Professores, jornalistas, religiosos e operadores de telemarketing estão entre os mais afetados por distúrbios vocais. Especialista explica os sinais de alerta e os cuidados essenciais
Falar é uma das atividades mais naturais do ser
humano — mas, para milhões de brasileiros, é também a principal ferramenta de
trabalho. Professores, cantores, atores, jornalistas, operadores de call
center, líderes religiosos e outros profissionais que dependem da voz para exercer
suas funções enfrentam diariamente o desafio de manter essa ferramenta em
perfeito estado. O uso intenso, porém, cobra seu preço.
Segundo o otorrinolaringologista Dr. Domingos
Tsuji, especialista em saúde da voz e diretor do Voice Center do Hospital Paulista,
essas categorias estão entre as mais suscetíveis ao desgaste vocal. “O problema
não é apenas a frequência com que usam a voz, mas o contexto: ruído ambiental,
falta de pausas, ausência de preparo vocal adequado... tudo isso contribui para
lesões e fadiga”, alerta.
E os números mostram que esse risco é real.
Pesquisas revelam que 63% dos professores brasileiros já relataram problemas
vocais ao longo da carreira, com 33% afirmando que esses problemas interferem
diretamente em seu desempenho profissional. O índice também é elevado entre
operadores de call center (43% com sintomas), instrutores de academia (70,9%
com sintomas vocais crônicos) e líderes religiosos — em um estudo, até 85,6%
das pastoras relataram alterações na voz.
Quando a voz pede ajuda
O corpo costuma dar sinais de que algo está errado
— e a voz não é exceção. Rouquidão persistente por mais de duas semanas,
cansaço ao falar, dor na garganta, falhas constantes ou perda de potência vocal
são indícios de que há algo errado.
“Cantores, por exemplo, percebem dificuldade para
sustentar notas. Já outros profissionais notam mudanças sutis no tom ou na
resistência da voz. Em todos os casos, esses sinais não devem ser ignorados”,
orienta o Dr. Tsuji.
Prevenir é mais fácil (e mais
barato) do que tratar
Com alguns cuidados simples, é possível evitar
danos à voz. A principal recomendação é manter-se hidratado, fazer pausas
regulares durante o uso contínuo da voz, evitar falar alto em ambientes
barulhentos e garantir boas noites de sono.
Outros cuidados incluem evitar o cigarro, o excesso
de álcool, o ar seco sem umidificação e, principalmente, o hábito de pigarrear
— que pode agravar lesões nas pregas vocais. “Além disso, o refluxo é uma causa
comum de tosse, pigarro e rouquidão. Em muitos casos, o tratamento vocal inclui
também o controle do refluxo”, explica o especialista.
Quando procurar um
especialista?
Se os sintomas vocais persistirem por mais de duas
semanas, é hora de procurar um otorrinolaringologista. O tratamento pode
incluir fonoterapia com fonoaudiólogo, mudanças de hábito, uso de medicamentos
— e, em casos mais graves, cirurgia.
“A voz precisa ser encarada como um instrumento
profissional. Quem depende dela para viver precisa cuidar com o mesmo zelo que
um atleta dedica ao corpo ou um músico dedica ao seu instrumento”, conclui Dr.
Tsuji.
A saúde da voz em números
- 63%
dos professores já tiveram problemas vocais
- 33%
dizem que a voz interfere no desempenho profissional
- 43%
dos atendentes de call center apresentam sintomas vocais
- 70,9%
dos instrutores de academia têm sintomas crônicos
- 85,6%
das pastoras relataram alterações vocais
- 59% dos atores avaliados apresentaram sinais de sobrecarga vocal
Fontes: Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), UFMG e Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

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