Doença figura entre os três tipos de neoplasia mais frequentes entre
mulheres no Brasil
O câncer de colo do útero é um dos principais
desafios da saúde feminina no Brasil
Divulgação
O
câncer de colo do útero segue como um dos principais desafios da saúde feminina
no país, apesar de ser amplamente prevenível. Segundo o Instituto Nacional de
Câncer (INCA), desconsiderados os tumores de pele não melanoma, esse tipo de
neoplasia está entre os três mais frequentes entre mulheres no Brasil. Em
Ribeirão Preto, dados da Secretaria Municipal da Saúde indicam que o cenário
também exige atenção, já que, embora os óbitos registrados em 2025 sejam
inferiores aos de 2024, o impacto da doença permanece relevante.
A
campanha Janeiro Verde amplia o debate sobre a importância do cuidado contínuo
com a saúde da mulher. O câncer de colo do útero, também conhecido como câncer
cervical, se desenvolve a partir de alterações na região que conecta o útero à
vagina. Na maioria dos casos, essas modificações estão associadas à infecção
persistente pelo papilomavírus humano, o HPV, um vírus comum e amplamente
disseminado, transmitido principalmente por contato sexual.
“Estamos
falando de um câncer com causa bem definida e com ferramentas comprovadas de
prevenção. Quando a vacinação, os exames de rotina e o acompanhamento médico
fazem parte da vida da mulher, o risco de evolução para quadros mais graves
diminui de forma significativa”, explica Diocésio Andrade, oncologista.
Vacina é um dos caminhos para mudar cenário
A
vacinação contra o HPV é considerada uma das estratégias mais eficazes para
reduzir a ocorrência do câncer de colo do útero, ao impedir a infecção antes
mesmo do surgimento de lesões. A recomendação é que o imunizante seja aplicado
preferencialmente em meninas e meninos de 9 a 14 anos, antes do início da vida
sexual, período em que apresenta maior eficácia. No Brasil, a vacina foi
incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2013. Passados mais de dez anos
desde o início da vacinação gratuita, crianças e adolescentes seguem como
público-alvo prioritário, o que não impede que adultos não imunizados também
recebam a dose.
“Mesmo mulheres que já tiveram contato com o HPV podem obter benefícios com a
imunização. A infecção prévia por um subtipo do vírus não significa exposição a
todos os outros. A vacina não trata a infecção já existente, mas ajuda a
prevenir novas infecções e pode contribuir para reduzir o risco de recorrência
de lesões em pacientes que já passaram por tratamento”, completa o médico.
Evolução silenciosa também é desafio
Outro
ponto no enfrentamento da doença é o rastreamento regular. O câncer de colo do
útero costuma evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais, sem apresentar
sintomas evidentes. “Quando os sinais aparecem, muitas vezes a neoplasia já
está em fase mais avançada. O acompanhamento ginecológico periódico permite
identificar alterações ainda no começo, quando as chances de controle são muito
maiores”, reforça Diocésio.
A
discussão sobre prevenção também se conecta a uma meta global estabelecida pela
Organização Mundial da Saúde. A entidade aponta que, com ações consistentes de
vacinação, rastreamento e tratamento adequado, o câncer de colo do útero pode
deixar de ser um problema de saúde pública ao longo de uma geração. Para o
oncologista, esse é um objetivo possível. “Temos conhecimento científico,
vacinas disponíveis e métodos diagnósticos eficientes. O desafio é garantir que
essas estratégias cheguem de forma ampla e contínua à população”, destaca.
Diagnóstico
A
detecção do câncer de colo do útero ocorre, principalmente, por meio de
estratégias de rastreamento preventivo. O Papanicolau permite identificar
alterações celulares em estágios iniciais, antes da progressão para um quadro
invasivo. Em determinadas situações, testes específicos para o HPV podem ser
utilizados de forma complementar. Quando são observadas alterações mais
relevantes, outros procedimentos auxiliam na avaliação detalhada da neoplasia.
Tratamento
De acordo com Diocésio Andrade, o tratamento varia conforme o estágio da doença, as condições clínicas da paciente e outros fatores individuais. Em fases iniciais, procedimentos cirúrgicos podem ser suficientes. Em estágios mais avançados, o cuidado pode envolver radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou a combinação dessas abordagens.
Nenhum comentário:
Postar um comentário