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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Cerca de 25% de Millennials entrevistados em pesquisa estão desempregados. Desses, 57% há mais de um ano.



É a geração mais preparada, mais informada, mais educada da história e a mais desempregada, diz especialista

A pesquisa foi apresentada durante o CONAREC 2017, no Hotel Transamérica, São Paulo.


Além do desemprego identificado em 25% dos jovens, entre esses, 57% há mais de um ano, a pesquisa, que ouviu 1 mil brasileiros entre 18 e 32 anos em julho deste ano, aponta que 47% deles não estudam atualmente, e desses, 34% nem estudam nem trabalham. É a denominada por especialistas como a geração Nem Nem, parcela que vem chamando a atenção de estudiosos em comportamento jovem no Brasil.

O resultado faz parte da pesquisa inédita “Millennials e a Geração Nem Nem”, realizada pelo Centro de Inteligência Padrão (CIP), em parceria com a empresa de pesquisa digital MindMiners, que levantou aspectos como carreira, valores profissionais, emprego dos sonhos - moradia, renda e despesas - prioridades de consumo e entendimento de conceitos como economia compartilhada por parte dos jovens.

"É a geração mais preparada, mais informada, mais educada da história e a mais desempregada. Eles querem participar, se engajar, querem ser envolvidos, querem ganhar o mundo", afirma Roberto Meir, especialista em relações de consumo, varejo, cidadania e CEO do Grupo Padrão (organização responsável pelo Centro de Inteligência Padrão).


DESEMPREGO ELEVADO E VALORES DIFERENTES 

A pesquisa também aponta que, entre os que estão empregados, a modalidade CLT ainda é maioria 29%. Entre toda a amostra, 54% dos entrevistados se consideram satisfeitos e muito satisfeitos com o trabalho atualmente. E 60% são contra a reforma trabalhista.

Segundo Meir, o mercado brasileiro precisa olhar mais para os profissionais jovens para não perdermos talentos para outros países. "Se não tiver essa mão de obra mais para usar em favor do país, vamos começar a perder talentos, a exportar uma geração brilhante", ressalta.

  


- Perfil Nem Nem, os que nem trabalham* nem estudam
34%: 28% “desempregado” e 6% “nunca trabalhei”



Para os que estão em busca de uma oportunidade, a pesquisa revelou que as fontes prioritárias são os contatos pessoais (58%), sites de busca de emprego (56%) e as redes sociais (51%)

Quanto aos critérios e às exigências para estar no mercado de trabalho, a maioria se mostrou flexível: 68% dos jovens concordam em aceitar empregos que paguem menos; 82% avaliam como possíveis as oportunidades que estejam fora de sua área de formação; 60% consideram uma outra cidade como local de trabalho, e 45% se dizem dispostos a trabalhar mais que 40 horas semanais.  

Para os Millennials, que se consideram ambiciosos, trabalhadores e estudiosos, o papel das empresas é questionado: 76% discordam que as empresas atuam de forma ética; 75% discordam que estão comprometidas a melhorar a sociedade, e 71% discordam que há respeito aos funcionários. Já 63% dos Millennials concordam que existe falta de espaço para quem não tem experiência, porém reconhecem possibilidades de crescimento dentro das corporações e valorização dos jovens profissionais, com 45% e 39% de concordância. 

Sobre o ambiente de trabalho, os respondentes indicaram como aspectos mais importantes o incentivo à geração de novas ideias e melhorias (54%); a comunicação aberta e transparente, (47%), e o compromisso com igualdade e inclusão (44%), frente a quesitos como horários e performance monitorados (8%), forte hierarquia e importância de cargos (7%) e tempo reduzido para aprendizado (3%).


Quando perguntados sobre o emprego ideal, equidade de salário e direitos entre homens e mulheres, liderança de pessoas jovens, e inclusão social resumem, como mostram os números abaixo, o que a nova geração espera encontrar nas empresas.


