Condição
silenciosa antecipa riscos graves e exige atenção urgente da saúde pública e
das mulheres
Freepik
Segundo dados divulgados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
(Ebserh) em 2025, cerca de 30 milhões de brasileiras sofrem com menopausa
precoce, o que representa 7,9% da população feminina, de acordo com o IBGE. A
condição, que pode ocorrer entre os 40 e 45 anos, exige atenção especial da
saúde pública.
Embora os sintomas sejam semelhantes aos da menopausa natural,
como ondas de calor, insônia, alterações de humor e secura vaginal, o que muda
é a idade em que aparecem, antecipando riscos e impactos para a saúde da
mulher, a menopausa prematura, por exemplo, pode ocorrer antes dos 40.
“Quanto mais cedo a mulher entra na menopausa, maiores devem ser
os cuidados com a saúde, já que o declínio hormonal aumenta o risco de doenças
cardiovasculares, osteoporose e declínio cognitivo”, explica a ginecologista Dra. Ana
Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+.
Estudos internacionais reforçam a preocupação: uma meta-análise
publicada no Human Reproduction Update apontou que mulheres com menopausa
precoce têm risco até 50% maior de desenvolver doenças cardíacas em comparação
às que entram na menopausa após os 50 anos.
Diagnóstico difícil e reposição hormonal como chave para
proteger a saúde feminina
As causas podem estar ligadas à genética, mas também a fatores
externos como quimioterapia, radioterapia e endometriose. Além da perda da
fertilidade, que muitas vezes surpreende mulheres ainda em idade reprodutiva, o
diagnóstico pode ser difícil. “Por ocorrer em pacientes jovens, é comum
confundir com outras condições, como gravidez ou alterações da tireoide. A confirmação
vem com a dosagem do FSH e do estradiol”, explica a médica.
O tratamento inclui reposição hormonal, considerada essencial para
proteção cardiovascular, óssea e cerebral, além de suplementação e cuidados com
alimentação e estilo de vida. “A mulher que entra na menopausa prematuramente
precisa de acompanhamento médico contínuo. Não tem como congelar o tempo, mas é
possível preservar a saúde e qualidade de vida”, reforça Dra. Ana Maria.
A discussão sobre menopausa precoce vai além da clínica: trata-se
de um tema de relevância social e de saúde pública. Informar e orientar
mulheres sobre os riscos e possibilidades de tratamento é fundamental para
reduzir impactos e garantir que elas possam atravessar essa fase com segurança
e bem-estar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário