Engana-se quem pensa que os grandes noticiários ininterruptos dos principais veículos de comunicação mantêm o público a par do que está acontecendo e ajudam a formar um juízo sobre os fatos narrados. Infelizmente não é bem assim. A desinformação começa na escolha dos temas. Noticiar algo significa, frequentemente, não noticiar algo. Há notícias escolhidas para difusão e notícias escolhidas para omissão.
A pluralidade dos meios não
significa pluralismo nos meios. notadamente quando estes se tornam
militantes de uma causa política, como está acontecendo no Brasil.
Salvo exceções, os noticiários de TV e rádio provêm de uma redação. Apenas
noticiários rápidos e variados, acríticos, como os de rádio, lidos por
locutores, poderiam sintetizar, ao longo do dia, o conjunto dos acontecimentos.
Não haveria recursos humanos para abastecer um jornalismo completo com textos,
imagens e opiniões sobre todos os fatos importantes de cada jornada. São
pautados, então, certamente, os mais interessantes, os que servem aos objetivos
da empresa e assim as opiniões são emitidas, ou omitidas. Aqui no Brasil, há
dois anos, as notícias que servem nunca são boas ao governo. Estas vêm por
e-mail ou em pequenos vídeos nas redes sociais. Na imagem diariamente
transmitida em editoriais, colunistas selecionados, noticiários de TV e
comentaristas cevados na casa ou convidados, o governo é formado por um grupo
de malfeitores.
Que Bolsonaro não é o príncipe perfeito estamos cansados de antever e saber,
mas é o disponível, como demonstram as peças no tabuleiro do xadrez da política
nacional. Quando estamos jogando xadrez, de nada vale nosso desejo de que as
peças estejam em posições diferentes. Elas são as que vemos, nas posições em que
estão. A mesa tem uma cadeira de cada lado. O resto, em volta, é torcedor, é
peru, é secador. As cadeiras, não obstante, são apenas duas.
Em menos de um par de anos teremos eleições e a posição das peças no jogo
mostra que se ninguém chutar a mesa ou derrubar o tabuleiro da disputa
presidencial, de um lado estará o príncipe imperfeito, com suas deficiências e
qualidades; do lado oposto haverá alguém representando os derrotados na eleição
de 2018: PT, PCdoB, Psol, PDT, Rede e outros afins. Nesse jogo, a vida me
ensinou o que não quero.
Ora, se todo o empenho da mídia que considero militante, a que me referi no
início deste artigo, vai a desfavor do lado onde joga o atual presidente, ela
serve, então, doses diárias de suporte ao lado oposto. E o faz sem sequer
precisar referir que esse lado existe. A CNBB fez a mesma coisa durante anos,
atacando os governos não petistas e ajudando o partido a ponto de merecer,
posteriormente, o público reconhecimento de Lula ao apoio recebido.
Note-se que a própria oposição sequer se movimenta politicamente junto à
sociedade. Ela se beneficia mais com o cotidiano serviço que lhe é prestado por
alguém supostamente “neutro”, interessado apenas no bem do país, como seriam os
grandes meios de comunicação. Esse é o quadro. Quem não entendeu até agora, não
entenderá jamais.
Percival
Puggina - membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre,
é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais
(Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de
Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões;
A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo
Pensar+.
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