Pesquisar no Blog

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Transtorno Alimentar se tornou normal



 Artigo da psicóloga Vanessa Tomasini alerta que a disseminação da vida fitness como sinônimo de saudável, e até mesmo de louvor, passa para muitas pessoas a ideia do que o certo é viver em restrição


Quando começamos a tocar no assunto de transtornos alimentares passamos a descobrir que ele estava já a nossa volta. Com a amiga, a colega de trabalho, a prima. E esses são os casos das pessoas que ou foram diagnosticadas ou que conseguiram olhar para si mesmas e enxergar seus atos. Porém, há muitas pessoas em pleno transtorno que não apenas passam sem alarme de si mesmo, e dos outros, porque normalizamos os excessos e as restrições. 

A disseminação da vida fitness como sinônimo de saudável, e até mesmo de louvor, passa para muitas pessoas a ideia do que o certo é viver em restrição. Resistir à tentação da gula e da preguiça é uma virtude inclusive moral. É a ideia de que precisamos ser fortes e impassíveis frente a todos os desafios, como um video game da vida, como se o controle da alimentação fosse, ao fim o controle frente ao impossível, o improvável e o absurdo da vida. 

Se viu aqui? Pois é. Sinto lhe dizer. O impossível da vida não é algo que se responde com o controle. Podemos tentar quando quisermos colocar todos os pingos nos i’s, fechar todas lacunas, mas sempre algo sobre. A vida sempre guarda surpresas e isso é bom! 

Frente ao impossível da vida tem também quem responda não com o controle, mas com o descontrole. É aquele amigo vida louca. Nunca comeu uma salada, dorme tarde todas as noites, não consegue sair sem beber, ou sem um cigarro, está com todos exames alterados, mas ri na cara do médico. Conhece alguém assim? Todos conhecemos. E vemos como normal. Mas tal descontrole, assim como o excesso do controle, revela uma angústia que precisa ser olhada para acha uma resolução melhor, mais feliz. 

O que ficou anormal, o que não passa perto de facebooks e instagrams da vida é o dia a dia de verdade, aquele que lida com pitadas de controles e descontroles. Essa é a vida, com todas suas surpresas e tudo que nos escapa.





Vanessa Tomasini - Psicologa clínica, apaixonada por comida de verdade. Idealizadora e Criadora do Projeto #VcTemFomeDeQue. Artigo originalmente publicado em https://vctemfomedeque.com/




Terminou a faculdade e não tem emprego?



 Confira as dicas de quatro professores da IBE-FGV que apontam a educação continuada como principal alternativa para garimpar uma oportunidade de trabalho


O empreendedor digital e professor de gestão de pessoas, liderança e inovação da IBE-FGV, Julio César Nogueira de Sá, avalia que sair da graduação sem ter emprego é um pecado.

Não é para esperar o curso terminar, caro aluno”. Ele adverte que o desenvolvimento profissional e acadêmico deve ser feito em conjunto. “Procure algo na sua área assim que iniciar o curso, ainda que seja um estágio sem remuneração, porque a experiência hoje é ouro”.

Nogueira de Sá lembra que as faculdades oferecem um embasamento macro. “Se não se especializar em uma escola de responsabilidade, o emprego vai passar longe”.

Para o diretor comercial do IBN (Instituto Brasileiro de Negócios) e professor de gestão em diversos cursos da escola de negócios, Leandro Garcia, o momento ainda é de incerteza e desconfiança. “Faça tudo o que precisa para ter um diferencial”, recomenda.

Segundo ele, os mais de 13,5 milhões de desempregados e as mais de 26 milhões de pessoas sem qualquer ocupação tornam a busca por um emprego cada vez mais difícil “e o critério dos empregadores é cada vez mais rigoroso”.

Por isso, Garcia aconselha o iniciante a buscar os programas de trainee em grandes empresas que ainda estão abrindo vagas.

Professora de gestão de pessoas da IBE-FGV e coach de carreira, Ligia Molina, explica que a montagem de um bom currículo é fundamental para começar.

“Relate neles todas as suas experiências ainda que sejam de serviços comunitários ou voluntários”, ilustra. A especialista também indica que o recém-formado mapeie todas as suas habilidades e “gaps” e, ainda, verifique onde pretende trabalhar. Ela destaca que conhecer o terreno onde vai pisar é necessário para o processo de desenvolvimento.

