Com mais de 200
casos de intoxicação por metanol no Brasil, bares e restaurantes enfrentam o
desafio de proteger sua imagem em meio ao medo e à desinformação
A recente onda de intoxicações por metanol em bebidas adulteradas acendeu um alerta em todo o país. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde no último domingo (05/10), já são 225 casos notificados, sendo 16 confirmados e 209 em investigação. O estado de São Paulo concentra a maioria dos registros, com 192 notificações e dois óbitos confirmados.
Embora a origem das bebidas contaminadas ainda
esteja sob investigação, o impacto na reputação de bares e restaurantes é
imediato. Inclusive, de acordo com a Associação de Bares e Restaurantes de
São Paulo (Abrasel SP), 26% dos bares e restaurantes relataram algum nível de
queda no primeiro final de semana após a repercussão dos casos.
O medo do consumidor, somado à circulação de boatos e listas falsas nas redes sociais, tem gerado queda no consumo de destilados e colocado em xeque a credibilidade de estabelecimentos que sempre atuaram com responsabilidade.
Renan Bulgueroni, CEO da Hawkz, empresa
especializada em reputação digital no
Brasil e Espanha, alerta: “Em crises como essa, a reputação precisa ser tratada
com tanto cuidado quanto a própria operação".
Estratégias para enfrentar a crise
O especialista da Hawkz recomenda que bares e
restaurantes adotem medidas proativas para preservar sua imagem:
Comunique com empatia e autenticidade
“Mesmo que o bar ou restaurante só trabalhe com
bebidas seguras e homologadas, a emoção do cliente dita a forma como ele
percebe a situação”, explica Bulgueroni. Por isso, a comunicação deve acolher o
medo do consumidor, evitando mensagens genéricas e frias. Um posicionamento
claro e humanizado reforça a credibilidade e o vínculo com o público.
Valorize a força dos porta-vozes e fornecedores
Segundo Renan, vídeos curtos com distribuidores
homologados explicando a procedência dos produtos podem gerar mais confiança do
que comunicados tradicionais. Da mesma forma, o dono ou gerente deve se
posicionar publicamente, usando uma linguagem direta, empática e transparente.
Amplie o cardápio com alternativas seguras e criativas
“Inovar no cardápio é uma forma eficaz de manter o
movimento e demonstrar responsabilidade”, afirma o especialista. Apostar em
mocktails (drinks sem álcool), cervejas artesanais, vinhos, kombuchas e
coquetéis fermentados, como a Michelada ou o Clericô, mostra atenção às novas
demandas do público e pode gerar novas oportunidades de consumo.
Avalie a suspensão estratégica de destilados
Para alguns estabelecimentos, suspender
temporariamente a venda de destilados pode ser percebido como um gesto de
responsabilidade. “A medida deve vir acompanhada de alternativas que mantenham
o faturamento e a atratividade do cardápio”, ressalta Bulgueroni.
Monitore e responda com agilidade
“O silêncio nunca é a melhor resposta”, reforça o
especialista. É essencial acompanhar redes sociais, identificar boatos e
acusações infundadas e agir rapidamente, sempre por meio de um porta-voz
oficial. O monitoramento digital contínuo ajuda a conter crises e a reforçar a
transparência do negócio.
Reputação se constrói com atitude
“Em momentos de crise, não é apenas a procedência que importa, mas a forma como você consegue se comunicar com empatia, clareza e autenticidade. O consumidor quer sentir que você está preocupado com ele”, reforça Bulgueroni.
Portanto, é assim que bares e restaurantes poderão
atravessar esse momento: não apenas sobrevivendo, mas saindo da crise mais
fortes.
Hawkz
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