A IA generativa tem um potencial transformador real e
imediato para a saúde. Mas esse potencial só será plenamente realizado se
houver uma combinação equilibrada entre tecnologia, ética, regulação e preparo
humano. Não se trata de substituir o médico, mas de dar a ele soluções
inteligentes para cuidar melhor de cada paciente, com mais precisão, rapidez e
empatia.
Quando falamos de aderir a IA na medicina temos que
observar questões além da mudança do paradigma que ela pode causar e do impacto
financeiro deste investimento, mas também considerar o cenário atual do
exercício da profissão no Brasil. Como está a formação dos profissionais de
saúde em relação ao seu exercício suportado pela tecnologia?
Estamos vendo uma revolução nascer e, por isso, é
ainda mais difícil bater o martelo para onde vamos. O que não muda em nenhum
dos caminhos é a necessidade de investir no desenvolvimento, na segurança e no
conhecimento da tecnologia, tanto como empresas como profissionais. Por
estarmos engatinhando, ainda há muito a ser explorado e gostaria de compartilhar
neste artigo alguns pontos que precisamos nos atentar para que esse processo
avance consistentemente.
Segundo o estudo conduzido pelo Centro Regional de
Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), no
Brasil, 4% das instituições utilizam Inteligência Artificial (IA) na medicina.
Além disso, os dados apontam que o uso da IA já é maior nas unidades com
internação e com mais de 50 leitos.
O primeiro caminho no emprego da IA generativa é
garantir o consentimento do paciente e a devida segurança das informações. Isto
inclui fortemente a governança das bases de informações que serão utilizados
pelos modelos de forma a possibilitar rastreabilidade, evitar vieses,
desinformação e alucinações.
Ter sistemas que tenham acesso a um volume amplo e
diversificado de dados, assim serão capazes de produzir recomendações clínicas
personalizadas com precisão e relevância. Isso inclui desde exames
laboratoriais e de imagem até informações genéticas, prontuários médicos,
histórico de doenças hereditárias e até preferências pessoais do paciente.
Esses elementos, quando integrados e interpretados por um modelo de IA bem
treinado, geram uma capacidade inédita de sugerir condutas específicas, com
base no perfil único de cada paciente.
Porém nossa visão precisa ir além e alcançar também
as alterações profundas que causará no papel dos profissionais da saúde, focar
no que máquina nenhuma consegue fazer com tamanha precisão: a escuta sensível,
o julgamento clínico e a tomada de decisão ética. Nesse cenário, o papel dos
profissionais da saúde não é diminuído - ao contrário, ele se torna ainda mais
estratégico. A IA generativa pode auxiliar na triagem de informações, na
pesquisa acadêmica, na transcrição automática de conversas com os pacientes e
até na sugestão de possíveis diagnósticos ou condutas terapêuticas, mas não
consegue substituir processos que são - naturalmente - humanos.
No entanto, tudo isso só é possível quando os
sistemas atingirem um nível de maturidade suficiente para garantir precisão,
confiabilidade e segurança. Entre esses pontos uma atenção especial precisa
estar no como treinamos as IAs, é essencial treinar os modelos com bases de
dados amplas e representativas, nos diversos cenários. Ao atender esse ponto
com preparo ético - além do técnico -, a chance de alucinações dos modelos e
problemas com privacidade de dados cai consideravelmente.
A chamada “alucinação” dos modelos - quando a IA
generativa gera informações erradas com aparente segurança - é uma ameaça real,
especialmente em contextos clínicos. O viés algorítmico também preocupa:
modelos treinados em populações específicas podem falhar ao serem aplicados em
contextos diferentes, reforçando desigualdades históricas.
No segmento da saúde precisamos estar muito atentos a
não utilizar IA de forma indiscriminada, ou seja, uso em qualquer função, por
qualquer pessoa, sem uma política e diretrizes claras. E claro, esquecendo a
importância da empatia e humanização que o setor exige.
As tendências futuras apontam para uma integração
cada vez maior entre essa e outras tecnologias. A coleta de informações em
tempo real por wearables, a análise de sentimentos pela voz, a
interoperabilidade entre sistemas clínicos e a sugestão proativa de condutas
médicas são apenas alguns exemplos do que já está sendo desenvolvido. Para que
tudo isso funcione de forma eficiente, os planos e recomendações gerados pela
IA devem ser apresentados em linguagem técnica, clara e clínica - compreensível
para os profissionais e passível de validação.
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quinta-feira, 21 de agosto de 2025
Inteligência Artificial Generativa na saúde: a revolução começou, mas está pronta?
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