 
Para esses brasileiros, o emprego ideal é em empresas de tecnologia (48%) ou no próprio negócio (49%). Mas ainda é alto o número de pessoas que desejam construir carreira em grandes corporações (37%). Google (31%) aparece como empresa dos sonhos para se trabalhar, seguido da Apple e Microsoft (empatados com 3%); Netflix e Facebook (1%).

 

PRAZO DE 2 A 10 ANOS PARA FINANCIAR O ESTILO DE VIDA QUE DESEJAM (Moradia e Renda)
Os dados também registram que 60% desses jovens moram com pais ou familiares. Entre os integrantes da geração Nem Nem, o índice sobre para 67%


A maioria sai de casa entre os 15 e 25 anos. E, para os que ainda moram com os pais, a pretensão de 35% dos jovens é sair de casa entre 26 e 30 anos.



Um terço dos Millennials afirma não pagar nenhuma conta – entre a geração Nem Nem o índice é maior 52% e 59% dos millennials afirmam receber ajuda dos pais para se manter.


Segundo a amostra total, seriam precisos de 2 a 10 anos para alcançar uma renda suficiente para financiar o estilo de vida que desejam.  Em a geração Nem Nem, 18% indicou “daqui a pouco” (na amostra total é 9%).  7% do total não acredita que vai conseguir a vida que sonhou.

  

COMPORTAMENTO DE CONSUMO

Falando de consumo, esta geração revela que os itens fundamentais de compra são: casa própria (95%), plano de saúde (88%), smartphone (79%) e carro (76%).


Nos hábitos de compra, se têm dúvidas, preferem fazer pesquisa pelo celular a falar com um vendedor e, mesmo quando estão em loja física, comparam preços pelo celular antes de decidir realizar a compra. A preferência por marcas que possuem programas de vantagens e benefícios, que tenham valores parecidos com os seus, e sejam sustentáveis, são pontos que incentivam o consumo.

Outro destaque é quando se trata de economia compartilhada. Na amostra, 70% dos Millennials afirmam não saber o que significa o termo. E, depois de entender a definição, o Uber é a maior referência entre as empresas. Aliás, as respostas apontam que existe na mente dos entrevistados uma conexão direta entre o conceito de economia compartilhada e as empresas de mobilidade urbana. Poucos deles indicaram marcas de outro segmento.



Ainda sobre a mesmo tópico, a maioria afirma utilizar os serviços pelos custos reduzidos (62%); praticidade e facilidade (24%), e a experiência proporcionada (7%), e reconhece o impacto positivo no mundo. Grande parte também acredita que o crescimento da economia partilhada é reflexo da crise que o país enfrenta. Os entrevistados também concordam que grandes empresas tradicionais irão adaptar seus modelos de negócio se quiserem sobreviver, e desejam que novas empresas de mobilidade e transporte surjam com o mesmo conceito, seguidas de alimentação.




POSICIONAMENTO E QUESTÕES SOCIAIS


Quando questionados sobre a afirmação “ser uma pessoa ambientalista” 75% concordam que sim. E quando perguntados sobre “Eu sou uma pessoa que apoia os direitos das minorias sociais” e “Eu sou uma pessoa patriota”, em ambos os casos, 37% dizem que sim.






Cinco passos para lidar com uma crise de imagem na empresa



A reputação é o real sentido da existência de um nome/marca, construído ao longo de toda a sua história bem-sucedida. Mas nenhuma empresa, por mais sólida, ética e responsável que seja, está livre de ter uma crise de imagem. Com a velocidade da informação dos dias atuais proporcionado pela tecnologia da comunicação, isso é ainda mais crítico hoje.

Nos últimos anos o modelo de registro, divulgação e acesso à informação foi reestabelecido e profundamente transfigurado. Me refiro à internet, especialmente os sites de busca como Google, Yahoo e etc., onde após registradas, as informações não têm prazo de validade e se mantêm vivas e renovadas dependendo do volume em que são acessadas. Então, caso uma crise assim aconteça, como lidar com ela?


