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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Estados e municípios terão prazo maior para parcelar dívidas previdenciárias

Congresso promulga Emenda Constitucional que cria o Programa de Regularidade Previdenciária e permite parcelamento em até 300 meses

 

O Congresso Nacional promulgou, nesta terça-feira (9), a Emenda Constitucional (EC) nº 136 que, dentre outros temas, dispõe sobre a criação do Programa de Regularidade Previdenciária. Atrelado a essa política, os estados e municípios poderão parcelar suas dívidas previdenciárias em até 300 meses. Esse parcelamento especial está condicionado à comprovação de regularidade previdenciária dos entes, prevista no Programa que ainda será regulamentado por portaria do Ministério da Previdência Social (MPS). 

O parcelamento especial tem o objetivo de aliviar a situação de estados e municípios ao permitir que as dívidas previdenciárias sejam pagas com parcelas menores e um prazo mais longo. Atualmente, o parcelamento padrão, tem prazo de até de 60 meses. 

Além disso, a emenda extingue a cobrança do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) sobre as receitas previdenciárias dos RPPS dos entes federativos, mantendo a incidência apenas sobre as receitas oriundas da Taxa de Administração. A medida garante a equidade na cobrança que atualmente é feita ao Regime Próprio da União, ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS/INSS) e aos Regimes de Previdência Complementar (RPC). 

O Programa, como o próprio nome menciona, visa o alcance e a manutenção da regularidade previdenciária dos entes federativos, contribuindo para o equilíbrio financeiro e atuarial dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos. A instituição dessa política também se alinha à recomendação feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 1.007.271, Tema 968, que concluiu pela constitucionalidade do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). 

A EC 136 foi promulgada em sessão conjunta presidida pelo presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, com a participação de senadores, deputados federais e centenas de prefeitos de todo o país.
 

Histórico 

A EC 136 teve origem na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 66, de 2023, que em sua redação original, restringia-se à autorização para o parcelamento de débitos previdenciários dos entes federativos no que se refere aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). 

No entanto, já estava em construção no Ministério da Previdência Social (MPS), na época de sua proposição, um projeto com foco na regularidade previdenciária dos entes federativos, com premissas essenciais para a viabilidade e sustentabilidade dos RPPS, tais como o equilíbrio financeiro e atuarial, a conformidade com as normas vigentes, o cumprimento das obrigações previdenciárias, entre outros aspectos. 

Dessa forma, o MPS propôs ao relator da PEC no Senado que o parcelamento especial previsto fosse vinculado a um Programa de Regularidade Previdenciária, proposta essa que foi imediatamente acatada e incluída no texto final.



Fonte: Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério da Previdência Social


Alqueva: maior lago artificial da Europa é palco de turismo náutico, cultura e tradição



Entre águas tranquilas e paisagens únicas, atração do Alentejo revela experiências que unem natureza e lazer 

 

Nas margens do rio Guadiana, no Alentejo, fica a imponente Barragem de Alqueva. A construção, concluída em 2002, deu origem ao maior lago artificial da Europa, um vasto espelho d'água que transformou a paisagem alentejana e impulsionou novas formas de lazer, turismo e desenvolvimento local. 

Nas cidades e vilas do entorno, este lago criou cenários únicos que rapidamente se tornaram pontos de referência para atividades náuticas e momentos de lazer junto à natureza. Foi neste contexto que nasceu a Estação Náutica de Moura – Alqueva, que reúne quatro polos estratégicos: o Centro Náutico de Moura – Alqueva, o Cais da Barca, o Centro de Remo do Ardila e a Aldeia Ribeirinha da Estrela.  

O Centro Náutico de Moura – Alqueva, localizado junto ao paredão da barragem, oferece infraestrutura moderna, incluindo posto de informação, plataformas flutuantes, cais ancoradouro, cafetaria e área de serviços para motorhome. A grande atração é a Praia do Lago, inaugurada em 2024 e detentora da Bandeira Azul e do selo Praia Acessível – Praia para Todos. O espaço dispõe de ampla faixa de areia, áreas verdes, piscinas flutuantes, toldos e espreguiçadeiras, sendo um destino perfeito para famílias e visitantes. 

Situado a apenas 4 km da cidade de Moura, o Cais da Barca é perfeito para a prática de remo e canoagem. As águas calmas e espelhadas permitem acompanhar regatas a partir das margens, além de ser excelente para treinos e competições. Outro local perfeito para canoagem e remo é o Centro de Remo do Ardila, que oferece um espelho d'água tranquilo.  

Com cerca de 100 habitantes, a Aldeia da Estrela ganhou nova vida após a criação da Barragem de Alqueva. Atualmente, é um dos grandes atrativos turísticos da região, com cais de atracação, áreas de lazer e piquenique, além de servir como ponto de partida para passeios de canoagem, vela, stand-up paddle, wakeboard e até experiências de canoagem noturna sob o céu estrelado certificado pelo Dark Sky® Alqueva. 

Moura, “terra mãe do azeite alentejano”, alia natureza, patrimônio histórico e gastronomia. A cidade preserva o seu castelo medieval, bairros históricos de influência árabe e espaços como o Museu de Joalharia Contemporânea Alberto Gordillo e o Lagar de Varas do Fojo, dedicado ao azeite. A Rota do Azeite, um percurso pedestre com sete pontos ligados à olivicultura, reforça o elo da região à produção de azeite DOP, que aqui encontra as suas raízes mais antigas. 

