Única especialista da categoria do Brasil com certificação internacional, Juliana Sato se destaca ao tratar de tutores e profissionais impactados pela perda do animal
Psicólogos, profissionais que se dedicam a cuidar
da saúde mental e bem-estar do ser humano, têm uma data dedicada a eles: 27 de
agosto. Mais do que uma homenagem, o Dia do Psicólogo é o momento de refletir a
importância desse especialista, essencial para recuperar e manter o equilíbrio
emocional diante dos desafios do dia a dia e até mesmo da perda de um animal de
estimação, cada vez mais presentes na vida das pessoas.
Juliana Sato é uma das poucas referências
brasileiras em luto pet, especialidade que tem ajudado tanto tutores quanto
profissionais que cuidam e convivem com animais em sua rotina a enfrentar a
perda com mais serenidade.
Graduada em psicologia e pós-graduada em distúrbios
alimentares e suicidologia, Juliana tem 18 anos de experiência, atuando em
prevenção do suicídio, riscos psicossociais e consultora de bem-estar
organizacional. Mas a paixão pelos bichos e a carência de psicoterapeutas
preparados para lidar com pacientes abalados pela perda de seus animais de
estimação a levaram a se especializar em luto pet, área na qual vem se
dedicando desde 2023.
“Ao ouvir meus pacientes, percebi que eles não
encontravam apoio psicológico para tratar de casos de saúde mental relacionados
ao luto animal e, muitas vezes, o problema era negligenciado”, relata a
especialista, que é a única do Brasil a ter o certificado internacional da Association
for Pet Lost and Bereavement, entidade pioneira e referência do
segmento nos Estados Unidos. Para aperfeiçoar seu conhecimento no mercado
corporativo veterinário, Juliana está cursando mestrado na Unifesp, com foco em
luto de médicos veterinários em situações de desastres. No ano passado, passou
a integrar a diretoria da Ekôa Vet - Associação Brasileira em Prol da Saúde
Mental na Medicina Veterinária.
O suporte psicológico especializado tem se tornado
ainda mais relevante diante das mudanças no estilo de vida, em que há maior
integração entre o animal doméstico e o ser humano. “Os pets hoje são parte da
família, inclusive muitos casais preferem ter um pet em vez de filhos. Pessoas
com deficiência, indivíduos atípicos e profissionais que cuidam dos animais,
como policiais, por exemplo, também acabam criando um vínculo especial com os
animais. No caso dos profissionais, quando a convivência diária e esse laço
afetivo se rompem, há risco de sobrecarga emocional e adoecimento psicológico”,
afirma a psicóloga.
Para promover uma reflexão sobre o luto pet,
Juliana Sato e Louisanne Sanchez devem lançar em breve o livro ‘Luto no
Contexto da Medicina Veterinária’. A obra mostra o apego emocional de tutores e
veterinários, bem como os impactos emocionais causados pela perda do pet. O
livro trata de temas delicados, como a morte e o luto dos profissionais que
lidam diariamente com os bichos, a eutanásia, os cuidados paliativos e até o
suicídio entre profissionais veterinários.
Como head de Saúde Mental do Trabalhe Pra Cachorro
(TPC), plataforma de formação de profissionais pets do país, Juliana lidera
ações voltadas ao cuidado emocional de pessoas que trabalham em hotéis, creches
e clínicas veterinárias. Sua atuação junto às empresas inclui ainda consultoria
e mentoria para líderes do segmento pet vet, auxiliando na construção de
culturas organizacionais mais humanas, sustentáveis e seguras.
“As empresas do segmento pet vet precisam estar atentas e zelar pela saúde dos seus colaboradores, que muitas vezes precisam manter o equilíbrio emocional mesmo em situações de forte pressão”, conclui.
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