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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ainda dá tempo de solicitar a dupla cidadania portuguesa antes da regulamentação da nova lei

Nova lei da nacionalidade traz mudanças no reconhecimento da cidadania para netos. Como as novas regras dependem de regulamentação, ainda dá tempo de buscar pelo direito com menos burocracia 


A nova Lei da Nacionalidade Portuguesa, promulgada e publicada no Diário Oficial português no último dia 18 de maio, ainda depende de regulamentação pelo governo português para a sua efetiva aplicação, o que deve ocorrer num prazo de até 90 dias.

As novas regras impactam os netos de portugueses nascidos em outros países e que queiram buscar o reconhecimento da dupla cidadania. O direito à nacionalidade continua existindo. Porém, a nova legislação acrescenta novos requisitos para o reconhecimento.

Especialistas alertam para uma janela, que pode significar menos burocracia nos processos. “Os interessados em buscar por esse direito podem ter vantagens ao iniciar o seu processo antes da regulamentação oficial das novas exigências”, declara Ana Paula Sosnoski, coordenadora da Porto Cidadania Portuguesa, uma das principais assessorias especializadas em cidadania portuguesa


Mudanças na lei para netos


As alterações na Lei da Nacionalidade Portuguesa não retiraram o direito dos netos à cidadania. Entretanto, o processo passa a ter novas exigências formais. Até então, brasileiros descendentes de portugueses já possuíam uma facilidade importante: eram dispensados da comprovação do conhecimento da língua portuguesa, o que continua valendo. Porém, a nova legislação passou a exigir outros critérios para os netos:

– Comprovação do conhecimento da cultura portuguesa, a história e os símbolos nacionais;

– Conhecimento suficiente dos direitos e deveres fundamentais ligados à nacionalidade portuguesa e à organização política da República Portuguesa;

– Declaração solene de adesão aos princípios fundamentais do Estado de Direito Democrático.

“Na prática, a nova norma sinaliza que os processos tendem a se tornar mais burocráticos, a depender da regulamentação, que ainda será publicada pelo governo português”, esclarece Ana Paula Sosnoski.

 

 

Regulamentação gera dúvidas 


Um dos pontos que mais preocupam os descendentes portugueses é a falta de detalhes sobre como essas novas exigências serão aplicadas. “O governo português ainda não explicou como será feita a comprovação dos conhecimentos exigidos. Não se sabe se haverá testes, entrevistas ou documentos específicos. Também não foi esclarecido como funcionará a declaração de adesão aos princípios do Estado português”, explica a coordenadora da Porto Cidadania Portuguesa.

Com a promulgação da nova Lei da Nacionalidade Portuguesa, a expectativa é de que a sua regulamentação oficial ocorra em até 90 dias após a entrada em vigor da legislação. Normalmente, o tempo de regulamentação é mais longo, chegando até dois anos. Porém,

devido à importância política da pauta, é alta a possibilidade de que ela aconteça num prazo mais curto.

Embora ainda não exista confirmação sobre o formato das regras, existe a possibilidade de o processo se tornar mais rigoroso ou exigir etapas adicionais. Por esse motivo, cresce o senso de urgência entre descendentes portugueses que ainda não deram entrada no reconhecimento da cidadania.

 

Endurecimento da legislação portuguesa 

As alterações na Lei da Nacionalidade Portuguesa mostram um movimento de maior rigor nas regras de imigração e naturalização em Portugal. Além das mudanças para netos, a legislação também aumentou o prazo mínimo de residência para aquisição da cidadania portuguesa por naturalização, entre outras.

Vista do Rio Douro, em Portugal (Divulgação - Porto Cidadania Portuguesa)

 

Por que iniciar o processo antes da regulamentação? 

“As mudanças reforçam a importância de iniciar os processos o quanto antes” reforça a coordenadora da Porto Cidadania Portuguesa. Quem possui direito à cidadania portuguesa por descendência costuma enfrentar primeiro a etapa de busca e organização documental. Certidões antigas, documentos portugueses e comprovações familiares podem levar tempo para serem reunidos. “Os processos iniciados antes da regulamentação têm mais previsibilidade em relação às regras aplicadas e não devem ser afetados pelas mudanças”, reforça Ana Paula Sosnoski.

 

Nacionalidade portuguesa segue como oportunidade

 Mesmo com as mudanças, a nacionalidade portuguesa continua sendo uma das cidadanias europeias mais buscadas por brasileiros. O reconhecimento permite:


Morar legalmente em Portugal;

– Circular livremente por países da União Europeia;

– Estudar em universidades europeias sem visto de estudante;

– Trabalhar nos países da União Europeia legalmente;

– Transmitir a cidadania para filhos.


Para os netos, o direito continua existindo. O principal ponto de atenção está justamente nas futuras exigências que ainda serão regulamentadas pelo governo português.

 

Ana Paula Sosnoski - Coordenadora da Porto Cidadania Portuguesa


Porto Cidadania Portuguesa
0800 748 7821
@ portocidadaniaportuguesa
www.portocidadaniaportuguesa.com.br

 

IA impulsiona nova onda de ações coletivas contra empresas e executivos no exterior, aponta Howden

Biotecnologia responde por 31% das ações coletivas e tecnologia por 26% dos processos;

Relatório mostra retomada de disputas ligadas à governança e comunicação ao mercado, enquanto Brasil mantém baixa sinistralidade

 

A inteligência artificial passou a impulsionar uma nova onda de ações coletivas contra empresas e executivos nos mercados internacionais. A avaliação é do relatório D&O Outlook 2026, da Howden, corretora global especializada em seguros de alta complexidade, que aponta retomada do crescimento de processos ligados a tecnologia, governança, divulgação de informações ao mercado, riscos cibernéticos, ambientais e tributários.