O também professor de gestão de pessoas e coach de carreira, Vagner Sandoval, ressalta que se você terminou a faculdade e não tem emprego, “logo também não tem experiência e isso fará falta na hora de ser chamado para uma entrevista”.

“Então, invista em conhecimento e diminua essa lacuna que existe entre a graduação e o emprego”.

Sandoval ainda sugere que o profissional faça uma avaliação do tipo “coaching assessment” e inclua no currículo o resultado. “Isso passa credibilidade ao recrutador”.

Os quatro professores recomendaram que os novos profissionais tivessem o domínio de um segundo idioma. “Essencial” foi a palavra que usaram para descrever a importância para a carreira.






O papel da Inovação na busca pelo desenvolvimento sustentável




Nos últimos tempos, falar em inovação tornou-se quase obrigatório para o mundo corporativo. Inovar passou a ser fundamental em praticamente todos os segmentos do mercado. Com isso, assistimos o emergir da cultura da inovação e atribuímos ao substantivo uma visão extremamente positivista. Inovar virou sinônimo de “mudança para o sucesso”.

Mas seria assim tão simples e definitivo? Um olhar mais atento logo percebe algumas controvérsias. O conceito de inovação está baseado no desenvolvimento de novos bens, na implantação de diferentes métodos de produção e em novas formas de organização, fatos que refletem o comportamento atual da sociedade.

A edição especial de cinquenta anos da revista Exame, publicada em agosto de 2017, apresentou uma série de reportagens sobre as recentes mudanças no comportamento da sociedade. Seja em questões econômicas e políticas ou acerca dos padrões de produção e sobre as diferentes formas de se fazer negócios no Brasil e no mundo, as reportagens evidenciam que estamos em uma importante fase de mudança e de profundas transformações.

Para os mais céticos, a redução de empregos frente à outras soluções tecnológicas, o consequente aumento da desigualdade social e a mudança o ritmo de crescimento das grandes economias são pontos preocupantes desse processo. Há ainda o ressurgimento de movimentos radicais e o nacionalismo exacerbado que vão de encontro à ideia de um mundo integrado, resultando no fechamento de fronteiras e na indiferença para as dificuldades de nações subdesenvolvidas.

Para os que enxergam a partir dessa perspectiva, a inovação pode ser uma grande vilã. No entanto, o outro lado desse cenário pode ser muito mais promissor. Em destaque estão a aplicação da inovação em pesquisas científicas para a cura de doenças crônicas, no desenvolvimento de novos materiais e no investimento em energias limpas e renováveis. Assistimos também grandes transformações no campo educacional com o incentivo à adoção de novas tecnologias da educação; a capacitação das pessoas para um novo cenário econômico; e, até mesmo, o surgimento de novas profissões como alternativa para o mercado. Cabe a nós encontrarmos o equilíbrio entre esses extremos e clarificarmos nossos objetivos.

Assim como afirma Ricardo Voltolini em seu livro Sustentabilidade Como Fonte de Inovação, para obter bons resultados, é preciso saber porque inovar, em que inovar, como inovar, com quem inovar, que tempo dedicar à inovação e até onde devem ir. Com foco nesses resultados, a ONU estabeleceu uma Agenda Global para o Desenvolvimento Sustentável que determina 17 Objetivos desdobrados em 165 metas interdependentes e interconectadas que orientam a sociedade na construção de um mundo economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente mais justo até 2030.

Enquanto a inovação avança em criações de alta complexidade, a chamada Agenda 2030 busca soluções para questões que afetam a vida das pessoas e do planeta. Assim, para encontrar o equilíbrio entre esses interesses, é fundamental que os líderes globalmente responsáveis atuem de forma integrada para incentivar e estabelecer iniciativas que possam aproximar a inovação e a sustentabilidade. Nesse contexto, cabe às instituições de ensino e escolas de negócios a responsabilidade de promover a educação executiva responsável no intuito de desenvolver habilidades técnicas e de estratégias de gestão associadas a valores como a ética e o desenvolvimento sustentável.

É preciso formar profissionais dotados de uma visão mais global de suas ações, que assumam papeis de protagonistas e responsáveis pela transformação que o mundo tanto precisa para se tornar um lugar mais justo e sustentável. Somente dessa forma será possível concentrar toda a capacidade de pesquisa e desenvolvimento da humanidade em seu próprio benefício.




Norman de Paula Arruda Filho - presidente do ISAE — Escola de Negócios e do Capítulo Brasileiro do PRME (Princípios para Educação Executiva Responsável), da ONU.



Posts mais acessados