Trabalhadores
seniores trazem experiência para equipes multigeracionais, bons resultados para
as organizações, mas enfrentam dificuldades no mercado de trabalho
Bialasiewicz
Profissionais com mais de 50 anos somam 27% da
força de trabalho no Brasil. A geração Z, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), representa 24%. Apesar da vantagem numérica, as
dificuldades para recolocação, e mesmo para a permanência no emprego, são
maiores para os trabalhadores seniores. “Há um preconceito em relação à idade,
reforçado pelo estereótipo de que os profissionais 50+ não têm tanto ritmo,
tanta agilidade na entrega de resultados e não conseguem se adaptar aos mais
jovens. Mas na realidade, esses trabalhadores têm muito a oferecer”, afirma
Aline Oliveira, diretora da IntelliGente Consult, empresa de consultoria e
mentoria especializada em estratégias, programas e projetos empresariais.
Até 2070, quase 40% da população terá mais de 60
anos. A longevidade é uma combinação de diversos fatores. Avanços na medicina,
em saúde pública, melhorias em saneamento e hábitos mais saudáveis encabeçam
uma lista que não cessa de apresentar conexões para uma vida mais longa. Na
esfera do trabalho, debates sobre diversidade têm lançado luzes para a
necessidade de empregar quem ingressa na faixa 50+.
Estudo realizado pela McKinsey, empresa global de
consultoria e gestão estratégica, revela que mais de 50% dos recrutadores,
mesmo diante de candidatos com desempenho igual ou superior aos mais jovens,
hesitam em contratar profissionais com mais de 45 anos.
Para Fernanda Toledo, CEO da IntelliGente Consult,
em muitos casos as empresas perdem muito em ativo humano por não contratarem, e
mesmo por não reterem talentos 50+. “São profissionais que trazem experiência e
sabedoria para as equipes e contribuem para os bons resultados das
organizações”, observa.
De acordo com Aline Oliveira, a inovação e o
aprendizado contínuo não são características exclusivas das gerações mais
jovens. “Além de trazerem muitas habilidades na bagagem, os 50+ têm buscado
trajetórias profissionais ascendentes, com muito investimento em aprendizado,
especialmente em relação ao uso de inteligência artificial.”
Na avaliação da consultoria, todos os setores
produtivos têm potencial para atrair profissionais 50+. No entanto, Fernanda
Toledo destaca algumas áreas em especial. “O atendimento ao cliente, por
exemplo, ganha em qualidade quando há um trabalhador sênior mais paciente e com
mais flexibilidade no relacionamento interpessoal”, diz. Ela elenca ainda
cargos em diretoria e conselhos “pela experiência em gerenciamento de crises”.
O Grupo Lush Eventos é um exemplo de quem considera
essa mão de obra estratégica. A empresa atualmente emprega 30 funcionários 50+,
perfil que considera fundamental para o sucesso da empresa. “São profissionais
que reúnem experiência, comprometimento e pontualidade, além de apresentarem
uma baixa rotatividade. Essas características fazem toda a diferença na entrega
de um serviço de excelência e na confiança que passamos aos clientes, por isso
estamos olhando cada vez mais para este perfil”, afirma Shirly Cristofoletti
CEO do Grupo.
Para potencializar as habilidades e experiências
dos profissionais seniores, Aline Oliveira e Fernanda Toledo sugerem que as
empresas invistam na ergonomia dos ambientes de trabalho. Mobiliários e
equipamentos mais adequados contribuem para o conforto e a praticidade na
execução das tarefas diárias. Maior integração entre times multigeracionais,
seja com a promoção de confraternizações ou happy hour, contribui para
fortalecer a sensação de pertencimento nas organizações.
Nos processos seletivos, as executivas elencam
algumas estratégias para atrair talentos 50+. Capacitar o recrutador, de forma
a conduzir um processo isento de preconceito e etarismo, é o primeiro passo.
“Nem tudo precisa ser tão tecnológico em uma seleção de emprego. Em muitos
casos, uma entrevista presencial é mais eficiente que um processo on-line”,
afirma Aline Oliveira.
Em toda a jornada profissional, oportunidades de
desenvolvimento oferecidas pelas lideranças aos 50+ se revertem em aprendizado,
crescimento profissional e bons resultados para as empresas. “Investimentos em
um ambiente de trabalho inclusivo e multigeracional valorizam a diversidade de
ideias e vivências, ao mesmo tempo que aprimoram a cultura organizacional e fortalecem
a marca empregadora”, finaliza a diretora da IntelliGente Consult.
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