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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O livro pelo mundo hoje


No inspirador A condição da Arte – texto que serviu de prefácio a um de seus livros – Joseph Conrad (1857-1924) nos fala da “sutil, mas invencível, convicção de solidariedade que entrelaça a solidão de incontáveis corações, a solidariedade nos sonhos, na alegria, no sofrimento, nas aspirações, nas ilusões, na esperança, no medo, que une os homens uns aos outros, que une toda a Humanidade”.

Desconheço definição melhor da mais alta aspiração que possa ter um escritor: tocar, com esse senso de solidariedade universal, “o outro”. Até não muito tempo atrás, no entanto, era dificílimo um livro transcender barreiras geográficas e linguísticas, e ponho-me a pensar, por vezes, em quantas obras fantásticas não se perderam na soleira do tempo por simplesmente não terem alcançado os leitores a cujos temperamentos melhor apelaria.

Hoje, porém, a propagação de livros em formato digital – outrora apressada e equivocadamente considerados “o começo do fim dos livros de papel” – permite que se atinjam públicos nas mais variadas partes da Terra – o que foi reforçado pela recente difusão de plataformas de impressão sob demanda, que servem para somar – e não para competir, espero – com o primoroso e imprescindível trabalho das editoras tradicionais (muitas das quais, a propósito, já colocam seus livros em aludidas plataformas).

E, realmente, raros acontecimentos podem dar satisfação maior a um escritor que ver seu livro sendo amplamente lido no próprio país e idioma, e também em outros.

A literatura aprimora em nós a propensão à empatia. Como diz um dos personagens em meu romance O silêncio dos livros – obra já traduzida para o inglês e o espanhol, e que traz o aterrador cenário (infelizmente, nem sempre distante de nós) de um mundo com livros censurados, “através das personagens conseguimos observar o mundo com outros olhos, saboreando vidas que não as nossas e, assim, melhor entender os que nos cercam”.

Falar ao diferente, com respeito reverencial à diversidade cultural, nacional, sexual, ideológica, com sensibilidade voltada à ampla variedade do ser humano, torna ainda mais desafiadora – e importante, penso – a atividade daquele que se dispõe a falar (escrever) aos corações humanos. Como já escrevia há mais de um século Robert Louis Stevenson (1850-1894) em Essays in the Art of Writing, “aqueles que escrevem têm o dever de ver que o conhecimento de cada homem é, o quanto mais próximo possa ser, resposta aos fatos da vida; que ele não deve supor a si mesmo um anjo ou um monstro; nem tomar este mundo como o inferno; nem imaginar que todos os direitos estão concentrados em sua própria casta ou país, ou que toda a verdade resida em seu credo paroquial.”
Vida longa – e por todo o mundo – aos livros!




Fausto Luciano Panicacci - escritor, best-seller da Amazon. Autor de O silêncio dos livros (romance), Naufrágios (contos e poemas) e de obra jurídica. Doutor em Direito e promotor, foi professor no GV/Law da FGV/SP. Estudou fotografia, história do cinema e história da arte. Recentemente lançou O silêncio dos livros em Portugal, Espanha, Estados Unidos e México.
 

Material escolar: confira 07 dicas de como economizar


Especialista dá dicas para pais que querem gastar pouco na compra dos materiais dos filhos no novo ano letivo

Com os gastos decorrentes das festas de fim de ano e das férias, programar o orçamento para as despesas escolares no início do ano letivo é fundamental para que os pais não entrem numa bola de neve. A compra do material escolar exige equilíbrio entre o que pode ser reaproveitado e o que é essencial. Além disso, é necessário saber gerir a felicidade do filho com as ferramentas que ele irá utilizar no dia a dia das aulas.

O mercado oferece inúmeras opções de produtos, marcas, personagens e utensílios que, aos olhos das crianças, se tornam objetos de desejo. No entanto, a atenção dos pais vai além desses detalhes observados pelos pequenos, mas sim, no preço e nas ofertas. A diretora do Colégio Anglo 21, Carla Oliveira, selecionou algumas dicas para não gastar mais do que o necessário nos materiais escolares dos filhos. Confira:

  1. Veja os materiais do ano anterior e o que pode ser reaproveitado
O primeiro passo é conferir tudo o que sobrou do ano anterior e ver o que pode ser reutilizado. “O ideal é que uma mochila, por exemplo, possa ser reaproveitada por muitos anos, assim como, tesouras, estojos e outros itens mais resistentes”. Entretanto, Carla alerta: “Não é bom reutilizar cadernos. Certos itens incentivam o aluno a estudar. Um caderno novo, por exemplo, pode fazer toda a diferença. Para não desperdiçar, os antigos podem ser utilizados como rascunhos ou para estudos em casa”.  

  1. Combine um orçamento e converse com seu filho
Estabelecer quanto pode ser gasto é o segundo passo. Assim, é possível ter mais controle na hora das compras. Levar uma calculadora para não se perder pode ser uma boa alternativa. Além disso, é preciso pensar na questão de levar o filho ou não para ajudar nessa tarefa.

Alguns pais preferem manter os filhos fora dessa decisão. A chance de eles optarem por um produto apenas pela aparência existe e é alta. Entretanto, para quem tiver interesse, essa pode ser uma ótima oportunidade para dar uma dose de educação financeira para os filhos. Isso será benéfico não apenas na hora da compra, mas a longo prazo. Entendendo o valor de cada material e com a consciência de que existe um orçamento que não pode ser ultrapassado, ele pode ter um cuidado ainda maior com suas coisas - o que aumenta a quantidade de produtos que poderão ser reaproveitados no ano seguinte e ajudando a economizar no próximo ano.

