Mais do que acessibilidade física, inclusão exige atenção e apoio à saúde mental
De
21 a 27 de agosto, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e
Múltipla coloca em pauta um tema urgente e muitas vezes negligenciado: a
inclusão real. Apesar de, nas últimas décadas, o debate sobre acessibilidade
física ter avançado, há barreiras invisíveis ligadas à saúde mental, ao
preconceito e à sobrecarga emocional que seguem limitando a plena participação
social dessas pessoas.
Segundo
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 6,7%
da população brasileira vive com algum tipo de deficiência intelectual ou
múltipla.
Conforme
explica a psiquiatra Aline Sena, do grupo ViV Saúde Mental e Emocional, estas
são condições que podem afetar desde o desenvolvimento cognitivo e a capacidade
de comunicação até a mobilidade física e a autonomia no dia a dia. Por isso,
segundo ela, o acompanhamento contínuo, tanto médico quanto psicossocial, é
fundamental para o bem-estar dessas pessoas e para a saúde emocional de suas
famílias.
“Muitas
vezes, o sofrimento emocional não é visível e pode passar despercebido. Pessoas
com deficiência intelectual e múltipla enfrentam barreiras sociais e emocionais
que comprometem sua qualidade de vida. Além disso, os familiares e cuidadores
carregam uma carga emocional intensa, e precisam ter seu bem-estar igualmente
considerado no processo de inclusão”, afirma a médica.
Ela
alerta que, sem o suporte adequado, esses desafios invisíveis podem desencadear
problemas como ansiedade, depressão, crises de estresse e isolamento social
tanto para os pacientes quanto para quem está no papel de cuidador.
“O
cuidado integral precisa incluir suporte psicológico, programas de estimulação
cognitiva, terapias ocupacionais e espaços de convivência que favoreçam a
participação social. Isso vale tanto para a pessoa com deficiência quanto para
quem está ao lado dela no dia a dia”, reforça.
A
sobrecarga emocional de famílias e cuidadores é um aspecto que raramente recebe
a atenção necessária. O ato de cuidar, embora muitas vezes motivado por amor e
compromisso, pode gerar desgaste físico e mental, levando a sintomas como
insônia, fadiga e até quadros depressivos. A ausência de redes de apoio,
programas de descanso (conhecidos como respite care) e atendimento
psicológico agrava esse cenário.
Segundo
a psiquiatra, o acompanhamento ideal desses pacientes deve ter como objetivo
criar estratégias para preencher essas lacunas, oferecendo atendimento
multidisciplinar que envolva psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e
outros profissionais de saúde.
Aline
ainda explica que é fundamental criar um plano de cuidado que contemple não
apenas a condição clínica, mas também o contexto social e emocional de cada
paciente e sua família.
“Inclusão
de verdade não se limita a rampas e vagas reservadas. Ela passa pelo
reconhecimento da dignidade, da autonomia possível e do direito de cada pessoa
a uma vida plena, com suporte emocional adequado”, conclui a especialista.
Sobre a ViV
Saúde Mental e Emocional
A
ViV Saúde Mental e Emocional é o maior grupo de saúde mental do Brasil e
oferece tratamento da baixa à alta complexidade, com cuidados personalizados e
o propósito de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes.
Presente
em seis estados do País e no Distrito Federal (Rio de Janeiro, Minas Gerais,
Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e São Paulo), com doze instituições e
mais de trinta unidades com credenciamento de diversos convênios de saúde, a
missão da ViV é elevar a vida ao seu melhor e integrar os lados físico, mental
e social de cada paciente, com uma abordagem baseada no equilíbrio entre o
científico e a sensibilidade humana.
Busca
ser reconhecida como uma rede de excelência assistencial para saúde mental e
emocional, contribuindo para redução do estigma no Brasil.

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