 

As ações coletivas voltaram a crescer nos Estados Unidos, após a queda registrada até 2022. O avanço foi puxado, principalmente, por disputas relacionadas à inteligência artificial e criptoativos. Somente em 2025, já foram registrados 17 processos ligados à IA e 14 relacionados ao mercado de criptoativos. Empresas de biotecnologia responderam por 31% das ações coletivas registradas em 2025 nos Estados Unidos, enquanto empresas de tecnologia concentraram 26% dos processos.

 

“O mercado ainda é favorável para compradores de seguro, com baixa sinistralidade e preços em queda. Mas começam a surgir novos focos de disputa ligados à tecnologia, à governança e ao ambiente econômico, que podem mudar a percepção de risco nos próximos anos”, afirma Yves Lima, Diretor de Linhas Financeiras da Howden Re Brasil, braço de resseguros da corretora global.


 

IA e governança ampliam pressão sobre executivos

 

De acordo com o relatório, os setores de tecnologia e biotecnologia concentram maior exposição à volatilidade, pressão de investidores e expectativas ligadas à inovação e crescimento acelerado. O estudo aponta que começam a surgir disputas relacionadas ao chamado “AI washing”, quando empresas exageram ou distorcem o uso de inteligência artificial em estratégias e comunicações ao mercado, ampliando questionamentos ligados à divulgação de informações ao mercado, governança e projeções de crescimento.

 

O relatório destaca ainda o crescimento das chamadas ações coletivas (ou class actions), normalmente associadas a alegações de falhas de governança. Entre 2019 e 2024, 47% dos acordos de ações coletivas envolveram ações derivadas paralelas.

 

Somente no primeiro semestre de 2025, os acordos relacionados a ações coletivas somaram US$1,1 bilhão. Segundo o estudo, mesmo com a redução recente dos chamados mega acordos, os valores médios das indenizações seguem 63% acima da média registrada na última década.


 

Brasil mantém baixa sinistralidade

 

Enquanto o ambiente internacional registra aumento de litigiosidade, o Brasil segue em um momento de menor sinistralidade no seguro de responsabilidade de diretores e administradores.

 

A sinistralidade caiu de 150% em 2019 para menos de 12% em 2024, atingindo o menor nível dos últimos anos. Dados da SUSEP citados pela Howden mostram que o mercado brasileiro de D&O movimentou R$1,153 bilhão em prêmios em 2024, com R$132 milhões em sinistros pagos. Em 2025, a sinistralidade foi próxima de 14%.

 

O relatório destaca ainda que a nova Lei de Seguros (Lei 15.040/2024), em vigor desde dezembro de 2025, deve trazer maior clareza contratual e regras mais rígidas para respostas de seguradoras e resseguradoras, o que pode facilitar disputas relacionadas a cobertura e pagamento de sinistros.


 

Crédito privado e insolvências entram no radar

 

Segundo a análise, o avanço do crédito privado passou a gerar preocupação entre executivos, investidores e seguradoras. O crescimento acelerado desse mercado aumentou temores relacionados à transparência das operações, qualidade das garantias e potenciais conflitos de interesse.

 

O documento cita casos recentes envolvendo suspeitas de fraude, duplicação de garantias e investigações federais em operações estruturadas nos Estados Unidos, além de alertas sobre possíveis impactos de insolvências e calotes corporativos em segmentos mais expostos.

 

Conforme o estudo, o número global de insolvências saiu de 31 mil casos em 2020 para 56,7 mil em 2023, com projeção entre 68 mil e 70 mil insolvências em 2025. “O mercado começa a discutir se parte desse crescimento do crédito privado aconteceu com níveis adequados de transparência e controle de risco”, afirma Yves Lima.

 



Howden Brasil


Prazo do Imposto de Renda está acabando e atraso pode trazer dor de cabeça ao contribuinte


Faltando apenas três dias para o fim do prazo do Imposto de Renda 2026, milhões de brasileiros ainda correm contra o tempo para evitar problemas com a Receita Federal. Até a manhã desta terça-feira (26), mais de 33,3 milhões de declarações já haviam sido entregues em todo o país, segundo dados oficiais da Receita. A expectativa do órgão é receber cerca de 44 milhões de declarações até o encerramento do prazo, marcado para as 23h59 do dia 29 de maio. 

O contador, tributarista e mestre em negócios internacionais André Charone alerta que deixar a declaração para a última hora aumenta significativamente o risco de erros, inconsistências e até mesmo de cair na malha fina. “Muita gente acredita que pode resolver tudo em poucas horas, mas o preenchimento exige atenção com documentos, informes bancários, despesas médicas, investimentos e movimentações patrimoniais. O desespero da reta final costuma ser o maior inimigo do contribuinte”, explica. 

Segundo Charone, um dos principais problemas deste período é que muitos brasileiros ainda não reuniram toda a documentação necessária e acabam transmitindo declarações incompletas ou equivocadas apenas para cumprir o prazo. “Mesmo assim, enviar dentro do prazo ainda é melhor do que não entregar. Depois, caso necessário, o contribuinte pode fazer uma declaração retificadora”, orienta. 

Quem perder o prazo estará sujeito à multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido, além da incidência de juros. André também reforça que pendências no CPF podem gerar dificuldades futuras, como problemas em financiamentos, emissão de passaporte e acesso a crédito. 

A Receita Federal também vem reforçando neste ano o uso da declaração pré-preenchida, ferramenta que ajuda a reduzir erros e agilizar o envio. A modalidade já concentra grande parte das transmissões e deve ultrapassar 60% das declarações em 2026. 

