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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ensino a distância: rota para evolução profissional



Em junho, o Ministério da Educação (MEC) anunciou o novo marco regulatório que define o credenciamento e a oferta de cursos de educação superior dentro do modelo de ensino a distância (EaD). Instituições de ensino vieram a público para apresentarem seus planos de expansão e li matérias sobre quanto o EaD mudou a vida de estudantes dos perfis mais variados, incluindo aqueles com dificuldades para obter financiamento estudantil, tempo ou simplesmente vivem longe de uma instituição de ensino tradicional.

O ensino a distância é uma abordagem mais que consolidada para construir conhecimento na sociedade moderna. Segundo o Google Consumer Barometer, 62% da população brasileira usava smartphone ano passado, e estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) aponta que o smartphone é o dispositivo preferido para usar a internet. É visível o interesse do brasileiro em aplicar a tecnologia à rotina, até ao checar preços antes de comprar algo em um shopping center. De forma similar, popularizar a tecnologia no meio educacional trará um impacto positivo na vida de estudantes e profissionais, que já digitalizaram muito de seus hábitos do dia a dia: ouvir música é por streaming, navegador é o canal para acompanhar o noticiário, um app substitui esticar o braço para chamar um motorista.

Talvez, melhor pensar que o EaD também já é uma realidade no Brasil, pois nosso País é o segundo maior mercado de EaD da Harvard, que só fica atrás dos Estados Unidos. Além disso, O EaD já é uma preferência no caso de estudantes de pedagogia, em que o número de matriculados na graduação a distância é de 342 mil ante 313 mil nos cursos presenciais, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Outro ponto que contribui é que a aprendizagem via computador, smartphone, internet e o autodidatismo já está presente na rotina das empresas. Essa transformação digital no ensino faz parte da evolução dos profissionais, que desbravam novas áreas do saber ou optam por se aprofundar em um tema, ampliando seu nível de especialização.

Este tipo de plataforma digital faz com que aprender não seja dependente unicamente de uma atividade estruturada com hora para começar e terminar. Estudar é algo que se faz no ambiente de trabalho ou no transporte público, similar à vida de tantos profissionais e alunos, para quem descobrir não é algo limitado a um lugar específico. Comum a grandes profissionais de sucesso, em que o diploma da graduação, da pós-graduação ou do mestrado não representa um fim, mas, sim, um novo passo na jornada do saber.

A aprendizagem apoiada pela tecnologia estimula a compreensão de conceitos, como a inteligência artificial (IA), e resolve desafios de negócios e habilidades, tais como adotar estratégias para ampliar vendas, aprimorar o atendimento ao cliente, aplicar IA ao reconhecimento de imagens e criar aplicativos. Agora, para manter o interesse do estudante, não basta transportar a informação para um meio digital. É necessário engajar, pois um processo de aprendizagem eficiente precisa ser, também, prazeroso.

Um dos passos para gerar maior interesse do público no ambiente empresarial é trazer uma dinâmica de premiação pela conclusão de projetos e resolução de testes. No Trailhead, que é a plataforma gratuita de aprendizagem da Salesforce, isso ocorre por meio da entrega de emblemas aos internautas, "medalhas" que atestam a conclusão de cada trilha de conhecimento. O público que utiliza a plataforma de EaD, formado por clientes, funcionários, parceiros e profissionais de tecnologia, vendas, atendimento ao cliente e marketing, compartilha as medalhas nas redes sociais. Mais projetos e testes bem-sucedidos implicam em mais emblemas e pontos, que levam os participantes a novos níveis no ranking de qualificação.

O Trailhead é a proposta em EaD para elevar o número de profissionais qualificados na plataforma tecnológica Salesforce. Estima-se que a própria Salesforce e sua rede de parceiros em todo o mundo precisarão de 1,9 milhão de profissionais com conhecimento especializado até 2020. Acredito muito em fornecer meios para as pessoas mudarem suas vidas e darem novos rumos às suas carreiras, pois sou autodidata até. Minha introdução à tecnologia da informação para resolver desafios de clientes foi a partir de livros e dedicação em frente aos microcomputadores e sigo aprendendo por conta própria até hoje. O modelo faz sentido, pois em um mercado em crescimento, muitos estudantes se transformam nos seus próprios professores. Basta dedicação e conteúdo relevante.

O EaD com o conteúdo relevante para o público, estímulo apropriado, e direcionado para demandas do mercado de trabalho, sem dúvida, será o começo de uma jornada para pioneiros em todo o País.





Mauricio Prado - Presidente da Salesforce Brasil




Mais compreensão menos rótulos




 Antes mesmo do nascimento somos naturalmente levados por nossas emoções e expectativas em relação aos nossos filhos. Entenda como a “superproteção” pode influenciar a vida daqueles que você mais ama.

