Com o crescente
interesse e as diversas opções de medicamentos injetáveis para o tratamento da
obesidade e diabetes tipo 2, como Olire, Ozempic, Wegovy, Lirux e Mounjaro,
muitas dúvidas surgem sobre suas composições, eficácia e indicações.
O Brasil tem quase
17 milhões de pessoas com diabetes. Deste total, mais de 90% correspondem ao
diabetes tipo 2 (DM2), conforme dados do Atlas do Diabetes de 2025, da
International Diabetes Federation (IDF). O país ainda ocupa o 6º lugar no mundo
em número de casos. Já o Atlas Mundial da Obesidade 2025 mostra que 68% da população
adulta brasileira tem excesso de peso, sendo que 31% desse total tem obesidade.
Quais as
principais diferenças entre as canetas para emagrecer e para o controle do
diabetes tipo 2? Quais as reações esperadas? Quando esses medicamentos estão
contraindicados?
A médica
endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato detalha as características de cada
medicação, suas semelhanças e diferenças, além de alertar para a importância da
prescrição médica individualizada.
Há
diferença entre Olire e as outras canetas emagrecedoras, além do valor?
Dra.
Lorena Amato - A princípio, não há diferença. O
Olire, que tem o composto a liraglutida, é uma medicação assim como o antigo
Victoza e o Saxenda, que foram os primeiros análogos de GLP-1 que chegaram para
o tratamento do diabetes. No caso do Victoza e Saxenda para o tratamento da
obesidade, ambos são liraglutida, o mesmo princípio ativo que o Olire.
Já se
conhece possíveis reações do Olire?
Dra.
Lorena Amato - O que se espera é que os efeitos
colaterais sejam os mesmos já previamente relatados com a liraglutida, afinal a
molécula é a mesma, na mesma concentração, somente produzido por outro
laboratório. Náuseas, eventualmente diarreia ou constipação, vômitos, sensação
de azia e de alimento parado no estômago são os efeitos colaterais.
Podemos
dizer que existe uma caneta emagrecedora para perda de peso mais eficiente que
a outra?
Dra.
Lorena Amato – Temos medicamentos mais potentes que
outros. Por exemplo, a liraglutida, presente no Olire, de aplicação diária, é o
menos potente de todos. Temos a semaglutida, de aplicação semanal, com um pouco
mais de potência e a tirzepatida, que é o composto
presente no Mounjaro.
O
Lirux está indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. Qual a diferença
entre esse medicamento e as demais canetas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro?
Dra.
Lorena Amato - O Lirux usa a liraglutida, medicação de
aplicação diária, é um análogo de GLP-1. O medicamento presente no Ozempic e no
Wegovy é a semaglutida, também um análogo de GLP-1, de aplicação semanal e
maior potência que a liraglutida. Já o Mounjaro é a tirazepatida, uma molécula
dual, ou seja, ela não é só um análogo de GLP-1, ela é um análogo de GLP-1 e um
agonista do GIP, que é um outro peptídeo intestinal que também favorece a perda
de peso e o controle do diabetes.
As
quatro canetas podem ser usadas para os tratamentos de obesidade e diabetes
tipo 2 ou alguma dessas é restrita a um tratamento apenas?
Dra.
Lorena Amato - O Olire e o Lirux são ambos
liraglutida. A questão é que o Olire, em bula, está vinculado ao tratamento da
obesidade com doses mais altas, e o Lirux vinculado ao tratamento do diabetes.
Ou seja, o Lirux para o diabetes e o Olire para a obesidade, apesar de ambos serem
a liraglutida na mesma concentração, 6mg por ml. É a mesma coisa que acontece
com o Ozempic e o Wegovy, ambos são semaglutida, mas o Ozempic é para diabetes
e o Wegovy é para obesidade. E a tirzepatida do Mounjaro é um medicamento para
diabetes em bula. O medicamento em bula, com o mesmo princípio ativo do
Mounjaro (tirzepatida), para o tratamento da obesidade, tem o nome de Zepbound
e ainda não está disponível no Brasil.
A
prescrição desses medicamentos deve ser feita de acordo com o perfil/anamnese do
paciente? Por quê?
Dra. Lorena Amato - Com certeza, um paciente que tem muita azia, mal-estar, diarreia, doença inflamatória intestinal, intestino preso e ainda não foi investigado, eventualmente não pode usar a medicação. Primeiramente é preciso ter um diagnóstico da queixa para poder prosseguir com o uso dessas canetas/medicamentos para prosseguir com o uso.
Dra. Lorena Lima Amato - A especialista é endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com título da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), endocrinopediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e doutora pela USP.
Site: https://endocrino.com/
www.amato.com.br
Instagram: https://www.instagram.com/dra.lorenaendocrino/
Nenhum comentário:
Postar um comentário