André Charone lembra ainda que a organização financeira durante o ano faz toda a diferença para evitar correria e dores de cabeça neste período. “O Imposto de Renda deixou de ser apenas uma obrigação fiscal. Hoje ele também é reflexo da vida financeira do contribuinte. Quem se organiza ao longo do ano sofre menos na reta final”, conclui.


André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/
digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone


Vai fazer concurso pela primeira vez? Confira 5 dicas que vão te ajudar

 

O maior desafio ao fazer um concurso pela primeira vez é se adequar ao formato e usar as técnicas específicas, destaca Caio Temponi, jovem aprovado 18 vezes em vestibulares


Entrar no universo dos concursos públicos pela primeira vez costuma gerar ansiedade em muitos candidatos, seja pelo volume de conteúdos, a pressão por resultados e a competitividade fazem com que muitos iniciem os estudos sem planejamento, o que pode prejudicar o desempenho ao longo da preparação.

Para Caio Temponi, jovem aprovado 18 vezes em vestibulares, o maior desafio inicial não está apenas no conteúdo, mas em compreender como funciona a lógica das provas e adaptar a rotina ao modelo de cobrança dos concursos.

“Muita gente começa a estudar sem nenhuma estratégia, apenas acumulando horas de leitura. Mas prestar um concurso exige método, constância e adaptação ao formato da banca. E entender isso desde o início faz total diferença”, afirma.


5 dicas para quem vai prestar concurso pela primeira vez:

1 - Entenda o perfil da banca e o formato da prova
De acordo com Caio Temponi, um erro comum entre iniciantes é estudar sem conhecer a estrutura do concurso desejado. Cada banca possui padrões específicos de cobrança, estilo de enunciado e disciplinas mais valorizadas.

“Às vezes o candidato sabe o conteúdo, mas não consegue interpretar a lógica da banca. Resolver provas anteriores ajuda o cérebro a se adaptar ao tipo de raciocínio exigido. Além de ajudar no aprendizado, esse contato reduz a ansiedade causada pelo desconhecimento da prova”, explica.

2 - Crie uma rotina possível de manter
Outro ponto importante é evitar planejamentos irreais, muitas pessoas começam tentando estudar várias horas por dia e acabam desistindo rapidamente por exaustão.

“O mais eficiente é construir uma rotina sustentável, a consistência costuma gerar mais resultado do que intensidade exagerada no começo. Organizar horários fixos, estabelecer metas pequenas e respeitar as pausas ajuda a criar disciplina de longo prazo”, destaca.

3 - Faça revisões frequentes para consolidar o conteúdo
O excesso de informações pode dificultar a retenção do conteúdo tanto no curto, quanto no longo prazo, principalmente para quem está começando. Por isso, revisar as matérias estudadas é tão importante quanto aprender algo novo.

“O cérebro precisa de repetição para consolidar informação. Quem só acumula matéria sem revisar acaba esquecendo rapidamente”, afirma Caio.

4 - Aprenda a controlar a ansiedade durante a preparação
A pressão pela aprovação pode gerar desgaste emocional, principalmente quando o candidato cria expectativas muito altas logo no início.

“É importante entender que aprovação em concurso costuma ser um processo. Comparação excessiva e cobrança extrema acabam atrapalhando rendimento e concentração. Atividade física, pausas e equilíbrio na rotina ajudam a manter melhor desempenho cognitivo durante os estudos”, explica.

5  - Resolva questões desde o início dos estudos
Muitos candidatos deixam os exercícios para depois, acreditando que precisam dominar toda a teoria primeiro. Para Caio, isso pode atrasar a evolução.

“A questão mostra como o conteúdo aparece na prática. Resolver exercícios desde cedo ajuda a identificar dificuldades, melhorar interpretação e acelerar o aprendizado, além disso, a prática constante ajuda o candidato a ganhar velocidade e segurança para o dia da prova”, afirma.

“O candidato iniciante não precisa buscar perfeição imediata, o foco deve ser criar uma base sólida, entender o processo e evoluir gradualmente”, conclui.

 

Geopolítica em campo: Copa 2026 deve refletir tensões do cenário internacional

Especialista do CEUB analisa como guerras, polarização e redes sociais devem impactar o ambiente político e de segurança do mundial

 

A menos de um mês da abertura da Copa do Mundo, o maior evento esportivo do planeta já mobiliza discussões que vão além das quatro linhas. Fernanda Medeiros, professora de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (CEUB), explica que grandes competições são vitrines simbólicas das tensões internacionais. Em meio às guerras e disputas geopolíticas, a realização do torneio nos Estados Unidos, Canadá e México traz preocupações relacionadas à segurança e diplomacia durante os jogos. 

“A Copa do Mundo é um evento global e, inevitavelmente, conflitos políticos e disputas internacionais acabam aparecendo, seja em manifestações de torcedores no campo ou nas redes sociais”, explica. Segundo a especialista, o protagonismo dos EUA torna esta edição da Copa especialmente sensível do ponto de vista político: “Os EUA ocupam posição central em debates militares, econômicos e estratégicos. Isso faz com que qualquer grande evento sediado pelo país seja observado sob perspectiva geopolítica”. 

O ambiente exige atenção redobrada das autoridades. Medeiros ressalta o cenário de forte exposição pública e digital em que atletas, delegações e torcedores estarão inseridos. “Existe uma preocupação crescente com possíveis protestos, episódios de hostilidade entre grupos e impactos da polarização política global”, afirma a especialista, destacando que não significa que haverá conflitos durante o torneio, mas o contexto internacional aumenta a necessidade de monitoramento e planejamento de segurança. 