Combinando natureza, turismo ativo, patrimônio e sabores autênticos, Alqueva e Moura são destinos para serem explorados em qualquer estação do ano. Seja para aproveitar um pôr do sol sobre o grande lago, praticar esportes náuticos, explorar aldeias ribeirinhas ou degustar o melhor azeite do país, a região promete experiências únicas e inesquecíveis. 

 

Sobre o Alentejo 

Considerado o destino mais genuíno de Portugal, o Alentejo é a maior região do país. Privilegiando um lifestyle tranquilo em que a experiência de viver bem dá o tom, conta com belas praias intocadas e cidades repletas de atrações ímpares, como castelos e monumentos históricos. Detentor de quatro títulos da Unesco e diversos outros prêmios e reconhecimentos internacionais no setor do turismo, o Alentejo oferece opções para todos os tipos de viajantes, sejam famílias, casais em lua de mel ou aventureiros. A promoção turística do Alentejo, efetuada pela Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, conta com o apoio dos fundos comunitários através do Alentejo 2030, do Portugal 2030 e da União Europeia. Para mais informações, visite www.turismodoalentejo.com.br.


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

SBM Rio alerta para a importância da prevenção e traz orientações práticas para reduzir riscos do câncer de mama

Conscientização busca orientar mulheres sobre medidas de prevenção e a detecção precoce da doença

 

O câncer de mama continua sendo o tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil e, no Estado do Rio de Janeiro, a preocupação é ainda maior: segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023–2025, a taxa ajustada de incidência é de 70,57 casos por 100 mil mulheres, a mais alta do país. Esse cenário reforça a relevância do Outubro Rosa, movimento internacional de conscientização que chama atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.

Para a mastologista Maria Júlia Calas, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Rio de Janeiro (SBM Rio), esse é um momento crucial para ampliar a conscientização. Ela ressalta que, diante da elevada incidência no estado, é fundamental que a população esteja bem informada e saiba que a informação correta é uma das principais ferramentas para reduzir o impacto da doença. Na avaliação da especialista, prevenção e diagnóstico precoce continuam sendo as maiores armas contra o câncer de mama e são capazes de salvar vidas.

Embora o câncer de mama não possa ser totalmente prevenido, a adoção de hábitos saudáveis e a realização de exames regulares reduzem significativamente os riscos e aumentam as chances de cura quando a doença é detectada em fases iniciais. Maria Júlia Calas explica que quanto mais cedo as alterações forem identificadas, maiores são as possibilidades de sucesso no tratamento, reforçando a mensagem central da campanha deste ano: quanto antes, melhor.

 

Orientações práticas para reduzir riscos e cuidar da saúde da mama:

  • Realize mamografias regularmente: a partir dos 40 anos, o exame deve ser feito anualmente, conforme recomendação médica. Em casos de histórico familiar ou fatores de risco, a avaliação pode começar antes.
  • Considere o ultrassom como exame complementar: indicado em situações específicas, principalmente para mulheres mais jovens e com mamas densas, mas nunca como substituto da mamografia.
  • Pratique atividade física regularmente: o ideal são pelo menos 150 minutos por semana de exercícios moderados ou 75 minutos de atividades intensas.
  • Mantenha uma alimentação equilibrada: priorize frutas, verduras, legumes e proteínas magras, evitando ultraprocessados, excesso de açúcares e bebidas alcoólicas.
  • Não fume e reduza o consumo de álcool: ambos aumentam o risco para diferentes tipos de câncer, inclusive o de mama.
  • Esteja atenta a sinais de alerta: nódulos, retração de pele ou mamilo, secreções e alterações na textura da pele devem ser investigados imediatamente.

A presidente da SBM Rio reforça que a mensagem do Outubro Rosa 2025 é clara: informação, prevenção e diagnóstico precoce são essenciais para enfrentar a doença, especialmente em um estado que registra a maior incidência do país. Neste contexto, além das ações educativas, a instituição também incentiva a prática de atividade física como aliada na prevenção e, em outubro, promove mais uma edição de sua tradicional corrida e caminhada.

 

VI Corrida e Caminhada da SBM-RJ celebra o Outubro Rosa

No dia 19 de outubro de 2025, a Sociedade Brasileira de Mastologia – RJ realizará a VI Corrida e Caminhada de Prevenção ao Câncer de Mama, na Lagoa Rodrigo de Freitas (altura do Parque da Catacumba), no Rio de Janeiro. O evento, parte das ações do Outubro Rosa, reunirá participantes em modalidades de corrida de 7,5 km e corrida/caminhada de 4 km, promovendo a conscientização sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos saudáveis. As inscrições já estão abertas no site da SBM Rio.

 

Especialistas alertam para desafios da adesão e reforçam avanços do calendário vacinal no Brasil

 

O Brasil possui um dos programas de imunização mais completos do mundo, com vacinas que já permitiram erradicar doenças como varíola, poliomielite e reduzir drasticamente a mortalidade infantil. Ainda assim, a adesão da população enfrenta desafios, em especial pela resistência aos imunizantes, impulsionada por desinformação e/ou complacência. Para ampliar a cobertura vacinal e conscientizar as famílias sobre a importância da prevenção, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) promove no dia 27 de setembro de 2025, sábado, às 10h, nova edição do seu Ciclo de Palestras, encontro híbrido e gratuito, desta vez sobre o calendário de imunização da criança.