Preparação é fundamental

A experiência de diversas organizações e empresários que passaram por essa situação deu origem a muitos estudos sobre gestão de crises, e há até mesmo empresas e sites especializados nesse tema. Apresento aqui um resumo com cinco medidas básicas para superar crises de reputação. Antes, porém, desses cinco passos, chamo a atenção para o “passo número zero”: esteja preparado.

Uma crise pode acontecer a qualquer momento. Assim, comece a “administrá-la” desde já. Prepare-se, estudando o assunto e discutindo-o com pessoas-chave da organização. Liste todas as situações potenciais de perigo na empresa. Discutam reações possíveis, responsabilidades e estratégia de comunicação. Incentive as pessoas a pensar sobre o assunto, e elaborem um plano de gestão de crise, simulando situações.

Mas se a crise já aconteceu? Vamos então aos cinco passos que considero fundamentais para lidar com ela.


1.   Forme um comitê de crise e calcule o prejuízo

O primeiro passo após o surgimento de uma crise é reunir as pessoas que possam ajudar e montar um comitê de gestão de crise. Designe os gestores ou técnicos de cada área: o presidente, sócios, comunicação, técnico-operacional, ações de emergência, jurídico, orçamento etc.

Descubra exatamente a natureza e as dimensões do dano. Obtenha o máximo possível de informações. Identifique o tipo e as causas. Foi uma crise de comunicação, com boatos, calúnias ou mal-entendidos? Uma catástrofe natural, ou uma ação criminosa? Consulte muitas pessoas entre os stakeholders para saber como e quanto elas foram afetadas pelo problema e elabore um plano de gestão da crise.


2. Seja ágil, transparente e positivo

Tome as decisões prontamente. Quase sempre, mais importante do que a opção escolhida, é não ficar parado. Faça algo positivo agora. Se a culpa da empresa ficou clara, não hesite em assumi-la, ou não faltará alguém para acusá-lo. A única diferença é que você será o primeiro a fazer isso.

Mesmo que no momento as ações sejam apenas simbólicas, considere, com a aprovação do comitê e da diretoria, um pedido de desculpas públicas, uma apresentação das poucas explicações que já possui, ou, se for o caso, visitas ao local ou às pessoas envolvidas. Um prejuízo ainda maior à reputação é ser visto como omisso. Por isso, comprometa-se com o caso, demonstrando boa vontade ao lidar com o inevitável desde o início. Isso vai granjear a boa vontade do público. Assumir o controle da situação ameniza a ansiedade e esfria os ânimos exaltados.

Não subestime a crise. Ela pode espalhar-se tão rapidamente que a imagem pode sofrer severos danos muito antes que as pessoas -e a imprensa- comecem a esquecer o que aconteceu. Não presuma que o tempo vai apagar tudo. Na era da informação, não vai. Assimile o dano como um passivo, uma despesa urgente e inesperada que deve ser quitada o quanto antes.

Tome decisões racionais, baseadas em fatos, e liste as ações necessárias para resolver os problemas, sejam de que natureza forem. Embora o clamor social inicial seja emocional, muitas vezes inflamado pela mídia, individualmente, e aos poucos, mais e mais pessoas passam a procurar os motivos reais para o que aconteceu. Ao fornecer informações verazes, com o tempo você conquistará a sólida confiança delas.
Tome o cuidado de não minimizar nem exagerar o real tamanho do problema. Conte toda a verdade, seja transparente por mais difícil que seja. Diga o que fará a respeito. Esforce-se para ser sempre honesto consigo mesmo e os outros. Se o público desconfiar de que você sonegou informações relevantes, isso também pode tornar-se outra crise.

E resista à tentação de apontar logo um culpado. Essa nunca é a tarefa mais urgente. Além da possibilidade de se precipitar e cometer erros graves, culpar outros em primeiro lugar também pode ser encarado como omissão, demonstra fraqueza e diminui ainda mais a confiança de que sua corporação tenha a capacidade de lidar com a situação.