Apesar do cenário de tensão, Fernanda Medeiros acredita que a Copa continua exercendo um papel importante de integração cultural: “O futebol é uma experiência coletiva global capaz de aproximar pessoas de diferentes países, mesmo em períodos de instabilidade internacional. Além disso, as redes sociais mudaram a dimensão política do evento. Hoje, qualquer manifestação ganha alcance mundial em poucos minutos. Isso aumenta a pressão sobre organização, atletas e governos”.


UNICEF e Childhood Brasil lançam Guia para fortalecer a proteção de crianças e adolescentes em grandes eventos e festas populares no Brasil

Lançado no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o Guia reúne orientações práticas para atuação dos municípios


No Mês Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Childhood Brasil — organização sem fins lucrativos pioneira no enfrentamento dessas violações — lançam, com apoio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Guia Rápido para Municípios – Proteção de Crianças e Adolescentes durante Grandes Eventos e Festas Populares

Apresentado durante o III Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, em Brasília, o Guia é direcionado especialmente às equipes da rede de proteção municipal e reúne orientações práticas para fortalecer a proteção integral de crianças e adolescentes em grandes eventos e festas populares, como festivais culturais, musicais, celebrações religiosas, entre outros.

O material foi elaborado com base nos aprendizados testados em contextos diversos, como a Agenda de Convergência Proteja Brasil, voltada para megaeventos esportivos, e encontros internacionais, como a COP 30, de forma a apoiar os municípios na prevenção de violações e na atuação articulada das redes de proteção antes, durante e depois dos eventos.

Para Luiza Teixeira, especialista em Proteção contra as Violências do UNICEF no Brasil, o som dos tambores, o brilho das festas populares e a alegria dos grandes eventos não podem esconder a dura realidade de que milhares de crianças e adolescentes ainda são expostos a diversos tipos de violências em contextos de intenso fluxo turístico, cultural e social. “O Brasil tem ampla experiência na realização de grandes eventos e essa trajetória mostrou que a proteção de crianças e adolescentes precisa estar no centro do planejamento”, comenta.

De acordo com Laís Peretto, Diretora Executiva da Childhood Brasil, fazer este lançamento durante uma das maiores agendas de enfrentamento à violência sexual no país é fundamental, pois este é um espaço estratégico de articulação, debate e construção de políticas públicas. “É a oportunidade de conectar o conhecimento técnico às mãos de quem decide e executa, garantindo que o Guia se torne uma ferramenta viva para transformar a proteção de crianças e adolescentes em prioridade absoluta nos territórios”, comenta.


Violência sexual contra crianças e adolescentes: um desafio urgente

O lançamento do Guia acontece em uma data marcada pela necessidade ainda premente de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. Entre 2021 e 2023, mais de 165 mil crianças e adolescentes de 0 a 19 anos foram vítimas desse tipo de violência no Brasil, segundo dados do relatório Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil, elaborado pelo UNICEF em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os números são considerados subestimados em razão da elevada subnotificação.

A violência sexual afeta majoritariamente meninas, que representam 87,3% das vítimas no período analisado, mas atinge crianças e adolescentes de ambos os sexos e em todas as faixas etárias. Quase metade das vítimas tem entre 10 e 14 anos, e mais de um terço dos casos registrados envolve crianças de até 9 anos de idade.  Esses números reforçam a necessidade de ações preventivas e integradas, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade, como grandes eventos e festas populares, que costumam gerar aumento de fluxo turístico, circulação de dinheiro e exposição de crianças e adolescentes a riscos adicionais.


Um Guia prático para apoiar os municípios

Grandes eventos costumam intensificar fatores que aumentam o risco de violações de direitos de crianças e adolescentes, como o crescimento do fluxo de turistas, a circulação de dinheiro em espécie, o consumo de álcool e outras drogas, a ocupação desordenada dos territórios e a ampliação de atividades informais. Esses contextos podem fragilizar redes de proteção locais, dificultar a identificação de situações de violência e favorecer práticas como exploração sexual, trabalho infantil e negligência. Reconhecer esses riscos é fundamental para que municípios se preparem de forma antecipada e adotem medidas preventivas eficazes.

Nesse contexto, o Guia Rápido para Municípios foi desenvolvido para apoiar gestores locais na construção de respostas articuladas e eficazes para a proteção de crianças e adolescentes em grandes eventos. Com linguagem objetiva e foco operacional, o material reúne orientações práticas que vão desde o passo a passo para o planejamento intersetorial prévio até o fortalecimento das redes locais de proteção — envolvendo áreas como assistência social, saúde, educação, segurança pública, Conselho Tutelar, Sistema de Justiça, sociedade civil e setor privado. O Guia também enfatiza a importância da prevenção, da escuta qualificada e da organização dos fluxos de denúncia e atendimento, além de destacar a comunicação com famílias, turistas e trabalhadores como uma estratégia central de proteção. Para facilitar a aplicação no dia a dia, traz ainda checklists, recomendações e exemplos práticos voltados às equipes municipais.

O conteúdo sistematiza, ainda, experiências bem-sucedidas acumuladas a partir de grandes eventos realizados ao redor do país nos últimos anos, como a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, o Festival de Parintins (Amazonas), o Círio de Nazaré (Pará) e, mais recentemente, os processos de preparação da COP30. Essas experiências, que incluem campanhas educativas, mobilização de adolescentes, capacitação e treinamentos de profissionais da rede, elaboração de protocolos e articulação interesetorial, demonstram a importância de incorporar a proteção de crianças e adolescentes como diretriz transversal do planejamento de eventos, com investimento, atuação coordenada entre diferentes políticas públicas, definição clara de responsabilidades e integração da proteção da infância aos planos gerais de operação e segurança.

O material dialoga com marcos legais brasileiros, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei 13431/2017 (Escuta Protegida) e a Constituição Federal, e com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na garantia dos direitos de crianças e adolescentes.