Entre os palestrantes confirmados estão o diretor da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Dr. Benjamin Roitman, e o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Dr. Juarez Cunha. Ambos trarão atualizações científicas e experiências práticas para discutir os principais desafios relacionados às vacinas.

“O nosso principal obstáculo é aumentar os índices de vacinação das crianças. Houve um questionamento importante em relação às imunizações contra a COVID-19, e isso repercutiu nas demais, diminuindo a adesão de forma geral. É fundamental que famílias e escolas conversem, incentivem e levem seus filhos e alunos para vacinar. O papel da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul é esclarecer, alertar sobre os perigos da não vacinação e, ao mesmo tempo, eliminar inverdades sobre o tema”, declarou Dr. Benjamin.

Já o Dr. Juarez Cunha destaca a importância de compreender os fatores que levam à hesitação vacinal. Segundo ele, a vacina em muitos casos está disponível, mas não é aplicada ou é administrada com atraso. Para enfrentar esse cenário, é fundamental identificar cada determinante e avaliá-lo de forma individual.

“Um dos pontos mais importantes é o micropanejamento, estratégia recomendada pela Organização Mundial da Saúde e adotada pelo Ministério da Saúde, que consiste em analisar as particularidades de cada localidade”, explica.

Para o especialista, informação e comunicação são pilares indispensáveis nessa batalha: a primeira deve ser clara e acessível, e a segunda precisa combater fake news. O médico acrescenta que avanços históricos foram obtidos com a vacinação e precisam ser valorizados.

“Conseguimos reduzir a mortalidade infantil, erradicamos a varíola, eliminamos a poliomielite, o sarampo, o tétano neonatal e a rubéola congênita. São resultados que emocionam, porque traduzem vidas salvas e doenças graves que já não fazem mais parte da nossa realidade”, completou.

O evento da AMRIGS reforça o papel da vacinação como uma das ferramentas mais eficazes de prevenção em saúde e busca estimular a população a manter as vacinas de rotina em dia, ampliando o compromisso e reduzindo riscos de doenças que já foram controladas no Brasil.




O Ciclo de Palestras ocorrerá no Centro de Eventos da Associação Médica do RS (Av. Ipiranga, 5311 – Porto Alegre/RS), aberto ao público e com emissão de certificado para os participantes. As inscrições podem ser feitas através do link https://bit.ly/CicloDePalestrasImunizacaoDaCrianca 

 

Marcelo Matusiak


Cientista brasileiro propõe equações matemáticas para mapear transtornos de personalidade


Por meio de um modelo que une neurociência e matemática, um pesquisador desenvolveu um método para estimar a probabilidade de transtornos do cluster B, como narcisismo e borderline, a partir de dados de imagens cerebrais. A abordagem busca oferecer uma ferramenta auxiliar para profissionais de saúde mental, integrando exames como ressonância magnética funcional (fMRI) e espectroscopia de ressonância magnética (MRS).

O documento, intitulado "Narcisismo e transtornos do cluster B: equações operacionais por sub-regiões frontolímbicas e perfis neuroquímicos", foi registrado em 9 de setembro de 2025. Seu autor, o pós PhD em Neurociências pós graduado em Física Quântica e Molecular, Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, diretor do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, com sede em Portugal, Brasil e Hong Kong, descreve o trabalho como um procedimento padronizado para calcular probabilidades dimensionais em quatro categorias: narcisismo (N), antissocial ou psicopatia (A), borderline (B) e histriônico (H). "O método apoia, não substitui, o julgamento clínico", enfatiza o texto.

Fabiano de Abreu, que é membro de sociedades como a Society for Neuroscience (EUA), Royal Society of Biology e Sigma Xi – The Scientific Research Honor Society (Reino Unido), além de registros profissionais em psicanálise e jornalismo, baseia sua proposta em regiões cerebrais específicas, como a córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC), córtex cingulado anterior (ACC) e amígdala. Essas áreas, envolvidas em processos emocionais e de tomada de decisão, são analisadas por meio de índices como o de disfunção regional (RDS), circuito frontolímbico (CDI) e empatia (EI). Um algoritmo de softmax multiclasse, comum em modelagens probabilísticas, gera um vetor de probabilidades e níveis de severidade para cada transtorno.

O modelo incorpora dados de fMRI para ativação e conectividade neural, MRS para medir níveis de glutamato e GABA (neurotransmissores ligados ao equilíbrio excitatório-inibitório), além de ressonância magnética estrutural e, quando possível, tomografia por emissão de pósitrons (PET) para transportadores de serotonina, dopamina, noradrenalina e acetilcolina. Em casos sem PET, proxies como variabilidade da frequência cardíaca (HRV) ou respostas em eletroencefalograma (ERPs) servem como alternativas. O Brasil é usado como referência sociocultural no estudo de caso, enquanto a aplicação preventiva em Portugal é destacada, considerando contextos legais e éticos locais.

Essa integração de ferramentas quantitativas reflete uma tendência na psiquiatria moderna, que abandona classificações categóricas rígidas (como no DSM-5) em favor de abordagens dimensionais, inspiradas no Research Domain Criteria (RDoC) do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA. "Define-se um índice regional de disfunção (RDS), um índice de circuito frontolímbico (CDI) e um índice de empatia (EI)", explica o preprint, que enfatiza a necessidade de validação empírica antes de uso clínico amplo.

