Qual o papel da embalagem nas compras online? Essa
pergunta é recorrente nas palestras e lives que realizo. Os
participantes apresentam dúvidas sobre a mudança de abordagem que é feita pelo
consumidor na compra presencial e na compra em ambientes digitais. Em primeiro
lugar, é preciso perceber que essa questão conduz a uma primeira constatação.
Estamos falando de dois locais onde se dá o
encontro do consumidor com o produto, ou seja, o mundo físico e o mundo
virtual. Teoricamente, podemos dizer que o produto é o mesmo e o consumidor
também, portanto o que muda é a experiência de compra e não necessariamente a
embalagem. Mas não é bem assim, pois sabemos que a embalagem participa e
interfere na percepção que o consumidor forma sobre o produto e que seu papel
no processo de compra muda conforme o cenário onde ela está se apresentando. No
mundo físico, as funções mercadológicas da embalagem são:
1) Destacar o produto chamando a atenção dos consumidores
2) Apresentar de forma clara interessante e sedutora o que o produto
é e significa e quais são seus principais atributos
3) Agregar valor percebido para ajudar o produto a vencer a barreira
do preço
4) Ajudar o consumidor a consumar a compra
Essas funções são as básicas, mas temos ainda a
competitividade – o grau de desempenho da embalagem versus os concorrentes
posicionados ao seu lado na mesma categoria. Além disso, a embalagem é uma
poderosa ferramenta de marketing e veículo de comunicação, que pode trazer informações
e ações de marketing que ampliam seu apelo de venda.
Por fim, temos a conexão da embalagem com a web,
uma nova função que utiliza a embalagem para levar o consumidor ao ambiente
digital do produto, abrindo novas possibilidades de relacionamento. Todas essas
funções, que já são desempenhadas regularmente pelas melhores embalagens,
permanecem valendo para o mundo físico, que não vai desaparecer, mas apenas se
adaptar aos novos tempos pós-pandemia.
Já as embalagens vendidas online, além de cumprirem
suas funções básicas, precisam incorporar novos atributos característicos do
ambiente virtual, onde a experiência de consumo é realizada sem o processo de
compra físico, que envolve deslocamentos, sair de casa, caminhar pelos
ambientes, comparar produtos e tantos outros detalhes que estão presentes
quando vamos às compras.
No ambiente virtual, a principal função da
embalagem é “aparecer bem na foto”, pois aqui, também,
embalagens expressivas, visualmente bonitas e fotogênicas levam vantagem. Mas a
grande contribuição que uma embalagem pode oferecer ao e-commerce é “promover
um final feliz para o processo de compra”. É ela que faz a entrega do
produto no mundo físico onde o consumidor vive e aquela que está presente no
momento mágico em que ele vive a experiência de consumo com o produto que
escolheu, comprou e aguardou dias para receber. Nesse momento, uma boa
embalagem põe para cima toda a experiência, quer confirmando a escolha e
atendendo as expectativas geradas online, ou derrubando todo o processo e decepcionando
o consumidor.
No começo, as embalagens do e-commerce eram apenas
pacotes de entrega arranjados de qualquer jeito. Com o tempo, as empresas foram
aprendendo a usar a embalagem não apenas para carregar o produto, mas para
participar positivamente em todo o processo da venda online.
Hoje já podemos encontrar exemplos elogiados pelos
consumidores nas redes sociais, surpreendidos positivamente pela embalagem que
receberam. Um caso recente é a embalagem que conversa com o consumidor e
anuncia sua chegada com um animado “Hello, Cheguei!”. No outro lado da caixa,
uma instrução decisiva para dar um ‘up’ na experiência: “Antes de abrir,
repita: eu mereço!”. Dentro, a cereja do bolo: um bilhete escrito à mão que
fecha todo o processo com um toque humano, dando ao consumidor a sensação de
estar ajudando com sua compra a economia e pessoas cujo trabalho está sendo
afetado pela pandemia.
Esse exemplo mostra claramente que as embalagens
do e-commerce precisam “conversar” com o consumidor e estabelecer uma relação
no mundo onde ele vive, precisam criar empatia, promover um final feliz para o
processo, e de preferência, e se possível, já engatar a próxima venda. São
novas funções que abrem para as embalagens uma avenida de oportunidades,
retirando-as da abordagem meramente de custo para fazê-las ingressar
definitivamente numa nova era em que caberá a elas o ato final de fechar com
chave de ouro o processo de venda online.
As embalagens de papelcartão tendem a ganhar
proeminência neste novo ambiente por suas características favoráveis à
logística de entrega dos produtos e, principalmente, por terem seis lados que
podem ser utilizados para imprimir informações e se comunicar. Também favorece
as embalagens de papel o fato de elas poderem receber impressão interna, dando
continuidade ao processo de interação entre o consumidor e o produto que está
recebendo.
Gosto sempre de citar uma frase que Steve Jobs
disse: “O ato de desembalar um produto é parte fundamental da
experiência do consumidor”. Novos tempos exigem novas embalagens e
aquelas de papelcartão precisam avançar rapidamente sobre as oportunidades que
estão surgindo, apropriando-se da nova linguagem, da forma como ela comunica
sua chegada e tece comentários sobre o que está trazendo, da maneira como continua
trazendo mensagens na parte interna, conforme a caixa vai sendo aberta, e do
processo de “desembalagem”, valorizando cada detalhe e
estabelecendo laços que devem conduzir para uma próxima venda.
Fábio Mestriner - consultor da Ibema Papelcartão. Designer, professor do curso de pós-graduação em Engenharia de Embalagem do IMT Mauá e autor dos livros Design de Embalagem – Curso Avançado, Gestão Estratégica de Embalagem e Inovação na Embalagem – Método Prático.
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