Próximos passos: experiências em grandes eventos regionais

O Guia Rápido para Municípios já começou a ser implementado em dois importantes eventos regionais de grande porte e relevância cultural: o Festival de Parintins (AM), um dos maiores festivais folclóricos do Brasil, e o São João de Caruaru (PE), reconhecido como um dos maiores festejos juninos do país. A proposta é que essas experiências em campo contribuam para fortalecer a aplicação prática do material em contextos reais, ampliando sua disseminação e adoção por municípios de todas as regiões do país.

 

UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemorou 75 anos no Brasil. O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por contribuições voluntárias.

 Childhood Brasil

A Childhood Brasil faz parte da World Childhood Foundation, organização sem fins lucrativos criada em 1999, por Sua Majestade Rainha Silvia da Suécia. É pioneira em estimular, promover e desenvolver soluções para enfrentar o abuso e a exploração sexual contra crianças e adolescentes no país. Foi reconhecida em 2021, 2022, 2023,  2024 e 2025 como uma das 100 Melhores ONGs do país. Para mais informações, acesse o site www.childhood.org.br


Mesmo impactadas, florestas primárias ainda são principal fonte de biodiversidade na Amazônia

Floresta intacta no Estado do Amazonas: áreas desse tipo são
 as maiores provedoras de serviços ecossistêmicos na Amazônia
(foto: Cássio Alencar Nunes/Lancaster University)

 Queimadas e corte seletivo afetam profundamente a variedade de espécies, funções ecológicas e linhagens evolutivas; ainda assim, são mais ricas do que as regeneradas após derrubada total

 

 Florestas primárias, que nunca foram desmatadas, são as principais guardiãs da biodiversidade amazônica, mesmo que já tenham sido afetadas por queimadas ou corte seletivo de árvores, segundo um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil e do Reino Unido. Os cientistas compararam o impacto de atividades humanas sobre a diversidade de plantas de diferentes composições florestais ao longo do tempo na Amazônia e concluíram que as florestas primárias sempre abrigam uma quantidade maior de espécies do que aquelas que se regeneraram depois de terem sido derrubadas no passado.

O estudo reforça a importância de se frear o avanço do desmatamento na Amazônia – ao mesmo tempo em que se incentiva a regeneração de áreas anteriormente desmatadas –, já que as florestas secundárias não chegam a repor por completo a biodiversidade das matas originais que foram perdidas, segundo os pesquisadores. Os resultados foram divulgados na revista Global Change Biology.

Os pesquisadores catalogaram cerca de 55 mil árvores em duas regiões do Pará, situadas nos municípios de Paragominas e Santarém, representando quatro tipos de florestas: 1) primárias que não sofreram distúrbios; 2) primárias que tiveram corte seletivo de árvores (quando são retiradas apenas espécies de maior valor comercial);  3) primárias que sofreram corte seletivo e queimadas; e 4) florestas secundárias, resultantes da regeneração natural de uma área que sofreu corte raso – ou seja, que foi totalmente desmatada anteriormente.

Os cientistas mediram a diversidade das árvores de três formas diferentes: focando nas espécies, nos grupos funcionais – mensurando características como espessura da casca, densidade da madeira e tamanho da folha – e nas linhagens evolutivas. Além disso, avaliaram a diversidade separando as árvores em grandes e pequenas.

Quando comparados os dados entre as áreas, conclui-se que as modificações humanas explicam 55% da variação na diversidade de espécies e 42% da diferença na composição das comunidades de árvores. A forma como se mede a diversidade (espécies, grupos funcionais ou linhagens evolutivas) e o tamanho das árvores explicam apenas cerca de 5% das diferenças entre florestas.

“Por mais que as florestas primárias degradadas sejam menos diversas e tenham um apanhado de espécies diferentes daquelas que não sofreram impactos, elas são muito mais diversas do que as florestas secundárias. Estas vão demorar séculos para ter árvores de grande porte e os serviços ecossistêmicos fornecidos por essas espécies”, explica Cássio Alencar Nunes, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

A Amazônia abriga até 16 mil espécies de árvores. Um único hectare frequentemente contém mais de 300. Em comparação, toda a Europa tem cerca de 450 espécies nativas de árvores.

Nunes coordenou o trabalho com outra cientista brasileira no Reino Unido, Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Lancaster e de Oxford. Berenguer monitora as áreas analisadas no estudo desde 2010.

“Nossos resultados mostram que, quando se trata de compreender as influências humanas sobre as florestas tropicais, não importa se a abordagem é para medir perda de espécies, de funções ecológicas ou linhagens evolutivas. As influências humanas são tão profundas que todas essas medidas estão mudando”, explica Berenguer em um comunicado da Universidade de Lancaster.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio do projeto “ECOFOR: Biodiversidade e funcionamento de ecossistemas em áreas alteradas pelo homem nas Florestas Amazônica e Atlântica”, no âmbito do Programa BIOTA.

“O estudo demonstra que é preciso continuar investindo em restauração e na proteção das florestas secundárias, uma vez que qualquer área com remanescentes florestais contribui muito mais com os serviços ecossistêmicos do que áreas sem floresta. No entanto, os resultados mostram com bastante clareza que as florestas primárias são imprescindíveis e precisam ser conservadas, mesmo que já tenham sofrido distúrbios”, avalia Carlos Joly, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do projeto e coautor do estudo.


Florestas para sempre

Durante a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP30) ocorrida em Belém, em novembro de 2025, estabeleceu-se o TFFF, um fundo global para o financiamento da conservação das florestas tropicais. Para os autores do estudo, mecanismos do tipo são essenciais para oferecer condições para que as florestas sejam conservadas em vez de derrubadas para a exploração de atividades econômicas que contribuem para o agravamento das crises climática e da biodiversidade.

