O médico oncologista Alexandre Palladino, da Oncologia D’Or, afirma que as fibras ajudam a regular o intestino, diminuindo a inflamação e o contato de substâncias cancerígenas com a parede intestinal, além de auxiliarem no equilíbrio da flora intestinal.
O câncer colorretal é o terceiro mais comum no Brasil, sem considerar os tumores de pele não melanoma. Só este ano, deverão ser diagnosticados 45.630 casos1. Os alimentos ricos em fibras têm importante papel no apoio da prevenção destes tumores, que se desenvolvem a partir de mutações genéticas de lesões benignas – como pólipos - no intestino grosso, incluindo o cólon e o reto.
“As
fibras aceleram o trânsito intestinal, reduzindo o contato das substâncias que
estimulam o surgimento do câncer com as paredes intestinais”, explica o médico
oncologista Alexandre Palladino, da Oncologia D’Or. “Podem também ter um efeito
anti-inflamatório e modular a microbiota intestinal, conjunto de bactérias,
vírus, fungos e outros microrganismos que habitam nosso corpo. Assim, propiciam
um ambiente menos carcinogênico no intestino”, complementa.
Um estudo da Universidade de Perugia2, na Itália, evidenciou que comer frutas, verduras e outras fontes de fibras têm a probabilidade de apoiar a redução de 20% o risco de câncer no reto - região onde ocorre um terço dos casos de câncer colorretal. Os pesquisadores analisaram 22 estudos sobre o tema, que avaliaram 2.876.136 indivíduos.
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| Frutas, legumes, sementes, grãos integrais são algumas fontes de fibras |
A dieta pobre em fibras é um dos principais fatores de risco do câncer colorretal. Outros fatores importantes são o consumo de alimentos processados – como os embutidos -, o sedentarismo, a obesidade, o consumo regular de álcool e tabaco, condições genéticas ou hereditárias, como doença inflamatória intestinal crônica, e histórico familiar.
As principais fontes de fibras alimentares são frutas, verduras, legumes, sementes, grãos integrais e oleaginosas. O Instituto Nacional do Câncer (INCA)3 recomenda aos adultos consumir de 25 a 30 gramas de fibras por dia, o que representa pelo menos cinco porções de frutas e vegetais. Cada porção equivale a uma quantidade que cabe na palma da sua mão, do alimento picado ou inteiro. Também é recomendado o consumo mínimo de três porções de cereais integrais por dia.
A
relação precisa entre a ingestão de fibras e a prevenção do câncer continua
sendo uma área de pesquisa ativa. O médico Alexandre Palladino esclarece quatro
das principais dúvidas sobre essa temática. Confira:
- O consumo de fibras tem o potencial de apoiar
a prevenção de vários tipos de câncer?
As
melhores evidências são referentes à redução dos riscos de câncer colorretal.
Os benefícios para a prevenção de outras neoplasias são menos estabelecidos na
literatura médica, mas pode haver alguma relação, o que está sendo foco de
pesquisas.
2. Existem benefícios secundários desse padrão alimentar para a
prevenção do câncer?
Sim.
As fibras ajudam a promover a saciedade, reduzindo a ingestão de calorias ao
longo do dia. Essa estratégia contribui para o controle do peso e a diminuição
do processo inflamatório que propicia o desenvolvimento de tumores.
3. Apenas pessoas com histórico familiar de câncer precisam
se preocupar com a alimentação?
Uma
dieta equilibrada é importante para todos, mesmo para aqueles que não têm
histórico familiar da doença.
4. O câncer colorretal acomete apenas os idosos?
Embora
seja mais comum em pessoas com 60 anos ou mais, a incidência vem aumentando em
adultos jovens nas últimas décadas.
Referências:
1. Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022.
2.Vicenza Gianfredi. Rectal Cancer: 20% Risk Reduction Thanks to Dietary Fibre Intake. Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients 2019, 11(7), 1579.
3.INCA. Como aumentar o consumo de fibras na sua alimentação. Disponível em Link

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