  1. Faça uma lista do que precisa ser comprado
Durante as compras, é possível que você se depare com materiais incríveis - mas que fogem totalmente do seu orçamento. Ter uma lista e segui-la irá poupar dúvidas desnecessárias e gastos imprevistos.

  1. Fuja de marcas e personagens
Nada de escolher um produto mais caro apenas porque é de determinada marca ou de um personagem específico. O foco aqui deve ser a qualidade dos produtos, não os logo e etiquetas que carregam. “É bom conhecer as marcas e saber suas preferidas, mas não se limite a elas”. E pensando na durabilidade de cada item, cuidado com as estampas que escolhe. Muitas vezes, o personagem preferido do seu filho hoje pode nem passar mais pela cabeça dele daqui alguns meses.

  1. Foque em materiais duráveis
Não adianta comprar um produto exclusivamente porque seu preço está abaixo da média e precisar comprar o mesmo produto alguns meses ou até semanas depois. A qualidade e o preço devem estar entrelaçados. “Investir no barato, sem uma durabilidade adequada não será uma economia, mas apenas uma preocupação futura”, reforça Carla.

  1. Converse com outros pais
Os outros pais estão passando pela mesma situação, então por que não investir em algo que seja bom para todos? Uma estratégia que vale muito a pena é conversar com outros pais, se organizarem e procurarem um bom atacado, ou realizarem grupos de troca e reaproveitamento.

  1. Pesquise
Nessa época, as lojas investem nesse setor e é possível encontrar diversas ofertas e promoções exclusivas. Entretanto, cuidado: nem todas valem a pena.
Logo, é importante fazer uma pesquisa de preços, produtos, lojas e promoções. E isso não é algo para ser feito apenas em dezembro ou janeiro, mas ao longo de todo o ano. Ter uma noção do preço dos produtos que precisa comprar, irá facilitar muito suas compras.



Anglo 21 


Na hora da matrícula, o que deve ser observado numa escola


No momento em que as instituições de ensino estão às voltas com a captação de novas matrículas, é importante que os pais ou responsáveis saibam exatamente com o que devem realmente se preocupar para fazer a melhor escolha. Para a pedagoga e psicoterapeuta Solange Véras Félix, diretora do Colégio Criando e Rindo – CCR Objetivo, de São Paulo, há bons caminhos nesse sentido, como a indicação de quem já é cliente da escola. “Tomar conhecimento da estrutura disponível, visitar a escola, também é fundamental. Da mesma forma, é de grande importância conhecer a proposta pedagógica, método de ensino, situação de regularidade do estabelecimento. Tudo isso são fatores decisivos, mas é preciso, primeiro, observar se por trás de tudo isso existe atenção, carinho, responsabilidade”, adverte.

Com mais de 30 anos na área de ensino, 28 dos quais à frente do CCR, ela conta que é muito comum as pessoas optarem pela escola mais bonita, por aquela que fará inveja entre parentes e amigos, se esquecendo que quem irá estudar no estabelecimento, viver boa parte de suas vidas naquele local, é o aluno. Conhecer a escola que existe além das aparências é fundamental para uma decisão sobre a qual dificilmente haverá arrependimento no futuro, diz ela.

Para ajudar na escolha da melhor escolha, ela recomenda às pessoas que observem a empatia da criança em relação ao local. “É preciso que haja acolhimento, profissionais dedicados, que trabalhem com atenção e objetivos bem definidos. Uma escola precisa ter foco no aluno, ficar atenta inclusive à sua forma de agir, personalidade, comportamentos. Muitas vezes essa atenção em relação a esses detalhes pode fazer da escola a melhor aliada dos pais para a correção de eventuais problemas. A escola precisa ter um lado humano, afinal ela acaba orientando os alunos em relação às suas formações. Uma boa escola forma pessoas do bem, que têm preocupação com o próximo, que respeitam os mais velhos, que têm noção de seu papel na sociedade. A boa escola forma pessoas que não discriminam ninguém, forma cidadãos que sabem exatamente onde terminam seus direitos e começam os dos outros”.
Com base em sua experiência, ela formulou algumas questões que devem ser vistas pelos pais na hora de escolher uma escola:

1. Que material didático é utilizado pela escola?

2. A escola realiza reuniões com pais e responsáveis com que frequência?

3. A escola atende individualmente as pessoas quando elas precisam falar sobre algum assunto?

4. A escola exige agendamento para poder atender as pessoas?

5. Que atividades a escola promove além das previstas na grade curricular?

6. A escola promove saídas e passeios com fins pedagógicos, como teatros, centros de ciência e tecnologia, museus etc.?

7. Como se dá o período de adaptação do aluno?

8. Se houver um imprevisto, como é feita a entrega da criança, como isso ocorre?

9. Quais são os critérios de avaliação dos alunos?

10. Existem atividades lúdicas, de entretenimento, esportes, artes?

11. Como a escola trata as várias faixas etárias? Há unidades específicas e separadas tendo em vista que os momentos são muito diferentes?

12. Como a escola trata os casos de indisciplina?

13. A escola possui reclamações em sites específicos e Procons?

14. Quais são os valores humanos que a escola leva em conta?

15. Qual a reputação da escola em sua comunidade?

16. A escola se preocupa em promover um ambiente agradável e de amizade entre os alunos?

17. O que a escola publica nas suas redes sociais?
“Vejam que todas essas questões são, na nossa avaliação, mais relevantes que outros fatores mais mensuráveis”, diz Solange. Segundo ela, se a todas essas questões houver respostas positivas, basta passar na sequência para os fatores que ela considera subjetivos, como estrutura, localização, preço etc..


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