A comparação entre florestas intocadas e que sofreram distúrbios realizada no estudo aponta que mesmo a exploração seletiva de madeira, tida como uma forma de manejo sustentável, tem impactos profundos na diversidade das árvores.

Assim, mecanismos como o TFFF são importantes para garantir a conservação, independentemente de ganhos econômicos possíveis nessas áreas, ainda que ditos sustentáveis, segundo Berenguer.

“Embora o foco da COP30 tenha sido principalmente o carbono, é essencial vincular as discussões climáticas à biodiversidade se quisermos superar as crises climática e de biodiversidade. Em última instância, é a biodiversidade que garante a provisão de serviços ecossistêmicos, inclusive o sequestro e o armazenamento de carbono”, afirma a pesquisadora.

O artigo Multifaceted assessment of amazonian tree diversity reveals pervasive impacts of human modification pode ser lido em: onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/gcb.70595.

 

André Julião

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/mesmo-impactadas-florestas-primarias-ainda-sao-principal-fonte-de-biodiversidade-na-amazonia/58170

 

Clima extremo já influencia escolha de destinos para 8 em cada 10 viajantes brasileiros, aponta Booking.com


Levantamento mostra ainda que 95% consideram viagens sustentáveis importantes, embora 43% digam que encontrar opções mais sustentáveis exige tempo e esforço

     

A Booking.com divulgou seu 11º Relatório de Viagens e Sustentabilidade*, estudo anual que acompanha percepções e comportamentos dos viajantes em relação a formas mais sustentáveis de viajar. No Brasil, os dados mostram que o clima extremo já deixou de ser uma preocupação distante e passou a influenciar decisões concretas sobre destinos, datas e planos de viagem.

Segundo a pesquisa, oito em cada dez (79%) viajantes brasileiros consideram o risco de condições climáticas extremas ou desastres naturais ao escolher um destino, enquanto um número parecido (78%) leva esse fator em conta ao decidir a época da viagem. Além disso, 67% evitam reservar viagens para lugares conhecidos por eventos climáticos extremos ou desastres naturais.

O impacto também já aparece na experiência prática dos viajantes. Mais de um quarto dos brasileiros (27%) afirma ter vivenciado condições climáticas extremas ou desastres naturais durante uma viagem nos últimos 12 meses, enquanto 25% cancelaram ou alteraram planos de viagem por esse motivo no mesmo período. Ainda, para 63%, o risco de eventos climáticos extremos gera estresse no momento de reservar uma viagem.


Sustentabilidade segue como prioridade para os brasileiros

A sustentabilidade segue como um tema importante para os viajantes brasileiros. De acordo com o levantamento, 95% consideram importante viajar de forma mais sustentável. O desejo de agir também é expressivo: 77% afirmam que pretendem viajar de forma mais sustentável nos próximos 12 meses. Entre esses viajantes, a principal motivação é ajudar a proteger o meio ambiente para futuras gerações (27%), seguida pela percepção de que essa é a coisa certa a se fazer (17%).

Os turistas do Brasil já vêm incorporando hábitos mais conscientes em suas viagens, especialmente por meio de ações simples e acessíveis. Para o próximo ano, entre os brasileiros que pretendem viajar de forma mais sustentável, as principais ações planejadas são reduzir resíduos durante as viagens (62%), evitar atividades que possam prejudicar a vida selvagem local (56%), reduzir o consumo de energia (49%), comprar mais em lojas locais e independentes (49%) e usar meios de transporte mais sustentáveis (48%).

Esse grupo também pretende adotar escolhas ligadas à melhor distribuição do fluxo turístico: quase metade (46%) planeja viajar fora da alta temporada, enquanto 40% querem evitar destinos ou atrações superlotadas. Já 37% pretendem se hospedar em acomodações com certificação de sustentabilidade.


Escolhas sustentáveis ainda precisam ser mais fáceis

Apesar do alto interesse, a pesquisa mostra que ainda existem barreiras importantes para transformar intenção em ação. Para 43% dos brasileiros, encontrar opções de viagem mais sustentáveis exige muito tempo e esforço. Outros 29% afirmam que essas opções são caras demais, enquanto 27% dizem que não há alternativas suficientes disponíveis para suas viagens.

Diante desse cenário, a Booking.com ajuda viajantes a fazer escolhas mais conscientes ao facilitar a busca por acomodações com certificações de sustentabilidade, contribuindo para um turismo com impacto mais equilibrado para destinos, comunidades e visitantes.

 

*Pesquisa encomendada pela Booking.com e realizada de maneira independente com 32.500 entrevistados em 35 países e territórios. Para participar, as pessoas precisavam ter mais de 18 anos, ter viajado pelo menos uma vez nos últimos 12 meses e estar planejando uma viagem em 2026. Além disso, deveriam ser responsáveis pela decisão ou estar envolvidas no processo de tomada de decisão da viagem. A pesquisa foi feita on-line e ocorreu em janeiro de 2026.

 

Além da ética: a diversidade como alavanca de solidez e crescimento sustentável

Historicamente, o debate sobre a presença feminina em cargos de alta liderança e conselhos de administração foi muitas vezes relegado ao campo da responsabilidade social ou de uma concessão ética. No entanto, o cenário atual do mercado de capitais e a crescente complexidade dos desafios globais impõem uma nova lente. Quando falamos em diversidade, é fundamental qualificá-la como diversidade com representatividade, ou seja, aquela que alcança a chamada massa crítica, um patamar mínimo de 30% de participação capaz de transformar efetivamente a dinâmica de tomada de decisão. Diversidade simbólica ou pontual não gera impacto real. A diversidade não é um favor à sociedade, mas um dever de responsabilidade com o acionista e com a sobrevivência do negócio no longo prazo. Para o C-Level e membros de conselhos, a pergunta não deve ser mais por que incluir, mas sim qual é o custo real de manter a homogeneidade em um mundo em constante ruptura.

