O frade dominicano e escritor brasileiro, Frei
Betto, disse uma frase que tem ganhado cada vez mais notoriedade: “Nossos pais
e avós viveram épocas de mudanças. Nós vivemos uma mudança de época”. Essa
colocação mostra o quanto o nosso tempo está marcado por grandes e profundas
transformações. Segundo muitos especialistas, estamos vivendo uma mudança de
era. Mas, afinal, quais são as maiores tendências que representam o nosso
tempo? Vamos a elas!
Mundo tecnológico: a internet e principalmente os aparelhos móveis permitiram a
conectividade entre as pessoas 24 horas por dia, sete dias por semana,
independentemente de suas distâncias geográficas. Essa conexão mudou
completamente as interações humanas, potencializando as relações. Essa
ampliação do acesso a tudo e a todos com apenas alguns cliques, mudou drasticamente
os comportamentos sociais. Tanto é que, para muitos, se tornou tão obsessiva
que já há um termo para defini-la: iDisorder, num trocadilho com o iPhone.
Sustentabilidade: as pessoas se atentaram para a necessidade de preservar os recursos
naturais para não comprometer as gerações futuras. E a sustentabilidade vai
muito além da ideia de conservação, preocupando-se com a relação de interação
entre a humanidade e o meio ambiente. Para termos uma vida mais equilibrada,
precisamos ter consciência sobre o que consumimos e como geramos impacto.
Felizmente, as pessoas estão mais sensíveis à essa questão e já aceitam até
pagar mais caro por produtos sustentáveis. E engana-se quem pensa apenas em
meio ambiente quando falamos em sustentabilidade. O termo envolve o tripé entre
as áreas sociais, econômicas e ambientais.
Bem-estar: a vida urbana e digital leva muitas pessoas ao desequilíbrio. Nesse
sentido, um mercado que ganha força é o de relaxamento e bem-estar. Os níveis
de estresse e ansiedade nunca foram tão altos e, na busca por mais qualidade de
vida, muitas pessoas estão em busca de alternativas. Os segmentos de
alimentação saudável, fitness e beleza natural estão entre os que mais crescem,
mesmo em meio à crise. O aumento da expectativa de vida da população também é
um dos fortalecedores dessa tendência. Queremos viver mais e melhor.
Economia da experiência: de acordo com vários especialistas em tendências, estamos migrando da
cultura do olho, para a cultura da boca. Isso quer dizer que, se antes nos importávamos
com as marcas das roupas e dos carros que usávamos, hoje, estamos muito mais
preocupados com o que sentimos, o que experimentamos, e principalmente, o que
postamos nas mídias sociais. Para conquistar o consumidor, as marcas precisam
ir além, precisam criar experiências. Todo o processo de compra deve ser
acompanhado por algo único, capaz de estimular os sentidos. A experiência na
compra e na utilização de produtos e de serviços deve ser memorável e
transformar o consumo em algo inesquecível.
Economia compartilhada: vivemos a era do acesso e não mais da posse. Então, se eu não quiser
mais ter bens, posso muito bem acessá-los por meio do compartilhamento. Por
mais que muitas empresas e governos ainda lutem contra essa tendência, esse é
um movimento sem volta. Ele se baseia no princípio do “reduza, re-use, recicle,
repare e redistribua”. E pode se dar na forma de redistribuição, quando um item
que não está sendo utilizado é direcionado para outro local. Ou ainda, na forma
de compartilhamento de recursos, como tempo e habilidades.
Como você pôde perceber, o mundo está mudando muito
e cada vez mais rápido. Essas são as tendências mais evidentes dos dias de
hoje, mas, pode ter certeza, tem muitas outras ao nosso redor que ainda nem
foram percebidas. Minha sugestão é: fique atento aos comportamentos emergentes.
As pessoas estão no centro dessas transformações. São elas que ditam as novas
regras e condutas sociais.
Marília
Cardoso - jornalista, com pós-graduação em Comunicação
Empresarial, MBA em Marketing e pós-MBA em inovação. É empreendedora, além de
coach, facilitadora em processos de Design Thinking, consultora e professora de
inovação. É fundadora da InformaMídia, agência de comunicação, e
sócia-fundadora da PALAS, consultoria de inovação e gestão.
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