Embora promissora, a proposta ainda é conceitual e não testada em larga escala. Especialistas em neuropsiquiatria consultados apontam que métodos como esse podem ajudar a personalizar intervenções, mas alertam para limitações, como a variabilidade individual e o custo dos exames. Fabiano de Abreu, também professor convidado em instituições como a PUCRS (Brasil) e UNIFRANZ (Bolívia), e criador do projeto GIP para análise genética de inteligência, registra o trabalho no Zenodo para garantir prioridade intelectual, abrindo caminho para colaborações futuras.

A publicação chega em um momento em que transtornos de personalidade afetam milhões globalmente, com o cluster B representando desafios significativos em terapia e prevenção. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que problemas emocionais graves impactam cerca de 10% da população adulta, reforçando a relevância de ferramentas inovadoras como essa. A citação completa é: Abreu Agrela Rodrigues, F. (2025). Narcisismo e transtornos do cluster B: equações operacionais por sub-regiões frontolímbicas e perfis neuroquímicos (v1.0). Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.17084914.

 



Referência

Abreu Agrela Rodrigues, F. (2025). Narcisismo e transtornos do cluster B: equações operacionais por sub-regiões frontolímbicas e perfis neuroquímicos (v1.0). Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.17084914


Inteligência Artificial x Profissionais da Saúde Humanizados: por que a tecnologia não substitui o olhar clínico?

Especialista ressalta que a IA é aliada, mas o contato humano continua indispensável para diagnósticos mais precisos e cuidados integrais

 

A inteligência artificial já está transformando a medicina. Dos prontuários eletrônicos às ferramentas de diagnóstico por imagem, a tecnologia vem auxiliando médicos e pacientes a terem mais agilidade, precisão e acesso à saúde. De acordo com a pesquisa TIC Saúde 2024 revelou que 17% dos médicos no Brasil utilizam tecnologias de inteligência artificial (IA) generativa em suas rotinas profissionais. O levantamento é realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), e tem a coordenação cientifica comandada pela ex-presidente da SBIS e Editora Associada Sênior do JHI, Heimar de Fátima Marin. A pesquisa analisou a adoção da tecnologia em unidades de saúde públicas e privadas em todo o país.

Além disso, a adoção da IA pelos médicos é de 14% em estabelecimentos de saúde públicos e de 20% nos privados. O estudo também mostrou que a utilização é mais significativa (20%) entre médicos que atuam em hospitais com mais de 50 leitos. Os principais usos identificados incluem o suporte às pesquisas (69%) e o auxílio na elaboração de relatórios médicos (54%).

No entanto, em meio a tantos avanços, surge uma questão importante: até que ponto a IA pode substituir o contato humano no cuidado médico?

Para o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, a resposta é clara: nunca. “A tecnologia é uma aliada poderosa, mas não substitui a relação entre médico e paciente. Muitas vezes, no diálogo, no contato direto, conseguimos identificar nuances que nenhum algoritmo captaria, como incoerências nas falas, sinais de ansiedade, de dor ou até mesmo contradições que indicam que a informação relatada não corresponde totalmente à realidade”, explica o especialista.

Segundo ele, a escuta ativa e o olhar clínico continuam sendo ferramentas essenciais para compreender o paciente em sua totalidade. “Um software pode indicar padrões de exames laboratoriais, mas não é capaz de perceber a emoção na voz, a expressão facial ou a linguagem corporal que revelam aspectos importantes da saúde física e mental”, completa o médico.

É fato que a inteligência artificial tem acelerado processos na medicina. Hoje, já existem sistemas capazes de sugerir diagnósticos a partir de exames de imagem, prever riscos de complicações em pacientes crônicos e até apoiar tratamentos personalizados com base em dados genômicos. Esses avanços representam uma grande contribuição para salvar vidas e tornar os atendimentos mais eficazes. No entanto, o Dr. Carlos destaca que a tecnologia deve ser vista como apoio, e não como substituição. “A IA pode ser excelente para triagem de pacientes em hospitais lotados, para identificar padrões em grandes bancos de dados ou mesmo para apoiar médicos em regiões com poucos especialistas. Mas, no atendimento individual, a presença humana é insubstituível”, ressalta.

Em tempos de hiperconectividade e automatização, o cuidado humanizado se torna ainda mais valioso. O especialista reforça que ouvir o paciente, compreender seu contexto social, sua rotina, seus medos e hábitos é fundamental para indicar o tratamento adequado. “Quando o médico está diante do paciente, consegue avaliar não apenas os sintomas relatados, mas também a forma como a pessoa fala sobre eles. Muitas vezes, é nesse contato que descobrimos detalhes cruciais para um diagnóstico correto”, afirma o Dr. Carlos.

O futuro da saúde, segundo o médico, deve unir tecnologia e humanização. “Não podemos abrir mão das vantagens que a IA oferece, mas precisamos lembrar que a medicina é, antes de tudo, uma prática humana. O paciente precisa sentir-se cuidado, compreendido e acolhido — algo que nenhuma máquina é capaz de proporcionar”, conclui.