Já faz alguns anos que tenho abordado de forma recorrente a questão da educação convencional que majoritariamente ainda é aplicada na formação das nossas crianças e jovens. O que vemos são pais perdidos, sem saber ao menos que rumos seria melhor seguir e é aí que mora o perigo. Se ausentar ou delegar a outros a função de educar é um erro, mas o excesso de zelo também pode ser.
Não estou aqui para criticar as diretrizes da atual educação tradicional que é aplicada, o tema nem é esse. Mas o foco é fazer um alerta para os “superprotetores”. Essa semana eu li um texto desenvolvido na área de psicologia que me chamou atenção porque apresentou a hiperpaternidade “que inclui aqueles pais que protegem seus filhos em excesso, lhes dão muita atenção e mimam acima do necessário, sem saber que estão limitando sua independência, sua liberdade e o desenvolvimento de sua autonomia”.
Note que a superproteção ou hiperpaternidade, se torna um perigo. Acredito que o “se vira moleque” deve ser aplicado em todas as fases, da infância a adolescência. Os filhos precisam aprender a lidar com seus próprios problemas, desafios e desconfortos que são comuns na vida de qualquer pessoa e em todas as fases.
Nada em excesso é bom, mas o carinho e o amor ainda continuam sendo os melhores remédios para se combater todos os males que a vida adulta pode apresentar. É obvio e muito natural que os pais comemorem cada conquista dos seus filhos e sofram com suas frustrações e fracassos. O importante aqui na verdade é saber como lidar com isso desde cedo.
Fazer com que seu filho estude nas melhores escolas, universidades e que tenha acesso ao melhor que o dinheiro pode oferecer não significa que ele será um ser humano feliz e muito menos bem sucedido em suas escolhas quando adulto. Os erros e frustrações fazem parte da vida e assim como os filhos os pais também precisam entender e aceitar isso!
O controle em excesso provavelmente gera um resultado muito diferente do projetado que é o afastamento e a irritação. Além de ser exaustivo para ambos, altos índices de exigência são inevitavelmente prejudiciais para os dois lados também. Já somos extremamente cobrados da porta para fora de casa em uma sociedade cada vez mais competitiva, por que fazer isso dentro de casa também?
O fato é que a superação e aperfeiçoamento precisam ser constantes quando se trata da educação dos nossos filhos. Não são rótulos que precisam te definir e sim suas atitudes e respostas diante da vida. Seu filho espera encontrar em você um mentor, um amigo e não um ditador intransigente que espera apenas o melhor dele. Às vezes o que falta é você compreender que talvez seu filho não precise ser o melhor, mas ser feliz!
Seu filho precisa ser motivado a encontrar seus próprios caminhos e não desenvolver nele o medo do fracasso e da cobrança. Em meio a todos os desafios que será exposto ao longo da vida, não tenha dúvida de que ele precisará ser forte e não um maratonista para fugir de tudo e de todos.

João Kepler - pai de três jovens empreendedores e autor do livro “Educando filhos para empreender” (Editora Literare Books). Empreendedor, especialista em startups, e-commerce, vendas e marketing digital, Kepler foi premiado como um dos maiores incentivadores do ecossistema empreendedor brasileiro e vencedor do prêmio Spark Awards da Microsoft, como investidor-anjo.

ENSINO: QUEDA TAMBÉM NA QUANTIDADE



Notícias animadoras vêm do mercado de trabalho, alimentando expectativas de avanços na recuperação econômica. Após onze trimestres seguidos de queda, as contratações com carteira assinada subiram 0,2% (54 mil vagas), ao lado do emprego informal, com mais 468 mil pessoas ocupadas – com isso, a taxa de desemprego no segundo trimestre caiu de 13,6% para 12,8%. Além disso, a soma da renda dos trabalhadores subiu 1,3% de maio a julho em relação ao trimestre anterior, marcando a primeira elevação desde outubro de 2014.

São boas notícias para hoje, o presente de um país que se sente aliviado com as sinalizações, ainda que modestas, de que o pior já pode ter passado. 

Entretanto, uma má notícia turva a visão de um futuro a prazo relativamente curto. Pela primeira vez em 25 anos, registra queda no número de alunos da rede particular de ensino superior, que responde por 75% das matrículas nesse nível da educação. O que é pior: não houve migração para as universidades públicas, que se mantêm praticamente estável no patamar de 1,99 milhão de alunos no ano passado. Mas aqui há um sinal de alerta aceso: com 529,5 mil novas matrículas, houve queda de 4,8 mil ingressantes nos cursos de graduação, menos de 1,9% em relação a 2015. 

Esses dados revelam que apenas 18,1% dos jovens de 14 a 24 estavam na faculdade em 2015, percentual ainda mais distante da meta de 33% prevista no Plano Nacional de Educação. É indiscutível os efeitos deletérios desse cenário que compromete o futuro de milhares de jovens, que enfrentarão ainda mais despreparados as exigências do moderno mundo do trabalho. Efeitos deletérios que também não pouparão as empresas que, com uma recuperação mais firme, voltarão a se ter no gargalo da mão de obra qualificada um dos grandes obstáculos para os planos de expansão das organizações. É uma triste crônica anunciada, pois repete várias crises anteriores que, com seus apagões de mão de obra, parecem nada ou muito pouco ter ensinado a um país que não dá à educação o valor que merece. 



Luiz Gonzaga Bertelli - presidente do Conselho de Administração do CIEE




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