A evidência estatística sobre o impacto financeiro da pluralidade no topo nunca foi tão irrefutável. O relatório global da McKinsey & Company, Diversity Matters Even More, publicado em 2024, revelou que empresas situadas no quartil superior de representatividade de gênero têm 39% mais chances de superar financeiramente seus pares setoriais. Esse dado é corroborado por levantamentos da Russell Reynolds, atualizados em 2025, que indicam que a maioria das empresas globais de alta performance já prioriza a diversidade nos conselhos pela clara percepção de que diferentes perspectivas, quando presentes em escala suficiente para influenciar decisões, são o motor da inovação. No Brasil, o cenário é reforçado pelo fato de que a diversidade deixou de ser um item acessório para se tornar um indicador de qualidade de gestão monitorado de perto por investidores institucionais.

Um dos maiores riscos para um conselho de administração é o isolamento cognitivo. Quando um grupo de decisores compartilha o mesmo repertório cultural, acadêmico e de gênero, especialmente quando a presença feminina ou de outros grupos é minoritária, a tendência é a validação mútua de vieses, o que cega a organização para riscos emergentes e oportunidades disruptivas. Esse fenômeno, conhecido como groupthink, é o antídoto da inovação. Acadêmicos como Scott Page, da Universidade de Michigan, demonstram que grupos cognitivamente diversos superam grupos de especialistas homogêneos na resolução de problemas complexos, desde que essa diversidade atinja um volume capaz de influenciar o debate. Mulheres líderes trazem uma abordagem estatisticamente mais voltada para a gestão de riscos e para a colaboração, competências essenciais em um ambiente de negócios marcado pela volatilidade.
 

A inteligência coletiva como resposta à complexidade global

A pauta ESG não é um apêndice do relatório anual, é a nova métrica de perenidade. Ter um conselho genuinamente diverso, e não apenas representativo no discurso, qualifica a empresa para resolver problemas complexos, como a transição energética e a integração ética da inteligência artificial. A liderança feminina tem demonstrado uma propensão maior para considerar as externalidades da operação, integrando a visão de múltiplos stakeholders e não apenas o lucro trimestral. Quando essa presença ultrapassa a massa crítica, o impacto deixa de ser individual e passa a ser sistêmico, traduzindo-se em estratégias de crescimento mais sustentáveis e menos suscetíveis a crises de reputação que destroem valor de mercado em questão de horas.

O relatório Women in the Boardroom, da Deloitte, em sua edição de 2024, ressalta que a aceleração da paridade depende diretamente da ampliação dos critérios de seleção. Limitar a busca a nomes que já ocuparam o cargo de CEO reduz o pool de talentos e perpetua a exclusão. A solução estratégica passa por identificar competências em áreas como tecnologia, sustentabilidade e gestão de crises. Ao diversificar competências e garantir presença relevante dessas profissionais no colegiado, o conselho ganha agilidade para interpretar as mudanças rápidas do comportamento do consumidor e as novas exigências regulatórias.

A mudança estrutural exige que a diversidade saia do departamento de recursos humanos e se torne uma métrica de desempenho do próprio CEO. Isso inclui a revisão das matrizes de competência para garantir que as buscas não fiquem restritas aos círculos sociais habituais e o investimento em patrocínio para mulheres em posições de liderança direta. Empresas que ultrapassam a massa crítica de 30% de mulheres na liderança apresentam processos de tomada de decisão mais rigorosos, maior qualidade de debate e maior transparência. Portanto, escolher a diversidade com representatividade é, em última análise, escolher a inteligência coletiva e a resiliência. A homogeneidade nos conselhos tornou-se um passivo. É urgente que a diversidade seja encarada não como uma concessão vazia feita no presente, mas como uma garantia concreta de que a organização terá as ferramentas certas para liderar a economia do futuro.

 


Anna Guimarães - Presidente do Conselho Consultivo do 30% Club Brasil desde 2019, Conselheira e ex-CEO. É CCA pelo IBGC, MSc pelo ITA e possui MBA pela USP.



Referências para consulta e citações feitas no artigo (2024-2026):

McKinsey & Company (2024): Relatório Diversity Matters Even More.
Deloitte (2024): Women in the Boardroom: A Global Perspective.
Russell Reynolds Associates (2025): Global Board Culture and Director Survey.
BlackRock Investment Stewardship (2025): Relatório de prioridades de engajamento sobre composição de conselhos.
Harvard Business Review / Scott Page (2025): Pesquisas sobre diversidade cognitiva e mitigação de riscos corporativos.
Glass Lewis (2026): Board Composition and Shareholders Returns.



Confiança das empresas caiu 3,1% na capital paulista, em abril, e voltou para zona de pessimismo

 
Desaceleração das vendas, juros elevados e margens de lucro pressionadas derrubaram otimismo dos empreendedores

 
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) caiu 3,1% em abril. O indicador, produzido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), passou de 102,9 pontos, em março, para 99,7 pontos, no quarto mês do ano, ficando abaixo do limite que separa o pessimismo do otimismo.
 

[GRÁFICO 1]
Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC)
Abril de 2025 a abril de 2026
Fonte: FecomercioSP


 

Na avaliação da FecomercioSP, o recuo do indicador pelo terceiro mês consecutivo reflete o atual contexto econômico nacional. Os sinais de desaceleração das vendas — e até mesmo de queda em alguns segmentos —, somados às margens de lucro pressionadas, afetaram o caixa das empresas, principalmente daquelas que já carregam dívidas acumuladas dos últimos anos. Além disso, o conflito no Oriente Médio, com seus efeitos sobre o preço do barril de petróleo, aliado às incertezas do cenário internacional — fatores que influenciaram, inclusive, um corte menor da taxa Selic —, impactou negativamente a confiança das empresas.
 