Menopausa precoce, câncer e climatério: como enfrentar essa fase sem reposição hormonal

Ondas de calor, noites mal dormidas, irritabilidade, secura vaginal, lapsos de memória, ansiedade e até crises de choro sem motivo aparente. Para muitas mulheres, a menopausa chega como uma avalanche de sintomas físicos e emocionais. E quando a reposição hormonal não é uma opção, como nos casos de mulheres que já enfrentaram o câncer, o desafio parece ainda maior.

“Essas mulheres existem. E elas sofrem. Sofrem muito. Muitas vezes em silêncio, por falta de acolhimento, orientação ou acesso a alternativas seguras. Mas é possível, sim, passar por essa fase com dignidade, bem-estar e qualidade de vida”, explica a ginecologista Dra. Carla Iaconelli, especialista em reprodução humana.


O tabu que ainda persiste

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de mulheres no mundo estarão na menopausa até 2025. No Brasil, são cerca de 29 milhões de mulheres com mais de 50 anos, muitas delas sem acesso a informações claras ou acompanhamento adequado.

E, para quem teve ou tem risco aumentado de câncer de mama, o cenário é ainda mais delicado: a terapia de reposição hormonal (TRH), que poderia amenizar muitos sintomas, costuma ser contraindicada.

“A mulher com histórico de câncer de mama está entre as mais vulneráveis. Ela já passou por dor, medo, perdas físicas e emocionais e, quando chega a menopausa, é como se seu corpo continuasse gritando, pedindo cuidado. Mas os hormônios não são uma opção segura nesse caso”, explica a Dra. Carla.


Quando a menopausa chega cedo demais

Nem sempre a menopausa aparece por volta dos 50 anos. Em algumas mulheres, ela pode se manifestar precocemente, antes dos 40 anos é a chamada falência ovariana prematura, ou menopausa precoce. As causas são variadas: genéticas, autoimunes, cirurgias, tratamentos oncológicos como quimioterapia e radioterapia. E o impacto é profundo, especialmente quando há o desejo de ser mãe.

“A menopausa precoce pode ser devastadora para mulheres jovens que ainda não realizaram o sonho da maternidade. Mas hoje, a medicina reprodutiva oferece caminhos possíveis, mesmo em situações delicadas”, enfatiza Dra. Carla.

Tratamentos como a preservação de óvulos antes da quimioterapia, o uso de óvulos doados, fertilização in vitro (FIV) e o útero de substituição (em casos mais específicos) são alternativas reais e acessíveis para muitas mulheres que passam por menopausa precoce e ainda desejam engravidar.

“Cada caso é único. O importante é saber que existe esperança. A mulher tem o direito de conhecer suas opções, planejar seu futuro reprodutivo e fazer escolhas baseadas em informação e acolhimento”, reforça a médica.


A dor invisível: além do fogacho

A menopausa não é só uma questão de ovários: é de identidade, autoestima, sexualidade.

  • Secura vaginal pode tornar a relação sexual dolorosa.
  • Alterações no sono afetam produtividade, humor e saúde mental.
  • Queda na libido impacta relacionamentos e a autopercepção da mulher.
  • Ansiedade e depressão podem piorar ou se instalar silenciosamente.

“O climatério sem hormônios pode ser cruel. E precisamos falar sobre isso com a seriedade e empatia que merece”, diz a médica.


Alternativas seguras e eficazes (mesmo sem hormônio)

A Dra. Carla Iaconelli lista abordagens que têm mostrado bons resultados, mesmo para mulheres em situações delicadas:

  1. Mudança alimentar com base em ciência
    Alimentos ricos em fitoestrógenos (como soja orgânica, linhaça, grão-de-bico) podem ajudar a modular sintomas.
    Estudos da Harvard Medical School mostram que mulheres que consomem regularmente esses alimentos relatam menos fogachos.
  2. Medicamentos não hormonais ou fitoterapias com bons resultados — sempre sob orientação médica, especialmente após câncer.
  3. Terapias mente-corpo
    Técnicas como mindfulness, yoga, acupuntura e meditação têm respaldo científico para reduzir estresse, melhorar sono e aliviar sintomas vasomotores.
  4. Fisioterapia pélvica e sexualidade ativa
    “A sexualidade não acaba com a menopausa. Mas pode precisar ser redescoberta. Fisioterapeutas pélvicas, lubrificantes adequados e diálogo com o parceiro(a) fazem toda a diferença”, reforça a Dra. Carla.


Um novo começo, mesmo depois de tudo

Para a mulher que venceu o câncer e agora enfrenta a menopausa sem hormônios, a luta é contínua. Mas não é solitária.

“Você não está sozinha. Você não está fraca. Você está em transformação. É possível ter saúde, prazer, autoestima, mesmo com as cicatrizes da batalha. Você merece cuidado, acompanhamento e respeito nessa fase”, finaliza a especialista em reprodução humana.

Sempre consulte um ginecologista com experiência em climatério e saúde da mulher oncológica antes de iniciar qualquer tratamento, mesmo natural. O cuidado precisa ser personalizado.