3. Comunique-se com públicos

Antes da crise surgir, construa uma linha de comunicação com consultores externos, autoridades, formadores de opinião e a sociedade em geral de forma contínua. Na hora da crise, essa relação será muito útil para obter apoio e minimizar calúnias e desinformação, pois você terá uma rede de potenciais defensores, que se deixarão guiar mais pelas informações que já têm do que por rumores. Deixe que essas pessoas examinem todos os fatos ocorridos. Comunique com a máxima clareza o que planeja fazer a respeito.

Mantenha canais de comunicação apropriados sempre abertos com o público. A cada minuto, boatos e desinformação se espalham como o fogo. Monitore o tempo todo o que as pessoas estão falando a seu respeito nas redes sociais. Estimule o comitê a ser ágil em ajustar a estratégia de gestão da crise de acordo com as informações e ideias recebidas.

Toda crise, em essência, é humana. As empresas mais bem-sucedidas em sair de crises de imagem foram as que colocaram as pessoas — todas elas, incluindo o público interno — em primeiro lugar. Numa emergência, as pessoas querem ser atendidas, ouvidas, informadas. Escute o que todas as pessoas afetadas pelo problema têm a dizer — se possível, pessoalmente. Saiba o que estão sentindo e pensando. Coloque-se no lugar delas e não menospreze ninguém. Uma boa ideia, e até a solução do problema, pode vir da pessoa mais modesta.

Garanta que a todos que você ou a empresa está comprometido com a solução e vai assumir as consequências dos erros e explique como. Ter a confiança de que os responsáveis estão tomando as providências necessárias tem quase o mesmo efeito moral da solução do problema em si.


4. Cumpra as promessas feitas por sua marca

A reputação da sua marca ou imagem foi criada “cumprindo promessas” de benefícios em tempos favoráveis (muitas vezes fazendo bastante publicidade disso). É vital garantir que ela faça isso ainda melhor nos momentos difíceis.

Não permita que suas virtudes ou da sua marca o prejudiquem. O excesso de confiança na solidez da marca ou da corporação pode ser enganoso. Uma excelente reputação — assim como o patrimônio — leva décadas para ser construída, mas pode ser completamente destruída em apenas alguns dias, se nada for feito. O histórico de sucesso da empresa não deve nublar a capacidade de perceber o tamanho real do dano na mente do público. Lembre-se de que quase ninguém no mundo conhece e valoriza as suas virtudes ou da sua empresa tanto quanto você.

Cumpra especialmente o que prometeu diretamente para as pessoas. Você não vai querer que a quebra de uma promessa se torne notícia numa hora dessas.

À medida que o tempo passar, as atitudes terão de evoluir e mostrar-se cada vez mais concretas e efetivas. Siga o plano de gestão de crise até o fim. Mantenha o rumo e o foco até o final da turbulência. Continue sendo positivo e confiável à medida que novas informações surgem e o problema caminha para a solução. A maneira como você sair da crise tornará sua imagem e/ou a sua marca ainda mais fortes.


5. Tire o máximo proveito da lição

Depois de tomar todas as atitudes possíveis, tenha calma e paciência.

Todo contratempo pode trazer benefícios. O primeiro é que, passado o impacto inicial, a consciência dos gestores sobre o que as pessoas realmente pensam de você ou de sua marca aumentará muito.

Depois de todas as providências tomadas, é hora de voltar ao início e aprender com os erros. Que fatores levaram ao dano? É um vício cultural ou do processo organizacional? Uma falha na comunicação? Dificuldade na gestão de pessoas? Que medidas teriam evitado o problema? E que ações preventivas devem ser implementadas para que esse tipo de situação não se repita?

Você e a organização aprenderão com a reflexão e serão mais flexíveis. Crie processos de comunicação que construam reputação de forma linear e permanente, que interajam de forma mais transparente, dinâmica e aberta com o mercado.

No fim, a lição mais importante será aprender que superar uma crise de forma ética é uma das melhores maneiras de melhorar sua reputação.




Egton Pajaro - empresário





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