
palavras, frases e, com ajuda da inteligência artificial, realiza uma
interpretação da mensagem, indicando se o tom é negativo e se o texto
contém os elementos da gramática da depressão.
- Quando uma publicação com
essas características é identificada pelo Algoritmo da Vida, ela é
direcionada para um time de profissionais voluntários que realizam uma
análise humanizada, para considerar contexto, ironias, recorrência e
entender o risco de cada situação.
- Para essa análise, o
painel de visualização apresenta informações para facilitar a
interpretação da situação: destaque em negrito de frases enquadradas na gramática
da depressão, histórico de mensagens e recorrência de tweets
com o assunto.
- Caso o autor apresente um
comportamento com ideação suicida, um voluntário envia uma Mensagem Direta
no Twitter, sugerindo que a pessoa entre em contato com o Centro de
Valorização da Vida (CVV), que realiza apoio emocional e
prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as
pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone,
email e chat 24 horas todos os dias
- As mensagens enviadas
foram pré-definidas e podem ser adaptadas pelos voluntários, que foram
treinados pela equipe do CVV, para que toda comunicação seja humanizada.
A
Tecnologia
Desenvolvido
pela agência Africa e pela Bizsys, o Algoritmo da Vida passa a contar com
tecnologias da SAP Brasil e da AWS, que se unem à causa para contribuir com a
melhoria contínua da ferramenta, por meio do apoio de times técnicos de analistas
de dados e engenheiros de solução em nuvem.
Com o SAP
HANA Cloud, o algoritmo será refinado por especialistas da SAP, buscando
melhorias da base de dados e implementação de inteligência analítica – capaz de
identificar mudança de comportamento nos perfis monitorados e sinalizando ações
necessárias.
Toda a
plataforma do Algoritmo da Vida rodará no ambiente de nuvem da AWS e será
replicado na SAP, que oferece escalabilidade, estabilidade e segurança para os
dados. A companhia também escalará profissionais do seu time de arquitetos de
soluções para trabalhar no desenvolvimento da aplicação.
“Somos uma
companhia que tem obsessão pelos clientes e colocar toda nossa história de
inovação em nuvem a serviço do bem-estar das pessoas, estejam elas onde estiverem,
é uma forma de dar um sentido maior a esse, que é nosso primeiro princípio de
liderança”, comenta Cleber Morais, diretor geral da AWS no Brasil.
Luciana
Coen, diretora de CSR e Comunicação na SAP Brasil, acredita que iniciativas
como essa possuem forte impacto para identificar vulnerabilidades emocionais e
ajudar para que as pessoas tenham acesso a serviços de apoio. “A tecnologia tem
a capacidade de escalar a solução de problemas, podendo atingir mais pessoas. O
Algoritmo da Vida é um projeto que abraçamos e que acreditamos que fará a
diferença na vida de muitas pessoas”, diz.
Para
a Africa, além do conhecimento técnico disponibilizado pela SAP e AWS, a
parceria agrega uma visão analítica, baseada em dados, que vai permitir o
controle total da ferramenta, além do diagnóstico em tempo real do quadro de
perfis monitorados – que podem ser incluídos em uma base de dados para ações de
suporte à sociedade em projetos de saúde pública, educação e combate à
prevenção
“O
Algoritmo da Vida nasceu a partir de uma ideia da agência que agora alcança uma
nova escala. Esse sempre foi um dos nossos objetivos, desde o início do
projeto. Então é gratificante tirar do papel essa nova parceria e ver as áreas
de comunicação e tecnologia unindo forças para gerar cada vez mais impacto
positivo”, comenta Sergio Gordilho, copresidente e CCO da Africa.
* Referências:
- Predicting Risk of Suicide Attempts Over Time
Through Machine Learning, dos autores Colin G. Walsh, Jessica D. Ribeiro,
e Joseph C. Franklin, da Association of Psychological
Science da Florida State University. https://bit.ly/2DwOYgM
- In an absolute state: elevated use of
absolutist words is a marker specific to
anxiety, depression and suicidal ideation, dos autores
Mohammed Al-Mosaiwi and Tom Johnstone Department of Psychology, School of
Psychology and Clinical Languages, University of Reading. https://bit.ly/2UGhySu
- MIT neural-network model, desenvolvido pelos autores Tuka Alhanai e
James Glass, pesquisadores da Computer Science and Artificial Intelligence
Laboratory , Mohammad Ghassemi, membro do Institute for Medical
Engineering and Science, http://bit.ly/2lU4mgB
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