 

Fonte médica: Dra. Carla Iaconelli – ginecologista e especialista em reprodução humana


Um pré-natal bem-feito aumenta em 47% a chance de detecção de anomalias em bebês, aponta estudo

Especialista reforça importância do acompanhamento e dos exames durante a gestação 

 

Uma pesquisa brasileira publicada recentemente na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth analisou mais de 26 milhões de nascimentos no país entre 2012 e 2020 e revelou um dado alarmante: gestantes que não realizam o pré-natal têm 47% mais chances do não ter o diagnóstico precoce de anomalias congênitas. Além da falta de acompanhamento, outros fatores de risco foram apontados: idade materna acima dos 40 anos, baixa escolaridade e desigualdades regionais. A pesquisa também chama atenção para a influência de fatores biológicos e sociais no desenvolvimento de anomalias, muitos deles evitáveis com acesso à informação, nutrição e cuidados médicos regulares. 

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Fiocruz Bahia, em parceria com o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), e relaciona a ausência do pré-natal a malformações como defeitos no tubo neural, anomalias cardíacas e síndrome de Down. 

Diante desse cenário, a médica radiologista do Grupo Sabin, Andrea Neves, reforça a importância do pré-natal como estratégia essencial para garantir a saúde da gestante e do bebê desde o início da gravidez, prevenindo complicações e reduzindo risco para ambos. Também promove o desenvolvimento saudável do feto, assegura o bem-estar físico e emocional da gestante, oferecendo orientação sobre o parto e cuidados com o recém-nascido, preparando a família para a maternidade. 

O acompanhamento médico permite a detecção precoce de condições que algumas vezes, podem ser tratadas ainda durante a gestação ou mesmo durante o momento do parto. 

“O pré-natal é mais do que uma rotina médica — é uma ferramenta de prevenção, orientação e cuidado integral. Por meio de exames simples, conseguimos identificar riscos, acompanhar o desenvolvimento fetal e algumas vezes intervir, quando necessário, para assegurar o melhor desfecho possível para mãe e bebê”, afirma.

 

Exames recomendados 

Entre os principais exames recomendados durante o pré-natal e oferecidos pelo Sabin estão:

  • Ultrassonografias, incluindo gestacionais, morfológicas e com Doppler.

Identificam e monitoram múltiplos aspectos da gravidez, incluindo o desenvolvimento e o crescimento do feto, a localização e a saúde da placenta, o tempo de gestação e a presença de anomalias fetais ou complicações, como baixo ou excesso de líquido amniótico. A ultrassonografia transvaginal também é essencial para avaliação do colo uterino e previsão de parto prematuro. Ainda podem ser solicitadas em casos especiais ultrassonografias de tireoide, dos rins e vias urinárias, das mamas e Doppler dos membros inferiores.

  • Hemograma completo

Crucial para identificar e monitorar condições como a anemia gestacional, que afeta a oxigenação da mãe e do bebê, além de infecções, ao avaliar a contagem de glóbulos brancos.

  

  • Tipagem sanguínea e fator Rh

Para identificar o grupo sanguíneo da gestante e a presença do fator Rh. Caso haja incompatibilidade, ou seja, a mãe for Rh negativo e o pai Rh positivo, o bebê pode ter Rh positivo, o que pode levar à produção de anticorpos pela mãe que atacam as hemácias do bebê, causando a doença hemolítica do recém-nascido (eritroblastose fetal). Para prevenir isso, a gestante deverá receber uma injeção de imunoglobulina anti-D (vacina anti-Rh).

  • Glicemia e curva glicêmica

Identificam o risco ou a presença de diabetes gestacional, uma condição que afeta os níveis de açúcar no sangue da gestante e pode trazer riscos para a mãe e o bebê. A curva glicêmica é um teste que mede a concentração de glicose no sangue em diferentes momentos após a ingestão de uma bebida açucarada, sendo o teste de rastreio e diagnóstico mais recomendado para a diabetes gestacional, geralmente entre a 24ª e 28ª semana de gestação.

  • Sorologias para HIV, sífilis, toxoplasmose, hepatites B e C, rubéola

Analisam se há a presença de infecções que podem ser transmitidas da mãe para o bebê e que, se não forem tratadas, podem causar complicações graves, como abortamento, parto prematuro ou malformações. Ao detectar essas doenças precocemente, é possível iniciar o tratamento adequado para proteger a saúde da mãe e do feto, além de adotar medidas para prevenir a transmissão para o recém-nascido.

  • Teste pré-natal não invasivo (NIPT)

Identifica o risco de o feto apresentar alterações cromossômicas comuns, como as Trissomias do 21 (Síndrome de Down), 18 (Síndrome de Edwards) e 13 (Síndrome de Patau), além de alterações nos cromossomos sexuais (XXY, XXX, XYY, X) e microdeleções (perdas pequenas de material genético). O exame também pode determinar o sexo do bebê. Ele é realizado com uma amostra de sangue da gestante, que contém DNA fetal, sem oferecer riscos à mãe ou ao bebê.

Além disso, o Sabin também orienta sobre vacinação durante a gestação, em linha com as recomendações do Ministério da Saúde, e realiza triagens neonatais como o Teste do Pezinho, Teste do Bochechinha, Teste do Coraçãozinho e Teste da Orelhinha. “Garantir o acesso ao pré-natal é uma questão de saúde pública e de justiça social. Os dados da pesquisa reforçam a urgência de ampliar o cuidado com a gestante desde o início da gravidez.

