Especialistas destacam que o emagrecimento rápido pode provocar sarcopenia, quedas e agravamento de doenças crônicas.
A busca pelo corpo perfeito fez com que as chamadas “canetas emagrecedoras” ganhassem notoriedade por sua eficácia na perda de peso e no controle glicêmico, trazendo benefícios importantes para o tratamento da obesidade, diabetes tipo 2 e até mesmo para a prevenção de doenças cardiovasculares e renais. No entanto, o uso indiscriminado e incorreto, sem a devida supervisão médica, pode colocar em risco a saúde das pessoas.
De acordo com o endocrinologista, Dr. Fernando Valente, professor da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina do ABC e diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), esses medicamentos só devem ser utilizados conforme prescrição, com indicação adequada, ajuste individualizado da dose e acompanhamento médico especializado. “Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, como náuseas, vômitos, intestino preso (obstipação) ou intestino solto (diarreia).”
Dentre os principais problemas estão a desidratação e a perda de eletrólitos, que podem comprometer a função renal e causar confusão mental, e a ingestão insuficiente de nutrientes, aumentando o risco de deficiências nutricionais. “Outro ponto de atenção é a composição corporal. Sem orientação adequada, cerca de um terço da redução de peso é de massa magra, incluindo a massa muscular, cuja preservação é fundamental para manter a força, a mobilidade e a autonomia.
No caso das
pessoas idosas, a utilização das canetas exige atenção redobrada e
acompanhamento multiprofissional rigoroso, pois os riscos associados ao uso
incorreto aumentam de maneira significativa. Dentre os principais problemas
estão a desidratação e a perda de eletrólitos, que comprometem a função renal;
a ingestão insuficiente de nutrientes, aumentando o risco de deficiências
nutricionais e confusão mental. “Outro ponto de atenção é a composição da perda
de peso. Cerca de um terço da redução é de massa magra, incluindo a massa
muscular, cuja preservação é fundamental para manter a força, a mobilidade e a
autonomia. Entre a população idosa, essa perda pode favorecer fraqueza, quedas,
fraturas e acelerar o processo de perda de funcionalidade”, comenta o
endocrinologista, ao revelar que há também a necessidade de ajustar outros
medicamentos, como os usados para diabetes e hipertensão, para evitar
hipoglicemias e quedas por pressão baixa. “Em idosos com diabetes, o
acompanhamento oftalmológico também é indispensável.”
Alerta
Segundo o geriatra, Dr. Ivan Aprahamian, diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o corpo da pessoa idosa é totalmente diferente de um adulto jovem, havendo mais gordura e menos músculo, sendo que cada grama de músculo perdido nessa fase da vida tem um impacto maior. Ele explica que o efeito combinado de menor apetite, náuseas e rápida perda de peso pode precipitar síndromes geriátricas, como sarcopenia e fragilidade física. “Além disso, a promessa de resultados rápidos, como perder quatro quilos em um mês, pode ser enganosa e perigosa. No caso da pessoa idosa, o emagrecimento precisa ser lento, supervisionado e alinhado a uma atividade física progressiva, preferencialmente com foco em força muscular”, diz.
Se o uso inadequado do produto original já representa risco, os de versões manipuladas ou de procedência duvidosa são ainda mais perigosos, pois podem conter alto grau de impurezas, moléculas diferentes da versão estudada clinicamente e contaminação por toxinas bacterianas.
Para a nutricionista, Dra. Simone Fiebrantz Pinto, especialista em gerontologia e membro do conselho consultivo da SBGG, é importante que as pessoas se conscientizem que esses medicamentos exigem acompanhamento constante. De acordo com ela, a diminuição da massa muscular reduz a chamada taxa metabólica basal, dificultando a manutenção do peso perdido. “É essencial que a pessoa idosa tenha a ingestão adequada de proteínas, hidratando-se e alimentando-se constantemente, por meio de refeições fracionadas, reduzindo os alimentos gordurosos e ultraprocessados para minimizar as náuseas e os vômitos.”
O fato é que antes
de fazer o uso das canetas emagrecedoras, a população 60+ precisa passar por
uma avaliação médica especializada, fazer um monitoramento nutricional contínuo
e fazer uma avaliação da funcionalidade, verificando sua composição corporal e
mobilidade. “O objetivo principal deve ser preservar a saúde, a qualidade de
vida e a autonomia, e não apenas reduzir os números na balança a qualquer
custo”, finaliza Dr. Aprahamian.
Sociedade
Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG
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