A expectativa era de uma nova reação do indicador com o início da queda da Selic e a chegada de datas comemorativas, como o Dia das Mães. Contudo, como o corte da taxa foi menor do que o esperado, não foi suficiente para sustentar a confiança do empresariado.
 
Os juros elevados e a inadimplência em alta também afetam negativamente o consumo. Por isso, a FecomercioSP recomenda que os negócios adotem uma postura mais cautelosa quanto a novos investimentos e formação de estoques.
 
Apesar da queda mensal, o ICEC registrou alta de 2,1%, na comparação com o mesmo período do ano passado.


 
Condições atuais: quesito com pior avaliação


O ICEC é composto pelos subíndices Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC), Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) e Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC). Em abril, todos os quesitos sofreram queda na comparação mensal.
 
O ICAEC recuou 2,3%, passando de 75,6 para 73,8 pontos. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a variável cresceu 2,9%, mas segue como o item de pior avaliação do ICEC. Este é o 38º mês consecutivo em que o subíndice permanece abaixo dos 100 pontos. Segundo a Federação, esse movimento demonstra que, embora as vendas tenham crescido nos últimos meses, os empresários ainda estão insatisfeitos em relação à rentabilidade, à pressão de custos, aos juros elevados e à política econômica do governo, entre outros aspectos.
 

[GRÁFICO 2]
Índices: ICAEC, IEEC e IIEC
Abril de 2025 a abril de 2026
Fonte: FecomercioSP


Já o IEEC passou de 128,3 para 122,7 pontos, registrando recuo de 4,3%. A variável está 0,6% abaixo do apurado no mesmo mês do ano passado.
 
Por fim, o IIEC caiu 2,3%, para 102,6 pontos, mas apresenta alta de 5% em relação a abril de 2025. Este subíndice tem oscilado em torno dos 100 pontos, revelando que os empresários estão adotando uma postura mais cautelosa relacionada a novos investimentos diante das incertezas econômicas e dos juros elevados. Considerando o cenário eleitoral, a FecomercioSP acredita que esse comportamento deve permanecer ao longo de 2026.


 
Índice de Expansão do Comércio (IEC)

O interesse dos empresários em relação a contratações, compra de máquinas e equipamentos ou abertura de novas lojas, avaliado pelo IEC, recuou 1,5% em abril, ao passar de 107 pontos, em março, para os atuais 105,4 pontos. Apesar da queda, o índice está 5,1% acima do registrado em abril do ano passado. O resultado indica uma desaceleração da propensão a investir, seja em contratação, seja em capital físico.
 

[GRÁFICO 3]
Índice de Expansão do Comércio (IEC)
Série Histórica
Fonte: FecomercioSP

 

O Índice de Expectativa para Contratação de Funcionários (ECF) ficou em 117,8 pontos em abril — uma queda de 2% em comparação com os 120,1 pontos registrados em março. Na comparação com abril do ano passado, houve crescimento de 5,8%. Na prática, isso significa que os comerciantes paulistanos ainda pretendem ampliar as equipes nos próximos meses, mesmo vivendo uma conjuntura econômica mais desafiadora. É esse fator que impede o IEC de entrar na zona de pessimismo.
 
No entanto, a situação é diferente quando se trata de gastar com máquinas, reformas, equipamentos ou expansão física. O Índice de Nível de Investimento das Empresas (NIE) marcou 93,1 pontos em abril, ficando abaixo dos 100 pontos pelo 17º mês consecutivo. Na comparação com março, houve queda de 0,9% em relação aos 94 pontos registrados, a terceira retração seguida. Mesmo assim, no acumulado anual, o índice ainda subiu 4,3%.
 

[GRÁFICO 4]
Expectativa para Contratação de Funcionários
e Nível de Investimento das Empresas

Fonte: FecomercioSP


Em 2026, o IEC iniciou o ano em patamar mais positivo, acima dos 105 pontos. Na avaliação da FecomercioSP, o resultado de abril, no entanto, confirma que esse otimismo ainda enfrenta resistências. A combinação de juros elevados, mais comprometimento da renda familiar e, agora, volatilidade no cenário externo com a guerra no Oriente Médio impõe limites a uma expansão maior.
 
Os empresários do Comércio estão adaptando planos e postergando decisões enquanto aguardam sinais mais claros de como a política econômica vai se comportar após as eleições.


 
Notas metodológicas


ICEC


O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) contempla a percepção do setor em relação ao seu segmento, à sua empresa e à economia do País. São entrevistas feitas em painel fixo de empresas, com amostragem segmentada por setor (não duráveis, semiduráveis e duráveis) e por porte de empresa (até 50 empregados e mais de 50 empregados). As questões agrupadas formam o ICEC, que, por sua vez, pode ser decomposto em outros subíndices que avaliam as perspectivas futuras, a avaliação presente e as estratégias dos empresários mediante o cenário econômico. A pesquisa refere-se ao município de São Paulo, contudo sua base amostral reflete o cenário da região metropolitana.


 
IEC


O Índice de Expansão do Comércio (IEC) é apurado todo mês pela FecomercioSP, desde junho de 2011, com dados de cerca de 600 empresários. O indicador vai de 0 a 200 pontos, representando, respectivamente, desinteresse e interesse absolutos na expansão de seus negócios. A análise dos dados identifica a perspectiva dos empresários do Comércio em relação a contratações, compra de máquinas ou equipamentos, e abertura de novas lojas. Apesar de esta pesquisa também se referir ao município de São Paulo, sua base amostral abarca a região metropolitana.


 
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