 

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Inteligência Artificial amplia precisão de exames e fortalece diagnóstico precoce do câncer de intestino

Estudos já indicam que a detecção de pólipos pode
aumentar em até 34% com o uso desse recurso
Divulgação
Exames como endoscopia e colonoscopia, aliados à Inteligência Artificial, reforçam a importância da prevenção para quem busca qualidade de vida e hábitos saudáveis

 

O câncer colorretal é hoje o terceiro tipo de tumor que mais mata no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença, que pode se desenvolver a partir de pólipos — pequenas lesões na mucosa do intestino —, tem altas taxas de cura quando descoberta em fase inicial. Nesse cenário, exames como a colonoscopia e a endoscopia são aliados essenciais da prevenção, permitindo identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas. 

Nos últimos anos, a tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais importante na evolução desses procedimentos. Recursos de Inteligência Artificial (IA) já estão sendo incorporados ao arsenal médico, oferecendo um ganho significativo na precisão diagnóstica. 

A IA atua como um “olho extra” durante os exames. Treinada com milhões de imagens, a ferramenta consegue reconhecer padrões que indicam a presença de pólipos ou outras alterações da mucosa intestinal. O sistema funciona em tempo real: enquanto o endoscopista conduz o exame, a tecnologia sinaliza possíveis lesões que poderiam passar despercebidas a olho nu. Estudos já indicam que a Segundo a médica Leliane Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia em Pernambuco e diretora médica da Endogastro, a combinação entre a experiência clínica e a tecnologia cria um novo patamar de segurança.

“Inteligência Artificial não substitui o olhar humano, mas complementa. É como ter um colega ao lado chamando atenção para detalhes que poderiam passar despercebidos. Isso aumenta a sensibilidade dos exames e favorece diagnósticos mais precoces”.

Além da IA, outros avanços reforçam a qualidade das imagens. A chamada Magnificação Óptica Real permite ampliar em até 145 vezes a visualização da mucosa, tornando possível observar vasos e estruturas microscópicas. Já o Linked Color Imaging (LCI) intensifica o contraste de cores, facilitando a detecção de inflamações e lesões iniciais. Outra inovação é o Blue Light Imaging (BLI), que projeta luz azul-violeta para destacar vasos sanguíneos e diferenciar lesões benignas de malignas.

Para os especialistas, esse conjunto de tecnologias representa uma revolução na prática clínica. A colonoscopia, considerada o exame padrão-ouro para detecção do câncer colorretal, torna-se ainda mais eficiente com o suporte da IA e dos novos sistemas de imagem.

Quanto mais cedo conseguimos identificar alterações, maiores são as chances de tratamento e cura. A tecnologia está ajudando a transformar um exame já essencial em uma ferramenta ainda mais poderosa contra o câncer de intestino”, reforça Leliane Arruda.

Com a incorporação desses recursos, pacientes e médicos ganham mais confiança no processo de diagnóstico. O resultado é uma medicina preventiva fortalecida, que aposta na inovação para salvar vidas.


O neurocirurgião Roberto Oberg fala sobre a utilização da inteligência artificial na revolução da neurocirurgia

 

Em um futuro que já começou, a sala de cirurgia não é mais apenas o espaço de bisturís, microscópios e mãos treinadas. Ao lado do neurocirurgião, algoritmos avançados de inteligência artificial (IA) tornam-se aliados discretos, mas poderosos, capazes de transformar diagnósticos, planejar procedimentos complexos e até prever complicações. Essa parceria entre cérebro humano e máquina promete mudar para sempre a forma como tratamos doenças neurológicas. 

Nos últimos anos, a neurocirurgia deixou de ser apenas uma especialidade de precisão técnica e passou a incorporar recursos digitais capazes de analisar, em segundos, milhares de imagens cerebrais. Ferramentas de IA identificam tumores, aneurismas e malformações vasculares com taxas de acerto comparáveis – ou até superiores – às dos especialistas mais experientes. O resultado é um diagnóstico mais precoce e preciso, fundamental para salvar vidas. 

Mas não se trata apenas de detectar doenças. O planejamento cirúrgico também vem sendo revolucionado. Softwares que integram inteligência artificial com imagens de ressonância magnética e tomografia criam reconstruções tridimensionais do cérebro. Esses modelos permitem que o cirurgião “navegue” virtualmente pela anatomia do paciente antes mesmo da primeira incisão. Assim, é possível definir o trajeto mais seguro, evitando áreas críticas ligadas à fala, visão e movimentos. O objetivo é claro: maximizar a eficácia da cirurgia e reduzir riscos de sequelas. 

Outro campo promissor é a aplicação da IA em robótica. Hoje, sistemas de navegação já auxiliam o posicionamento de instrumentos com precisão milimétrica. A tendência é que, no futuro, algoritmos aprendam continuamente a partir de milhares de procedimentos, oferecendo suporte em tempo real durante as operações. Não significa que os robôs substituirão o cirurgião, mas sim que o profissional terá à sua disposição uma ferramenta ainda mais precisa e confiável. 

O impacto social é igualmente relevante. Se bem implementada, a inteligência artificial pode democratizar o acesso à saúde de qualidade. Hospitais de médio porte ou em regiões afastadas poderão contar com softwares de apoio ao diagnóstico, reduzindo desigualdades. Além disso, a IA pode otimizar custos, permitindo que mais pacientes recebam atendimento especializado. 

Ainda assim, desafios importantes permanecem. Como garantir a privacidade e segurança dos dados médicos? Como validar cientificamente algoritmos que aprendem com grandes volumes de informações? E, acima de tudo, como assegurar que a tecnologia seja usada como complemento, e não substituto, da sensibilidade e do julgamento humano? 

A resposta parece estar no equilíbrio. A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas o cuidado, a empatia e a capacidade de tomar decisões éticas permanecem exclusivos do ser humano. A neurocirurgia, portanto, caminha para uma era em que a união entre conhecimento médico e inovação tecnológica poderá oferecer aos pacientes não apenas mais chances de cura, mas também melhor qualidade de vida. 

Estamos diante de uma revolução silenciosa e inevitável. Uma transformação que não elimina a figura do médico, mas o fortalece. O futuro da neurocirurgia não está apenas nas mãos habilidosas dos cirurgiões, mas também na inteligência invisível dos algoritmos que, juntos, podem salvar vidas.


Dr. Roberto Duprat Oberg - Neurocirurgião - Especialista em patologias do cérebro e coluna vertebral. Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Atua na Clínica



Dia Mundial do Alzheimer mostra como a iluminação adequada pode reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida

No 21 de setembro, especialista reforça como ajustes simples na luz artificial ajudam a amenizar agitação, irritabilidade e mudanças de humor típicas da doença

 

No dia 21 de setembro, data em que é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Alzheimer, a atenção se volta para as estratégias que podem melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes. Entre elas, a iluminação adequada dos ambientes tem se mostrado uma aliada importante no controle de sintomas, principalmente os ligados à chamada “Síndrome do Pôr do Sol” — caracterizada por agitação, irritabilidade, alterações bruscas de humor e até comportamentos agressivos no fim da tarde.

 

Segundo Adriana Tedesco, Lighting Designer especialista em iluminação integrativa e saudável, ajustes na iluminação artificial podem ajudar a amenizar esses sintomas. “Quando vai chegando o pôr do sol, a pessoa com Alzheimer pode ficar agitada e apresentar mudanças de humor intensas. Uma iluminação difusa e mais clara nesse momento ajuda a suavizar essa transição e a reduzir o desconforto, fazendo com que o paciente passe por esse período de forma mais calma e estável”, explica.

 

O objetivo é criar um ambiente que disfarce a passagem do dia para a noite, evitando que o paciente perceba essa mudança. Para isso, recomenda-se, nesses horários, utilizar luz difusa, clara e uniforme, reduzindo ao máximo os contrastes e evitando diferenças bruscas de intensidade luminosa entre os ambientes. “Isso evita confusão e contribui para a estabilidade emocional do paciente”, complementa.

 

Mesmo para quem ainda não apresenta sintomas da síndrome, a recomendação é manter durante todo o dia uma iluminação indireta, homogênea e sem contrastes acentuados. Essa medida simples ajuda a prevenir episódios de desorientação e mantém o paciente em um estado de maior conforto e segurança.

 

Embora outras medidas possam ser indicadas por médicos para o manejo da síndrome, a especialista reforça que a luz é um recurso importante. “A iluminação não substitui tratamentos médicos, mas é um aliado que contribui para o bem-estar, a tranquilidade e a qualidade de vida das pessoas com Alzheimer”, conclui.

 

Neste Dia Mundial de Conscientização sobre o Alzheimer, a mensagem central é clara: a luz, quando bem planejada, pode se tornar um recurso poderoso para promover dignidade e bem-estar a quem convive com a doença.

 

 

Adriana Tedesco - tem como missão projetar ambientes luminosos saudáveis, trazendo experiências da natureza para dentro de nossos espaços, permitindo que o corpo humano reconheça e se sincronize com os ciclos naturais. Seu trabalho visa proporcionar bem-estar e qualidade de vida, transformando a iluminação em uma ferramenta de cura e reconexão com a própria essência. Ela é titular do Studio Guido Projetos de Iluminação Integrativa, referência no setor, onde lidera o desenvolvimento de projetos que aliam luz e saúde. Seu escritório é um dos poucos especializados nessa abordagem inovadora, que considera os impactos da iluminação no ser humano. Adriana iniciou sua trajetória na arte e no design desde a infância, influenciada por sua família e amigos. Aos 18 anos, formou-se em Educação Artística e licenciatura em Artes Cênicas, especializando-se posteriormente na Itália, onde teve contato com fábricas renomadas e participou, por 13 anos consecutivos, dos maiores eventos internacionais de tecnologia e design em Frankfurt e Milão. Ela se aprofundou nos impactos da luz artificial na saúde e no comportamento humano, especializando-se em Lighting Design com foco em neurociência e bem-estar. É pós-graduada em Naturopatia, capacitada em Neuroiluminação pelo Instituto Poli Design de Milão e possui MBA em Neuroarquitetura e Iluminação pelo Instituto Franklin Covey. Como especialista em design biofílico, Adriana une diferentes áreas do conhecimento para criar uma metodologia própria na projeção da iluminação nos ambientes construídos. Sua abordagem humanizada coloca as pessoas no centro dos projetos, minimizando os impactos negativos da luz artificial e promovendo um ambiente mais harmônico e equilibrado. O Studio Guido Projetos de Iluminação Integrativa está localizado na Rua Guaiaó, 66 - sala 809 - Praiamar Corporate - Santos - SP. Telefone: (13) 3234-3445.



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